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sexta-feira, 22 de março de 2013

O Papa Francisco, chamado a restaurar a Igreja



O momento é para o Papa Francisco. O noticiário volta-se para ele.

E, agora, a notícia vem do sobejamente conhecido teólogo e não menos polêmico Leonardo Boff, autor de São Francisco de Assis: ternura e vigor, publicado pela Editora Vozes.

Leonardo Boff escreveu um artigo muito positivo sobre o Papa Francisco, datado de 14 de março de 2013, publicado em sua página na internet.

Convém lê-lo:


"O Papa Francisco, chamado a restaurar a Igreja


Nas redes sociais havia anunciado que o futuro Papa iria se chamar Francisco. E não me enganei. Por que Francisco? Porque São Francisco começou sua conversão ao ouvir o Crucifixo da capelinha de São Damião lhe dizer: "Francisco, vai e restaura a minha casa; olhe que ela está em ruínas"(S.Boaventura, Legenda Maior II,1). 

Francisco tomou ao pé da letra estas palavras e reconstruíu a igrejinha da Porciúncula que existe ainda em Assis dentro de uma imensa catedral. Depois entendeu que se tratava de algo espiritual: restaurar a "Igreja que Cristo resgatara com seu sangue" (op.cit). Foi então que começou seu movimento de renovação da Igreja que era presidida pelo Papa mais poderoso da história, Inocêncio III. Começou morando com os hansenianos e de braço com um deles ia pelos caminhos pregando o evangelho em língua popular e não em latim. 

É bom que se saiba que Francisco nunca foi padre mas apenas leigo. Só no final da vida, quando os Papas proibiram que os leigos pregassem, aceitou ser diácono à condição de não receber nenhuma remuneração pelo cargo. 

Por que o Card. Jorge Mario Bergoglio escolheu o nome de Francisco? A meu ver foi exatamente porque se deu conta de que a Igreja, está em ruínas pela desmoralização dos vários escândalos que atingiram o que ela tinha de mais precioso: a moralidade e a credibilidade. 

Francisco não é um nome. É um projeto de Igreja, pobre, simples, evangélica e destituída de todo o poder. É uma Igreja que anda pelos caminhos, junto com os últimos; que cria as primeiras comunidades de irmãos que rezam o breviário debaixo de árvores junto com os passarinhos. É uma Igreja ecológica que chama a todos os seres com a doce palavra de "irmãos e irmãs". Francisco se mostrou obediente à Igreja dos Papas e, ao mesmo tempo, seguiu seu próprio caminho com o evangelho da pobreza na mão. Escreveu o então teólogo Joseph Ratzinger: "O não de Francisco àquele tipo de Igreja não poderia ser mais radical, é o que chamaríamos de protesto profético" (em Zeit Jesu, Herder 1970, 269). Ele não fala, simplesmente inaugura o novo. 

Creio que o Papa Francisco tem em mente uma Igreja assim, fora dos palácios e dos símbolos do poder. Mostrou-o ao aparecer em público. Normalmente os Papas e Ratzinger principalmente punham sobre os ombros a mozeta aquela capinha, cheia de brocados e ouro que só os imperadores podiam usar. O Papa Francisco veio simplesmente vestido de branco e com a cruz de bispo. Três pontos são de ressaltar em sua fala e são de grande significação simbólica. 

O primeiro: disse que quer "presidir na caridade". Isso desde a Reforma e nos melhores teólogos do ecumenismo era cobrado. O Papa não deve presidir com como um monarca absoluto, revestido de poder sagrado como o prevê o direito canônico. Segundo Jesus, deve presidir no amor e fortalecer a fé dos irmãos e irmãs. 

O segundo: deu centralidade ao Povo de Deus, tão realçada pelo Vaticano II e posta de lado pelos dois Papas anteriores em favor da Hierarquia. O Papa Francisco, humildemente, pede que o Povo de Deus reze por ele e o abençoe. Somente depois, ele abençoará o Povo de Deus. Isto significa: ele está aí para servir e não par ser servido. Pede que o ajudem a construir um caminho juntos. E clama por fraternidade para toda a humanidade onde os seres humanos não se reconhecem como irmãos e irmãs mas reféns dos mecanismos da economia. 

Por fim, evitou toda a espetacularização da figura do Papa. Não estendeu os braços para saudar o povo. Ficou parado, imóvel, sério e sóbrio, diria, quase assustado. Apenas se via a figura branca que olhava com carinho para a multidão. Mas irradiava paz e confiança. Usou de humor falando sem uma retórica oficialista. Como um pastor fala aos seus fiéis. 

Cabe por último ressaltar que é um Papa que vem do Grande Sul, onde estão os pobres da Terra e onde vivem 60% dos católicos. Com sua experiência de pastor, com uma nova visão das coisas, a partir de baixo, poderá reformar a Cúria, descentralizar a administração e conferir um rosto novo e crível à Igreja."


Fonte do artigo O Papa Francisco, chamado a restaurar a Igreja
http://leonardoboff.wordpress.com/2013/03/14/o-papa-francisco-chamado-a-restaurar-a-igreja/

Fonte da imagem:
http://leonardoboff.com/

domingo, 17 de março de 2013

Francisco: o Bispo de Roma


Na primeira aparição por ocasião do anúncio habemus Papam (temos Papa), Francisco declarou ser o Bispo que o Conclave deu à Roma: "Vós sabeis que o dever do Conclave era dar um Bispo a Roma. [...] E agora iniciamos este caminho, Bispo e povo... este caminho da Igreja de Roma, que é aquela que preside a todas as Igrejas na caridade.

Das suas breves palavras de saudação, na noite romana de 13 de março de 2013, quarta-feira, faço rápidas pinceladas. A saudação de Francisco dá um toque de novidade.

Bispo e povo. Esta inafastável simbiose constitui a Igreja de Cristo, da Igreja que está em Roma, da Igreja que está na África, nas Américas, na Ásia, na Europa e na Oceania. Sempre a mesma Igreja.

A Igreja, como O Povo de Deus ora revitalizado por Francisco, é conceito muito caro ao Concílio Ecumênico Vaticano II (cfr Lumen Gentium, capítulo II). E isso fica mais claro nesta recíproca caridade - um orando pelo outro: Rezemos sempre uns pelos outros. [...] peço-vos um favor: antes de o Bispo abençoar o povo, peço-vos que rezeis ao Senhor para que me abençoe a mim; é a oração do povo, pedindo a Bênção para o seu Bispo. Façamos em silêncio esta oração vossa por mim.

Este tópico, concluo com as palavras de Marcello Semeraro, da Pontifícia Universidade Lateranense, atualmente Bispo da Diocese Suburbicária de Albano (Itália): "A noção de povo de Deus teve o mérito indubitável de ajudar os cristãos na autoconsciência renovada e amadurecida da Igreja no Vaticano II." (Povo de Deus, in Lexicon-Dicionário Teológico Enciclopédico, p. 603).

Igreja de Roma preside a todas as Igrejas na caridade. Onde está o Bispo, aí está a Igreja. O Bispo de Roma dado pelo Conclave é primus inter pares, ou seja, primeiro entre iguais (e iguais ou pares são todos os bispos da Igreja).

O Bispo de Roma preside (do latim, prae + sidere = sentar-se antes, em frente) todas as demais igrejas particulares (dioceses) espalhadas pelo mundo inteiro. A Cátedra Episcopal de Roma preside as demais cátedras episcopais.

Essa evocação de Francisco traz à realidade o príncipio da colegialidade episcopal também de muito apreço pelos Padres Conciliares do Vaticano II (cfr. Lumen Gentium, capítulo III, em especial ns. 22 e 23). Com isso, prevê-se maior e frutuoso intercâmbio entre o Bispo de Roma e os demais bispos, sob signo da caridade, envolvendo as conferências episcopais.

Ao encerrrar este tópico, trago as palavra de São Cipriano (210-258), Padre da Igreja: O episcopado é uno e indiviso... Uno é o episcopado do qual cada bispo possui simplesmente uma porção" (De catholicae Ecclesiae unitate, 4, M. Semeraro, Colegialidade, in Lexicon-Dicionário Teológico Enciclopédico, p. 112)).

Por ora, vou ficar nessas anotações sobre as novidades da saudação de Francisco, o Bispo de Roma.


Fonte da imagem:
http://www.webdiocesi.chiesacattolica.it/cci_new/s2magazine/index1.jsp?idPagina=19040

sábado, 19 de janeiro de 2013

Há diferença entre a Igreja e o Estado do Vaticano? - Pe. Lombardi esclarece


Il Papa politico spiegato da padre Lombardi

O Padre Federico Lombardi, SJ, Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, explicou a relação que existe entre a Igreja Católica e o Estado do Vaticano, em entrevista concedida à revista italiana "Dom Orione Hoje".

São entidades distintas. O Estado da Cidade do Vaticano não é condição sem a qual não possa existir a Igreja - Povo de Deus. E o Papa até poderia não ser o Chefe do Estado.

Essas e outras colocações feitas pelo Padre Federico Lombardi são interessantes e instrutivas. E podem lidas aqui.

O Estado do Vaticano é, como já expressou certa vez Bento XVI:


"Um pequeno território para uma grande missão"


O texto completo da entrevista, em italiano, concedida à Rivista mensile Don Orione Oggi pode ser consultada aqui.


Leia mais:



Don Orione (em italiano)


Fonte da imagem:
http://www.formiche.net/2012/12/27/papa-lombardi/