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domingo, 27 de junho de 2010

Os folhetos de Missa e as leituras bíblicas



A questão que se coloca é: deve-se acompanhar as leituras bíblicas proclamadas nas Missas pelos folhetos (Deus Conosco, O Domingo, Sancta Missa e outros) ou deixá-los de lado e prestar atenção ao que está sendo lido, ou melhor, escutar a leitura que está sendo proclamada pela leitora ou leitor?

A Missa é uma celebração de natureza eclesial, ou seja, comunitária. O povo de Deus é convocado e reunido, para, sob a presidência do sacerdote (bispo, padre) que representa a pessoa de Cristo, celebrar a memória do Senhor ou sacrifício eucaristíco.

A Missa é o lugar por excelência da presença da Trindade: Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. A comunidade trinitária presente. A comunidade Povo de Deus também presente.

No significado da palavra celebrar (do latim, celebrare), está o efeito de fazer, em grande número, algo solene, notável. O indicador é, portanto, de pluralidade de pessoas. Daí, deduz-se que a Missa, ou a Eucaristia, não pode ser uma celebração de natureza individual.

No diálogo que se estabelece na Missa, Deus vem falar para a comunidade reunida. É Deus quem fala, e o faz por intermédio da leitora, leitor, salmista. E Cristo, presente em sua palavra, anuncia o Evangelho, e o faz na pessoa do sacerdote ministerial (padre).

Mais expressivo dizer que a Palavra de Deus é proclamada (do latim pro + clamare, ou seja, clamar em frente, diante). Ninguém brada para si. Proclamar (proclamare) já traz em seu conceito o sentido de clamar para muitas pessoas (público). É a Palavra de Deus bradada, ou melhor, clamada pela leitora ou leitor em voz alta e solenemente diante da assembléia.

Você já pensou: é Deus quem fala! Nesse momento cultual em que Deus fala por meio da leitora ou leitor, por que a gente não procura, reverente e atentamente, escutar a Palavra que está sendo proclamada?

Diz um notável teólogo da Liturgia: "Isso significa que a leitura litúrgica deve ser entendida como proclamação, ou seja, como uma leitura dirigida à assembléia que ouve. No momento cultual não há de fato lugar para a leitura privada ou pessoal; nem sequer para a que muitas vezes hoje em nossas igrejas cada qual é tentado a fazer no "seu" folheto." (Cesare Giraudo, Admiração eucarística. Para uma mistagogia da missa à luz da encíclica 'Ecclesia de Eucharistia', tradução de Orlando Moreira, São Paulo, Edições Loyola, 2008, pág.75). Ou, como diz o mesmo liturgista, "não fazem mais que repetir em particular as leituras" (pág. 71).

Em conclusão, enquanto se proclamam as leituras bíblicas, não é o momento cultual para, utilizando-se dos chamados "folhetos litúrgicos", fazer leitura individual das mesmas passagens bíblicas. Do contrário, Deus fala e Cristo anuncia para uma assembléia ocupada com a leitura dos folhetos. Em outros dizeres, os membros da assembléia olham, com as cabeças abaixadas, para os folhetos, e não escutam. Neste caso, o binômio proclamação e escuta está em ruído, ou seja, está falho.



Fonte da primeira imagem:
http://liturgiacatolica-liturgia.blogspot.com/2009/04/o-leitor.html

Fonte da segunda imagem:
http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/foto/0,,16207275-FMM,00.jpg

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Admiração eucarística


No dia 17 de abril, Quinta-Feira Santa, do ano 2003, o Papa João Paulo II publicava a Carta Encíclica Ecclesia de Eucharistia sobre a Eucaristia na sua relação com a Igreja, cujo texto, em português, pode ser lido aqui.

O teólogo jesuíta Cesare Giraudo (1941) inspirou-se na Encíclica Ecclesia de Eucharistia para escrever o livro que leva o sugestivo título Stupore eucaristico - Per una mistagogia della Messa alla luce dell'enciclica "Ecclesia de Eucharistia" (2004 - Libreria Editrice Vaticana - 00120 Città del Vaticano). Traduzido para o português por Orlando Moreira, com o título "Admiração eucarística - Para uma mistagogia da missa à luz da encíclica Ecclesia de Eucharistia", editado pelas Edições Loyola em 2008, recentemente chegado à livrarias.

O padre Cesare Giraudo, professsor da Pontifícia Universidade Gregoriana e do Pontifício Instituto Oriental (Roma), já conhecido do público católico brasileiro pela obra Redescobrindo a Eucaristia, editada pelas Edições Loyola. E, posteriormente, pela profunda e volumosa obra Num só corpo - Tratado mistagógico sobre a eucaristia, com 640 páginas, que também leva o selo das Edições Loyola.

O livro "Admiração eucarística", com 200 páginas, contém prefácio assinado pelo autor, datado em Roma, Pontifício Instituto Oriental, 15 de outubro de 2004. O livro compõe-se de cinco capítulos e um apêndice. O tema de cada capítulo, com subdivisões, é complementado, para o estudo pessoal e para o trabalho em grupo comunitário, de Questionário de Reflexão. O tema do primeiro capítulo intitula-se: A eucaristia, "fonte e ápice" da liturgia; o do segundo capítulo: A eucaristia: um dom a ser sempre descoberto; o do terceiro capítulo: A eucaristia: um dom a ser descoberto a partir da celebração; o do quarto capítulo: A eucaristia: um dom a ser administrado com admiração sempre nova; o do capítulo quinto: A eucaristia, penhor de esperança: "Eis que estou convosco até a consumação dos tempos". E Apêndice: A construção de uma igreja como experiência mistagógica.

Quem já teve contato com as obras anteriores do autor, saberá valorizar o novo livro Admiração eucarística.

Recomendo a sua leitura.


Fonte da imagem:
https://www.livrarialoyola.com.br/detalhes.asp?secao=livros&CodId=1&ProductId=254305&Menu=1#