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sábado, 1 de março de 2014

Cardeal Seán O'Malley: Francisco está abrandando o tom, não a posição da Igreja



O Cardeal Seán Patrick O'Malley, Arcebispo da Arquidiocese de Boston e um dos religiosos mais próximos do Papa Francisco, deu uma entrevista ao The Boston Globe no dia 9 de fevereiro de 2014, objeto de divulgação pelo Vatican Insider, em edição no mesmo dia.

Em 28 de setembro de 2013, o Papa Francisco, por quirógrafo, instituiu o Conselho de Cardeais para ajuda-lo no governo da Igreja Universal e para a revisão da Constituição Apostólica "Pastor Bonus" sobre a Cúria Romana. E, desse Conselho de Cardeais, faz parte o Cardeal O'Malley, como pode ser lido aqui.

Nesse sentido, o Cardeal O'Malley, além de ser pessoa próxima ao Papa Francisco, se afigura ser autoridade eclesiástica credenciada a falar sobre a administração da Santa Sé e a vida da Igreja Universal. 

A entrevista divulgada pelo Vatican Insider, na tradução feita pela Agência Zenit (MEM) para o português, pode ser lida aqui.

Em resumo, o Evangelho, em seu conteúdo, não muda, mudam as tonalidades de como anunciá-lo, buscando facilitar, para hoje, a compreensão da mensagem evangélica proclamada há dois mil anos. Cristo e seu Evangelho estão em busca do homem e da mulher, sobremodo da ovelha desgarrada (Lc 15,3-7). A seu banquete, ele chama, manda buscar os enjeitados, os pobres, os que estão pelas esquinas da vida (Lc 14,15-24). O reino anunciado é para todos, Cristo quer a casa cheia (O senhor ordenou: Sai pelos caminhos e atalhos e obriga todos a entrar, para que se encha a minha casa). O Senhor quer que os espaços sejam ocupados. E a casa cheia é sinal de festa, de alegria, de encontros e reencontros. É a alegria da Boa Nova!

E confira, ainda, o blog do Cardeal O'Malley clicando aqui.


Leia mais:

Cresce o murmurinho em Roma sobre O'Malley, de Boston

Sean Patrick O'Malley: o cardeal de hábito marrom
 
"Devemos amar a todos, inclusive aos que advogam pelo aborto", afirma o cardeal O'Malley


Fonte da imagem:
http://www.bostoncatholic.org/Cardinals-Corner/Default.aspx

sábado, 28 de dezembro de 2013

Cardeal Marc Ouellet: o verdadeiro grande evento deste ano foi a renúncia do Papa



A renúncia do Papa Bento XVI abriu grandes possibilidades - afirma o Cardeal Marc Ouellet, prefeito da Congregação para os Bispos, em entrevista concedida à Radio Vaticana.

E, por tal abertura de grandes possibilidades proporcionada por Bento XVI, o Cardeal conclui: 

É por isso que considero que o verdadeiro grande evento deste ano que se está concluindo foi a renúncia do Papa, um gesto verdadeiramente novo. Foi a maior novidade na história da Igreja, que testemunhou uma grande humildade e, ao mesmo tempo, uma grande confiança no Espírito Santo para o futuro das coisas. É preciso ser muito reconhecedor ao Papa Bento XVI por ter aberto este horizonte e por ter tornado possível esta novidade do Papa Francisco. Creio que haja uma continuidade entre a primeira novidade e todas aquelas que o Papa Francisco tem trazido. Olhando para 2013, considero que estamos num momento de grande viravolta na história da Igreja, que descrevo como pastoral justamente em relação à figura do Papa Francisco.

Bento XVI possibilitou para a Igreja essa grande novidade que cativa todo mundo: Francisco, que já foi reconhecido a Pessoa do Ano.

Novas e importantes perspectivas para a Igreja foram abertas com a declaração de renúncia, ou declaratio: os seguidos pronunciamentos do Papa Bento XVI sobre a vida da Igreja (que podem ser conferidos aqui), depois a eleição do primeiro papa latino-americano (Cardeal Jorge Mário Bergoglio, que passou a chamar-se, em latim, Franciscus) e agora o extraordinário trabalho pastoral do Papa Francisco, que pode ser pesquisado aqui.


Reproduzo a seguir o texto completo da entrevista do Cardeal Ouellet e divulgada ontem, dia 27 de dezembro de 2013, sexta-feira, pela Radio Vaticana:

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Cidade do Vaticano (RV) - O ano que se está concluindo pode realmente definir-se extraordinário para a vida da Igreja. A renúncia ao ministério petrino por parte de Bento XVI e a sucessiva eleição do Papa Francisco são eventos que abriram grandes possibilidades para a Igreja. Foi o que ressaltou o prefeito da Congregação para os Bispos, Cardeal Marc Ouellet, entrevistado pela Rádio Vaticano:

Cardeal Marc Ouellet:- "A renúncia do Papa Bento XVI abriu grandes possibilidades. É por isso que considero que o verdadeiro grande evento deste ano que se está concluindo foi a renúncia do Papa, um gesto verdadeiramente novo. Foi a maior novidade na história da Igreja, que testemunhou uma grande humildade e, ao mesmo tempo, uma grande confiança no Espírito Santo para o futuro das coisas. É preciso ser muito reconhecedor ao Papa Bento XVI por ter aberto este horizonte e por ter tornado possível esta novidade do Papa Francisco. Creio que haja uma continuidade entre a primeira novidade e todas aquelas que o Papa Francisco tem trazido. Olhando para 2013, considero que estamos num momento de grande viravolta na história da Igreja, que descrevo como pastoral justamente em relação à figura do Papa Francisco."

RV: A reforma está propriamente no viver o Evangelho e no ser cristão?

Cardeal Marc Ouellet:- "Creio que seja a própria vontade do Papa Francisco; esta vontade de estabelecer um contato novo, mais próximo do Povo de Deus. A primeira reforma é esta: ir além de todas as formas, de todos os protocolos para estabelecer um contato imediato. E fazendo isso, oferece também a todos os bispos um modelo de proximidade pastoral, de busca de uma presença pastoral que seja calorosa, que seja misericordiosa, que traga consolação e que dê uma nova esperança. Há uma novidade e uma promessa na atitude e nos gestos do Papa Francisco. Mas acrescentaria também: aquilo que me parece muito importante em 2013 é a percepção do Papa Francisco na opinião pública mundial. Esse é um evento extraordinário de evangelização."

RV: Nesse sentido, vale lembrar que Francisco foi recentemente eleito personagem do ano pela revista estadunidense "Time"...

Cardeal Marc Ouellet:- "Exatamente. É o sinal dessa influência, dessa necessidade de esperança que há na humanidade e que encontrou na figura do Papa Francisco o seu ponto de referência. É uma grande "novidade", é uma boa nova! Creio que todos nós devemos alegrar-nos com isso."

RV: Desde o início de seu Pontificado criou-se um verdadeiro laço com os fiéis, um laço de amor, podemos dizer também de um interesse. Há esse mesmo interesse dentro da Igreja, no seio da Cúria? Como são percebidas essa sua mensagem e essa sua atitude surpreendente?

Cardeal Marc Ouellet:- "Creio que haja uma grande alegria em constatar a popularidade do Papa. É uma boa popularidade, que não é simplesmente baseada em coisas superficiais. Certamente isso nos interpela e nos obriga também a mudanças de comportamento. O Santo Padre quer a reforma de uma certa mentalidade clerical com ambições eclesiásticas ou ambições mundanas. Combate esse carreirismo! Creio que isso faça muito bem à Igreja, em todos os níveis, começando pela Cúria Romana. Estamos verdadeiramente num momento de graça e espero que o Espírito Santo lhe dê a saúde e a colaboração de que precisa para levar adiante a reforma da Igreja e a nova evangelização."

RV: Este ano de 2013 foi para o senhor caracterizado, portanto, pela passagem do Pontificado de Bento XVI. O senhor é um dos mais estreitos colaboradores do Papa Francisco. Como viveu essa passagem? Como está vivendo essas mudanças, mesmo havendo uma certa continuidade?

Cardeal Marc Ouellet:- "A simplicidade do Papa Francisco e o fato de conhecer Bergoglio já de antes – éramos amigos – torna a nossa colaboração extraordinariamente simples e se dá em plena harmonia. Para mim é uma grande alegria colaborar com ele, ajudando-o ao máximo. A humanidade precisa de uma figura paterna, uma figura próxima; uma figura que seja – ao mesmo tempo – referência moral segura, mas também calorosa e que desperte a esperança!" (RL)


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Leia mais:

A Cátedra de São Pedro está vaga

20 momentos mais importantes do Pontificado de Bento XVI


Fonte do texto reproduzido:
http://pt.radiovaticana.va/news/2013/12/27/card._ouellet:_ren%C3%BAncia_de_bento_xvi_foi_o_grande_evento_deste_ano,/bra-759107

Fonte da primeira imagem:
http://www.nossasenhorademedjugorje.com/2013/08/bento-xvi-o-papa-que-sempre-renunciou.html

Fonte da segunda imagem:
http://www.snpcultura.org/papa_francisco_chegou_castel_gandolfo_para_se_encontrar_bento_xvi.html

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

"É necessário ampliar os espaços de uma presença feminina mais incisiva na Igreja", afirma o Papa Francisco



A entrevista concedida pelo Papa Francisco ao Diretor da revista La Civiltà Cattolica, na pessoa do seu Diretor Padre Antonio Spadaro, S.J., na Casa Santa Marta, em 19 de agosto de 2013, segunda-feira, ganhou o noticiário como sinal de novos ares, um novo aggiornamento na Igreja.

Francisco é o Papa que "arruma a casa" e seu modo de administrar tem a ver com a sua espiritualidade centrada no discernimento de que fala Santo Inácio de Loyola.

Essa espiritualidade inaciana é esclarecida pelo Papa, ao responder a pergunta que lhe foi formulada pelo Direitor da La Civiltà Cattolica (O que significa para um jesuíta ser Papa?):

«O discernimento é uma das coisas que Santo Inácio mais trabalhou interiormente. Para ele, é um instrumento de luta para conhecer melhor o Senhor e segui-l’O mais de perto. Impressionou-me sempre uma máxima com que se descreve a visão de Inácio: Non coerceri a maximo, sed contineri a minimo divinum est. (não estar constrangido pelo máximo, e no entanto, estar inteiramente contido no mínimo, isso é divino). Reflecti muito sobre esta frase a propósito do governo, de ser superior: não estarmos restringidos pelo espaço maior, mas sermos capazes de estar no espaço mais restrito. Esta virtude do grande e do pequeno é a magnanimidade, que da posição em que estamos nos faz olhar sempre o horizonte. É fazer as coisas pequenas de cada dia com o coração grande e aberto a Deus e aos outros. É valorizar as coisas pequenas no interior de grandes horizontes, os do Reino de Deus».
«Esta máxima oferece os parâmetros para assumir uma posição correcta para o discernimento, para escutar as coisas de Deus a partir do seu “ponto de vista”. Para Santo Inácio, os grandes princípios devem ser encarnados nas circunstâncias de lugar, de tempo e de pessoas. A seu modo, João XXIII colocou-se nesta posição de governo quando repetiu a máxima Omnia videre, multa dissimulare, pauca corrigere, (ver tudo, não dar importância a muito, corrigir pouco) porque mesmo vendo omnia, a dimensão máxima, preferia agir sobre pauca, sobre uma dimensão mínima. Podem ter-se grandes projectos e realizá-los, agindo sobre poucas pequenas coisas. Ou podem usar-se meios fracos que se revelam mais eficazes do que os fortes, como diz São Paulo na Primeira Carta aos Coríntios».
«Este discernimento requer tempo. Muitos, por exemplo, pensam que as mudanças e as reformas podem acontecer em pouco tempo. Eu creio que será sempre necessário tempo para lançar as bases de uma mudança verdadeira e eficaz. E este é o tempo do discernimento. E por vezes o discernimento, por seu lado, estimula a fazer depressa aquilo que inicialmente se pensava fazer depois. E foi isto o que também me aconteceu nestes meses. E o discernimento realiza-se sempre na presença do Senhor, vendo os sinais, escutando as coisas que acontecem, o sentir das pessoas, especialmente dos pobres. As minhas escolhas, mesmo aquelas ligadas à vida quotidiana, como usar um automóvel modesto, estão ligadas a um discernimento espiritual que responde a uma exigência que nasce das coisas, das pessoas, da leitura dos sinais dos tempos. O discernimento no Senhor guia-me no meu modo de governar».
«Pelo contrário, desconfio das decisões tomadas de modo repentino. Desconfio sempre da primeira decisão, isto é, da primeira coisa que me vem à cabeça fazer, se tenho de tomar uma decisão. Em geral, é a decisão errada. Tenho de esperar, avaliar interiormente, tomando o tempo necessário. A sabedoria do discernimento resgata a necessária ambiguidade da vida e faz encontrar os meios mais oportunos, que nem sempre se identificam com aquilo que parece grande ou forte».

Foto: Alícia Uchôa

A Igreja tem urgências. E entenda-a nesta expressão de Francisco: "A Igreja é a totalidade do povo de Deus". E o Papa reflete que, antes de teorizar, a Igreja precisa arregaçar as mangas, trabalhando como se fosse um hospital de campanha, acolher, curar feridas, fazer-se próxima das pessoas. Dai a sugestiva figura comparativa dessa urgência: Um hospital de campanha. Ouçamo-lo:

"A Igreja? Um hospital de campanha...

O Papa Bento XVI, ao anunciar a sua renúncia ao Pontificado, retratou o mundo de hoje como sujeito a rápidas mudanças e agitado por questões de grande relevância para a vida da fé, que requerem vigor, seja do corpo, seja da alma. Pergunto ao Papa, também à luz daquilo que acabou de me dizer: «De que é que a Igreja tem maior necessidade neste momento histórico? São necessárias reformas? Quais são os seus desejos para a Igreja dos próximos anos? Que Igreja “sonha”?»
O Papa Francisco, tomando o incipit da minha pergunta, começa por dizer: «O Papa Bento teve um acto de santidade, de grandeza, de humildade. É um homem de Deus», demonstrando um grande afecto e uma enorme estima pelo seu predecessor.
«Vejo com clareza — continua — que aquilo de que a Igreja mais precisa hoje é a capacidade de curar as feridas e de aquecer o coração dos fiéis, a proximidade. Vejo a Igreja como um hospital de campanha depois de uma batalha. É inútil perguntar a um ferido grave se tem o colesterol ou o açúcar altos. Devem curar-se as suas feridas. Depois podemos falar de tudo o resto. Curar as feridas, curar as feridas... E é necessário começar de baixo».
A Igreja por vezes encerrou-se em pequenas coisas, em pequenos preceitos. O mais importante, no entanto, é o primeiro anúncio: “Jesus Cristo salvou-te”. E os ministros da Igreja devem ser, acima de tudo, ministros de misericórdia. O confessor, por exemplo, corre sempre o risco de ser ou demasiado rigorista ou demasiado laxista. Nenhum dos dois é misericordioso, porque nenhum dos dois toma verdadeiramente a seu cargo a pessoa. O rigorista lava as mãos porque remete-o para o mandamento. O laxista lava as mãos dizendo simplesmente “isto não é pecado” ou coisas semelhantes. As pessoas têm de ser acompanhadas, as feridas têm de ser curadas».
«Como estamos a tratar o povo de Deus? Sonho com uma Igreja Mãe e Pastora. Os ministros da Igreja devem ser misericordiosos, tomar a seu cargo as pessoas, acompanhando-as como o bom samaritano que lava, limpa, levanta o seu próximo. Isto é Evangelho puro. Deus é maior que o pecado. As reformas organizativas e estruturais são secundárias, isto é, vêm depois. A primeira reforma deve ser a da atitude. Os ministros do Evangelho devem ser capazes de aquecer o coração das pessoas, de caminhar na noite com elas, de saber dialogar e mesmo de descer às suas noites, na sua escuridão, sem perder-se. O povo de Deus quer pastores e não funcionários ou clérigos de Estado. Os bispos, em particular, devem ser capazes de suportar com paciência os passos de Deus no seu povo, de tal modo que ninguém fique para trás, mas também para acompanhar o rebanho que tem o faro para encontrar novos caminhos».
«Em vez de ser apenas uma Igreja que acolhe e recebe, tendo as portas abertas, procuramos mesmo ser uma Igreja que encontra novos caminhos, que é capaz de sair de si mesma e ir ao encontro de quem não a frequenta, de quem a abandonou ou lhe é indiferente. Quem a abandonou fê-lo, por vezes, por razões que, se forem bem compreendidas e avaliadas, podem levar a um regresso. Mas é necessário audácia, coragem».
Reflicto naquilo que o Papa está a dizer e refiro o facto que existem cristãos que vivem em situações não regulares para a Igreja ou, de qualquer modo, em situações complexas, cristãos que, de um modo ou de outro, vivem feridas abertas. Penso nos divorciados recasados, casais homossexuais, outras situações difíceis. Como fazer uma pastoral missionária nestes casos? Em que insistir? O Papa faz sinal de ter compreendido o que pretendo dizer e responde.
«Devemos anunciar o Evangelho em todos os caminhos, pregando a boa nova do Reino e curando, também com a nossa pregação, todo o tipo de doença e de ferida. Em Buenos Aires recebia cartas de pessoas homossexuais, que são “feridos sociais”, porque me dizem que sentem como a Igreja sempre os condenou. Mas a Igreja não quer fazer isto. Durante o voo de regresso do Rio de Janeiro disse que se uma pessoa homossexual é de boa vontade e está à procura de Deus, eu não sou ninguém para julgá-la. Dizendo isso, eu disse aquilo que diz o Catecismo. A religião tem o direito de exprimir a própria opinião para serviço das pessoas, mas Deus, na criação, tornou-nos livres: a ingerência espiritual na vida pessoal não é possível. Uma vez uma pessoa, de modo provocatório, perguntou-me se aprovava a homossexualidade. Eu, então, respondi-lhe com uma outra pergunta: “Diz-me: Deus, quando olha para uma pessoa homossexual, aprova a sua existência com afecto ou rejeita-a, condenando-a?” É necessário sempre considerar a pessoa. Aqui entramos no mistério do homem. Na vida, Deus acompanha as pessoas e nós devemos acompanhá-las a partir da sua condição. É preciso acompanhar com misericórdia. Quando isto acontece, o Espírito Santo inspira o sacerdote a dizer a coisa mais apropriada».
«Esta é também a grandeza da confissão: o facto de avaliar caso a caso e de poder discernir qual é a melhor coisa a fazer por uma pessoa que procura Deus e a sua graça. O confessionário não é uma sala de tortura, mas lugar de misericórdia, no qual o Senhor nos estimula a fazer o melhor que pudermos. Penso também na situação de uma mulher que carregou consigo um matrimónio fracassado, no qual chegou a abortar. Depois esta mulher voltou a casar e agora está serena, com cinco filhos. O aborto pesa-lhe muito e está sinceramente arrependida. Gostaria de avançar na vida cristã. O que faz o confessor?»
«Não podemos insistir somente sobre questões ligadas ao aborto, ao casamento homossexual e uso dos métodos contraceptivos. Isto não é possível. Eu não falei muito destas coisas e censuraram-me por isso. Mas quando se fala disto, é necessário falar num contexto. De resto, o parecer da Igreja é conhecido e eu sou filho da Igreja, mas não é necessário falar disso continuamente».
«Os ensinamentos, tanto dogmáticos como morais, não são todos equivalentes. Uma pastoral missionária não está obcecada pela transmissão desarticulada de uma multiplicidade de doutrinas a impor insistentemente. O anúncio de carácter missionário concentra-se no essencial, no necessário, que é também aquilo que mais apaixona e atrai, aquilo que faz arder o coração, como aos discípulos de Emaús. Devemos, pois, encontrar um novo equilíbrio; de outro modo, mesmo o edifício moral da Igreja corre o risco de cair como um castelo de cartas, de perder a frescura e o perfume do Evangelho. A proposta evangélica deve ser mais simples, profunda, irradiante. É desta proposta que vêm depois as consequências morais».
«Digo isto também pensando na pregação e nos conteúdos da nossa pregação. Uma bela homilia, uma verdadeira homilia, deve começar com o primeiro anúncio, com o anúncio da salvação. Não há nada de mais sólido, profundo e seguro do que este anúncio. Depois deve fazer-se uma catequese. Assim, pode tirar-se também uma consequência moral. Mas o anúncio do amor salvífico de Deus precede a obrigação moral e religiosa. Hoje, por vezes, parece que prevalece a ordem inversa. A homilia é a pedra de comparação para calibrar a proximidade e a capacidade de encontro de um pastor com o seu povo, porque quem prega deve reconhecer o coração da sua comunidade para procurar onde está vivo e ardente o desejo de Deus. A mensagem evangélica não pode limitar-se, portanto, apenas a alguns dos seus aspectos, que, mesmo importantes, sozinhos não manifestam o coração do ensinamento de Jesus.»"


Mais adiante, ao ser perguntado sobre Dicastérios romanos, sinodalidade, ecumenismo, o Papa Francisco tratou do papel da mulher na Igreja:

"E o papel da mulher na Igreja? O Papa referiu-se a este tema em várias ocasiões. Numa entrevista tinha afirmado que a presença feminina na Igreja não emergiu mais, porque a tentação do machismo não deixou espaço para tornar visível o papel que compete às mulheres na comunidade. Retomou a questão durante a viagem de regresso do Rio de Janeiro, afirmando que ainda não foi feita uma teologia profunda da mulher. Então, pergunto: «Qual deve ser o papel da mulher na Igreja? Como fazer para torná-lo hoje mais visível?»
«É necessário ampliar os espaços de uma presença feminina mais incisiva na Igreja. Temo a solução do “machismo de saias”, porque, na verdade, a mulher tem uma estrutura diferente do homem. E, pelo contrário, os argumentos que oiço sobre o papel da mulher são muitas vezes inspirados precisamente numa ideologia machista. As mulheres têm vindo a colocar perguntas profundas que devem ser tratadas. A Igreja não pode ser ela própria sem a mulher e o seu papel. A mulher, para Igreja, é imprescindível. Maria, uma mulher, é mais importante que os bispos. Digo isto, porque não se deve confundir a função com a dignidade. É necessário, pois, aprofundar melhor a figura da mulher na Igreja. É preciso trabalhar mais para fazer uma teologia profunda da mulher. Só realizando esta etapa se poderá reflectir melhor sobre a função da mulher no interior da Igreja. O génio feminino é necessário nos lugares em que se tomam as decisões importantes. O desafio hoje é exactamente esse: reflectir sobre o lugar específico da mulher, precisamente também onde se exerce a autoridade nos vários âmbitos da Igreja.""

Por fim, você poderá ler toda a entrevista do Papa Francisco, em português, na Revista Brotéria ou aqui (L'Osservatore Romano, edição semanal em português, Ano XLIV, n. 39, Domingo, 29 de setembro de 2013).


Fonte do texto:
http://www.broteria.pt/component/content/article/101-entrevista-exclusiva-do-papa-francisco-as-revistas-dos-jesuitas?showall=1

Fonte da primeira imagem:
http://www.broteria.pt/outras-revistas/101-entrevista-exclusiva-do-papa-francisco-as-revistas-dos-jesuitas

Fonte da segunda imagem:
http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL374834-5606,00-HOSPITAIS+DE+CAMPANHA+VAO+FUNCIONAR+HORAS+POR+DIA.html

Fonte da terceira imagem:
http://paroquiasaoconradorj.blogspot.com.br/2013/08/dra-zilda-arns-podera-ser-beatificada.html

quinta-feira, 28 de março de 2013

Frei Clodovis Boff defende a posição de Bento XVI sobre a Teologia da Libertação



A Teologia da Libertação volta à tona em entrevista concedida por Frei Clodovis Boff ao Jornal Folha de São Paulo, publicada no dia 11 de março de 2013, segunda-feira, em que o religioso defende a posição de Bento XVI.
 
O compromisso com os pobres é projeto essencial da Teologia da Libertação, mas tal comprometimento é consequência da fé em Cristo.

O núcleo é a vida de fé em Cristo e seu Evangelho, que gera esse e tantos mais comprometimentos. 

O reparo feito pelo então Cardeal Joseph Ratzinger (depois Papa Bento XVI), Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, livrou a Teologia da Libertação da conversão em simples ideologia, expurgando dela o método de análise marxista da realidade como meio para captação de material apto para sustentar a teologia. 
 
Para melhor inteireza, sugiro a leitura da "Instrução sobre alguns aspectos da "Teologia da Libertação"", de 6 de agosto de 1984, da Congregação para a Doutrina da Fé, onde, entre outras passagens, diz:

"Mas as « teologias da libertação », que têm o mérito de haver revalorizado os grandes textos dos profetas e do Evangelho acerca da defesa dos pobres, passam a fazer um amálgama pernicioso entre o pobre da Escritura e o proletariado de Marx. Perverte-se deste modo o sentido cristão do pobre e o combate pelos direitos dos pobres transforma-se em combate de classes na perspectiva ideológica da luta de classes. A Igreja dos pobres significa então Igreja classista, que tomou consciência das necessidades da luta revolucionária como etapa para a libertação e que celebra esta libertação na sua liturgia" (IX, n. 10).

A entrevista concedida por Frei Clodovis Boff à Folha de São Paulo pode ser lida aqui ou aqui.


Leia mais:


Fonte da imagem:
http://www.favic.com.br/fotos/view_photo.php?set_albumName=Simposio-de-Filosofia-2008&id=DSC01258

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Bento XVI: uma renúncia corajosa e coerente

Hoje cedo, ao acessar informações diárias, me deparei com o anúncio da renúncia do Papa Bento XVI. Imediatamente, recorri à Rádio Vaticano, para, antes de tudo saber, se era mesmo verdade aquilo que, incrédulo, vi como manchete. Fiquei surpreso, emocionado e, imediatamente, comuniquei o fato a meus filhos e à minha esposa. A partir daí, inteiramo-nos de mais notícias, todas recheadas de muitas especulações.

Efetiva e surpreendentemente, o Papa Bento XVI declarou, nesta manhã, a sua renúncia ao ministério de Bispo da Diocese de Roma e de Sucessor de São Pedro (Papa). É verdadeiramente um momento histórico para a Igreja e o mundo.

Tenho a convicção de que o Papa, com a idade avançada, renuncia por condições de saúde não idôneas para exercer adequadamente, com o vigor quer do corpo quer do espírito, o ministério petrino. E nunca pelas várias e diversificadas questões que rodeiam a Igreja Católica Apostólica Romana. 

No passado, quando se especulava sobre a renúncia do Papa, Bento XVI já, em momento efervecescente da pedofilia, afirmara:

“Se o perigo é grande, não se deve fugir dele. Por isso, certamente não é hora de renunciar. Justamente em um momento como este, é preciso permanecer firme e encarar a situação difícil. Esta é a minha concepção. Pode-se renunciar em um momento sereno ou quando a pessoa já não pode mais. Mas não se deve fugir no perigo e dizer: que outro faça isso”.

Dessa afirmação deduz-se que a renúncia não é algo contrário ao exercício petrino, mas de ocorrência rara. Pode-se renunciar em um momento sereno ou quando a pessoa já não pode mais - esclarece o próprio Papa.

A Bento XVI a renúncia lhe pareceu um direito e um dever, como se lê:

"Na entrevista “Luz do mundo”, publicada em 2010, em resposta ao jornalista Peter Seewald, Bento XVI declarou: “Se o Papa chega a reconhecer com clareza que, física, psíquica e mentalmente, já não pode suportar a carga do seu ofício, tem o direito e, em certas circunstâncias, também o dever de renunciar”."

A renúncia de Papa é prevista no Código de Direito Canônico, como dispõe o canône 332, § 2, que abaixo reproduzo:

"Cân. 332 — § 1. O Romano Pontífice, pela eleição legítima por ele aceite juntamente com a consagração episcopal, adquire o poder pleno e supremo na Igreja. Pelo que, o eleito para o pontificado supremo se já estiver dotado com carácter episcopal, adquire o referido poder desde o momento da aceitação. Se, porém, o eleito carecer do carácter episcopal, seja imediatamente ordenado Bispo.
§ 2. Se acontecer que o Romano Pontífice renuncie ao cargo, para a validade requer-se que a renúncia seja feita livremente, e devidamente manifestada, mas não que seja aceite por alguém."

A renúncia de Bento XVI ao ministério de Bispo de Roma e de Papa é um ato de despojamento, humildade e de fé, enfim de sabedoria. E, por ser coisa incomum na vida da Igreja, é um ato de coragem e coerência!

A renúncia, ou resignação, deixa uma grande lição. O ministério petrino é, para Bento XVI, serviço e, como tal, é válido enquanto o exercente tiver condições para tal. Antes de tudo, serviço e, secundariamente, poder. Até o seu ato de renúncia é um magistério, é um ensinamento.

Ainda sob o impacto, acredito que, daqui para a frente, se crie um novo paradigma para o ministério petrino. Com a renúncia de Bento XVI, abre-se uma nova porta para que outros Papas, em situações iguais ou assemelhadas, se sintam sem constrangimentos a resignar ao pontificado.

Um grande teólogo, um grande Papa para ser lido e compreendido. O teólogo e o Papa do diálogo com a cultura. Um Papa que vive o ministério petrino, acima de tudo, como serviço, e não como poder.

O seu papado é verdadeiramente um magistério, ensinando, por exemplo, com as suas catequeses das quartas-feiras, sobremodo, atualmente, as dedicadas ao Ano da Fé.

Mas, ainda estou muito tocado pela renúncia, ainda estou por assimilá-la por completo, não obstante esteja a apreender dela edificantes lições. Sou tomado por esse estado de coisas, porque, na história da Igreja, as renúncias foram pouquíssimas. A última renúncia foi a do Papa Gregório XII (1406-1415), em 4 de julho de 1415.

Por certo, que a renúncia ocupará a grade do noticário dos meios de comunicação nesta segunda-feira de Carnaval.


Leia mais:

Vaticano: Bento XVI apresenta renúncia ao pontificado

Santa Sé desmente rumores sobre renúncia do Papa

Na história da Igreja Católica, Bento XVI é o quarto papa a renunciar


Fonte da imagem:
http://pt.radiovaticana.va/bra/Articolo.asp?c=663813

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Lembranças do Concílio Vaticano II por Mons. Vitaliano Mattioli



As lembranças que Monsenhor Vitaliano Mattioli guarda do Concilio Vaticano II foram registradas pela Agência Zenit que o entrevistou sobre sua experiência pessoal desse grande e marcante evento do século XX.

Como já postamos vários escritos de Mons. Vitaliano Mattioli sobre o Concílio Ecumênico Vaticano II, não poderíamos deixar passar em branco as lembranças da experiência pessoal desse sacerdote italiano Fidei Donum, que exerce seu ministério na Diocese de Crato (Estado do Ceará).

A entrevista de Mons. Vitaliano Mattioli, em tradução do italiano por Thácio Siqueira, sob o título "Momentos importantes do Concílio Vaticano II", pode ser lida aqui.


Fonte da imagem:
http://www.photogallery.va/content/photogallery/pt/annus-fidei-2012.html

terça-feira, 4 de setembro de 2012

A Igreja ficou 200 anos para trás, afirma o cardeal Martini



O cardeal Carlo Maria Martini, arcebispo emérito da Arquidiocese de Milão e falecido no dia 31 de agosto de 2012, foi sepultado na tarde de ontem (dia 3/9), em Milão, em cerimônia presidida pelo cardeal arcebispo Ângelo Scola. O cardeal Ângelo Comastri representou o Papa Bento XVI. A mensagem de Bento XVI por ocasião do funeral pode ser lida aqui.

No dia 8 de agosto de 2012, o cardeal Martini foi entrevistado por Georg Sporschill e Federica Radice Fossati Confalonieri. A entrevista foi publicada no jornal Corriere della Sera, no dia 1º de setembro de 2012. Em tradução para português por Moisés Sbardelotto, e divulgado pelo Instituto Humanitas Unisinos - IHU, sob o título "A Igreja retrocedeu 200 anos. Por que temos medo?", pode ser lida aqui.

Vem merecendo destaque na mídia a passagem da entrevista em que o cardeal Martini fala que a Igreja ficou 200 anos para trás. Há, porém, na entrevista outros pontos, quiçá importantes para superar ou amenizar o atraso, que são: em primeiro, a conversão; em segundo, a Palavra de Deus (Martini diz que o Concílio Vaticano II restituiu a Bíblia aos católicos);  e em terceiro, os sacramentos.

Tal entrevista é considerada

"Uma espécie de testamento espiritual. O cardeal Martini leu e aprovou o texto".


Fonte da imagem:
http://porcausadeumcertoreino.blogspot.com.br/

sábado, 26 de março de 2011

Insuficiência da formação litúrgica



O padre Gregório Lutz, CSSp, concedeu entrevista à Agência Zenit em 20 de março de 2011, cujo tema gira em torno da Liturgia.

Para o Pe. Gregório Lutz, os problemas encontrados nas celebrações e também a falta de espiritualidade estão na insuficiência da formação litúrgica.

A entrevista pode ser lida aqui.


Leia mais:

Ex-assessor da CNBB comemora o jubileu de ouro presbiteral, em São Paulo


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http://pecristianomarmelo.blogspot.com/2010_07_15_archive.html

segunda-feira, 30 de junho de 2008

'A Igreja tem hierarquia pouco democrática'


O jornal O Estado de S. Paulo, página A29, publicou ontem (domingo, 29/6), entrevista de Dom Clemente José Carlos Isnard, OSB, Bispo Emérito da Diocese de Nova Friburgo (RJ), realizada por Alexandre Rodrigues (Rio de Janeiro), sob o título 'A Igreja tem hierarquia pouco democrática'. Leia a entrevista aqui.

Os pontos da entrevista giram em torno das questões postas por Dom Clemente Isnard, em seu livro Reflexões de um Bispo sobre as instituições eclesiásticas atuais.

Dom Clemente Isnard traz em defesa da ordenação das mulheres as vozes do Cardeal brasileiro Dom Aloísio Lorscheider, OFM, Arcebispo Emérito da Diocese de Aparecida (SP), falecido em 23 de dezembro de 2007, e do Cardeal italiano Dom Carlo Maria Martini, SJ, Arcebispo Emérito da Diocese de Milão (Itália), hoje morando em Jerusalém.

É interessante notar a posição do respeitável Cardeal Dom Aloísio Lorscheider quanto à eleição papal, com a qual concorda Dom Clemente Isnard: "Deve-se dissolver o Colégio Cardinalício e fazer o papa ser eleito pelos presidentes das Conferências Episcopais".

Esses temas da entrevista, delicados no seio da Igreja Católica Apóstolica Romana, sugerem madura reflexão por parte da Igreja enquanto Povo de Deus.


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http://www.paroquiasaosebastiaodoalto.com.br/bisbo.htm

quinta-feira, 29 de maio de 2008

TV exibe: "Dom Aloísio: Pastor Alegre e Fiel"

Esteja antenado!

A Rede Vida de Televisão exibe a partir do próximo domingo (1/6), no horário das 19:30 horas, uma série de programas (três domingos seguidos) sobre o Cardeal Dom Aloísio Lorscheider, falecido em 23 de dezembro de 2007, intitulada "Dom Aloísio: Pastor Alegre e Fiel".

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB noticia a matéria com mais detalhes, podendo ser lida aqui.

Dom Aloísio participou do Concílio Ecumênico Vaticano II (1962-1965), desde a abertura até o seu encerramento. Esteve à frente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB e do Conselho Episcopal Latino-Americano - CELAM. Com vasta bagagem, conhecimento e experiência, não há como deixar de acompanhar a série "Dom Aloísio: Pastor Alegre e Fiel".

Conheça a biografia do Cardeal Dom Aloísio Lorscheider, escrita e falada, acessando aqui.


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http://oglobo.globo.com/pais/mat/2007/12/23/327737149.asp

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Madre Teresa de Calcutá: experiência da "noite escura"

Diários e cartas pessoais de Madre Teresa de Calcutá, inéditos, foram objeto do livro Mother Teresa: Come Be My Light (Madre Teresa: Venha Ser Minha Luz), de autoria do padre Brian Kolodiejchuk, missionário da Caridade. Padre Kolodiejchuk é o postulador da causa de canonização de Madre Teresa.

A novidade é a experiência da ausência de Deus: a "noite escura" a que se refere São João da Cruz, o grande místico espanhol.

O padre Brian Kolodiejchuk deu extensa entrevista à Agência Zenit, publicadas sob o título "Teresa de Calcutá: Luz desde a Escuridão", em duas partes. A primeira parte foi publicada no dia 06.09.2007, e a segunda no dia 07.09.2007, convindo serem lidas.

Vale anotar: "Sem o sofrimento, o trabalho da madre Teresa de Calcutá teria sido simplesmente trabalho social e não obra de Jesus Cristo, explica o postulador de sua causa de canonização, citando a própria beata" (Agência Zenit, 07-09-2007).

Leia também:



Fonte da imagem: www.randomhouse.com/doubleday

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Vaticano: uma visão japonesa

Sob o título "Vaticano visto de uma perspectiva japonesa", a Agência Zenit publica entrevista feita com o embaixador japonês Kagefumi Ueno.

A entrevista é interessante. Kagefumi Ueno é embaixador acreditado junto à Sé Apostólica, também chamada Santa Sé, desde novembro último.

Na visão do embaixador, a Santa Sé tem quatro sinais distintivos:

1º) um valor ou autoridade moral;

2º) instituição internacional, como as Nações Unidas;

3º) rede global; e

4º) poder de comunicação.

A autoridade moral lhe advém do desapego dos interesses seculares. Como instituição internacional, o Papa, para o embaixador, é como se fosse um secretário-geral da ONU. Como rede global, a Igreja está arraigada em todos os continentes, com centro operacional no Vaticano.

O poder de comunicação se manifesta por intermédio do periódico "L'Osservatore Romano" e outros meios de comunicação pelos quais a mensagem da Igreja alcança cada canto do mundo.

O embaixador comenta ainda os valores absolutos do cristianismo ante os valores relativos da cultura japonesa, o que pode explicar a baixa proporção de cristãos no Japão.

A entrevista merece ser lida, por inteiro, aqui.


Fonte da primeira imagem: www.vatican.va

Fonte da segunda imagem: http://pt.wikipedia.org/wiki/Jap%C3%A3o

sábado, 18 de agosto de 2007

'Afastar-se da religião é avanço civilizatório'

A afirmação acima é de Richard Dawkins, professor na Universidade de Oxford (Inglaterra), em recente entrevista ao jornalista Herton Escobar, publicada no jornal O Estado de S. Paulo, edição de 12/08/2007 (domingo), página A25.

A entrevista está atrelada ao lançamento, no Brasil, do livro "Deus, um Delírio", de autoria do entrevistado, a cargo da editora Cia. das Letras.

O tema não é novidade e inspira-me a fazer ligeiras considerações.

O filósofo Voltaire (1694-1778), expoente do Iluminismo, já pregara "o evangelho da razão".

E ainda filósofos como Ludwig Feuerbach (1804-1872), cuja opinião teve grande influência em Karl Marx (1818-1883), e Friederich Nietzsche (1844-1900), cujo pensamento foi objeto de tentativa de apropriação pela ideologia nazista, afastaram Deus e colocaram, em seu lugar, o homem, a razão, a ciência.

Nietzsche pregou "a morte de Deus".

O marxismo-ortodoxo, também conhecido por materialismo dialético ou marxismo-leninismo, foi a doutrina oficial da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, após a Revolução de 1917. Na essência também negava Deus e prometia um paraíso de bens materiais.

A ideologia nazista não diferentemente negava Deus. Seu projeto era dominar culturalmente o mundo, como que "deletando" tudo que fosse contrário à essa doutrina e criando uma nova civilização.

O marxismo, como sistema de poder político, agonizou. E onde ainda não agonizou convive com outras idéias.

O nazismo, com a sua arrogância, é coisa do passado.

Aquilo que o professor Richard Dawkins quer passar para o público já foi experimentado na história recente, e até mesmo por força dos sistemas ideológicos de poder político. Dawkins não cria nada de novo, porque um certo distanciamento de Deus ou indiferença (tanto faz Ele existir ou não) - e até a sua negação - ou da religião (oficial) persistem no atual momento histórico da humanidade.

Efetivamente, para boa parte do mundo ocidental Deus (e, por extensão, Igreja e religião) não é um ser necessariamente relevante. No máximo, é um dado acidental, incapaz de interferir decisivamente.

Basta notar certos fatos: leis de aborto que foram aprovadas recentemente em países que se dizem cristãos, como México e Portugal; o desarmamento da sociedade que a nação brasileira não aprovou no referendo a que foi chamada a opinar. Isso é suficiente para demonstrar, na prática, que Deus não está no centro das decisões que as pessoas tomam (Ele é algo distante, indiferente ou negado).

Basta mais um exemplo recente.

O Continente Europeu é devedor da cultura cristã. Não obstante os esforços da Igreja, sobremodo na pessoa do Papa João Paulo II, os responsáveis pela redação ou aprovação da Constituição da União Européia não tiveram a necessária liberdade e altivez para inserir no texto o nome de Deus e uma referência ao cristianismo.

O capitalismo criou as periferias, criou o Terceiro Mundo.

Deus foi afastado. Ele é um estorvo ao "avanço civilizatório". Deus não está no centro dos grandes projetos dos homens de poder.

Na medida em que Deus não está em nada, o homem deixa de ser visto como pessoa, mas apenas como componente utilitário do sistema. Se útil, tudo bem. Do contrário, ele atrapalha o bem estar imediato e hedonista da sociedade. É bom matá-lo, porque Deus (ah, este!?) eles já o mataram.

O homem está hoje nessa encruzilhada. Um passado que vem do Iluminismo, passa pelas grandes sistemas ideológicos de poder (comunismo, nazismo, fascismo, fundamentalismo em suas acepções religiosa e racionalista), não conseguiu dar ao homem, dito liberto da tutela da religião (Kant), a felicidade prometida.

O pensamento e o livro do professor Richard Dawkins não têm cacife para tornar as coisas melhores ou piores. É chover no molhado. É apenas mais um dentre muitos que pregam a morte de Deus e que se colocam como adversos à intrínseca transcendência que permeia o homem em sua integridade.

É bem ao contrário, o homem de hoje, insatisfeito das coisas do mundo (sistematizá-las como "modernidade"), busca o sagrado, ainda que de forma difusa, mas o busca.


O homem quer, e precisa, de algo para além da ciência ou da razão.

Leia também:
Santidade
Recomeçar a partir de Cristo
Sou Católico - Vivo a minha Fé



Fonte da primeira imagem:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Richard_Dawkins
Fonte da segunda imagem:
http://www.unicamp.br/iel/site/alunos/publicacoes/textos/e00012.htm