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terça-feira, 15 de julho de 2008

Liturgia e Vida Espiritual


Juan Javier Flores afirma que: "O século XX pode ser dividido, segundo uma visão histórico-litúrgica, em três grandes etapas: do movimento litúrgico à reforma (1909-1959); da reforma à renovação propriamente dita (1963-1990); desenvolvimento da espiritualidade litúrgica (a partir de 1990)" [1]

Toma-se o ano de 1909, quando foi realizado em 23 de setembro, em Malines (Bélgica), o Congrés National des oeuvres catholiques, como início do movimento litúrgico, com a marcante atuação do monge Dom Lambert Beauduin. O anúncio do Concílio Ecumênico Vaticano II pelo Papa João XXIII deu-se em 1959.

O Concílio Vaticano II foi realizado entre os anos de 1963-1965. Em 4 de dezembro de 1963, o Concílio promulga a Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium sobre a Sagrada Liturgia. É o primeiro documento do Concílio. Não foi difícil ser o primeiro, posto que seu conteúdo já estava amadurecido pela longa jornada do movimento litúrgico. Depois do término do Concílio em 1965, começou a implantação da reforma litúrgica, com adaptações, sujeita a atualizações quanto à parte mutável. Passado, como podemos dizer, o grosso da implantação litúrgica, desenvolve-se para um estágio seguinte: a espiritualidade litúrgica.

Se assim se pode expressar, é sobre esse estágio da liturgia - a espiritualidade - que trata o livro Liturgia e Vida Espiritual: teologia, celebração, experiência, de Jesús Castellano (1941-2006), que dá título ao post.

O padre Jesús Castellano Cervera nasceu em Villar de Arzobispo (Valência - Espanha) no dia 30 de julho de 1941, e faleceu em Roma no dia 15 de junho de 2006. Era da Ordem dos Carmelitas Descalços (O.C.D.). Doutor em Teologia, especialista em liturgia e espiritualidade, e conselheiro de vários discatérios da Cúria Romana. Professor por mais de trinta anos no Pontifício Instituto Teresianum de Roma e em outros centros acadêmicos romanos. Autor de vários livros e conferencista.

Liturgia e Vida Espiritual, cujo título original é Liturgia y vida espiritual : Teología, celebración, experiencia (Centre de Pastoral Litúrgica, Barcelona, 2006), foi traduzido do espanhol para o português por Antonio Efro Feltrin. O livro é editado pela Editora Paulinas, em São Paulo, e faz parte da Coleção Liturgia Fundamental.

O livro, com 456 páginas, está dividido em três grandes partes. Parte I - A liturgia: fonte, ápice e escola de espiritualidade (páginas 13-124) desdobra-se nos capítulos I, II, III e IV. Cada capítulo se encerra com bibliografia. E uma conclusão fecha a primeira parte, seguida de bibliografia. Parte II - Grandes temas de uma teologia espiritual litúrgica (páginas 125-340) desdobra-se nos capítulos V, VI, VII, VIII, IX e X, encerrando-se com respectiva bibliografia. Parte III - Grandes temas de espiritualidade em chave litúrgica (páginas 341-447) desdobra-se nos capítulos XI, XII, XIII e XIV e também aqui cada capítulo se encerra com bibliografia. E esta terceira parte é fechada por Conclusão: Por uma liturgia viva. E, por fim, uma bibliografia geral (páginas 448-455).

A vida espiritual é a "vida da pessoa humana, guiada pela parte mais nobre de si mesma: o espírito (nous). No sentido mais estritamente cristão, é a vida "no Espírito" (pneuma); nela o Espírito torna-se princípio vital da existência da pessoa redimida ("todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus": Rm 8,14). A vida espiritual é a vida no Espírito e segundo o Espírito" (página 31).

A primeira parte é a chave para a abertura às partes seguintes. É uma conclamação a Celebrar e viver no Espírito Santo. O autor afirma: "O caminho da autenticidade da experiência litúrgica encontra-se na dimensão "espiritual" que não é um adjetivo sem apoio, mas uma referência necessária ao Espírito Santo no qual se deve celebrar e viver, com o qual, de alguma maneira, somos chamados a concelebrar" (página 107).

E ainda: "Por um lado, a espiritualidade cristã não pode ignorar sua dimensão social de testemunho e compromisso, com as ênfases especiais que este conceito pode ter segundo as circunstâncias sociais e políticas especiais de cada ambiente. Falar-se-á, então, de imersão no mundo, de testemunho cristão, de exigências de justiça social, de compromisso de libertação..." (página 415).

Na liturgia, mormente na celebração da Eucaristia, está inerente o compromisso ético: "Se até algumas décadas atrás a Igreja era vista como uma comunidade que se reunia em torno do altar para celebrar a Eucaristia, hoje completamos sua visão, falando de uma Igreja que do altar se volta para o mundo, portadora das energias do Ressuscitado e de seu Espírito para ser, na sociedade, fermento de fraternidade e de justiça universal" (página 416).

A espiritualidade mariana está presente no livro do autor. No dia 16 de julho de 2005, Festa de Nossa Senhora do Carmo, o Padre Jesús Castellano prefaciava (introdução) em Roma o seu livro em tela: Liturgia e Vida Espiritual: Teologia, celebração, experiência. E o capítulo VIII da parte II do livro foi todo dedicado à Maria sob o enfoque: A presença da Virgem Maria: comunhão e exemplaridade (páginas 263-282).

O sugestivo título do livro está a lembrar-nos que o autor, pela graça de Deus, vive a plena liturgia na plenitude da vida espiritual, na Trindade Celeste, em companhia de Maria.


Leia mais:


Ha muerto el padre Jesús Castellano Cervera ocd. "paseando a la eternidade" (em espanhol)

La Pontificia Facoltà del Teresianum ricorda con profondo dolore lo stimato professore (em italiano)


[1] Introdução à Teologia Litúrgica, tradução de Antonio Efro Feltrin, São Paulo, Editora Paulinas, 2006, p. 397.


Fonte da primeira imagem:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u70087.shtml

Fonte da segunda imagem:
http://www.paulinas.org.br/loja/DetalheProduto.aspx?IDProduto=8386

Fonte da terceira imagem:
http://www.teresianum.org/italiano/pjesus/pjesus.htm

Fonte da quarta imagem:
http://sede-de-deus.blogspot.com/2007/07/terra-frtil.html

sábado, 10 de maio de 2008

Odo Casel: expoente da renovação litúrgica

Em 2008, completam-se quarenta sessenta anos da morte de Odo Casel, monge beneditino.

Segundo o abade Salvatore Marsili, OSB, (1910-1983): "O mistério pascal ocupou e dirigiu toda a sua pesquisa e toda a sua vida, até marcar também a sua morte. Com efeito, ele morreu na Páscoa de 1948, quando entoava o "precônio pascal" Exultent divina mysteria..." [1]. No entanto, Juan Javier Flores afirma: "No dia 28 de março de 1948 sofreu um infarto enquanto estava entoando o Lumen Christi da vigília pascal, e morreu na manhã de Páscoa" [2]. Lumen Christi (latim) significa em português Luz de Cristo.

O certo é que Dom Odo Casel morreu na Páscoa, seja na Vigília, sábado, seja no dia seguinte, Domingo da Páscoa.

Johannes Casel nasceu na cidade de Koblenz-Lützel, região da Renânia, na Alemanha, no dia 27 de setembro de 1886.

Ingressou na abadia beneditina de Maria Laach em 1905. No dia 24 de fevereiro de 1907 emitiu os votos de profissão monástica, adotando o nome de Odo. Em 17 de setembro de 1911 foi ordenado presbítero (padre).

O nome de Dom Odo Casel, monge beneditino, está diretamente ligado ao Movimento Litúrgico.

A grandeza de Dom Odo Casel para a liturgia pode ser medida desta afirmação do abade Salvatore Marsili, co-fundador e primeiro presidente do Pontifício Instituto Litúrgico de Roma: "Odo Casel foi um autêntico precursor do Concílio" [3].

Em língua portuguesa, a obra atual e disponível sobre a vida e a obra de Dom Odo Casel é do teólogo Juan Javier Flores, monge beneditino, e presidente do Pontifício Instituto Litúrgico de Roma, cujo título é Introdução à Teologia Litúrgica, tradução de Antonio Efro Feltrin, mencionada na nota 2 abaixo.


Leia mais:




[1] A Eucaristia - teologia e história da celebração, de S. Marsili, A. Nocent, M. Augé e A. J. Chupungco, tradução de Benôni Lemos, São Paulo, Editora Paulus, 2ª edição, 1996, p. 60, nota de rodapé n. 60.

[2] Introdução à Teologia Litúrgica, tradução de Antonio Efro Feltrin, São Paulo, Editora Paulinas, 2006, p. 162.

[3] Prefácio de S. Marsili à obra de Odo Casel O mistério do culto cristão (síntese), citado por Juan Javier Flores, Introdução à Teologia Litúrgica, tradução de Antonio Efro Feltrin, São Paulo, Editora Paulinas, 2006, p. 205.


Fonte da primeira imagem:
http://www.canonlaw.info/liturgysacraments.htm

Fonte da segunda imagem:
http://www.paulinas.org.br/loja/DetalheProduto.aspx?idProduto=7742