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quarta-feira, 22 de abril de 2020

Comunismo ateu: é "dever nosso levantar de novo a voz" (Pio XI)


Vós, sem dúvida, Veneráveis Irmãos, já percebestes de que perigo ameaçador falamos: é do comunismo, denominado bolchevista e ateu, que se propõe como fim peculiar revolucionar radicalmente a ordem social e subverter os próprios fundamentos da civilização cristã. 

... levantamos a voz em solenes protestos contra as perseguições desencadeadas contra o nome cristão, tanto na Rússia, como no México, como finalmente na Espanha.

... esta doutrina [comunista] rejeita e repudia todo o caráter sagrado da vida humana ...

(Papa Pio XI, Carta Encíclica Divinis Redemptoris sobre o comunismo ateu)



 
O Papa Pio XI, ao iniciar a Carta Encíclica Divinis Redemptoris sobre o comunismo ateu, faz remissão à promessa dum Redentor Divino que veio à Terra, quando chegou a plenitude dos tempos (Gl 4,4), e inaugurou para todos os povos uma nova civilização: a civilização cristã (n. 1). Alude também à "miserável queda de Adão", a partir da qual:
começou a travar-se o duro combate da virtude contra os estímulos dos vícios; e jamais cessou aquele antigo e astuto tentador de enganar a sociedade com promessas falazes. É por isso que, pelos séculos afora, as perturbações se têm sucedido umas às outras até à revolução dos nossos dias, a qual ou já surge furiosa ou pavorosamente ameaça atear-se em todo o universo e parece ultrapassar em violência e amplitude todas as perseguições que a Igreja tem padecido; a tal ponto que povos inteiros correm perigo de recair em barbárie, muito mais horrorosa do que aquela em que jazia a maior parte do mundo antes da vinda do Divino Redentor. (n. 2)
Depois de várias denúncias sobre o comunismo, Pio XI viu-se no dever pastoral de levantar a voz, uma vez que, com ímpeto de habilidosos instigadores, o perigo comunista agravava-se a cada dia. E o fez solenizando mediante a promulgação da antes mencionada Carta Encíclica Divinis Redemptoris sobre o comunismo ateu, datada de 19 de março de 1937, na festa de São José, Padroeiro da Igreja Universal, como se lê desta passagem:
É por isso que julgamos dever Nosso levantar de novo a voz; e fá-lo-emos por meio deste documento de maior solenidade, como é costume desta Sé Apostólica, mestra da verdade; e com tanto maior satisfação o faremos, quando é certo que assim correspondemos aos desejos de todo o universo católico. Confiamos até que o eco da nossa voz será acolhido de bom grado por todos aqueles que, de espírito liberto de preconceitos, desejem sinceramente o bem da humanidade. Vem, de certo modo, aumentar nossa confiança o fato de vermos estas Nossas admoestações confirmadas pelos péssimos frutos, que Nós prevíramos e anunciáramos haviam de brotar das idéias subversivas, e que de fato se vão pavorosamente multiplicando nas regiões já dominadas pelo comunismo, ou ameaçam invadir rapidamente os outros países do mundo. (n. 6)
O nome cristão, o simples nome, nos anos primaveris do cristianismo, não foi um título lisonjeiro. No momento, interessa-nos que, ao tempo da promulgação da sobredita Encíclica, e não diferente nos tempos atuais, o simples nome cristão motivava, como motiva hoje, o desencadeamento de perseguição aos fiéis cristãos, como bem ilustra o documento pontifício com os casos de Rússia, México e Espanha. O elenco de países onde os cristãos são perseguidos ou discriminados aumentou, e bastante, como se pode ler, em resumo, em Vatican News; ou, mais completamente, no Relatório sobre a Liberdade Religiosa no Mundo (14ª edição) da Fundação Pontifícia ACN.

A Divinis Redemptoris mantém sua atualidade e está a recordar que o liberalismo econômico preparou o advento do comunismo. Isto porque, segundo a Encíclica, os operários sofreram duplo abandono: o da religião e o da moral cristã. E artifícios outros propiciaram o aparecimento do chamado laicismo.

A doutrina comunista apoia-se no materialismo chamado dialético e histórico, cujo mentor é Karl Marx (1818-1883). Materialismo porque só conhece a matéria, nada além da matéria. Dialético porque há discussão, ou melhor,  porque mantém-se de opiniões divergentes. Para essa doutrina, é o método de descortinar conflitos, contrariedades no mundo socioeconômico. Dialético porquanto é seu método de análise socioeconômico. Histórico porque repousa na ação humana no tempo medido por dias, meses, anos..., em que o presente faz-se passado, e o futuro vira presente. Da conjugação desses elementos, infere-se que não é algo estático, mas um movimento, na História, que tem passado, presente e futuro, incitador de embates de tendências contrárias ou provocador de ânimos a contrariedade.

Deus, consequentemente, não faz parte da doutrina comunista. Deus é estranho para ela.

Tudo o que existe move-se da e para a matéria.

Em outras e melhores palavras, diz Pio XI:
Essa doutrina proclama que não há mais que uma só realidade universal, a matéria, formada por forças cegas e ocultas, que, através da sua evolução natural, se vai transformando em planta, em animal, em homem. (Divinis Redemptoris, n. 9)
Nessa perspectiva, não soa censurável que a doutrina comunista não reconheça caráter sagrado da vida humana, posto que ela é oposta ao sobrenatural. Daí a insensibilidade e o desprezo pela vida humana, coisificada. A vida humana se situa no mesmo plano das coisas.

Dessa coisificação da vida humana, não é estranho que a doutrina comunista subtraia ao indivíduo a liberdade e outros mais atributos, mas, em contrapartida, ela (doutrina comunista) os confere à coletividade. E, na família, a coisa fica mais perceptível.

A começar que a noção cristã de matrimônio é, para a doutrina comunista, algo engendrado, de natureza apenas civil, artificial; a família, também. Daí, e para não entrar em pormenores, fica fácil entender como andam hoje os costumes. Parece que tudo é uma questão de lei positiva, de coisa legislada.

Ao proclamar à mulher uma emancipação dita completa, retira dos pais o direito-dever de educar os filhos. Nesse aspecto, o Papa Pio XI é incisivo:
Em particular, para o comunismo não existe laço algum da mulher com a família e com o lar. De fato, proclamando o princípio da emancipação completa da mulher, de tal modo a retira da vida doméstica e do cuidado dos filhos que a atira para a agitação da vida pública e da produção coletiva, na mesma medida que o homem. Mais ainda: os cuidados do lar e dos filhos devolve-os à coletividade. Rouba-se enfim aos pais o direito que lhes compete de educar os filhos, o qual se considera como direito exclusivo da comunidade, e por conseguinte só em nome e por delegação dela se pode exercer. (Divinis Redemptoris, n. 11)
Ditas estas considerações sobre a educação, melhor fica para compreender o porquê de os comunistas se agarrarem ferozmente ao sistema cultural e educacional.

Para não alongar, e por ora, ative-me, ligeiramente, sobre os primeiros parágrafos da Carta Encíclica Divinis Redemptoris sobre o comunismo ateu (Introdução, Capítulo I e parte do Capítulo II), não além do número 11.

Falta, por conseguinte, a incursão em pontos outros, como a  Luminosa Doutrina da Igreja, Oposta ao Comunismo (Capítulo III).

Neste entretanto, podemos adiantar:

Os adeptos da doutrina comunista necessitam, para alcançar seus objetivos, da propaganda e do poder.

E, para mais, evoco a clássica expressão de Pio XI:
Socialismo religioso, socialismo católico são termos contraditórios: ninguém pode ser ao mesmo tempo bom católico e verdadeiro socialista. (Carta Encíclica Quadragesimo Anno, datada de 15 de maio de 1931)
E, ainda mais, ressoam vigorosamente as palavras de São João Paulo II:
O mundo de hoje está sempre mais consciente de que a solução dos graves problemas nacionais e internacionais não é apenas uma questão de produção económica ou de uma organização jurídica ou social, mas requer valores ético-religiosos específicos, bem como mudanças de mentalidade, de comportamentos e de estruturas. (Carta Encíclica Centesimus Annus no Centenário da Rerum Novarum, na memória de S. José Operário, datada de 01 de maio de 1991, n. 60).
Por fim, encerro com as judiciosas palavras do Papa Pio XI:
Outro auxiliar poderoso, que contribui para a avançada do comunismo, é sem dúvida a conspiração do silêncio na maior parte da imprensa mundial, que não se conforma com os princípios católicos. (Divinis Redemptoris, n. 18)


Fonte da imagem:
http://radiovoznoticias.blogspot.com/2014/02/pio-xi-condenou-os-totalitarismos-e.html

domingo, 29 de março de 2020

CNBB reforça a recomendação do distanciamento social. Ou seja: igrejas fechadas!

 Conheço teu comportamento: tu não és frio nem quente; quem dera que fosses frio ou quente! Assim, porque és morno, nem frio e nem quente, estou para vomitar-te de minha boca.
(Ap 3, 15-16)  
  
 Penso nas pessoas que certamente abandonarão a Igreja, quando esse pesadelo acabar, porque a Igreja as abandonou quando precisavam.
(Padre Yoannis Lahzi Gadi, secretário do Papa Francisco, [Quo vadis, Domine? (Senhor, para onde vais?)]




1. Eu penso que o cristão católico não quer a sua igreja de portas fechadas. Decretos injustos, determinando o fechamento de igrejas, menosprezam-nas e chegam a equipará-las a estabelecimentos comerciais, como se elas praticassem atos de comércio.

Fechar igrejas é feri-las de morte; é desafiar a ira divina.

Igreja fechada sugere igreja sem Cristo! Anúncio de que Deus está morto!

De outra banda, ao contrário do que se entrevê por aí, a internet não é substituta de igreja católica; desta, não faz as suas vezes.


2. O distanciamento social recomendado pela Conferência Nacional do Bispos do Brasil - CNBB conduz a igrejas católicas fechadas, a igrejas católicas de portas cerradas. 

Essa posição da CNBB não é a mais acertada. Nos templos da Igreja Católica Apostólica Romana está presente, diuturnamente, o Cristo Ressuscitado e Glorioso. Não é pouca coisa!

A rigor, o Governo Federal (Decreto nº 10.292, de 25/03/2020) não precisava incluir as igrejas entre os serviços que atraem para si a aplicação do princípio da continuidade do serviço público (princípio que extraio do Direito Administrativo). Mas o fez, quiçá porque entes político-administrativos outros da República imiscuíram-se, indevida e arbitrariamente, em crença religiosa, negligenciando direitos fundamentais.

À guisa de exemplo, o Município de Santos (SP) determinou o fechamento de igrejas. Fechamento não é a mesma coisa que restrição à realização de culto sob a ótica da saúde pública.

O Regulamento Sanitário Internacional (2005), promulgado pelo Decreto nº 10.212, de 30 de janeiro de 2020, ao estabelecer no artigo 3º Princípios para a sua aplicação, diz:  
1. A implementação deste Regulamento será feita com pleno respeito à dignidade, aos direitos humanos e às liberdades fundamentais das pessoas.
Disso decorre, obviamente, que a crença religiosa e a sua prática pública são direitos amparados também pela artigo 3º, inciso 1, do sobredito Regulamento.

Já falei sobre o fechamento de igrejas católicas. A Lei Federal e os Decretos que a regulamentam, quando falam de funcionamento, falam-no no sentido de não fechamento - penso eu.

As igrejas da Igreja Católica estão para além de essencialidade eventualmente normatizada pelo direito positivo. As igrejas têm uma essencialidade própria, inextinguível e divina para realizar as coisas materiais (caridade, hospitalidade...). E o núcleo da razão de ser das igrejas (Igreja Católica Apostólica Romana) está no mandato recebido de Deus, Pai Eterno: a missão de guiar os homens  para serem elevados à participação da vida divina. Esse mandato não é pouco! Em verdade, o Concílio Ecumênico Vaticano II expõe:
O Eterno Pai, pelo libérrimo e insondável desígnio da Sua sabedoria e bondade, criou o universo, decidiu elevar os homens à participação da vida divina e não os abandonou, uma vez caídos em Adão, antes, em atenção a Cristo Redentor «que é a imagem de Deus invisível, primogénito de toda a criação» (Col. 1,15) sempre lhes concedeu os auxílios para se salvarem. Aos eleitos, o Pai, antes de todos os séculos os «discerniu e predestinou para reproduzirem a imagem de Seu Filho, a fim de que Ele seja o primogénito de uma multidão de irmãos» (Rom. 8,29). E, aos que crêem em Cristo, decidiu chamá-los à santa Igreja, a qual, prefigurada já desde o princípio do mundo e admiràvelmente preparada na história do povo de Israel e na Antiga Aliança, foi constituída no fim dos tempos e manifestada pela efusão do Espírito, e será gloriosamente consumada no fim dos séculos. Então, como se lê nos Santos Padres, todos os justos depois de Adão, «desde o justo Abel até ao último eleito», se reunirão em Igreja universal junto do Pai. (Constituição Dogmática Lumen Gentium sobre a Igreja, n. 2) - destaques em negrito não são do original.
Mais adiante:
Pelo que a Igreja, enriquecida com os dons do seu fundador e guardando fielmente os seus preceitos de caridade, de humildade e de abnegação, recebe a missão de anunciar e instaurar o Reino de Cristo e de Deus em todos os povos e constitui o germe e o princípio deste mesmo Reino na terra. Enquanto vai crescendo, suspira pela consumação do Reino e espera e deseja juntar-se ao seu Rei na glória. (Constituição Dogmática Lumen Gentium sobre a Igreja, n. 5)
No Comunicado acima, a CNBB interpreta o conjunto de normas sobre o enfrentamento da emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus (Covid-19) sob a ótica estritamente literal, quando, em verdade, as dúvidas na aplicação dessas disposições legais reclamam ser equacionadas pela interpretação finalística (teleológica). E ainda mais: a legislação está redigida num linguajar comum, corrente, e não no das crenças que é mais técnica (bíblica, teológica), razão para ter-se cautela na interpretação. Não se contentar somente com interpretação literal.

A CNBB está passando para os brasileiros, sobretudo para os leigos católicos, a inquietante sensação de que ela está anuindo à decretação de igrejas católicas fechadas. É muito estranho! Não se lê aqui ou alhures uma nota de repúdio por parte de autoridade eclesiástica. Passividade que suscita dubiedade.


3. Para reflexão, gostaria de finalizar com as palavras do Padre Yoannis Lahzi Gaid, secretário do Papa Francisco:
É bom que as igrejas permaneçam abertas. Os padres devem estar na linha de frente. Os fiéis devem encontrar coragem e conforto olhando para os pastores. Os fiéis devem saber que, a qualquer momento, podem correr a refugiar-se nas igrejas e paróquias e encontrá-las abertas e prontas para os acolher. A Igreja deve ser chegar às pessoas também através de um "número verde" para o qual a pessoa possa ligar para ser consolada, pedir combinar uma confissão, para receber a Sagrada Comunhão comunicado ou para que seja dada a entes queridos. 
Devemos aumentar as visitas às casas, casa por casa, usando todas as precauções necessárias para evitar o contágio; nunca nos fechando mas sim vigiando. Caso contrário, acontece que são entregues nas casas as refeições, as pizzas, mas não a Comunhão, especialmente a pessoas idosas, doentes e carentes. Acontece que supermercados, quiosques e tabacarias permanecem abertos, mas não as igrejas. 
O Governo tem o dever de garantir cuidado e apoio material às pessoas, mas nós temos o dever de fazer o mesmo com as almas. Que nunca se diga: "Eu não vou a uma igreja que não me veio visitar quando eu precisava". [Quo vadis, Domine?(Senhor, para onde vais?)]


Leia mais:

Um quadro da perseguição aos cristãos no mundo


Fonte da imagem:
https://pt.aleteia.org/2017/08/29/quo-vadis-domine/

segunda-feira, 23 de março de 2020

Fechamento de igrejas católicas: entrevê-se a negação de Deus e o abuso de autoridade


"Na crise de fé que estamos vivendo, o ponto neurálgico é, cada vez mais, a recta celebração e a recta compreensão da Eucaristia [...].
Todos nós sabemos qual é a diferença entre uma igreja onde se reza e uma igreja reduzida a um museu. Hoje corremos o risco do que as nossas igrejas se convertam em museus e acabem como os museus: se não fecharem, serão espoliados. Não têm vida. A medida da vitalidade de uma igreja, a medida da sua abertura interior, mostrar-se-á pelo facto de as suas portas poderem permanecer abertas, precisamente por ser uma igreja onde se reza continuamente".
[(Cardeal Joseph Ratzinger, Selecção de textos (até Abril de 2005)]



""Tu serás homem de princípios", dizia [Pe. François de Sales Pollien], "e os princípios não se prestam a transigência alguma: são ou não são. Quando, porém, se trata de meios a adotar, podes e deves ser conciliador. A prática deve adaptar-se todas as situações, servir-se de tudo. Firmeza nos princípios, suavidade nos meios"". (A Vida Interior simplificada e reconduzida ao seu fundamento, 2ª edição, São Paulo, Cultor de Livros, 2019, p. 17)

Logo, e desde o início, seja dito que sobre princípios não se negocia e não se transige, sob pena da perda da própria identidade.


1. Nas igrejas católicas, Jesus de Nazaré, o Filho de Deus, está realmente presente. Ele, agora Ressuscitado e Glorioso, vive na igreja. Ele está realmente presente no Sacrário. Nós, católicos precisamos visitá-lo. Estar e conversar com ele também fora das Missas, mormente nesta fase de peste. São momentos confortantes que nenhuma autoridade do Estado pode proporcionar.

Não obstante isso, em algumas cidades (como em Santos - SP, por exemplo), as igrejas católicas estão com as portas literalmente fechadas: ou por ordem judicial ou por ordem da autoridade municipal. E, ato contínuo, acatadas pela autoridade eclesiástica, sem mais indagações. Repita-se, com letras garrafais, FECHADAS. Portas trancadas.

Medida do poder público que vai muito além de eventuais recomendações ou diretrizes para os casos específicos de aglomerações de fiéis (Missas).

Bons tempos aqueles em que a igreja era lugar sagrado em que o profano não metia o nariz. O profano, em tempos de extremado individualismo, de indiferentismo religioso e de barata e perniciosa politização dos fatos, está a intrometer-se em lugar que não é da sua conta. Está mais que xeretar.

A Igreja Católica antecede à instituição do Estado Moderno. A Igreja Católica, herdeira da cultura judaica, grega e latina, plasmou o Ocidente. 

Desde os primitivos tempos, a hospitalidade e o acolhimento (refúgio) sempre foram prezados pela Igreja.


2. Missa online (internet), pela televisão ou pelo rádio não é a mesma realidade que a Missa presencial. Pela televisão ou outro meio assemelhado, o preceito de participar da Missa (cânones 1246-1248 do Código de Direito Canônico) não é satisfeito. Verdadeiramente o que acontece é que, na presente situação da peste (Covid-19) que assola o mundo, irrompeu um impedimento grave, razão pela qual o fiel está dispensado do cumprimento do preceito. Nesse aspecto, é conveniente ouvir o grande teólogo Joseph Ratzinger (Bento XVI):

"Notemos, portanto, que através do rádio, por exemplo, jamais se pode transmitir uma celebração sacramental, mas apenas uma liturgia missionária". (O novo Povo de Deus, 1ª edição, São Paulo, Editora Molokai, 2016, p. 380)

É melhor ter Missas pela televisão, pelo rádio do que nada. E muito melhor: elas mantêm os fiéis conectados com a sua paróquia e o seu pároco, todos na mesma sintonia com Deus, seus anjos e seus santos, além do conforto da alma e do crescimento espiritual.


3. A Constituição da República Federativa do Brasil, promulgada a 5 de outubro de 1988, invocando a proteção de Deus, não criou, porque a Igreja com todos seus atributos antecede ao Estado, mas reconheceu direitos fundamentais que, entre outros, a ela são ínsitos:

"Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
(...)
VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;
 (...)"

Deixar o fiel católico sem a assistência espiritual, porque fechadas as igrejas, é ferir a dignidade da pessoa humana, um dos  princípios fundantes da nossa Carta Política:

"Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:
I - a soberania;
II - a cidadania;
III - a dignidade da pessoa humana;
(...)"

O princípio da dignidade humana é colocado no mesmo nível do da soberania.

O Acordo entre a República Federativa do Brasil e a Santa Sé relativo ao Estatuto Jurídico da Igreja Católica no Brasil, aprovado pelo Decreto nº 7.107, de 11 de fevereiro de 2010, dispõe:

"Artigo 2º A República Federativa do Brasil, com fundamento no direito de liberdade religiosa, reconhece à Igreja Católica o direito de desempenhar a sua missão apostólica, garantindo o exercício público de suas atividades, observado o ordenamento jurídico brasileiro."

No caso, o Estado não cria, não confere este ou aquele direito, mas sim reconhece aquilo que já preexiste.

Decisão do Poder Judiciário ou Decreto do Poder Executivo Municipal são violadores da Constituição da República e do supramencionado Acordo. Não podem prosperar, e até mesmo porque violam o Direito Internacional (o princípio, internacionalmente reconhecido, de liberdade religiosa). 

Na verdade,

"Sem princípios não se faz nada, nem em matemática, nem em química, nem em religião" (Pe. Pollien, Obra citada e página)

Vou ater-me, ainda que ligeiramente, ao Decreto nº 8.896, de 19 de março de 2020, do Município de Santos (SP), baixado pelo Prefeito Municipal.

O Decreto contem contradições em si mesmo. Contradições tais que violam o princípio constitucional da isonomia.

Pela mesma régua o Decreto iguala igrejas a casas noturnas, danceterias, bares etc:

"Art. 2º Em razão do reconhecimento do estado de emergência, fica determinado o fechamento de "shoppings centers", centros de compras, galerias, academias de ginástica, clubes sociais, esportivos e similares, buffets infantis, casas de festas, casas noturnas, danceterias, bares e estabelecimentos congêneres, bem como igrejas e templos de qualquer culto, a partirr de 20 de março de 2020, por tempo indeterminado. 
Parágrafo único. Excetua-se do disposto no "caput" o funcionamento de mercados, supermercados, farmácias e drogarias no interior de "shopping centers", centros de compras, galerias e estabelecimentos congêneres, mediante o controle de acesso pelo estabelecimento responsável."

Por outro lado, mediante o controle de acesso, abriu as exceções contempladas no parágrafo único para mercados, supermercados, farmácias e drogarias no interior de "shopping centers", centros de compras, galerias e estabelecimentos congêneres. Não, porém, para as igrejas.

As igrejas não se encaixam nas exceções. Como induz o Decreto, as igrejas não teriam condições de fazer o controle preconizado. Logo, estão fora das exceções.

Não só, mas também: o Decreto municipal supõe-se que esteja a desrespeitar a Lei Federal nº 13.979, de 06 de fevereiro de 2020, que:
 
Dispõe sobre as medidas para enfrentamento da emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus responsável pelo surto de 2019.

A mesma suspeita sucede com relação ao Decreto Federal nº 10.282, de 20 de março de 2020, que:

Regulamenta a Lei nº 13.979, de 6 de fevereiro de 2020, para definir os serviços públicos e as atividades essenciais.

Por derradeiro, São Tomás de Aquino adverte:

"A legislação humana só se reveste do carácter de lei, na medida em que se conforma com a justa razão; daí ser evidente que ela recebe todo o seu vigor da Lei eterna. Na medida em que se afastar da razão, deve ser declarada injusta, pois não realiza a noção de lei: será, antes, uma forma de violência"
(in Catecismo da Igreja Católica, n. 1902, S.Th. I-II, 93, 3, ad 2)

4. Sobram singulares perguntas: essa política seletiva não estará a insinuar um juízo de desvalor das igrejas? Plantar e excitar conflitos? Quiçá, um ensaio para voos maiores contra a Igreja Católica?

Arremato com as ponderadas e firmes palavras do Papa Leão XIII:

Do mesmo modo, cumpre admitir que, não menos que o Estado, a Igreja, por sua natureza e de pleno direito, é uma sociedade perfeita; que os depositários do poder não devem pretender escravizar e subjugar a Igreja, nem lhe diminuir a liberdade de ação na sua esfera, nem lhe tirar seja qual for dos direitos que lhe foram conferidos por Jesus Cristo. Nas questões do direito misto, é plenamente conforme à natureza, bem como aos desígnios de Deus, não separar um poder do outros, e ainda menos pô-los em luta, mas sim estabelecer entre eles essa concórdia que está em harmonia com os atributos especiais por cada sociedade recebidos da sua natureza. (Carta Encíclica Immortale Dei sobre a Constituição Cristã dos Estados, n. 44)



Fonte da imagem:
http://www.saopelegrino.com.br/novo/capela-jesus-bom-pastor.php

sábado, 15 de novembro de 2014

Papa faz novo apelo em prol dos cristãos perseguidos



A perseguição aos cristãos não dá sinais de que esteja arrefecendo. Ao contrário, ela se mostra violenta e bárbara como ultimamente noticiamos.

O Papa Francisco tem estado atento a tais fatos nefandos e mostrado proximidade espiritual com os cristãos perseguidos e assassinados e seus familiares, bem assim com as respectivas comunidades a que pertencem, sem dizer de seus apelos à liberdade religiosa, e incentivando-os a viverem sua fé nos países onde são cidadãos.

Na penúltima Audiência Geral de Quarta-feira (12 de novembro de 2014), o Papa Francisco voltou a fazer apelo em favor dos cristãos perseguidos e assassinados, e orar por eles.

O pronunciamento do Papa, nessa Audiência Geral, teve (e continua tendo) dupla destinação, ou seja, para fora e para dentro da Igreja. Para fora, apelou às autoridades responsáveis que desçam de seus pedestais e assumam efetivamente o seu papel de guardiães da liberdade religiosa em seus próprios países, de forma que as minorias possam livre e publicamente expressar os seus credos religiosos. Para dentro, é uma exortação à caridade fraterna, por exemplo, na oração. E por que não em fraterna, ordeira e pacífica manifestação pública?

Na atual situação, não há espaço para a indiferença!

Aos nossos olhos, coloquemos, porém, as próprias palavras ditas pelo Papa na conclusão da referida Audiência Geral de Quarta-feira (12 de novembro de 2014):

Acompanho com grande trepidação as dramáticas vicissitudes dos cristãos que, em várias regiões do mundo, são perseguidos e assassinados por causa do seu credo religioso. Sinto a necessidade de manifestar a minha profunda proximidade espiritual às comunidades cristãs duramente atingidas por uma violência absurda que não dá sinais de diminuir, enquanto encorajo os pastores e os fiéis a ser fortes e firmes na esperança. Mais uma vez, dirijo um forte apelo a quantos têm responsabilidades políticas à nível local e internacional, assim como a todas as pessoas de boa vontade, a fim de que haja uma vasta mobilização das consciências a favor dos cristãos perseguidos. Eles têm o direito de reencontrar a segurança e a tranquilidade nos seus países, professando livremente a nossa fé. Agora convido-vos a recitar o Pai-Nosso por todos os cristãos, perseguidos porque são cristãos.

É a liberdade religiosa que está em jogo. As perseguições e assassinatos de cristãos violam aquilo que há de mais essencial e nobre ao ser humano: a vida. Vidas são tiradas porque os malfeitores não respeitam uma coisa mínima de convivência: a liberdade religiosa.

Paira uma difusa indiferença ou generalizado silêncio; ou, nas palavras do Editorial da Rádio Vaticano, Silêncio da indiferença. O Ocidente ainda não acordou ou faz de conta que nada vê. Não se denuncia, ou não se fala a ponto de ter uma ressonância pública. Sobre isso, Dom Héctor Aguer, arcebispo de La Plata, na Argentina, exorta-nos a não "ficar em silêncio", porque

existe a realidade fundamental de que todos somos membros do povo de Deus, da Igreja. Somos membros do Corpo Místico de Cristo e, se um membro sofre, como diz São Paulo, todos os outros sofrem com ele.


Leia mais:

Casal cristão assassinado: Centenas de pessoas pedem por justiça e pelo fim da lei da blasfêmia


Fonte da imagem:
http://fundacaoais.wordpress.com/2014/08/25/mais-de-uma-centena-de-cristaos-mortos-nos-ultimos-12-meses-no-paquistao/

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Cristãos queimados vivos no Paquistão: Cardeal Tauran entrevistado pela Radio Vaticano

Estou perplexo, fica-se sem palavras, obviamente, perante um ato de tamanha barbárie. 
(Cardeal Tauran) 


Os cristãos estão sendo martirizados, e duramente, em regiões do Oriente. E disso já tratamos aqui.

No dia 4 deste mês, terça-feira, um casal cristão foi queimado vivo no Paquistão, no distrito de Kasur, província de Punjab, sob a alegação de crime de blasfêmia (leis antiblasfêmia do Paquistão). 

Ele tinha 26 anos e se chamava Shahzab, e ela, 24 anos, se chamava Shama e estava grávida. O jovem casal foi empurrado por cerca de 100 muçulmanos para dentro de um forno destinado a fabricação de tijolos e, ali, foram queimados vivos.

Sobre essa tremenda barbárie, a Rádio Vaticano entrevistou o Cardeal Jean-Louis Pierre Tauran, presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso, cujo texto completo, em português, pode ser lido aqui.

O Cardeal Tauran reforça a necessidade do diálogo. E, indagado sobre a esperança e a ajuda para essas pessoas que vivem diariamente tais situações dramáticas, o Cardeal acena com a esperança:

Com a solidariedade. Existem, inclusive, coisas muito bonitas que se realizam por lá. Por exemplo, eu visitei uma família muçulmana que acolheu uma família cristã; em Baghdad, também, os Padres Dominicanos instituíram a Academia das Ciências Sociais, em plena guerra. Existem também coisas muito bonitas que se realizam... Acredito que seja necessário focalizar na fraternidade, que foi o tema da Jornada Mundial da Paz...

Apesar de tudo isso, há nichos de solidariedade e fraternidade, sinais da presença de Deus misericordioso.

Que o sangue dos cristãos hoje martirizados seja estímulo à unidade dos cristãos e alimento que reforça a fé e a esperança dos seguidores do Cristo.

A Igreja que sofre, no Paquistão, precisa de ajuda na oração e na solidariedade. Entretanto, é toda a Igreja que sofre, posto que formamos um só corpo.

Fonte da imagem:
http://www.acidigital.com/noticias/extremistas-muculmanos-queimam-um-casal-de-cristaos-a-esposa-estava-gravida-23750/

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Asia Bibi a caminho do martírio, em nome de Cristo e de seu Evangelho

O tribunal de Nankana não se limitou a atirar­‑me para aqui, para o fundo desta cela húmida e fria, tão pequena que consigo alcançar as paredes com os dois braços abertos. Retirou­‑me também imediatamente o direito de eu ver os meus cinco filhos. Impossível, agora, apertá­‑los contra o peito e contar­‑lhes as histórias de monstros e príncipes do Punjabe que a minha mãe me contava quando eu tinha a idade deles. 


Ante uma generalizada indiferença do Ocidente, os cristãos estão sofrendo perseguições, estão sendo mortos em massa em regiões onde pouco ou nada há de respeito à vida humana, a valores democráticos, mas muito há de fanatismo político e religioso e de ignorância. Onde a tolerância é um zero à esquerda, não se conta, não existe.

As palavras do Papa Francisco nesta manhã de segunda-feira, 20 de outubro, são objetivas e penetrantes sobre o "fenômeno de terrorismo de dimensões jamais pensadas", que "requer, além de nossa constante oração, uma resposta adequada também da Comunidade Internacional":
Não podemos imaginar o Médio Oriente sem os cristãos, que há dois mil anos ali confessam o nome de Jesus. Os últimos acontecimentos, principalmente no Iraque e na Síria, são muito preocupantes. Assistimos a um fenómeno de terrorismo de dimensões jamais pensadas. Muitos irmãos são perseguidos e tiveram que deixar as suas casas de modo brutal. Ao que parece, perdeu-se a consciência do valor da vida humana; é como se as pessoas não contassem mais e pudessem ser sacrificadas em nome de outros interesses. Isto acontece, infelizmente, no meio da indiferença de muitos.

Esta situação injusta requer, além da nossa constante oração, uma resposta adequada também da Comunidade Internacional. Estou certo que, com a ajuda do Senhor, emergirão do encontro de hoje válidas reflexões e sugestões para ajudar os nossos irmãos que sofrem e abordar o drama da redução da presença cristã na terra onde nasceu e da qual se difundiu o cristianismo.

Desde a Carta da Organização das Nações Unidas - ONU, assinada em 26 de junho de 1945, a pessoa humana entrou no centro da razão de ser do Estado, como se lê no seu preâmbulo:

reafirmar a fé nos direitos fundamentais do homem, na dignidade e no valor do ser humano, na igualdade de direito dos homens e das mulheres.

Por conseguinte, veio a Declaração Universal dos Direitos Humanos, um dos mais nobres documentos da ONU, que diz: 

Artigo 18º Toda a pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião; este direito implica a liberdade de mudar de religião ou de convicção, assim como a liberdade de manifestar a religião ou convicção, sozinho ou em comum, tanto em público como em privado, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pelos ritos.

Qualquer desvio desses valores grafados desde então e para sempre, merece, e com razão, a repulsa da comunidade internacional.

Ao tempo dos césares romanos, não havia uma limitação para os déspotas. A perseguição aos cristãos era feroz, e a mesma ferocidade se volta hoje contra os cristãos, já decorridos dois milênios.

Quero ater-me, porém, ao caso de Asia Bibi, paquistanesa e cristã católica, casada e mãe de cinco filhos.

Asia Bibi é vítima da intolerância religiosa. Em 14 de junho de 2009, num ambiente campestre de trabalho e debaixo de calor de 40ºC, Asia Bibi bebeu água de um poço pertencente a mulheres muçulmanas e usou o mesmo copo.

No livro Blasfémia, escrito por Asia Bibi, em colaboração com a jornalista francesa Anne-Isabelle Tollet, lançado em Portugal em 7/9/2011, o relato está assim melhor descrito:

Uma aldeia no centro do Paquistão, perto de Lahore. A temperatura chega aos 40º C e as mulheres trabalham nos campos. Entre elas está Asia Bibi. Asia tem sede. Ela tira um balde do fundo do poço, despeja um pouco de água numa velha xícara de metal e bebe até ao fim. Enche de novo a xícara e oferece-a a outra mulher a seu lado. É nesse momento que assina a sua sentença de morte. Asia é cristã e a chávena de metal pertence às suas amigas muçulmanas. Ao mergulhar de novo a chávena no balde depois de ter bebido nela, Asia sujou a água. Depressa se começou a falar de blasfémia.

As companheiras muçulmanas de trabalho nos campos levaram o fato ao conhecimento do imame (imã) da localidade, que, por sua vez, denunciou Asia Bibi à polícia por crime de blasfêmia, ou seja, ofensa à religião dessas companheiras de trabalho.

Eis o fato supostamente criminoso, assim sintetizado pela própria Asia Bibi:

Sou prisioneira porque utilizei o mesmo copo dessas mulheres muçulmanas. Água bebida por uma cristã considerada impura por essas estúpidas companheiras dos campos.

O livro acima mencionado narra:

Asia é condenada, sentenciada à morte. Por enforcamento. Tudo por um copo de água. Há já dois anos que Asia está na prisão, à espera de ser executada. 

Porém, no curso do processo, em primeiro grau, o juiz ofereceu à Asia Bibi a liberdade se ela se convertesse ao islamismo. Asia Bibi rejeitou tal permuta. Foi condenada em 2010, e, em número redondo, está encarcerada há cinco anos à espera da morte por enforcamento. 

No dia 16 de outubro de 2014, o Tribunal de Recurso em Lahore, Paquistão, confirmou a sentença de condenação de Asia Bibi. Para o padre Yousaf Emmanuel, Diretor da "Comissão Nacional Justiça e Paz" (NCJP) dos Bispos paquistaneses e pároco em Lahore, em relato à Agenzia Fides:

Em todo caso – acrescenta – a esperança vive: haverá um recurso à Corte Suprema e recordo os casos em que a Corte inverteu sentenças emitidas nas instâncias precedentes. Lembro-me de um caso que acompanhamos de perto com a Comissão Justiça e Paz: o caso de Ayub Masih, cristão também condenado à morte por blasfêmia e salvado justamente graças ao veredicto de absolvição da Corte Suprema.

A esperança ainda vive. Há a possibilidade de Asia Bibi ganhar a liberdade quando a Corte Suprema reapreciar, em grau de recurso, a defesa, conforme o caso ilustrado pelo padre Yousaf Emmanuel. 

Asia Bibi, esposa e mãe, exemplo inabalável na fé, permita-me reproduzir-te as palavras de força e conforto, de paz e alegria, em suma, as palavras de um hino do inseparável amor de Deus por tu (e por todos nós), na expressão desde sempre atual do apóstolo Paulo, na sua Carta aos Romanos:

Quem nos poderá separar do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo, a espada? 36. Como diz a Escritura: "Por tua causa somos postos à morte o dia todo, somos considerados como ovelhas destinadas ao matadouro." 37. Mas, em todas essas coisas somos mais do que vencedores por meio daquele que nos amou. 38. Estou convencido de que nem a morte nem a vida, nem os anjos nem os principados, nem o presente nem o futuro, nem os poderes. 39. nem as forças das alturas ou das profundidades, nem qualquer outra criatura, nada nos poderá separar do amor de Deus, manifestado em Jesus Cristo, nosso Senhor. (Rm 8, 35-39)

Asia Bibi, tu nos dás força e coragem!
Obrigado!


Por fim, reproduzo a carta enviada por Asia Bibi ao Papa Francisco. 

http://www2.juventude.patriarcado-lisboa.pt/wp-content/uploads/20140114153645_Carta_Asia_Bibi_ao_Papa_Francisco.jpg

Fonte da primeira imgem:
http://www.ecosangabriele.com/eco/dal-fanatismo-e-dallignoranza/

Fonte da segunda imagem:
http://caminodeamor.com/zoom.php?tip=44

Fonte da carta da Asia Bibi ao Papa Francisco:
http://www2.juventude.patriarcado-lisboa.pt/portfolio-item/asia-bibi-rezem-por-mim/#

sábado, 21 de setembro de 2013

Egito: taxista é decapitado por ser cristão



Não é coisa do tempo dos romanos. Cuida-se de fato atual acontecido na cidade de Alexandria, no Egito. Um jovem foi morto barbaramente pelo simples fato de ser cristão.

Em 23 de agosto de 2013, a AsiaNews noticiou que no dia 16 de agosto, sexta-feira, uma multidão de muçulmanos parou e arrastou para fora do seu táxi o jovem Mina Rafaat Aziz, de Alexandria, e o massacrou com chutes, socos, espancando-o até a morte. 

Já morto, e como se isso não bastasse, o corpo foi pisoteado, decapitado e abandonado na calçada.

Mina Rafaat Aziz, taxista da Alexandria, foi martirizado pelo simples fato de trazer uma cruz pendurada no espelho retrovisor do seu táxi.

Esse martírio e outros massacres por ai afora merecem uma reflexão! O Cristo continua sendo massacrado!


Leia mais:

Egito: taxista decapitado por ter um crucifixo pendurado no espelho

Don Salvatore Lazzara: Il tassista e la croce

Egitto. Tassista cristiano decapitato per la sua croce | Tempi.it


Fonte da matéria:
http://www.asianews.it/notizie-it/Cristiana-egiziana:-Dopo-gli-attacchi-alle-chiese,-viviamo-nel-terrore-28818.html

Fonte da imagem:
http://www.fotografodigital.com.br/pesquisa/?pesquisa=Crucifixo&0=1&mdl=1/

terça-feira, 19 de março de 2013

Um Papa chamado Francisco!



O Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, que foi um dos participantes do último conclave (e até a imprensa deu-o como forte papável), publicou, em 18 de março de 2013, segunda-feira, na página da CNBB na internet, o artigo intitulado Um Papa chamado Francisco!. E também foi publicado hoje (dia 19, terça-feira), na página da Arquidiocese de São Paulo.

Cardeal que participou das congregações gerais que antecederam o conclave, onde se expõem as questões da Igreja e, assim, se traça o perfil do futuro Bispo de Roma que corresponda ao momento da vida eclesial e do mundo, Dom Odilo traz, em seu artigo, essa experiência do calor de quem vivenciou tudo isso e de quem já manteve os contatos iniciais com o Papa eleito - Francisco.

Afora alhures, por ser o anticlericalismo algo recorrente na América Latina, sobremodo por conta das ideologias adotadas por partidos nas suas políticas de governo (e contrárias à doutrina e ao magistério da Igreja), alguns deles até festejando a não eleição do próprio Cardeal Scherer para Papa, é importante aos católicos a leitura do artigo em tela. Ao contrário do que alguns pensam, o artigo demonstra a afinidade de pensamento entre o Papa Francisco e o Cardeal Arcebispo de São Paulo. Ambos são latino-americanos, ambos com experiência pastoral em grandes capitais (Buenos Aires e São Paulo).

"O Papa Francisco já entrou no coração do povo" - afirma Dom Odilo. E as demonstrações havidas no Vaticano e pelo mundo afora estão a confirmar essa frase. E, por aí, se vê a força atrativa que tem e terá o novo Papa junto ao povo. Isso, por certo, já incomoda e incomodará os guardiões das ideologias que contrastam com a doutrina cristã.

A Igreja, enquanto Povo de Deus, forma um todo com o clero. Onde está o Bispo, aí está a Igreja (cfr. Santo Inácio de Antioquia).

Leia, pois:

"Um papa chamado Francisco! 


por: Cardeal Odilo P. Scherer
Arcebispo de São Paulo


Quanta coisa eu gostaria de escrever neste breve artigo! Antes de tudo, louvor à Providência de Deus, que não deixa faltar Pastores à sua Igreja, que a conduzam conforme o coração de Cristo. Logo após a eleição do novo papa, ainda na Capela Sistina, os cardeais cantaram a plenos pulmões o hino de louvor à Santíssima Trindade – Te Deum laudamus! Muitos tinham lágrimas nos olhos.

A Igreja recebeu um novo Sucessor de Pedro para conduzi-la nos caminhos do Evangelho e para animar todos os seus membros no testemunho da salvação de Deus, manifestada a toda a humanidade por meio de Jesus Cristo. Participei pela primeira vez de um conclave e posso dizer que foi ocasião para uma experiência eclesial única e profunda! Pude perceber a sincera busca do melhor para a Igreja e sua missão. O Espírito Santo não dorme!

Antes de entrar no conclave, rezamos muito, tratamos com franqueza, respeito e profundo senso de responsabilidade as questões que precisavam ser tratadas em vista da escolha do novo Pontífice. O clima no Colégio Cardinalício era sereno e fraterno. A entrada em conclave, com o canto da ladainha de todos os Santos e da especial invocação do Espírito Criador – Veni Creator Spiritus – foi o início de um ato continuado de oração, que durou até à escolha do novo papa. Para tudo isso, não podia haver espaço mais apropriado que a Capela Sistina, com os esplêndidos afrescos de Miquelângelo, especialmente da grande cena do juízo universal.

Eleito o cardeal Jorge Mário Bergoglio, arcebispo de Buenos Aires, ele escolheu o nome de Francisco, em memória de São Francisco de Assis. Várias surpresas, deixaram desconcertados os “vaticanistas” mais experientes: um papa não-europeu, já nem tão jovem, um latino-americano da Argentina, o primeiro papa jesuíta, que toma o nome de Francisco ainda não usado por nenhum Pontífice anteriormente! Bem que Jesus disse: o Espírito Santo sopra onde quer e ninguém sabe de onde seu sopro vital vem, nem para onde vai... Precisamos todos estar atentos à sua ação, deixando-nos conduzir por Ele!

Certamente, Francisco é um nome muito indicativo das características que o novo Papa quer dar ao seu pontificado. São Francisco tinha sido um pecador, dado às vaidades do mundo; mas encontrou a misericórdia de Deus e se voltou inteiramente Ele: “meu Deus e meu tudo!” A partir de sua conversão, procurou viver o Evangelho em profundidade, cultivando a comunhão com Deus e desejando voltar-se sempre mais para Cristo, a ponto de ser chamado de “homem inteiramente cristificado”.

Não é esse mesmo o apelo que a Igreja recebe e faz a todos, desde há mais tempo?! Conversão para um renovado encontro com Deus, um discipulado verdadeiro, para a santidade de vida através da comunhão profunda com Deus, deixando-se abraçar e amar por Ele? Na sua primeira missa com o Colégio Cardinalício, no dia seguinte à sua eleição, o papa Francisco observou que, sem esta comunhão profunda com Deus e a identificação com Jesus Cristo “crucificado”, sem confessar o seu nome, a Igreja não passa de uma “ONG piedosa”... Na basílica de São Francisco, em Assisi, há uma bela escultura do Santo abraçado aos pés do Crucificado, que baixa a mão direita para abraçar Francisco.

Mas não é só isso: tendo conhecido a misericórdia e o amor infinito de Deus Pai, São Francisco passou a reconhecer em cada criatura um irmão e uma irmã; sobretudo nos homens e mulheres, buscando viver com todos a fraternidade universal, sem excluir ninguém. Coração livre, ele podia amar a todos de coração inteiro e puro. Amou sobretudo os doentes (o leproso!), os pobres, os pecadores, os supostos “inimigos”; conseguia dialogar com os “diferentes”, sem mais nenhum dos preconceitos que regulam, geralmente, as relações humanas. Que grande desafio para a Igreja e a humanidade inteira!

Outra dimensão nada secundária na escolha do Papa Francisco: Após sua conversão, o Santo de Assis ardia pelo desejo de falar a todos do amor misericordioso de Deus: “o Amor não é amado, o Amor não é amado! – saiu a gritar pelas ruas e as pessoas acharam que estivesse louco. Louco de amor a Deus! Havia compreendido a loucura de Jesus Cristo crucificado e que era preciso anunciar a todos essa bela notícia. Assim, São Francisco enviou seus frades como missionários em todas as direções. E essa dimensão missionária urge mais do que nunca em nossos dias.

Papa Francisco já entrou no coração do povo. Deus o ilumine e fortaleça! Deus abençoe toda a Igreja e a humanidade inteira através do seu ministério petrino, como servidor das ovelhas do Supremo Pastor! E São José, que festejamos no dia da inauguração solene de seu Pontificado, interceda paternalmente por Papa Francisco!"


Fonte do artigo Um Papa chamado Francisco!:
http://www.cnbb.org.br/site/articulistas/cardeal-eusebio-oscar-scheid-scj/11600-um-papa-chamado-francisco

Fonte da imagem:
http://www.cnbbsul1.org.br/em-entrevista-dom-odilo-fala-sobre-a-escolha-do-papa-francisco/

quarta-feira, 23 de maio de 2012

A intolerância contra os cristãos cresce na Europa



O Observatório sobre Intolerância e Discriminação contra Cristãos na Europa, em inglês Observatory on Intolerance and Discrimination against Christians in Europe - OIDCE,  publicou o relatório anual de listagem da discriminação anti-cristã em todos os Estados membros da União Européia, referente ao ano de 2011 (Report 2011).

O OIDCE é uma organização não governamental e membro da Agência Européia dos Direitos Fundamentais. Tem sede em Viena, na Áustria.

L'Osservatore Romano registra que os bispos europeus estão atentos às manifestações de discriminação e intolerância, conforme destaca, ao comentar sobre o relatório divulgado, Dom András Veres, bispo de Szombathely, na Hungria, e encarregado pelo Conselho das Conferências Episcopais Européias - CCEE de acompanhar o OIDCE. Seus comentários podem ser lidos aqui.


Leia mais:

Europa anticristã, pelo Pe. Jacques Rodrigues


Fonte da imagem:
http://www.fundacao-ais.pt/noticias/detail/id/2583/