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sexta-feira, 21 de março de 2014

Padre J. B. Libanio: Migração e tráfico de seres humanos

As pessoas fogem da vida dura e penosa do campo. Não têm as comodidades que a vitrine da cidade ostenta. Nas cidades, o trabalho, o melhor salário, as cores e luzes do consumismo e do prazer, as possibilidades culturais, a experiência de liberdade seduzem altamente. E as migrações aumentam. (Padre J. B. Libanio)


O Padre João Batista Libanio, com seu olhar de teólogo, deixou-nos um precioso artigo sobre a migração e o tráfico de seres humanos publicado em 16/4/2010.

A Campanha da Fraternidade de 2014 (CF-2014), que tem como tema "Fraternidade e Tráfico Humano", acaba de coincidir com a mesma preocupação que já tivera o Padre Libanio, em abril de 2010, ao escrever o artigo "Migração e tráfico de seres humanos".

Por sua pertinência com a CF-2014, reproduzo, em sua inteireza, o artigo:

Migração e tráfico de seres humanos
A migração data do início da hominização. Os primeiros humanos se nomadizaram. Iam à cata de frutos selvagens e de caça. Esgotavam-se esses recursos, caminhavam então para frente. Assim viveram milhões de anos. Por volta dos anos 8000 a.C., acontece a revolução agrícola. O nômade se fixa no cultivo da terra e na domesticação de animais para o trabalho. Tal fato provoca o sedentarismo com moradia fixa em aldeias.
Daí para frente a migração e a estabilidade disputam as pessoas. Sempre houve aventureiros que se lançaram a navegar pelos oceanos e a caminhar pelas terras. A sociedade rural, porém, manteve certa estabilidade. Vivia-se onde se trabalhava. As grandes movimentações aconteciam em momentos de catástrofes.
A revolução industrial desequilibrou a balança. Demandava mão de obra e começava a formar aglomerados urbanos. Esses atraiam cada vez mais os camponeses que migraram massivamente para as cidades. Até hoje o fenômeno continua. No Brasil, as metrópoles incham desordenadamente com o êxodo rural.
Somam vários fatores. As pessoas fogem da vida dura e penosa do campo. Não têm as comodidades que a vitrine da cidade ostenta. Nas cidades, o trabalho, o melhor salário, as cores e luzes do consumismo e do prazer, as possibilidades culturais, a experiência de liberdade seduzem altamente. E as migrações aumentam.
O sistema capitalista industrial deslocou pessoas do campo, mas, de certa maneira, fixou-as na cidade. O êxodo se fazia contínuo do espaço rural para o urbano. A transformação do capitalismo por obra da eletrônica, informática, alta tecnologia está a produzir outro desequilíbrio. As massas urbanas caem no desemprego. E elas começam a mover-se das regiões, cidades, países e até continentes pobres para outros lugares que acenam para futuro melhor. Os habitantes de países ricos refugam trabalhos braçais, de baixo salário e sujos. Então contratam estrangeiros de países pobres para executá-los. De novo, voltam as migrações já de outra natureza.
Mais: o capitalismo neoliberal aumenta a brecha entre os Mundos Primeiro e Terceiro. Então gera imensas massas de miseráveis que se deslocam à busca de sobrevivência que não encontram onde moram. A Europa e a América do Norte surgem como a meca de tantos famintos. Mas elas cerram as fronteiras reforçando o policiamento contra os migrantes. Imensa tragédia humana que tende a crescer. O sistema econômico comete, ao mesmo tempo, dois crimes. Aumenta o número das vítimas e cerra-lhes as portas de saída.
Soma-se a essa monstruosidade social o nefando tráfico humano sexual que alimenta a vida perversa de grandes centros urbanos tanto nacionais como estrangeiros. Acenam a presas carentes o dinheiro fácil do comércio sexual. E a ética naufraga por todos os lados.


Leia mais:

O legado do padre João Batista Libanio


Fonte do artigo reproduzido:
http://www.jblibanio.com.br/modules/wfsection/article.php?articleid=576

Fonte da imagem:
http://www.domtotal.com.br/colunas/detalhes.php?artId=4058

sexta-feira, 14 de março de 2014

O legado do padre João Batista Libanio

A fonte da vocação encontra-se no desejo, no entusiasmo e na alegria de servir o povo de Deus. Nada faz o ser humano ser tão feliz como colaborar no crescimento interior e espiritual das pessoas. (J. B. Libanio)


Dono de farta cultura, o escritor e palestrante padre João Batista Libanio, SJ, deixou um legado teológico invejável para a presente e futuras gerações. Já próximo de completar 82 anos, ele esteve sempre ativo.

Como Deus apronta surpresas, fomos colhidos pelo inesperado falecimento (infarto fulminante) do grande teólogo jesuíta, no dia 30 de janeiro de 2014, na cidade de Curitiba, onde estava orientando um retiro para professores.

O noticiário (como o Estado de Minas Gerais), inclusive a News.Va (agência de notícias do Vaticano), já se ocupou sobre informar o falecimento do padre João Batista Libanio.

Vou me ocupar apenas de algo mais ameno, focalizando algumas colocações feitas pelo próprio padre Libânio.

Ao tempo da visita do Papa Francisco ao Brasil, por ocasião da Jornada Mundial da Juventude, o padre Libanio declarou ao jornal Estado de Minas Gerais, edição de 29 de julho de 2013:

“A novidade, em comparação com João Paulo II e Bento XVI, é que ele não chegou com um discurso pronto como simples reafirmação da doutrina, mas falou com base na realidade, improvisando com mensagens curtas e simples”.

E, depois, veio a escrever sobre o Papa Francisco:

“Conheceu de perto a triste figura das grandes cidades latino-americanas e assim adquiriu conhecimento e compreensão do mundo dos pobres. Falará dele não por informação acadêmica, mas a partir da experiência vivida no cotidiano. Não lhe cabem adjetivos de conservador ou de tradicional. Vale mais dizer que lhe habitam o coração vivências que o aproximam dos pobres. E daí haurirá luzes e força pela presença do Espírito para ajudar a Igreja no caminho em direção aos pobres.”

Padre Libanio deixa uma vasta obra em livros, não só de teologia mas também de formação. Deixa os lições, os ensinamentos das palestras e homilias, bem como as mais coisas ligadas à espiritualidade. Neste aspecto, observe-se que ele faleceu por ocasião em que orientava um retiro de professores. 

A sua atividade literária (livros, homilias, artigos vários, recensões) podem ser conferidos aqui.

Da vasta e preciosa bibliografia, menciono: A arte de formar-se; Eu creio - Nós cremos. Tratado da fé; Introdução à Teologia, perfil, enfoques, tarefas (em parceria com Afonso Murad); Teologia  da Libertação: roteiro didático para um estudo; e Teologia da Revelação a partir da Modernidade.


Leia mais:

"Acolhi a vida como um dom". Morre, aos 81 anos, João Batista Libânio

João Batista Libanio - Colunas Dom Total


Fonte da imagem:
http://www.arquidiocesebh.org.br/site/noticias.php?id_noticia=7349