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sábado, 25 de janeiro de 2014

Os desafios sobre a família estão no centro dos debates do próximo Sínodo dos Bispos



Como anda a família no mundo atual? Eis a questão que desafia a Igreja.

Os desafios pastorais sobre a família no contexto da evangelização serão abordados pela III Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos, cujo documento preparatório, em português, pode ser lido aqui.

A Assembleia foi convocada pelo Papa Francisco e será realizada no Vaticano, no período de 5 a 19 de outubro de 2014.

O documento preparatório da Assembleia, também chamado instrumento de trabalho (instrumentum laboris), sinaliza a dimensão e a profundidade das questões a serem enfrentadas pelo Sínodo:

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"Hoje perfilam-se problemáticas até há poucos anos inéditas, desde a difusão dos casais de facto, que não acedem ao matrimónio e às vezes excluem esta própria ideia, até às uniões entre pessoas do mesmo sexo, às quais não raro é permitida a adoção de filhos. Entre as numerosas novas situações que exigem a atenção e o compromisso pastoral da Igreja, será suficiente recordar: os matrimónios mistos ou inter-religiosos; a família monoparental; a poligamia; os matrimónios combinados, com a consequente problemática do dote, por vezes entendido como preço de compra da mulher; o sistema das castas; a cultura do não-comprometimento e da presumível instabilidade do vínculo; as formas de feminismo hostis à Igreja; os fenómenos migratórios e reformulação da própria ideia de família; o pluralismo relativista na noção de matrimónio; a influência dos meios de comunicação sobre a cultura popular na compreensão do matrimónio e da vida familiar; as tendências de pensamento subjacentes a propostas legislativas que desvalorizam a permanência e a fidelidade do pacto matrimonial; o difundir-se do fenómeno das mães de substituição (“barriga de aluguel”); e as novas interpretações dos direitos humanos. Mas sobretudo no âmbito mais estritamente eclesial, o enfraquecimento ou abandono da fé na sacramentalidade do matrimónio e no poder terapêutico da penitência sacramental."

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Por ser de real interesse para os fiéis, aliada a sua repercussão nos meios de comunicação, reproduzo o Questionário  de que cuida o item III do documento preparatório:

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"III – Questionário

As seguintes perguntas permitem às Igrejas particulares participar ativamente na preparação do Sínodo Extraordinário, que tem a finalidade de anunciar o Evangelho nos atuais desafios pastorais a respeito da família. 

1 - Sobre a difusão da Sagrada Escritura e do Magistério da Igreja a propósito da família

a) Qual é o conhecimento real dos ensinamentos da Bíblia, da “Gaudium et spes”, da “Familiaris consortio” e de outros documentos do Magistério pós-conciliar sobre o valor da família segundo a Igreja católica? Como os nossos fiéis são formados para a vida familiar, em conformidade com o ensinamento da Igreja? 

b) Onde é conhecido, o ensinamento da Igreja é aceite integralmente. Verificam-se dificuldades na hora de o pôr em prática? Se sim, quais? 

c) Como o ensinamento da Igreja é difundido no contexto dos programas pastorais nos planos nacional, diocesano e paroquial? Que tipo de catequese sobre a família é promovida? 

d) Em que medida – e em particular sob que aspectos – este ensinamento é realmente conhecido, aceite, rejeitado e/ou criticado nos ambientes extra-eclesiais? Quais são os fatores culturais que impedem a plena aceitação do ensinamento da Igreja sobre a família?

2 - Sobre o matrimónio segundo a lei natural

a) Que lugar ocupa o conceito de lei natural na cultura civil, quer nos planos institucional, educativo e académico, quer a nível popular? Que visões da antropologia estão subjacentes a este debate sobre o fundamento natural da família? 

b) O conceito de lei natural em relação à união entre o homem e a mulher é geralmente aceite, enquanto tal, por parte dos batizados? 

c) Como é contestada, na prática e na teoria, a lei natural sobre a união entre o homem e a mulher, em vista da formação de uma família? Como é proposta e aprofundada nos organismos civis e eclesiais? 

d) Quando a celebração do matrimónio é pedida por batizados não praticantes, ou que se declaram não-crentes, como enfrentar os desafios pastorais que disto derivam? 

3 – A pastoral da família no contexto da evangelização

a) Quais foram as experiências que surgiram nas últimas décadas em ordem à preparação para o matrimónio? Como se procurou estimular a tarefa de evangelização dos esposos e da família? De que modo promover a consciência da família como “Igreja doméstica”? 

b) Conseguiu-se propor estilos de oração em família, capazes de resistir à complexidade da vida e da cultural contemporânea? 

c) Na atual situação de crise entre as gerações, como as famílias cristãs souberam realizar a própria vocação de transmissão da fé? 

d) De que modo as Igrejas locais e os movimentos de espiritualidade familiar souberam criar percursos exemplares? 

e) Qual é a contribuição específica que casais e famílias conseguiram oferecer, em ordem à difusão de uma visão integral do casal e da família cristã, hoje credível? 

f) Que atenção pastoral a Igreja mostrou para sustentar o caminho dos casais em formação e dos casais em crise? 

4 – Sobre a pastoral para enfrentar algumas situações matrimoniais difíceis

a) A convivência ad experimentum é uma realidade pastoral relevante na Igreja particular? Em que percentagem se poderia calculá-la numericamente? 

b) Existem uniões livres de facto, sem o reconhecimento religioso nem civil? Dispõem-se de dados estatísticos confiáveis? 

c) Os separados e os divorciados recasados constituem uma realidade pastoral relevante na Igreja particular? Em que percentagem se poderia calculá-los numericamente? Como se enfrenta esta realidade, através de programas pastorais adequados? 

d) Em todos estes casos: como vivem os batizados a sua irregularidade? Estão conscientes da mesma? Simplesmente manifestam indiferença? Sentem-se marginalizados e vivem com sofrimento a impossibilidade de receber os sacramentos? 

e) Quais são os pedidos que as pessoas separadas e divorciadas dirigem à Igreja, a propósito dos sacramentos da Eucaristia e da Reconciliação? Entre as pessoas que se encontram em tais situações, quantas pedem estes sacramentos? 

f) A simplificação da praxe canónica em ordem ao reconhecimento da declaração de nulidade do vínculo matrimonial poderia oferecer uma contribuição positiva real para a solução das problemáticas das pessoas interessadas? Se sim, de que forma? 

g) Existe uma pastoral para ir ao encontro destes casos? Como se realiza esta atividade pastoral? Existem programas a este propósito, nos planos nacional e diocesano? Como a misericórdia de Deus é anunciada a separados e divorciados recasados e como se põe em prática a ajuda da Igreja para o seu caminho de fé? 

5 - Sobre as uniões de pessoas do mesmo sexo

a) Existe no vosso país uma lei civil de reconhecimento das uniões de pessoas do mesmo sexo, equiparadas de alguma forma ao matrimónio? 

b) Qual é a atitude das Igrejas particulares e locais, quer diante do Estado civil promotor de uniões civis entre pessoas do mesmo sexo, quer perante as pessoas envolvidas neste tipo de união?

c) Que atenção pastoral é possível prestar às pessoas que escolheram viver em conformidade com este tipo de união? 

d) No caso de uniões de pessoas do mesmo sexo que adotaram crianças, como é necessário comportar-se pastoralmente, em vista da transmissão da fé? 

6 - Sobre a educação dos filhos no contexto das situações de matrimónios irregulares

a) Qual é nestes casos a proporção aproximativa de crianças e adolescentes, em relação às crianças nascidas e educadas em famílias regularmente constituídas? 

b) Com que atitude os pais se dirigem à Igreja? O que pedem? Somente os sacramentos, ou inclusive a catequese e o ensinamento da religião em geral? 

c) Como as Igrejas particulares vão ao encontro da necessidade dos pais destas crianças, de oferecer uma educação cristã aos próprios filhos? 

d) Como se realiza a prática sacramental em tais casos: a preparação, a administração do sacramento e o acompanhamento? 

7 - Sobre a abertura dos esposos à vida

a) Qual é o conhecimento real que os cristãos têm da doutrina da Humanae vitae a respeito da paternidade responsável? Que consciência têm da avaliação moral dos diferentes métodos de regulação dos nascimentos? Que aprofundamentos poderiam ser sugeridos a respeito desta matéria, sob o ponto de vista pastoral? 

b) Esta doutrina moral é aceite? Quais são os aspectos mais problemáticos que tornam difícil a sua aceitação para a grande maioria dos casais? 

c) Que métodos naturais são promovidos por parte das Igrejas particulares, para ajudar os cônjuges a pôr em prática a doutrina da Humanae vitae? 

d) Qual é a experiência relativa a este tema na prática do sacramento da penitência e na participação na Eucaristia? 

e) Quais são, a este propósito, os contrastes que se salientam entre a doutrina da Igreja e a educação civil? 

f) Como promover uma mentalidade mais aberta à natalidade? Como favorecer o aumento dos nascimentos? 

8 - Sobre a relação entre a família e a pessoa

a) Jesus Cristo revela o mistério e a vocação do homem: a família é um lugar privilegiado para que isto aconteça? 

b) Que situações críticas da família no mundo contemporâneo podem tornar-se um obstáculo para o encontro da pessoa com Cristo? 

c) Em que medida as crises de fé, pelas quais as pessoas podem atravessar, incidem sobre a vida familiar? 

9 - Outros desafios e propostas

Existem outros desafios e propostas a respeito dos temas abordados neste questionário, sentidos como urgentes ou úteis por parte dos destinatários?"

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O Papa Francisco quer, pois, saber a opinião dos fiéis sobre as questões novas ou controvertidas que afetam a família, como as que, em linhas gerais, foram expostas no trecho acima reproduzido do documento preparatório, bem como aquelas que foram objeto das perguntas diretas e explícitas do Questionário. 

As respostas do Questionário, somando 38 questões, ou perguntas, servirão de base para os trabalhos de debate do Sínodo dos Bispos.


Leia mais:

As 38 questões para o Sínodo sobre a família


A família e os seus desafios pastorais - uma reflexão em tempo de preparação do Sínodo

Sínodo sobre a Família: dioceses preparam síntese do Questionário


Fonte da primeira imagem:
https://docs.google.com/forms/d/1r4PtN-R_ZlWFAMjM91M0ZedPRZvidE8UntB1uqy_87Y/viewform

Fonte da segunda imagem:
http://arqrio.org/noticias/detalhes/1337/sinodo-dos-bispos-questionario-pretende-avaliar-a-familia-no-mundo-atual

domingo, 8 de janeiro de 2012

Missa do Batismo do Senhor - Bento XVI



Papa Bento XVI celebrou domingo (8/1) a Missa da festa do Batismo do Senhor, na Capela Sistina, ainda dentro do Tempo do Natal.

Para a Igreja, a festa do Batismo do Senhor é a última celebração do Tempo do Natal.

No Brasil, a celebração da festa do Batismo do Senhor será na segunda-feira (9/1), visto que a solenidade da Epifania (Reis Magos) foi realizada hoje, domingo, por razões que já expusemos em post anterior.

Na Missa de hoje, Bento XVI administrou o sacramento do Batismo a 16 crianças.

Em sua homilia, o Papa retomou o tema educação. Diz Bento XVI: "educar é tarefa exigente, difícil, árdua para as nossas capacidades; mas torna-se uma missão maravilhosa, se cumprida em colaboração com Deus, o primeiro e verdadeiro educador" (Rádio Vaticano).

Por falar em educar, entre nós, foi defensor da educação na sua dimensão maior (mais do que ministrar conhecimentos) o grande homem público Ruy Barbosa (1849-1923). Para ele, a educação é "a primeira condição para a liberdade". Nas palavras de Rui: "Educar a opinião é, conseguintemente, a primeira condição para a liberdade, para a prosperidade, para a grandeza moral e material de qualquer povo" (Obras Completas, vol. I - 1865-1871, tomo I, Primeiros Trabalhos, Ministério da Educação e Saúde, Rio de Janeiro, 1951, pág. 22).

Educar a opinião tem um sentido político. E o próprio Rui esclarecera antes, na mesma página: "O modo de ação que o povo tem sobre os poderes do estado é a opinião [...]"

Por enquanto a homilia papal está disponibilizada somente em italiano. O texto e o vídeo da Celebração do Batismo do Senhor (8 de janeiro de 2012) podem ser conferidos aqui.


Fonte da imagem: 
http://www.radiovaticana.org/bra/Articolo.asp?c=552858

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Homilia de Bento XVI no primeiro dia de 2012



No primeiro dia do ano civil - 2012 -, a Igreja celebrou a solenidade da Santa Mãe de Deus, cujas Vésperas o Papa presidiu-as no último dia de 2011, no contexto do tempo natalino que se estende até o dia 9 de janeiro, festa do Batismo do Senhor.

Mais uma vez a atenção se volta para a homilia de Bento XVI proferida na celebração, cujo texto, em português, e vídeo podem  ser conferidos aqui. O Papa volta a focalizar a educação dos jovens.

Há de ser notado que o Papa Bento XVI vem insistindo numa educação que deve primariamente começar no lar, pelos pais, já na tenra idade dos filhos e, depois, na juventude.

Educar na fé, nos valores cristãos, desde tenra idade, educar os jovens para a justiça e a paz.

Inspirado na primeira leitura do dia (Nm 6, 22-27), Bento XVI assim se expressa: "Queridos amigos, a paz, em seu sentido mais amplo e elevado, é a soma e a síntese de todas as bênçãos."

O Papa desposita a esperança da construção de um futuro de paz (a soma e a síntese de todas as bençãos) na educação dos jovens. E essa educação - algo mais que a instrução -, começa hoje, iniciando pela família.

E, para alcançar semelhante educação, se posso dizer de formação integral do ser humano, Bento XVI realça:

Esta educação parte da família e se desenvolve na escola e demais experiências educacionais. Basicamente, trata-se de ajudar as crianças, os jovens e os adolescentes a desenvolverem uma personalidade que combine um profundo senso de justiça com o respeito pelo outro, com a capacidade de lidar com os conflitos sem arrogância, com a força interior para dar testemunho do bem, mesmo quando isso custa sacrifício, com o perdão e a reconciliação. Dessa forma, poderão tornar-se homens e mulheres realmente pacíficos e construtores da paz.


Leia mais:

Rezar se aprende em casa - Bento XVI

Ano Novo 2012 - Mensagem de Bento XVI

Vésperas e "Te Deum" no encerramento do ano 2011 por Bento XVI


Fonte da imagem:
http://www.radiovaticana.org/bra/Articolo.asp?c=551105

domingo, 1 de janeiro de 2012

Vésperas e "Te Deum" no encerramento de 2011 por Bento XVI



O Papa Bento XVI presidiu no dia 31 de dezembro de 2011, na Basílica Vaticana, a celebração das Primeiras Vésperas da solenidade de Santa Maria, mãe de Deus, e a recitação do "Te Deum".

Chamou-me a atenção a reiterada ênfase que o Papa vem dando à formação dos filhos pelos pais: "Os pais são os primeiros educadores na fé dos seus filhos desde a mais tenra idade; por isso, é necessário apoiar as famílias na sua missão educativa, por meio de iniciativas adequadas."

A homilia em português, assim como o vídeo da celebração, podem ser conferidos aqui.

Pelo canto do "Te Deum" o Papa agradece a Deus, no encerramento do ano de 2011. Esse tradicional canto, com que a Igreja, ao final do ano, dá graças a Deus, pode, cantado em português na voz do Padre João Carlos, ser conferido no vídeo abaixo.




Leia mais:



Fonte da imagem: 
http://www.radiovaticana.org/bra/Articolo.asp?c=550938

sábado, 31 de dezembro de 2011

Ano Novo 2012 - Mensagem de Bento XVI



O Papa Bento XVI dirige a sua mensagem para a celebração do XLV Dia Mundial da Paz, em 1º de janeiro de 2012. A Mensagem do Papa gira em torno de justiça e paz, educação e jovens. O binômio educação e jovens passa necessariamente pela família. É, nesse sentido, que o Papa frisa: "Queria, pois, revestir a Mensagem para o XLV Dia Mundial da  Paz duma perspectiva educativa: "Educar os jovens para a justiça e a paz", convencido de que eles podem, com o seu entusiasmo e idealismo, oferecer uma nova esperança ao mundo."

A importância da presença dos pais na formação dos filhos é destacada por Bento XVI: "Vivemos num mundo em que a família e até a própria vida se vêem constantemente ameaçadas e, não raro, destroçadas. Condições de trabalho frequentemente pouco compatíveis com as responsabilidades familiares,  preocupações com o futuro, ritmos frenéticos de vida, emigração à procura dum adequado sustentamento se não mesmo da pura sobrevivência, acabam por tornar difícil a possibilidade de assegurar aos filhos um dos bens mais preciosos: a presença dos pais; uma presença, que permita compartilhar de forma cada vez mais profunda o caminho  para se poder transmitir a experiência e as certezas adquiridas com os anos - o que só se torna viável com o tempo passado juntos. Queria aqui dizer aos pais para não desanimarem! Com o exemplo da sua vida, induzam os filhos a colocar a esperança antes de tudo em Deus, o único de quem surgem justiça e paz autênticas."

Essa e outras passagens da Mensagem do Papa Bento XVI podem, em português, ser lidas aqui.


Feliz e próspero 2012!


Leia mais:

Rezar se aprende em casa - Bento XVI

Pai, figura importante na educação dos filhos


Fonte da imagem:
http://bbel.uol.com.br/filhos/post/criando-uma-crianca-feliz.aspx