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sábado, 28 de dezembro de 2013

Cardeal Marc Ouellet: o verdadeiro grande evento deste ano foi a renúncia do Papa



A renúncia do Papa Bento XVI abriu grandes possibilidades - afirma o Cardeal Marc Ouellet, prefeito da Congregação para os Bispos, em entrevista concedida à Radio Vaticana.

E, por tal abertura de grandes possibilidades proporcionada por Bento XVI, o Cardeal conclui: 

É por isso que considero que o verdadeiro grande evento deste ano que se está concluindo foi a renúncia do Papa, um gesto verdadeiramente novo. Foi a maior novidade na história da Igreja, que testemunhou uma grande humildade e, ao mesmo tempo, uma grande confiança no Espírito Santo para o futuro das coisas. É preciso ser muito reconhecedor ao Papa Bento XVI por ter aberto este horizonte e por ter tornado possível esta novidade do Papa Francisco. Creio que haja uma continuidade entre a primeira novidade e todas aquelas que o Papa Francisco tem trazido. Olhando para 2013, considero que estamos num momento de grande viravolta na história da Igreja, que descrevo como pastoral justamente em relação à figura do Papa Francisco.

Bento XVI possibilitou para a Igreja essa grande novidade que cativa todo mundo: Francisco, que já foi reconhecido a Pessoa do Ano.

Novas e importantes perspectivas para a Igreja foram abertas com a declaração de renúncia, ou declaratio: os seguidos pronunciamentos do Papa Bento XVI sobre a vida da Igreja (que podem ser conferidos aqui), depois a eleição do primeiro papa latino-americano (Cardeal Jorge Mário Bergoglio, que passou a chamar-se, em latim, Franciscus) e agora o extraordinário trabalho pastoral do Papa Francisco, que pode ser pesquisado aqui.


Reproduzo a seguir o texto completo da entrevista do Cardeal Ouellet e divulgada ontem, dia 27 de dezembro de 2013, sexta-feira, pela Radio Vaticana:

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Cidade do Vaticano (RV) - O ano que se está concluindo pode realmente definir-se extraordinário para a vida da Igreja. A renúncia ao ministério petrino por parte de Bento XVI e a sucessiva eleição do Papa Francisco são eventos que abriram grandes possibilidades para a Igreja. Foi o que ressaltou o prefeito da Congregação para os Bispos, Cardeal Marc Ouellet, entrevistado pela Rádio Vaticano:

Cardeal Marc Ouellet:- "A renúncia do Papa Bento XVI abriu grandes possibilidades. É por isso que considero que o verdadeiro grande evento deste ano que se está concluindo foi a renúncia do Papa, um gesto verdadeiramente novo. Foi a maior novidade na história da Igreja, que testemunhou uma grande humildade e, ao mesmo tempo, uma grande confiança no Espírito Santo para o futuro das coisas. É preciso ser muito reconhecedor ao Papa Bento XVI por ter aberto este horizonte e por ter tornado possível esta novidade do Papa Francisco. Creio que haja uma continuidade entre a primeira novidade e todas aquelas que o Papa Francisco tem trazido. Olhando para 2013, considero que estamos num momento de grande viravolta na história da Igreja, que descrevo como pastoral justamente em relação à figura do Papa Francisco."

RV: A reforma está propriamente no viver o Evangelho e no ser cristão?

Cardeal Marc Ouellet:- "Creio que seja a própria vontade do Papa Francisco; esta vontade de estabelecer um contato novo, mais próximo do Povo de Deus. A primeira reforma é esta: ir além de todas as formas, de todos os protocolos para estabelecer um contato imediato. E fazendo isso, oferece também a todos os bispos um modelo de proximidade pastoral, de busca de uma presença pastoral que seja calorosa, que seja misericordiosa, que traga consolação e que dê uma nova esperança. Há uma novidade e uma promessa na atitude e nos gestos do Papa Francisco. Mas acrescentaria também: aquilo que me parece muito importante em 2013 é a percepção do Papa Francisco na opinião pública mundial. Esse é um evento extraordinário de evangelização."

RV: Nesse sentido, vale lembrar que Francisco foi recentemente eleito personagem do ano pela revista estadunidense "Time"...

Cardeal Marc Ouellet:- "Exatamente. É o sinal dessa influência, dessa necessidade de esperança que há na humanidade e que encontrou na figura do Papa Francisco o seu ponto de referência. É uma grande "novidade", é uma boa nova! Creio que todos nós devemos alegrar-nos com isso."

RV: Desde o início de seu Pontificado criou-se um verdadeiro laço com os fiéis, um laço de amor, podemos dizer também de um interesse. Há esse mesmo interesse dentro da Igreja, no seio da Cúria? Como são percebidas essa sua mensagem e essa sua atitude surpreendente?

Cardeal Marc Ouellet:- "Creio que haja uma grande alegria em constatar a popularidade do Papa. É uma boa popularidade, que não é simplesmente baseada em coisas superficiais. Certamente isso nos interpela e nos obriga também a mudanças de comportamento. O Santo Padre quer a reforma de uma certa mentalidade clerical com ambições eclesiásticas ou ambições mundanas. Combate esse carreirismo! Creio que isso faça muito bem à Igreja, em todos os níveis, começando pela Cúria Romana. Estamos verdadeiramente num momento de graça e espero que o Espírito Santo lhe dê a saúde e a colaboração de que precisa para levar adiante a reforma da Igreja e a nova evangelização."

RV: Este ano de 2013 foi para o senhor caracterizado, portanto, pela passagem do Pontificado de Bento XVI. O senhor é um dos mais estreitos colaboradores do Papa Francisco. Como viveu essa passagem? Como está vivendo essas mudanças, mesmo havendo uma certa continuidade?

Cardeal Marc Ouellet:- "A simplicidade do Papa Francisco e o fato de conhecer Bergoglio já de antes – éramos amigos – torna a nossa colaboração extraordinariamente simples e se dá em plena harmonia. Para mim é uma grande alegria colaborar com ele, ajudando-o ao máximo. A humanidade precisa de uma figura paterna, uma figura próxima; uma figura que seja – ao mesmo tempo – referência moral segura, mas também calorosa e que desperte a esperança!" (RL)


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Leia mais:

A Cátedra de São Pedro está vaga

20 momentos mais importantes do Pontificado de Bento XVI


Fonte do texto reproduzido:
http://pt.radiovaticana.va/news/2013/12/27/card._ouellet:_ren%C3%BAncia_de_bento_xvi_foi_o_grande_evento_deste_ano,/bra-759107

Fonte da primeira imagem:
http://www.nossasenhorademedjugorje.com/2013/08/bento-xvi-o-papa-que-sempre-renunciou.html

Fonte da segunda imagem:
http://www.snpcultura.org/papa_francisco_chegou_castel_gandolfo_para_se_encontrar_bento_xvi.html

sexta-feira, 22 de março de 2013

O Papa Francisco, chamado a restaurar a Igreja



O momento é para o Papa Francisco. O noticiário volta-se para ele.

E, agora, a notícia vem do sobejamente conhecido teólogo e não menos polêmico Leonardo Boff, autor de São Francisco de Assis: ternura e vigor, publicado pela Editora Vozes.

Leonardo Boff escreveu um artigo muito positivo sobre o Papa Francisco, datado de 14 de março de 2013, publicado em sua página na internet.

Convém lê-lo:


"O Papa Francisco, chamado a restaurar a Igreja


Nas redes sociais havia anunciado que o futuro Papa iria se chamar Francisco. E não me enganei. Por que Francisco? Porque São Francisco começou sua conversão ao ouvir o Crucifixo da capelinha de São Damião lhe dizer: "Francisco, vai e restaura a minha casa; olhe que ela está em ruínas"(S.Boaventura, Legenda Maior II,1). 

Francisco tomou ao pé da letra estas palavras e reconstruíu a igrejinha da Porciúncula que existe ainda em Assis dentro de uma imensa catedral. Depois entendeu que se tratava de algo espiritual: restaurar a "Igreja que Cristo resgatara com seu sangue" (op.cit). Foi então que começou seu movimento de renovação da Igreja que era presidida pelo Papa mais poderoso da história, Inocêncio III. Começou morando com os hansenianos e de braço com um deles ia pelos caminhos pregando o evangelho em língua popular e não em latim. 

É bom que se saiba que Francisco nunca foi padre mas apenas leigo. Só no final da vida, quando os Papas proibiram que os leigos pregassem, aceitou ser diácono à condição de não receber nenhuma remuneração pelo cargo. 

Por que o Card. Jorge Mario Bergoglio escolheu o nome de Francisco? A meu ver foi exatamente porque se deu conta de que a Igreja, está em ruínas pela desmoralização dos vários escândalos que atingiram o que ela tinha de mais precioso: a moralidade e a credibilidade. 

Francisco não é um nome. É um projeto de Igreja, pobre, simples, evangélica e destituída de todo o poder. É uma Igreja que anda pelos caminhos, junto com os últimos; que cria as primeiras comunidades de irmãos que rezam o breviário debaixo de árvores junto com os passarinhos. É uma Igreja ecológica que chama a todos os seres com a doce palavra de "irmãos e irmãs". Francisco se mostrou obediente à Igreja dos Papas e, ao mesmo tempo, seguiu seu próprio caminho com o evangelho da pobreza na mão. Escreveu o então teólogo Joseph Ratzinger: "O não de Francisco àquele tipo de Igreja não poderia ser mais radical, é o que chamaríamos de protesto profético" (em Zeit Jesu, Herder 1970, 269). Ele não fala, simplesmente inaugura o novo. 

Creio que o Papa Francisco tem em mente uma Igreja assim, fora dos palácios e dos símbolos do poder. Mostrou-o ao aparecer em público. Normalmente os Papas e Ratzinger principalmente punham sobre os ombros a mozeta aquela capinha, cheia de brocados e ouro que só os imperadores podiam usar. O Papa Francisco veio simplesmente vestido de branco e com a cruz de bispo. Três pontos são de ressaltar em sua fala e são de grande significação simbólica. 

O primeiro: disse que quer "presidir na caridade". Isso desde a Reforma e nos melhores teólogos do ecumenismo era cobrado. O Papa não deve presidir com como um monarca absoluto, revestido de poder sagrado como o prevê o direito canônico. Segundo Jesus, deve presidir no amor e fortalecer a fé dos irmãos e irmãs. 

O segundo: deu centralidade ao Povo de Deus, tão realçada pelo Vaticano II e posta de lado pelos dois Papas anteriores em favor da Hierarquia. O Papa Francisco, humildemente, pede que o Povo de Deus reze por ele e o abençoe. Somente depois, ele abençoará o Povo de Deus. Isto significa: ele está aí para servir e não par ser servido. Pede que o ajudem a construir um caminho juntos. E clama por fraternidade para toda a humanidade onde os seres humanos não se reconhecem como irmãos e irmãs mas reféns dos mecanismos da economia. 

Por fim, evitou toda a espetacularização da figura do Papa. Não estendeu os braços para saudar o povo. Ficou parado, imóvel, sério e sóbrio, diria, quase assustado. Apenas se via a figura branca que olhava com carinho para a multidão. Mas irradiava paz e confiança. Usou de humor falando sem uma retórica oficialista. Como um pastor fala aos seus fiéis. 

Cabe por último ressaltar que é um Papa que vem do Grande Sul, onde estão os pobres da Terra e onde vivem 60% dos católicos. Com sua experiência de pastor, com uma nova visão das coisas, a partir de baixo, poderá reformar a Cúria, descentralizar a administração e conferir um rosto novo e crível à Igreja."


Fonte do artigo O Papa Francisco, chamado a restaurar a Igreja
http://leonardoboff.wordpress.com/2013/03/14/o-papa-francisco-chamado-a-restaurar-a-igreja/

Fonte da imagem:
http://leonardoboff.com/

terça-feira, 19 de março de 2013

Um Papa chamado Francisco!



O Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, que foi um dos participantes do último conclave (e até a imprensa deu-o como forte papável), publicou, em 18 de março de 2013, segunda-feira, na página da CNBB na internet, o artigo intitulado Um Papa chamado Francisco!. E também foi publicado hoje (dia 19, terça-feira), na página da Arquidiocese de São Paulo.

Cardeal que participou das congregações gerais que antecederam o conclave, onde se expõem as questões da Igreja e, assim, se traça o perfil do futuro Bispo de Roma que corresponda ao momento da vida eclesial e do mundo, Dom Odilo traz, em seu artigo, essa experiência do calor de quem vivenciou tudo isso e de quem já manteve os contatos iniciais com o Papa eleito - Francisco.

Afora alhures, por ser o anticlericalismo algo recorrente na América Latina, sobremodo por conta das ideologias adotadas por partidos nas suas políticas de governo (e contrárias à doutrina e ao magistério da Igreja), alguns deles até festejando a não eleição do próprio Cardeal Scherer para Papa, é importante aos católicos a leitura do artigo em tela. Ao contrário do que alguns pensam, o artigo demonstra a afinidade de pensamento entre o Papa Francisco e o Cardeal Arcebispo de São Paulo. Ambos são latino-americanos, ambos com experiência pastoral em grandes capitais (Buenos Aires e São Paulo).

"O Papa Francisco já entrou no coração do povo" - afirma Dom Odilo. E as demonstrações havidas no Vaticano e pelo mundo afora estão a confirmar essa frase. E, por aí, se vê a força atrativa que tem e terá o novo Papa junto ao povo. Isso, por certo, já incomoda e incomodará os guardiões das ideologias que contrastam com a doutrina cristã.

A Igreja, enquanto Povo de Deus, forma um todo com o clero. Onde está o Bispo, aí está a Igreja (cfr. Santo Inácio de Antioquia).

Leia, pois:

"Um papa chamado Francisco! 


por: Cardeal Odilo P. Scherer
Arcebispo de São Paulo


Quanta coisa eu gostaria de escrever neste breve artigo! Antes de tudo, louvor à Providência de Deus, que não deixa faltar Pastores à sua Igreja, que a conduzam conforme o coração de Cristo. Logo após a eleição do novo papa, ainda na Capela Sistina, os cardeais cantaram a plenos pulmões o hino de louvor à Santíssima Trindade – Te Deum laudamus! Muitos tinham lágrimas nos olhos.

A Igreja recebeu um novo Sucessor de Pedro para conduzi-la nos caminhos do Evangelho e para animar todos os seus membros no testemunho da salvação de Deus, manifestada a toda a humanidade por meio de Jesus Cristo. Participei pela primeira vez de um conclave e posso dizer que foi ocasião para uma experiência eclesial única e profunda! Pude perceber a sincera busca do melhor para a Igreja e sua missão. O Espírito Santo não dorme!

Antes de entrar no conclave, rezamos muito, tratamos com franqueza, respeito e profundo senso de responsabilidade as questões que precisavam ser tratadas em vista da escolha do novo Pontífice. O clima no Colégio Cardinalício era sereno e fraterno. A entrada em conclave, com o canto da ladainha de todos os Santos e da especial invocação do Espírito Criador – Veni Creator Spiritus – foi o início de um ato continuado de oração, que durou até à escolha do novo papa. Para tudo isso, não podia haver espaço mais apropriado que a Capela Sistina, com os esplêndidos afrescos de Miquelângelo, especialmente da grande cena do juízo universal.

Eleito o cardeal Jorge Mário Bergoglio, arcebispo de Buenos Aires, ele escolheu o nome de Francisco, em memória de São Francisco de Assis. Várias surpresas, deixaram desconcertados os “vaticanistas” mais experientes: um papa não-europeu, já nem tão jovem, um latino-americano da Argentina, o primeiro papa jesuíta, que toma o nome de Francisco ainda não usado por nenhum Pontífice anteriormente! Bem que Jesus disse: o Espírito Santo sopra onde quer e ninguém sabe de onde seu sopro vital vem, nem para onde vai... Precisamos todos estar atentos à sua ação, deixando-nos conduzir por Ele!

Certamente, Francisco é um nome muito indicativo das características que o novo Papa quer dar ao seu pontificado. São Francisco tinha sido um pecador, dado às vaidades do mundo; mas encontrou a misericórdia de Deus e se voltou inteiramente Ele: “meu Deus e meu tudo!” A partir de sua conversão, procurou viver o Evangelho em profundidade, cultivando a comunhão com Deus e desejando voltar-se sempre mais para Cristo, a ponto de ser chamado de “homem inteiramente cristificado”.

Não é esse mesmo o apelo que a Igreja recebe e faz a todos, desde há mais tempo?! Conversão para um renovado encontro com Deus, um discipulado verdadeiro, para a santidade de vida através da comunhão profunda com Deus, deixando-se abraçar e amar por Ele? Na sua primeira missa com o Colégio Cardinalício, no dia seguinte à sua eleição, o papa Francisco observou que, sem esta comunhão profunda com Deus e a identificação com Jesus Cristo “crucificado”, sem confessar o seu nome, a Igreja não passa de uma “ONG piedosa”... Na basílica de São Francisco, em Assisi, há uma bela escultura do Santo abraçado aos pés do Crucificado, que baixa a mão direita para abraçar Francisco.

Mas não é só isso: tendo conhecido a misericórdia e o amor infinito de Deus Pai, São Francisco passou a reconhecer em cada criatura um irmão e uma irmã; sobretudo nos homens e mulheres, buscando viver com todos a fraternidade universal, sem excluir ninguém. Coração livre, ele podia amar a todos de coração inteiro e puro. Amou sobretudo os doentes (o leproso!), os pobres, os pecadores, os supostos “inimigos”; conseguia dialogar com os “diferentes”, sem mais nenhum dos preconceitos que regulam, geralmente, as relações humanas. Que grande desafio para a Igreja e a humanidade inteira!

Outra dimensão nada secundária na escolha do Papa Francisco: Após sua conversão, o Santo de Assis ardia pelo desejo de falar a todos do amor misericordioso de Deus: “o Amor não é amado, o Amor não é amado! – saiu a gritar pelas ruas e as pessoas acharam que estivesse louco. Louco de amor a Deus! Havia compreendido a loucura de Jesus Cristo crucificado e que era preciso anunciar a todos essa bela notícia. Assim, São Francisco enviou seus frades como missionários em todas as direções. E essa dimensão missionária urge mais do que nunca em nossos dias.

Papa Francisco já entrou no coração do povo. Deus o ilumine e fortaleça! Deus abençoe toda a Igreja e a humanidade inteira através do seu ministério petrino, como servidor das ovelhas do Supremo Pastor! E São José, que festejamos no dia da inauguração solene de seu Pontificado, interceda paternalmente por Papa Francisco!"


Fonte do artigo Um Papa chamado Francisco!:
http://www.cnbb.org.br/site/articulistas/cardeal-eusebio-oscar-scheid-scj/11600-um-papa-chamado-francisco

Fonte da imagem:
http://www.cnbbsul1.org.br/em-entrevista-dom-odilo-fala-sobre-a-escolha-do-papa-francisco/

domingo, 17 de março de 2013

Francisco: o Bispo de Roma


Na primeira aparição por ocasião do anúncio habemus Papam (temos Papa), Francisco declarou ser o Bispo que o Conclave deu à Roma: "Vós sabeis que o dever do Conclave era dar um Bispo a Roma. [...] E agora iniciamos este caminho, Bispo e povo... este caminho da Igreja de Roma, que é aquela que preside a todas as Igrejas na caridade.

Das suas breves palavras de saudação, na noite romana de 13 de março de 2013, quarta-feira, faço rápidas pinceladas. A saudação de Francisco dá um toque de novidade.

Bispo e povo. Esta inafastável simbiose constitui a Igreja de Cristo, da Igreja que está em Roma, da Igreja que está na África, nas Américas, na Ásia, na Europa e na Oceania. Sempre a mesma Igreja.

A Igreja, como O Povo de Deus ora revitalizado por Francisco, é conceito muito caro ao Concílio Ecumênico Vaticano II (cfr Lumen Gentium, capítulo II). E isso fica mais claro nesta recíproca caridade - um orando pelo outro: Rezemos sempre uns pelos outros. [...] peço-vos um favor: antes de o Bispo abençoar o povo, peço-vos que rezeis ao Senhor para que me abençoe a mim; é a oração do povo, pedindo a Bênção para o seu Bispo. Façamos em silêncio esta oração vossa por mim.

Este tópico, concluo com as palavras de Marcello Semeraro, da Pontifícia Universidade Lateranense, atualmente Bispo da Diocese Suburbicária de Albano (Itália): "A noção de povo de Deus teve o mérito indubitável de ajudar os cristãos na autoconsciência renovada e amadurecida da Igreja no Vaticano II." (Povo de Deus, in Lexicon-Dicionário Teológico Enciclopédico, p. 603).

Igreja de Roma preside a todas as Igrejas na caridade. Onde está o Bispo, aí está a Igreja. O Bispo de Roma dado pelo Conclave é primus inter pares, ou seja, primeiro entre iguais (e iguais ou pares são todos os bispos da Igreja).

O Bispo de Roma preside (do latim, prae + sidere = sentar-se antes, em frente) todas as demais igrejas particulares (dioceses) espalhadas pelo mundo inteiro. A Cátedra Episcopal de Roma preside as demais cátedras episcopais.

Essa evocação de Francisco traz à realidade o príncipio da colegialidade episcopal também de muito apreço pelos Padres Conciliares do Vaticano II (cfr. Lumen Gentium, capítulo III, em especial ns. 22 e 23). Com isso, prevê-se maior e frutuoso intercâmbio entre o Bispo de Roma e os demais bispos, sob signo da caridade, envolvendo as conferências episcopais.

Ao encerrrar este tópico, trago as palavra de São Cipriano (210-258), Padre da Igreja: O episcopado é uno e indiviso... Uno é o episcopado do qual cada bispo possui simplesmente uma porção" (De catholicae Ecclesiae unitate, 4, M. Semeraro, Colegialidade, in Lexicon-Dicionário Teológico Enciclopédico, p. 112)).

Por ora, vou ficar nessas anotações sobre as novidades da saudação de Francisco, o Bispo de Roma.


Fonte da imagem:
http://www.webdiocesi.chiesacattolica.it/cci_new/s2magazine/index1.jsp?idPagina=19040

sexta-feira, 6 de julho de 2007

A Sucessão no Vaticano

Um bom livro no mercado: A Sucessão no Vaticano, escrito pelo jornalista Wellington Miareli Mesquita, publicado este ano pela Editora Lindscape, já em segunda edição.

O autor está credenciado para tanto. É jornalista graduado pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas e pós-graduado em Filosofia Social pela Pontifícia Universidade Urbaniana, em Roma. Trabalhou no programa brasileiro da Rádio Vaticano, em Roma.

O livro abrange os últimos dias do Papa João Paulo II, sua morte e funeral; o conclave para eleição do novo papa; a eleição do Cardeal Joseph Ratzinger - Bento XVI; início do pontificado de Bento XVI e os primeiros passos do novo Papa.

É um livro de leitura atraente. Contém algumas fotografias em preto e branco. Dá vontade de lê-lo de fio a pavio o mais rápido possível. Há termos que, para o público em geral, mereceriam algumas notas de rodapé explicativas, como, por exemplo, Trophaeum Apóstolico, não obstante o livro de 192 páginas já contenha considerável número de notas (157).

Na página 120, ao enumerar cardeais eleitores por área geográfica (abril de 2005) e por país, parece-me que houve um equívoco: se se aponta 58 cardeais eleitores para a Europa, não se poderia apontar igual número (por país) para a Itália, sendo que Espanha e Alemanha aparecem com 6 cardeais eleitores cada um, França, 5, e Polônia, 3. Ou o número é maior por área geográfica (Europa) e ou é menor por país (Itália).

Esses senões não obscurecem, de maneira alguma, a qualidade do livro.

Ao lê-lo você saberá, por exemplo, que João Paulo II, a princípio, em 1982, deixava em aberto a possibilidade de ser enterrado na Polônia, questão a ser decidida pelo Colégio Cardinalício, pelo metropolita de Cracóvia e pelo Conselho Geral do Episcopado da Polônia. Mas, dois anos depois, o Papa mudou de idéia, deixando a escolha do lugar do enterro a cargo exclusivo do Colégio Cardinalício (página 68).

Saberá que o Cardeal Ratzinger, agora Bento XVI, gosta de plantas e de gatos. Ele tinha em seu apartamento suas plantas e seu gato de estimação (página 162).

E saberá mais: no encontro na Universidade de Regensburg, na segunda viagem de Bento XVI à Alemanha, ao mencionar o diálogo entre o imperador bizantino Manuel II Paleólogo e um sábio persa, lá pelo século XIV, o Papa visava endereçar um recado claro a todos os fundamentalistas, inclusive cristãos. "As agências de notícias deram destaque à citação do papa omitindo todo o contexto em que foi proferida, esquecendo-se, por exemplo, de dizer que o próprio pontífice classificou como brusco e pesado o modo que o imperador se expressou" (página 185).

Por fim a mensagem de esperança do Cardeal Carlo Maria Martini: "Estou certo de que Bento XVI nos reservará muitas surpresas a respeito dos estereótipos com os quais foi definido às pressas" (página 154).

E, com certeza, uma das surpresas foi a visita de Bento XVI ao Brasil, deixando sua marca de simpatia e simplicidade, bem diferente do sisudo homem guardião da ortodoxia (ao menos era assim que boa parte da mídia o estereotipava).

Pois bem, o livro está aí. E boa leitura.

Leia também:
Bento XVI se assemelha com os "Padres da Igreja"

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Bento XVI se assemelha com os "Padres da Igreja"

Para Julián Herranz, cardeal espanhol e eleitor do último conclave que elegeu o cardeal Joseph Ratzinger, "as circunstâncias históricas da Igreja e do mundo e as características pessoais do Papa Bento XVI, o assemelham, espiritual e pastoralmente, 'com os Padres da Igreja'."

Confira aqui não só os desafios que fazem Bento XVI assemelhar-se com os "Padres de Igreja", mas também os quatro fatores que concorreram para a sua eleição.