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sábado, 28 de dezembro de 2013

Cardeal Marc Ouellet: o verdadeiro grande evento deste ano foi a renúncia do Papa



A renúncia do Papa Bento XVI abriu grandes possibilidades - afirma o Cardeal Marc Ouellet, prefeito da Congregação para os Bispos, em entrevista concedida à Radio Vaticana.

E, por tal abertura de grandes possibilidades proporcionada por Bento XVI, o Cardeal conclui: 

É por isso que considero que o verdadeiro grande evento deste ano que se está concluindo foi a renúncia do Papa, um gesto verdadeiramente novo. Foi a maior novidade na história da Igreja, que testemunhou uma grande humildade e, ao mesmo tempo, uma grande confiança no Espírito Santo para o futuro das coisas. É preciso ser muito reconhecedor ao Papa Bento XVI por ter aberto este horizonte e por ter tornado possível esta novidade do Papa Francisco. Creio que haja uma continuidade entre a primeira novidade e todas aquelas que o Papa Francisco tem trazido. Olhando para 2013, considero que estamos num momento de grande viravolta na história da Igreja, que descrevo como pastoral justamente em relação à figura do Papa Francisco.

Bento XVI possibilitou para a Igreja essa grande novidade que cativa todo mundo: Francisco, que já foi reconhecido a Pessoa do Ano.

Novas e importantes perspectivas para a Igreja foram abertas com a declaração de renúncia, ou declaratio: os seguidos pronunciamentos do Papa Bento XVI sobre a vida da Igreja (que podem ser conferidos aqui), depois a eleição do primeiro papa latino-americano (Cardeal Jorge Mário Bergoglio, que passou a chamar-se, em latim, Franciscus) e agora o extraordinário trabalho pastoral do Papa Francisco, que pode ser pesquisado aqui.


Reproduzo a seguir o texto completo da entrevista do Cardeal Ouellet e divulgada ontem, dia 27 de dezembro de 2013, sexta-feira, pela Radio Vaticana:

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Cidade do Vaticano (RV) - O ano que se está concluindo pode realmente definir-se extraordinário para a vida da Igreja. A renúncia ao ministério petrino por parte de Bento XVI e a sucessiva eleição do Papa Francisco são eventos que abriram grandes possibilidades para a Igreja. Foi o que ressaltou o prefeito da Congregação para os Bispos, Cardeal Marc Ouellet, entrevistado pela Rádio Vaticano:

Cardeal Marc Ouellet:- "A renúncia do Papa Bento XVI abriu grandes possibilidades. É por isso que considero que o verdadeiro grande evento deste ano que se está concluindo foi a renúncia do Papa, um gesto verdadeiramente novo. Foi a maior novidade na história da Igreja, que testemunhou uma grande humildade e, ao mesmo tempo, uma grande confiança no Espírito Santo para o futuro das coisas. É preciso ser muito reconhecedor ao Papa Bento XVI por ter aberto este horizonte e por ter tornado possível esta novidade do Papa Francisco. Creio que haja uma continuidade entre a primeira novidade e todas aquelas que o Papa Francisco tem trazido. Olhando para 2013, considero que estamos num momento de grande viravolta na história da Igreja, que descrevo como pastoral justamente em relação à figura do Papa Francisco."

RV: A reforma está propriamente no viver o Evangelho e no ser cristão?

Cardeal Marc Ouellet:- "Creio que seja a própria vontade do Papa Francisco; esta vontade de estabelecer um contato novo, mais próximo do Povo de Deus. A primeira reforma é esta: ir além de todas as formas, de todos os protocolos para estabelecer um contato imediato. E fazendo isso, oferece também a todos os bispos um modelo de proximidade pastoral, de busca de uma presença pastoral que seja calorosa, que seja misericordiosa, que traga consolação e que dê uma nova esperança. Há uma novidade e uma promessa na atitude e nos gestos do Papa Francisco. Mas acrescentaria também: aquilo que me parece muito importante em 2013 é a percepção do Papa Francisco na opinião pública mundial. Esse é um evento extraordinário de evangelização."

RV: Nesse sentido, vale lembrar que Francisco foi recentemente eleito personagem do ano pela revista estadunidense "Time"...

Cardeal Marc Ouellet:- "Exatamente. É o sinal dessa influência, dessa necessidade de esperança que há na humanidade e que encontrou na figura do Papa Francisco o seu ponto de referência. É uma grande "novidade", é uma boa nova! Creio que todos nós devemos alegrar-nos com isso."

RV: Desde o início de seu Pontificado criou-se um verdadeiro laço com os fiéis, um laço de amor, podemos dizer também de um interesse. Há esse mesmo interesse dentro da Igreja, no seio da Cúria? Como são percebidas essa sua mensagem e essa sua atitude surpreendente?

Cardeal Marc Ouellet:- "Creio que haja uma grande alegria em constatar a popularidade do Papa. É uma boa popularidade, que não é simplesmente baseada em coisas superficiais. Certamente isso nos interpela e nos obriga também a mudanças de comportamento. O Santo Padre quer a reforma de uma certa mentalidade clerical com ambições eclesiásticas ou ambições mundanas. Combate esse carreirismo! Creio que isso faça muito bem à Igreja, em todos os níveis, começando pela Cúria Romana. Estamos verdadeiramente num momento de graça e espero que o Espírito Santo lhe dê a saúde e a colaboração de que precisa para levar adiante a reforma da Igreja e a nova evangelização."

RV: Este ano de 2013 foi para o senhor caracterizado, portanto, pela passagem do Pontificado de Bento XVI. O senhor é um dos mais estreitos colaboradores do Papa Francisco. Como viveu essa passagem? Como está vivendo essas mudanças, mesmo havendo uma certa continuidade?

Cardeal Marc Ouellet:- "A simplicidade do Papa Francisco e o fato de conhecer Bergoglio já de antes – éramos amigos – torna a nossa colaboração extraordinariamente simples e se dá em plena harmonia. Para mim é uma grande alegria colaborar com ele, ajudando-o ao máximo. A humanidade precisa de uma figura paterna, uma figura próxima; uma figura que seja – ao mesmo tempo – referência moral segura, mas também calorosa e que desperte a esperança!" (RL)


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Leia mais:

A Cátedra de São Pedro está vaga

20 momentos mais importantes do Pontificado de Bento XVI


Fonte do texto reproduzido:
http://pt.radiovaticana.va/news/2013/12/27/card._ouellet:_ren%C3%BAncia_de_bento_xvi_foi_o_grande_evento_deste_ano,/bra-759107

Fonte da primeira imagem:
http://www.nossasenhorademedjugorje.com/2013/08/bento-xvi-o-papa-que-sempre-renunciou.html

Fonte da segunda imagem:
http://www.snpcultura.org/papa_francisco_chegou_castel_gandolfo_para_se_encontrar_bento_xvi.html

sexta-feira, 1 de março de 2013

O último adeus do Papa Bento XVI



O último Adeus de Bento XVI ocupa hoje o noticiário da mídia.

A imagem diz tudo e a todos diz. Balcão Central do Palácio Apostólico de Castel Gandolfo, quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013.

Eis a histórica saudação do Papa Bento XVI:

"Obrigado! Obrigado a todos vós!

Queridos amigos, sinto-me feliz por estar convosco, rodeado pela beleza da criação e pela vossa simpatia, que me faz muito bem. Obrigado pela vossa amizade, o vosso afecto! Sabeis que este meu dia é diferente dos anteriores. Já não sou Sumo Pontífice da Igreja Católica: até às oito horas da tarde, ainda o sou; depois já não. Sou simplesmente um peregrino que inicia a última etapa da sua peregrinação nesta terra. Mas quero ainda, com o meu coração, o meu amor, com a minha oração, a minha reflexão, com todas as minhas forças interiores, trabalhar para o bem comum, o bem da Igreja e da humanidade. E sinto-me muito apoiado pela vossa simpatia. Unidos ao Senhor, vamos para diante a bem da Igreja e do mundo. Obrigado!

Agora, de todo o coração, dou-vos a minha Bênção: "Abençoe-vos Deus todo-poderoso, Pai, Filho e Espírito Santo".

Obrigado! Boa noite! Obrigado a todos vós!"


Fonte da imagem:
http://www.osservatoreromano.va/portal/dt?JSPTabContainer.setSelected=JSPTabContainer%252FHome

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

A Cátedra de São Pedro está vaga



O Papa Bento XVI, que declarara a sua renúncia em 11 de fevereiro de 2013 (segunda-feira), deixou hoje, às 20,00 horas de Roma (16,00 horas em Brasília - Brasil), o pontificado, ou ministério petrino, para o qual fora eleito em 19 de abril de 2005 (terça-feira).

A Cátedra de São Pedro, ou Sé Apostólica, está vacante, vaga. Aguarda-se o novo ocupante.

Em outras palavras, a Igreja Católica Apostólica Romana está sem o Bispo de Roma, Sucessor do Apóstolo Pedro, como explicitamente está na declaração de renúncia de Bento XVI (renuncio ao ministério de Bispo de Roma). Na renúncia ao ministério de Bispo de Roma está, congenitamente, a renúncia ao pontificado. A Igreja está, portanto, sem Papa.

Além da morte do Papa, a renúncia é uma das formas de vacância da Sé Apostólica.

Nesse cenário de vacância da Sé Apostólica (renúncia do Papa) e de eleição de novo Papa, entram em destaque duas figuras: o Decano e o Camerlengo.

Atualmente, o Camerlengo é o Secretário do Estado da Cidade do Vaticano Cardeal Tarcísio Bertone, 78 anos. E o Decano é o Cardeal Angelo Sodano, 85 anos.


No caso, em linhas gerais, segundo a mesma Constituição, cabe ao Cardeal Camerlengo:

"[...] é atribuição do Camerlengo da Santa Igreja Romana, durante o período de Sé vacante, cuidar e administrar os bens e os direitos temporais da Santa Sé, com o auxílio dos três Cardeais Assistentes, precedido - uma vez para as questões menos importantes, e todas as vezes para as mais graves - do voto do Colégio dos Cardeais." (n. 16)

Como visto, entre outras atribuições, a administração das coisas temporais da Santa Sé fica a cargo do Cardeal Camerlengo.

A presidência das Congregaçõese gerais dos Cardeais cabe ao Cardeal Decano, assim como fazer as comunicações oficiais e convocar os cardeais eleitores.


Leia mais:

Constituição Apostólica Pastor Bonus sobre a Cúria Romana

O decano e o camerlengo: as duas Igrejas de Sodano e Bertone


Fonte da imagem:
http://noticias.terra.com.br/mundo/europa/renuncia-do-papa/teologos-divergem-sobre-permanencia-de-bento-xvi-no-vaticano,fc76383d77fcc310VgnCLD2000000ec6eb0aRCRD.html

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Bento XVI: uma renúncia corajosa e coerente

Hoje cedo, ao acessar informações diárias, me deparei com o anúncio da renúncia do Papa Bento XVI. Imediatamente, recorri à Rádio Vaticano, para, antes de tudo saber, se era mesmo verdade aquilo que, incrédulo, vi como manchete. Fiquei surpreso, emocionado e, imediatamente, comuniquei o fato a meus filhos e à minha esposa. A partir daí, inteiramo-nos de mais notícias, todas recheadas de muitas especulações.

Efetiva e surpreendentemente, o Papa Bento XVI declarou, nesta manhã, a sua renúncia ao ministério de Bispo da Diocese de Roma e de Sucessor de São Pedro (Papa). É verdadeiramente um momento histórico para a Igreja e o mundo.

Tenho a convicção de que o Papa, com a idade avançada, renuncia por condições de saúde não idôneas para exercer adequadamente, com o vigor quer do corpo quer do espírito, o ministério petrino. E nunca pelas várias e diversificadas questões que rodeiam a Igreja Católica Apostólica Romana. 

No passado, quando se especulava sobre a renúncia do Papa, Bento XVI já, em momento efervecescente da pedofilia, afirmara:

“Se o perigo é grande, não se deve fugir dele. Por isso, certamente não é hora de renunciar. Justamente em um momento como este, é preciso permanecer firme e encarar a situação difícil. Esta é a minha concepção. Pode-se renunciar em um momento sereno ou quando a pessoa já não pode mais. Mas não se deve fugir no perigo e dizer: que outro faça isso”.

Dessa afirmação deduz-se que a renúncia não é algo contrário ao exercício petrino, mas de ocorrência rara. Pode-se renunciar em um momento sereno ou quando a pessoa já não pode mais - esclarece o próprio Papa.

A Bento XVI a renúncia lhe pareceu um direito e um dever, como se lê:

"Na entrevista “Luz do mundo”, publicada em 2010, em resposta ao jornalista Peter Seewald, Bento XVI declarou: “Se o Papa chega a reconhecer com clareza que, física, psíquica e mentalmente, já não pode suportar a carga do seu ofício, tem o direito e, em certas circunstâncias, também o dever de renunciar”."

A renúncia de Papa é prevista no Código de Direito Canônico, como dispõe o canône 332, § 2, que abaixo reproduzo:

"Cân. 332 — § 1. O Romano Pontífice, pela eleição legítima por ele aceite juntamente com a consagração episcopal, adquire o poder pleno e supremo na Igreja. Pelo que, o eleito para o pontificado supremo se já estiver dotado com carácter episcopal, adquire o referido poder desde o momento da aceitação. Se, porém, o eleito carecer do carácter episcopal, seja imediatamente ordenado Bispo.
§ 2. Se acontecer que o Romano Pontífice renuncie ao cargo, para a validade requer-se que a renúncia seja feita livremente, e devidamente manifestada, mas não que seja aceite por alguém."

A renúncia de Bento XVI ao ministério de Bispo de Roma e de Papa é um ato de despojamento, humildade e de fé, enfim de sabedoria. E, por ser coisa incomum na vida da Igreja, é um ato de coragem e coerência!

A renúncia, ou resignação, deixa uma grande lição. O ministério petrino é, para Bento XVI, serviço e, como tal, é válido enquanto o exercente tiver condições para tal. Antes de tudo, serviço e, secundariamente, poder. Até o seu ato de renúncia é um magistério, é um ensinamento.

Ainda sob o impacto, acredito que, daqui para a frente, se crie um novo paradigma para o ministério petrino. Com a renúncia de Bento XVI, abre-se uma nova porta para que outros Papas, em situações iguais ou assemelhadas, se sintam sem constrangimentos a resignar ao pontificado.

Um grande teólogo, um grande Papa para ser lido e compreendido. O teólogo e o Papa do diálogo com a cultura. Um Papa que vive o ministério petrino, acima de tudo, como serviço, e não como poder.

O seu papado é verdadeiramente um magistério, ensinando, por exemplo, com as suas catequeses das quartas-feiras, sobremodo, atualmente, as dedicadas ao Ano da Fé.

Mas, ainda estou muito tocado pela renúncia, ainda estou por assimilá-la por completo, não obstante esteja a apreender dela edificantes lições. Sou tomado por esse estado de coisas, porque, na história da Igreja, as renúncias foram pouquíssimas. A última renúncia foi a do Papa Gregório XII (1406-1415), em 4 de julho de 1415.

Por certo, que a renúncia ocupará a grade do noticário dos meios de comunicação nesta segunda-feira de Carnaval.


Leia mais:

Vaticano: Bento XVI apresenta renúncia ao pontificado

Santa Sé desmente rumores sobre renúncia do Papa

Na história da Igreja Católica, Bento XVI é o quarto papa a renunciar


Fonte da imagem:
http://pt.radiovaticana.va/bra/Articolo.asp?c=663813