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domingo, 4 de outubro de 2015

Família: Missa de abertura da XIV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos



Presidida pelo Papa Francisco, veja aqui a Missa do XXVII Domingo do Tempo Comum (4/10/2015), celebrada na abertura da XIV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, que tem por tema "A vocação e a missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo".

«Se nos amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós e o seu amor chegou à perfeição em nós» (1 Jo 4, 12). 

As Leituras bíblicas deste Domingo parecem escolhidas de propósito para o evento de graça que a Igreja está a viver, ou seja, a Assembleia Ordinária do Sínodo dos Bispos que tem por tema a família e é inaugurada com esta celebração eucarística.

Aquelas estão centradas em três argumentos: o drama da solidão, o amor entre homem-mulher e a família.

Essas e outras passagens da homilia do Papa Francisco podem ser lidas aqui.

Vale lembrar que hoje, dia 4 de outubro, a abertura do Sínodo da Família coincide com a celebração da memória de São Francisco de Assis. O Cardeal Jorge Mario Bergoglio, uma vez eleito Papa, passou a utilizar o nome Francisco, em referência ao Santo de Assis. Tal concurso de circunstâncias é bom, deita luzes na compreensão dos desígnios divinos.



Fonte da primeira imagem:
http://www.a12.com/formacao/detalhes/a-caminho-do-sinodo-ordinario-em-2015

Fonte da segunda imagem:
http://www.agr1324-cne-escutismo.org/Lobitos/index.php/sao-franscisco

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Tempo do Natal do Ano B - São Marcos (2014-2015)



O término do Tempo do Advento dá lugar ao Tempo do Natal. E, para melhor se situar, não é de mais dizer que estamos no Ano Litúrgico - ciclo B - São Marcos.

Com as Vésperas da Solenidade do Natal do Senhor se inicia o Tempo do Natal, o qual termina com a Festa do Batismo do Senhor.

Em outras palavras, o Tempo do Natal começa no dia 24 de dezembro de 2014, à tarde, e vai até o dia 11 de janeiro de 2015, inclusive (Domingo - Festa do Batismo do Senhor).

No Tempo do Natal, a cor litúrgica é branca. Na celebração do Natal do Senhor, podem ser usadas vestes sagradas festivas ou mais nobres (Instrução Geral do Missal Romano, n. 346, g, e Instrução Redemptionis Sacramentum, n. 127).

Quais são, então, as cores para esse dia mais solene? São, por exemplo, as cores dourada e prateada.

A Missa do Natal do Senhor é celebração festiva: as cores, as luzes, as flores, os cantos...

As celebrações desse Tempo podem ser acompanhadas no Diretório da Liturgia - 2014, às páginas 205 a 209 e, no Diretório da Liturgia - 2015, às páginas 44 a 48.

O ofício do Tempo do Natal encontra-se no Missal Romano (2ª edição típica para o Brasil) às páginas 149 a 174. E as necessárias indicações para as celebrações estão nos sobreditos Diretórios da Liturgia.
 
No Tempo de Natal, o presépio é símbolo de grande atrativo popular, influenciado sobretudo pela iniciativa de São Francisco de Assis de montar uma manjedoura com palha e dois animais (boi e jumento), um de cada lado, para, com solenidade, celebrar aquele Natal do ano de 1223, na aldeia de Greccio, na vale Rieti, Itália.

Conta Frei Giulio Calcagna, Guardião do Convento de Greccio:

Ainda hoje, Greccio, chamada de “Belém Franciscana”, com a sua história e o seu fascínio natalino, continua, como Belém, a ser local privilegiado para uma mensagem de paz e de fraternidade para todos os homens do nosso tempo.

O Tempo do Natal, como já visto, encerra-se com a Festa do Batismo do Senhor, início da vida missionária de Jesus.



Leia mais:

A Missa da Aurora não é conventual


Fonte da primeira imagem:
http://blog.cancaonova.com/fragmentos/o-misterio-da-encarnacao-contemplado-com-os-olhos-de-francisco-de-assis/

Fonte da segunda imagem:
http://www.filhasdaigreja.org/admin/defaultview.aspx?itemid=13483&moduleid=module23351

quinta-feira, 13 de março de 2014

Um ano do Pontificado do Papa Francisco, Bispo de Roma

Queremos tornar-nos santos?
 Sim ou não? (Papa Francisco)


O Cardeal Jorge Mário Bergoglio, S.J, Arcebispo do Arcebispado de Buenos Aires, foi escolhido Bispo de Roma e, por conseguinte, Papa da Igreja Católica Apostólica Romana, em 13 de março de 2013, sucedendo ao Papa Bento XVI (conferir Declaratio aqui).

Ao ser eleito, escolheu o nome Francisco com referência direta a São Francisco de Assis, o santo dos pobres, reconstrutor da Igreja. Conta-se que o Cardeal Dom Frei Cláudio Hummes, O.F.M., Arcebispo Emérito da Arquidiocese de São Paulo, teve influência na escolha do nome, posto que lembrou ao eleito que não se esquecesse dos pobres (conferir vídeo abaixo). Ambos os Cardeais são de ordem religiosa: Cardeal Bergoglio é um jesuíta, enquanto Cardeal Hummes é franciscano.
 
Para o aniversário de um ano de pontificado do Papa Francisco, o Vaticano publicou um álbum digital com fotografias e citações do Papa.

Muito atraente e bonito, o álbum, em português, pode ser conferido aqui.

 


Leia mais:

1º aniversário: Papa tuíta pedindo orações aos fiéis

Papa Francisco - um ano de pontificado nos comentários transmitidos pela RV em língua portuguesa 

O meu primeiro ano com o Papa Francisco - Mons. Xuereb, secretário particular do Santo Padre

Padre Lombardi e o primeiro ano de Francisco


Fonte da imagem:
http://papa.cancaonova.com/a-reforma-da-igreja-no-pontificado-de-francisco/

sexta-feira, 22 de março de 2013

O Papa Francisco, chamado a restaurar a Igreja



O momento é para o Papa Francisco. O noticiário volta-se para ele.

E, agora, a notícia vem do sobejamente conhecido teólogo e não menos polêmico Leonardo Boff, autor de São Francisco de Assis: ternura e vigor, publicado pela Editora Vozes.

Leonardo Boff escreveu um artigo muito positivo sobre o Papa Francisco, datado de 14 de março de 2013, publicado em sua página na internet.

Convém lê-lo:


"O Papa Francisco, chamado a restaurar a Igreja


Nas redes sociais havia anunciado que o futuro Papa iria se chamar Francisco. E não me enganei. Por que Francisco? Porque São Francisco começou sua conversão ao ouvir o Crucifixo da capelinha de São Damião lhe dizer: "Francisco, vai e restaura a minha casa; olhe que ela está em ruínas"(S.Boaventura, Legenda Maior II,1). 

Francisco tomou ao pé da letra estas palavras e reconstruíu a igrejinha da Porciúncula que existe ainda em Assis dentro de uma imensa catedral. Depois entendeu que se tratava de algo espiritual: restaurar a "Igreja que Cristo resgatara com seu sangue" (op.cit). Foi então que começou seu movimento de renovação da Igreja que era presidida pelo Papa mais poderoso da história, Inocêncio III. Começou morando com os hansenianos e de braço com um deles ia pelos caminhos pregando o evangelho em língua popular e não em latim. 

É bom que se saiba que Francisco nunca foi padre mas apenas leigo. Só no final da vida, quando os Papas proibiram que os leigos pregassem, aceitou ser diácono à condição de não receber nenhuma remuneração pelo cargo. 

Por que o Card. Jorge Mario Bergoglio escolheu o nome de Francisco? A meu ver foi exatamente porque se deu conta de que a Igreja, está em ruínas pela desmoralização dos vários escândalos que atingiram o que ela tinha de mais precioso: a moralidade e a credibilidade. 

Francisco não é um nome. É um projeto de Igreja, pobre, simples, evangélica e destituída de todo o poder. É uma Igreja que anda pelos caminhos, junto com os últimos; que cria as primeiras comunidades de irmãos que rezam o breviário debaixo de árvores junto com os passarinhos. É uma Igreja ecológica que chama a todos os seres com a doce palavra de "irmãos e irmãs". Francisco se mostrou obediente à Igreja dos Papas e, ao mesmo tempo, seguiu seu próprio caminho com o evangelho da pobreza na mão. Escreveu o então teólogo Joseph Ratzinger: "O não de Francisco àquele tipo de Igreja não poderia ser mais radical, é o que chamaríamos de protesto profético" (em Zeit Jesu, Herder 1970, 269). Ele não fala, simplesmente inaugura o novo. 

Creio que o Papa Francisco tem em mente uma Igreja assim, fora dos palácios e dos símbolos do poder. Mostrou-o ao aparecer em público. Normalmente os Papas e Ratzinger principalmente punham sobre os ombros a mozeta aquela capinha, cheia de brocados e ouro que só os imperadores podiam usar. O Papa Francisco veio simplesmente vestido de branco e com a cruz de bispo. Três pontos são de ressaltar em sua fala e são de grande significação simbólica. 

O primeiro: disse que quer "presidir na caridade". Isso desde a Reforma e nos melhores teólogos do ecumenismo era cobrado. O Papa não deve presidir com como um monarca absoluto, revestido de poder sagrado como o prevê o direito canônico. Segundo Jesus, deve presidir no amor e fortalecer a fé dos irmãos e irmãs. 

O segundo: deu centralidade ao Povo de Deus, tão realçada pelo Vaticano II e posta de lado pelos dois Papas anteriores em favor da Hierarquia. O Papa Francisco, humildemente, pede que o Povo de Deus reze por ele e o abençoe. Somente depois, ele abençoará o Povo de Deus. Isto significa: ele está aí para servir e não par ser servido. Pede que o ajudem a construir um caminho juntos. E clama por fraternidade para toda a humanidade onde os seres humanos não se reconhecem como irmãos e irmãs mas reféns dos mecanismos da economia. 

Por fim, evitou toda a espetacularização da figura do Papa. Não estendeu os braços para saudar o povo. Ficou parado, imóvel, sério e sóbrio, diria, quase assustado. Apenas se via a figura branca que olhava com carinho para a multidão. Mas irradiava paz e confiança. Usou de humor falando sem uma retórica oficialista. Como um pastor fala aos seus fiéis. 

Cabe por último ressaltar que é um Papa que vem do Grande Sul, onde estão os pobres da Terra e onde vivem 60% dos católicos. Com sua experiência de pastor, com uma nova visão das coisas, a partir de baixo, poderá reformar a Cúria, descentralizar a administração e conferir um rosto novo e crível à Igreja."


Fonte do artigo O Papa Francisco, chamado a restaurar a Igreja
http://leonardoboff.wordpress.com/2013/03/14/o-papa-francisco-chamado-a-restaurar-a-igreja/

Fonte da imagem:
http://leonardoboff.com/

terça-feira, 19 de março de 2013

Um Papa chamado Francisco!



O Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, que foi um dos participantes do último conclave (e até a imprensa deu-o como forte papável), publicou, em 18 de março de 2013, segunda-feira, na página da CNBB na internet, o artigo intitulado Um Papa chamado Francisco!. E também foi publicado hoje (dia 19, terça-feira), na página da Arquidiocese de São Paulo.

Cardeal que participou das congregações gerais que antecederam o conclave, onde se expõem as questões da Igreja e, assim, se traça o perfil do futuro Bispo de Roma que corresponda ao momento da vida eclesial e do mundo, Dom Odilo traz, em seu artigo, essa experiência do calor de quem vivenciou tudo isso e de quem já manteve os contatos iniciais com o Papa eleito - Francisco.

Afora alhures, por ser o anticlericalismo algo recorrente na América Latina, sobremodo por conta das ideologias adotadas por partidos nas suas políticas de governo (e contrárias à doutrina e ao magistério da Igreja), alguns deles até festejando a não eleição do próprio Cardeal Scherer para Papa, é importante aos católicos a leitura do artigo em tela. Ao contrário do que alguns pensam, o artigo demonstra a afinidade de pensamento entre o Papa Francisco e o Cardeal Arcebispo de São Paulo. Ambos são latino-americanos, ambos com experiência pastoral em grandes capitais (Buenos Aires e São Paulo).

"O Papa Francisco já entrou no coração do povo" - afirma Dom Odilo. E as demonstrações havidas no Vaticano e pelo mundo afora estão a confirmar essa frase. E, por aí, se vê a força atrativa que tem e terá o novo Papa junto ao povo. Isso, por certo, já incomoda e incomodará os guardiões das ideologias que contrastam com a doutrina cristã.

A Igreja, enquanto Povo de Deus, forma um todo com o clero. Onde está o Bispo, aí está a Igreja (cfr. Santo Inácio de Antioquia).

Leia, pois:

"Um papa chamado Francisco! 


por: Cardeal Odilo P. Scherer
Arcebispo de São Paulo


Quanta coisa eu gostaria de escrever neste breve artigo! Antes de tudo, louvor à Providência de Deus, que não deixa faltar Pastores à sua Igreja, que a conduzam conforme o coração de Cristo. Logo após a eleição do novo papa, ainda na Capela Sistina, os cardeais cantaram a plenos pulmões o hino de louvor à Santíssima Trindade – Te Deum laudamus! Muitos tinham lágrimas nos olhos.

A Igreja recebeu um novo Sucessor de Pedro para conduzi-la nos caminhos do Evangelho e para animar todos os seus membros no testemunho da salvação de Deus, manifestada a toda a humanidade por meio de Jesus Cristo. Participei pela primeira vez de um conclave e posso dizer que foi ocasião para uma experiência eclesial única e profunda! Pude perceber a sincera busca do melhor para a Igreja e sua missão. O Espírito Santo não dorme!

Antes de entrar no conclave, rezamos muito, tratamos com franqueza, respeito e profundo senso de responsabilidade as questões que precisavam ser tratadas em vista da escolha do novo Pontífice. O clima no Colégio Cardinalício era sereno e fraterno. A entrada em conclave, com o canto da ladainha de todos os Santos e da especial invocação do Espírito Criador – Veni Creator Spiritus – foi o início de um ato continuado de oração, que durou até à escolha do novo papa. Para tudo isso, não podia haver espaço mais apropriado que a Capela Sistina, com os esplêndidos afrescos de Miquelângelo, especialmente da grande cena do juízo universal.

Eleito o cardeal Jorge Mário Bergoglio, arcebispo de Buenos Aires, ele escolheu o nome de Francisco, em memória de São Francisco de Assis. Várias surpresas, deixaram desconcertados os “vaticanistas” mais experientes: um papa não-europeu, já nem tão jovem, um latino-americano da Argentina, o primeiro papa jesuíta, que toma o nome de Francisco ainda não usado por nenhum Pontífice anteriormente! Bem que Jesus disse: o Espírito Santo sopra onde quer e ninguém sabe de onde seu sopro vital vem, nem para onde vai... Precisamos todos estar atentos à sua ação, deixando-nos conduzir por Ele!

Certamente, Francisco é um nome muito indicativo das características que o novo Papa quer dar ao seu pontificado. São Francisco tinha sido um pecador, dado às vaidades do mundo; mas encontrou a misericórdia de Deus e se voltou inteiramente Ele: “meu Deus e meu tudo!” A partir de sua conversão, procurou viver o Evangelho em profundidade, cultivando a comunhão com Deus e desejando voltar-se sempre mais para Cristo, a ponto de ser chamado de “homem inteiramente cristificado”.

Não é esse mesmo o apelo que a Igreja recebe e faz a todos, desde há mais tempo?! Conversão para um renovado encontro com Deus, um discipulado verdadeiro, para a santidade de vida através da comunhão profunda com Deus, deixando-se abraçar e amar por Ele? Na sua primeira missa com o Colégio Cardinalício, no dia seguinte à sua eleição, o papa Francisco observou que, sem esta comunhão profunda com Deus e a identificação com Jesus Cristo “crucificado”, sem confessar o seu nome, a Igreja não passa de uma “ONG piedosa”... Na basílica de São Francisco, em Assisi, há uma bela escultura do Santo abraçado aos pés do Crucificado, que baixa a mão direita para abraçar Francisco.

Mas não é só isso: tendo conhecido a misericórdia e o amor infinito de Deus Pai, São Francisco passou a reconhecer em cada criatura um irmão e uma irmã; sobretudo nos homens e mulheres, buscando viver com todos a fraternidade universal, sem excluir ninguém. Coração livre, ele podia amar a todos de coração inteiro e puro. Amou sobretudo os doentes (o leproso!), os pobres, os pecadores, os supostos “inimigos”; conseguia dialogar com os “diferentes”, sem mais nenhum dos preconceitos que regulam, geralmente, as relações humanas. Que grande desafio para a Igreja e a humanidade inteira!

Outra dimensão nada secundária na escolha do Papa Francisco: Após sua conversão, o Santo de Assis ardia pelo desejo de falar a todos do amor misericordioso de Deus: “o Amor não é amado, o Amor não é amado! – saiu a gritar pelas ruas e as pessoas acharam que estivesse louco. Louco de amor a Deus! Havia compreendido a loucura de Jesus Cristo crucificado e que era preciso anunciar a todos essa bela notícia. Assim, São Francisco enviou seus frades como missionários em todas as direções. E essa dimensão missionária urge mais do que nunca em nossos dias.

Papa Francisco já entrou no coração do povo. Deus o ilumine e fortaleça! Deus abençoe toda a Igreja e a humanidade inteira através do seu ministério petrino, como servidor das ovelhas do Supremo Pastor! E São José, que festejamos no dia da inauguração solene de seu Pontificado, interceda paternalmente por Papa Francisco!"


Fonte do artigo Um Papa chamado Francisco!:
http://www.cnbb.org.br/site/articulistas/cardeal-eusebio-oscar-scheid-scj/11600-um-papa-chamado-francisco

Fonte da imagem:
http://www.cnbbsul1.org.br/em-entrevista-dom-odilo-fala-sobre-a-escolha-do-papa-francisco/

quarta-feira, 9 de abril de 2008

G. K. Chesterton e a Ortodoxia

Gilbert Keith Chesterton (1874-1936), escritor inglês, mais conhecido entre nós pelo livro "O Homem que foi Quinta-Feira (um pesadelo)", passou por uma evolução espiritual que foi de um juvenil agnosticismo até converter-se ao cristianismo. Tornou-se um dos intelectuais católicos mais importantes da primeira metade do século XX.

Homem de espírito jocoso, Chesterton debateu com os grandes intelectuais da época, como Bertrand Russell, Clarence Darrow, George Bernard Shaw e H. G. Wells.

Há cem anos, precisamente em 1908, Chesterton publicava o livro Orthodoxy. Comemorando o centenário do livro, a Editora Mundo Cristão, em edição comemorativa, publica, em português, o livro Ortodoxia, na tradução de Almiro Pisetta.

A tradução é enriquecida com o "Prefácio à edição comemorativa em português", de autoria de Philip Yancey.

O humor, graça, gentileza e bonomia fazem de Chesterton um escritor muito querido. O humor em Chesterton é também um meio para chegar às grandes verdades, como sucede com o centenário livro Ortodoxia.

Chesterton escreveu biografias célebres: São Francisco de Assis e São Tomás de Aquino.

Afinal, Chesterton é um artista na escrita. É um dos maiores romancistas ingleses.

A grandeza de Ortodoxia pode ser apreendida desta passagem do Prefácio à edição comemorativa em português", de Philip Yancey: "Não entendo como os leitores se deixam atrair por um título tão imperscrutável, mas um dia foi exatamente o que fiz, e minha fé nunca mais foi a mesma. Na época em que eu passava por um período de aridez espiritual; tudo parecia estar velho, desgastado e sem vida. A leitura de Ortodoxia me trouxe novo refrigério e, acima de tudo, novo espírito de aventura."

E Philip Yancey confessa no mesmo Prefácio: "Sempre que percebo que minha fé volta a correr o risco de tornar-se árida, vou até minha estante e apanho um livro de G. K. Chesterton. E assim começa de novo a aventura."

Chesterton assinala que o livro Ortodoxia é autobiográfico (pág. 15). O autor diz: "quero apresentar a minha crença como uma resposta específica a essa dupla necessidade espiritual, a necessidade da mistura do conhecido com o desconhecido que a cristandade corretamente chamou de romance. Pois até mesmo a palavra "romance" tem em si o mistério e o antigo significado de Roma" (pág. 19). "Precisamos ver o mundo de tal modo que nele se combine uma de idéia de deslumbramento com uma idéia de acolhimento" (pág. 20). "Estes ensaios pretendem apenas discutir o fato real de que a teologia cristã central (suficientemente resumida no Credo dos Apóstolos) é a melhor raiz de energia e ética sólida" (pág. 23).

E ainda: "Todo o segredo do misticismo é este: que o homem pode compreender tudo com a ajuda daquilo que não compreende" (pág. 48).

Mais adiante: "O cristianismo veio ao mundo acima de tudo para afirmar com veemência que o homem não só devia olhar para dentro, mas devia olhar para fora, contemplar com assombro e entusiasmo uma companhia divina e um capitão
divino" (pág. 126).

Mas, antes dizia Chesterton: "Tentei fundar uma heresia só minha; e quando lhe dei o último acabamento descobri que era a ortodoxia" (pág. 22). "Quando a palavra "ortodoxia" é usada aqui, ela significa o Credo dos Apóstolos, como era entendido por todos os que se chamavam cristãos até pouco tempo atrás e a conduta histórica daqueles que adotavam esse credo" (pág. 23).

E a constatação do escritor: "Eu sou o homem que com a máxima ousadia descobriu o que já fora descoberto antes" (pág. 21).

O livro Ortodoxia, em edição comemorativa 1908- 2008, está aí, com o estilo "chestertoniano", para ser saboreado, lido à vontade.

E boa leitura!


Leia mais:



Fonte da primeira imagem:
http://timotheosprologizes.blogspot.com/2006/11/chesterton-on-original-sin.html

Fonte da segunda imagem:
http://www.mundocristao.com.br/imgprod/p10575_gg.jpg