domingo, 10 de fevereiro de 2013

Por que "Palavra da Salvação"?

  
Ele [Cristo] que fala ao ser lida na Igreja a Sagrada Escritura (SC, n. 7)


Terminada a proclamação do Evangelho (Lc 5, 1-11), o padre inicia a homilia, fazendo à assembléia a pergunta: por que, ao término do Evangelho, se diz "Palavra da Salvação"?

E o padre o fez na celebração da Eucaristia dominical do dia 10 de fevereiro de 2013 (5º Domingo do Tempo Comum), no contexto do Ano da Fé, para estimular a assembléia a viver a vida, a pensar os fatos da vida, iluminada pela centralidade no Cristo Salvador. Cristo é o centro da nossa fé. Maria e os santos são janelas para Cristo.

É, assim, que o padre iniciou e conduziu sua homilia: a salvação vem de Cristo e a fé está centrada nele, que, ressuscitado, vive.

À pergunta do padre, não faço uma resposta pessoal, mas tomo a liberdade de reproduzir um artigo publicado na Revista "Mundo e Missão", porque, abrangente, responde à essa indagação, remete a passagens da Sacrosanctum Concilium (SC) e orienta equipes de liturgia, ou de celebração, para outros mais aspectos da Palavra proclamada na celebração da Eucaristia, ou da Missa.


"Sentir Deus falando
 um sagrado direito do povo na missa
 por Frei José Ariovaldo da Silva, Ofm

Na liturgia, sobretudo na missa, Cristo está presente de várias maneiras. Uma delas é quando se lêem as Escrituras. Quando se fazem as leituras, se canta o salmo e se proclama o Evangelho, é Cristo mesmo que se comunica com seu povo reunido. 

Não é um livro e nem são palavras que se lêem, mas é a Palavra viva (Cristo mesmo!) que se anuncia como Palavra de vida para todos. É o que nos ensina a Igreja. É só conferir os n.7 e 33 da Constituição sobre a Sagrada Liturgia (SC) do Concílio Vaticano II. Afirma textualmente o documento: "Na liturgia Deus fala a seu povo. Cristo ainda anuncia o Evangelho" (SC 33). 

Então eu pergunto: Quando você vai à missa (ou mesmo numa celebração dominical da Palavra), dá para sentir de fato que é Deus que está falando com seu povo, quando se lêem as Escrituras? Ou tem alguma coisa (algum "ruído") que atrapalha?... E olha! Você tem todo direito (e até obrigação!) de sentir Deus falando com você (veja o n.14 da citada Constituição)! 

Você está conseguindo desfrutar desse sagrado direito? Pois bem, para que você possa, na missa, desfrutar do sagrado direito de sentir Cristo falando com você e com todo o povo reunido, seguem aqui algumas recomendações para as equipes de liturgia, para os leitores, para os salmistas e para os padres: 

Quem vai ler deve preparar-se espiritualmente para a leitura. Ler antes. Meditar. Orar em cima da Palavra. Deixar ela tomar conta de todo o seu ser (corpo, mente, coração, emoções). O leitor e a leitora devem ser os primeiros ouvintes da Palavra. E também devem se preparar tecnicamente, através de ensaios, cursos e avaliações para aperfeiçoamento. É muito importante. 

Atenção equipes de liturgia! Evitar pegar pessoas na última hora para ler, em cima da hora, de improviso. Inclusive se recomenda que a leitura seja entregue pela equipe com bastante antecedência, para ser preparada com calma, até mesmo durante toda a semana. 

Recomenda-se que a proclamação da Palavra seja feita de um lugar apropriado, só para ela: de uma estante especial, grande, bonita, distinta, que oficialmente chamamos de ambão. Isso para enfatizar o "lugar" de onde Deus fala para o seu povo. Por isso, para dar distinção à Palavra, não usar este espaço para outras coisas. Comentários e avisos sejam feitos em outro lugar. 

A Igreja orienta que as leituras sejam feitas diretamente do livro de leituras (chamado de lecionário). Isso por causa de dignidade da Palavra de Deus. O folheto é uma espécie de descartável. Hoje se usa e amanhã é jogado fora, vai para o lixo. A Palavra não é "descartável". É eterna. É Cristo. Por isso, por ser eterna, convém que ela seja proclamada diretamente do livro (não-descartável). A dignidade da Palavra exige que se evite o "ruído" do uso de "descartáveis" para a sua proclamação.

Recomenda-se também que, ao ouvir a Palavra (seja nas leituras e no canto do salmo, como, sobretudo na proclamação do Evangelho), o povo não fique acompanhando pelo folheto. A Palavra é para ser "ouvida"! Deus fala e você ouve... Quando alguém fala com você (ainda mais quando é Deus quem fala!), você fica de olho grudado no jornal? Evidente que não!

É questão até de educação. Quando Deus fala para você, desgrude o olho do jornal. Apenas olhe para frente (para o leitor ou leitora) e escute, "ouça" o que o Senhor diz! O ideal seria que os folhetos nem trouxessem os textos das leituras, do salmo e do evangelho. Exatamente para ajudar as pessoas a exercer o seu sagrado direito de realmente sentir Deus falando.

Quem proclama a Palavra, ao fazer as leituras, faça-o com voz clara (para todos ouvirem!), devagar, pausadamente, respeitando as pontuações. E, sobretudo, ler com espiritualidade, vivenciando o que lê, colocando emoção no que lê. Evite-se o "ruído" da leitura rápida demais, em voz baixa, sem pontuação e, sobretudo, sem espiritualidade.

A dignidade da Palavra exige também, da parte de quem a lê, uma postura digna. O leitor (ou leitora) fique apoiado (a) sobre os dois pés, exatamente para expressar a firmeza desta rocha que é a Palavra. Por isso, evite-se o "ruído" de permanecer apoiado (a) sobre um pé só (com o outro pé para trás, ou para frente).

E mais: ao ler, olhar com carinho para os ouvintes, como Deus olha para o seu povo. No olhar de quem lê, os ouvintes querem sentir o olhar de Deus. Evite-se, portanto, o "ruído" de ficar com o olhar preso só no livro. E mais: em muitas comunidades no Brasil, quem vai fazer a leitura já coloca uma veste própria para o exercício deste ministério.

Não ler os títulos orientativos, tais como: "Primeira leitura", "Segunda leitura", "Salmo responsorial", "Evangelho". Isso não é Palavra de Deus. São apenas títulos para não se perder. Quando estes títulos são lidos, quebra-se o ritmo e a harmonia da escuta da Palavra. Evite-se também este "ruído". Nunca se diga o nome da pessoa que vai fazer a leitura.

Dizer o nome da pessoa significa dar destaque à pessoa. Na hora de fazer a leitura, quem deve estar em destaque é, acima de tudo, a Palavra! Toda a atenção tem que estar centrada é na Palavra. Assim sendo, dizer o nome de quem vai ler significa, de certa maneira, "roubar a cena" da Palavra. É um "ruído" a mais que desvia a atenção do centro, que é Cristo falando para o seu povo.

Quando termina a leitura, diga-se "Palavra do Senhor", ou "Palavra da Salvação" (no caso do Evangelho), no singular. Por quê? Porque é Cristo-Palavra que foi proclamado. Por isso, evite-se o ruído de dizer "Palavras do Senhor" ou "Palavras da Salvação" (no plural). Pois não são "palavras" que são lidas, mas é "a Palavra" (Cristo) que é proclamada. Outra coisa: faça-se uma pequena pausa antes de dizer "Palavra do Senhor" ou "Palavra da Salvação". Isso ajuda a vivenciar melhor o que foi lido e ouvido.

Enfim, que tal implementar, nas dioceses, paróquias e, até mesmo, em institutos teológicos e pastorais, escolas de preparação para leitores, como era costume em certas comunidades dos primeiros séculos do cristianismo!... Um maravilhoso sinal de que a Palavra na Liturgia é de fato levada a sério, no mesmo nível como a sério é levada a Eucaristia.

Eis algumas recomendações úteis para que o povo possa viver mais plenamente o seu sagrado direito de sentir Deus falando, quando se lêem as Escrituras na missa. Queira Deus que isso aconteça em nossas comunidades. Afinal, é o grande sonho do Concílio Vaticano II, 40 anos já passados."


Leia mais:



Fonte do texto reproduzido:
http://www.pime.org.br/mundoemissao/teologiadeus2.htm

Fonte da imagem:
http://padretelmofigueiredo.blogspot.com.br/2013/01/3-domingo-do-tempo-comum-ano-c-homilia.html

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Mensagem de Bento XVI para a Quaresma-2013


 
Foi divulgada no dia 1º de fevereiro de 2013 (sexta-feira) a Mensagem de Bento XVI para a Quaresma, que se inicia no dia 13 de fevereiro, Quarta-Feira de Cinzas, tendo como tema "Crer na caridade suscita caridade".

Por falar em caridade, soam sempre presentes as palavras do apóstolo Paulo no seu "hino à caridade" (1 Cor 12,31-13,13) que foi a segunda leitura da Missa do 4º Domingo do Tempo Comum (dia 3 de fevereiro de 2013). 

O texto completo da Mensagem, em português, pode ser lida aqui.


Fonte da imagem:
http://santateresinhacumbica.blogspot.com.br/2013/02/de-pedro-para-nos.html

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Início do Tempo da Quaresma do Ano C - Lucas (2012-2013)



O Tempo da Quaresma começa na Quarta-Feira de Cinzas, que cai no dia 13 de fevereiro de 2013, e termina no dia 28 de março de 2013, Quinta-Feira da Semana Santa, imediatamente antes de começar a celebração da Missa da Ceia do Senhor. Em outras palavras, termina na Quinta-Feira Santa, com a Missa da Ceia do Senhor, exclusive, que cai no dia 28 de março de 2013.

No Tempo da Quaresma, a cor líturgica é roxa, podendo no Quarto Domingo (dia 10 de março) ser usada a cor roxa ou rósea. O Quarto Domingo é chamado Domingo Laetare (Alegra-te!). E a expressão laetare vem de Isaías 66, 10.
 
Quarta-feira de Cinzas é dia de abstinência e jejum. À abstinência estão obrigados os que houverem completado catorze anos de idade e vai até o fim da vida. Ao jejum estão obrigados os maiores de idade (no Brasil, 18 anos completos) e vai até os sessenta anos começados (em outras palavras, até os 59 anos completos). A respeito, pode-se ler os canônes 1249 a 1253 do Código de Direito Canônico aqui.

Sexta-feira da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo (Sexta-Feira Santa) é também dia de abstinência e jejum, como estabelece o cânone n. 1251 do Código de Direito Canônico.

A Quaresma pode ser acompanhada no Diretório da Liturgia - 2013, às páginas 60 a 79. E, no Missal Romano (tradução da 2ª edição típica para o Brasil), Próprio do Tempo, às páginas 175 a 246.






Fonte da imagem:
http://paroquiatibiri02.blogspot.com.br/

sábado, 26 de janeiro de 2013

Campanha da Fraternidade-2013 e Jornada Mundial da Juventude-2013


cartaz_CF_2013

Dois eventos católicos, com temas que se complementam acontecem no Brasil, em 2013. A Campanha da Fraternidade (CF-2013), de natureza nacional, e a Jornada Mundial da Juventude (JMJ-2013), de cunho internacional. Estes acontecimentos são enriquecidos com o Ano da Fé, que começou em 11 de outubro de 2012, no cinquentenário da abertura do Concílio Ecumênico Vaticano II e vigésimo aniversário da promulgação do Catecismo da Igreja Católica, e vai até 24 de novembro de 2013, na Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo.

A CF-2013 tem como tema Fraternidade e Juventude e como lema Eis-me aqui, envia-me! (Is 6,8). A Campanha será lançada no dia 13 de fevereiro de 2013, quarta-feira de Cinzas (início do Tempo da Quaresma). A CF-2013 se prolonga pelo Tempo da Quaresma e termina no dia 24 de março de 2013 (Domingo de Ramos da Paixão do Senhor). Leia e acompanhe no portal da CF 2013.

A JMJ-2013 será realizada de 23 a 28 de julho de 2013, na cidade do Rio de Janeiro (Brasil). Contará com jovens do Brasil e de todas as partes do mundo. O Papa Bento XVI será o grande peregrino e anfitrião desse encontro mundial da juventude. Leia e acompanhe no portal da JMJ Rio 2013.

Em ambos os eventos, a missionariedade (apostolado dos leigos) está em evidência. E também o conhecimento da e o seu amadurecimento.



Leia mais:





Fonte da primeira imagem:
http://www.cnbb.org.br/site/campanhas/fraternidade/11121-campanha-da-fraternidade-sera-lancada-no-dia-13-de-fevereiro

Fonte da segunda imagem:
http://www.rio2013.com/pt/noticias/detalhes/202/logomarca-oficial-da-jmj-rio2013-conceito

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

O salmo responsorial pode ser substituído por canto de meditação?


Blog de ministeriovemsenhorjesus :Ministério de Música, Artigos: Salmo Responsorial!

O salmo responsorial (salmo cantado ou recitado na missa) não pode ser substituído por canto de meditação ou por qualquer outro canto.

A Instrução Geral do Missal Romano - IGMR (3ª edição típica) disciplina: "[...] nem é permitido trocar as leituras e o salmo responsorial, constituídos da Palavra de Deus, por outros textos não bíblicos" (n. 57).

No mesmo sentido, vai a Introdução ao Lecionário da Missa (Ordo Lectionum Missae - OLM), ou Elenco das Leituras da Missa, que estabelece: "Não é permitido que na celebração da missa as leituras bíblicas, juntamente com  os cânticos tirados da Sagrada Escritura, sejam suprimidas, nem abreviadas nem, coisa ainda mais grave, substituídas por outras leituras não bíblicas (n. 12).
 
Lucien Deiss, sacerdote da Congregação do Espírito Santo (CSSp), deixou-nos uma preciosidade: "A Palavra de Deus Celebrada", ou, em original, "Célébration de la Parole". Este livro foi traduzido para o português pelas Monjas Beneditinas da Abadia de Santa Maria em São Paulo, SP. E, na parte que aqui toca mais de perto, o padre Lucien Deiss afirma:

"Da mesma forma que não podemos substituir o Evangelho por uma palavra simplesmente humana, por mais bela que seja, da mesma forma que não podemos substituir o pão eucarístico pelo pão comum, não saberíamos substituir o Salmo responsorial por um canto comum. Em cada salmo é a própria face de Cristo que se revela à comunidade. Face do homem das dores nas lamentações, face do Ressuscitado nos salmos do Reino, face do Mestre da sabedoria nos salmos sapienciais, face de quem implora nos salmos de súplica, face de louvor de bênção nos salmos hínicos. Como ousar substituir esta face adorável, cujos traços foram desenhados pelo Espírito Santo, por uma outra face cujos traços, fruto da imaginação humana, são propostos por um cântico?" (pág. 74).

Linhas antes, Padre Lucien já dissera: "Quanto ao Salmo responsorial, ele quer ser uma resposta à primeira leitura" (pág. 19).

O salmo responsorial é parte integrante da liturgia da palavra - afirma a IGMR, n. 61.

Para a celebração da Eucaristia (Missa), segundo o mesmo Padre Lucien: "O Salmo foi escolhido em função das leituras. [...]. Não é portanto o Saltério da Bíblia que consideramos aqui, mas o do Lecionário" (pág.70).

Voltando à pergunta que dá título a este post, valho-me mais uma vez da lucidez litúrgica de Lucien Deiss, que a coloca e responde nestes termos:

"Em si, o convite à meditação da Palavra de Deus é sempre oportuno. O salmista cantava:

Como eu amo a tua lei!
Durante todo o dia eu a medito (Sl 118 (119), 97).

Mas não está aí o problema. A verdadeira questão é a seguinte: convém considerar o Salmo responsorial como um canto de meditação, e portanto favorecer, por meio da música, um clima de recolhimento e meditação?

Sem a mínima hesitação, respondemos: não. Ou, ao menos, não necessariamente." (pág. 64).

E Deiss conclui: "A meditação não está, portanto, excluída, mas não se pode reduzir o Salmo responsorial a um canto de meditação" (pág. 66).

O silêncio de que fala a IGMR (n. 56) é uma pausa de recolhimento que integra a liturgia da palavra. Os breves momentos de silêncio, como diz a IGMR, não se prestam, pois, como motivo para a introdução de canto de meditação em substituição ao salmo responsorial.


Fonte da imagem:
http://ministeriovemsenhorjesus.musicblog.com.br/416041/Artigos-Salmo-Responsorial/

sábado, 19 de janeiro de 2013

Há diferença entre a Igreja e o Estado do Vaticano? - Pe. Lombardi esclarece


Il Papa politico spiegato da padre Lombardi

O Padre Federico Lombardi, SJ, Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, explicou a relação que existe entre a Igreja Católica e o Estado do Vaticano, em entrevista concedida à revista italiana "Dom Orione Hoje".

São entidades distintas. O Estado da Cidade do Vaticano não é condição sem a qual não possa existir a Igreja - Povo de Deus. E o Papa até poderia não ser o Chefe do Estado.

Essas e outras colocações feitas pelo Padre Federico Lombardi são interessantes e instrutivas. E podem lidas aqui.

O Estado do Vaticano é, como já expressou certa vez Bento XVI:


"Um pequeno território para uma grande missão"


O texto completo da entrevista, em italiano, concedida à Rivista mensile Don Orione Oggi pode ser consultada aqui.


Leia mais:



Don Orione (em italiano)


Fonte da imagem:
http://www.formiche.net/2012/12/27/papa-lombardi/

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Decreto do Arcebispo de São Paulo para o Ano da Fé - Indulgência Plenária



Em sintonia com o Ano da Fé e com a Carta Pastoral à Arquidiocese de São Paulo - Senhor, aumentai a nossa fé!, o Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo, promulgou o Decreto para o Ano da Fé 2012-2013, datado de 4 de novembro de 2012, que concede a Indulgência Plenária da pena temporal àqueles que atenderem às condições ali estabelecidas.

O Arcebispo Metropolitano conclui o Decreto, enfatizando: "Aos Sacerdotes recomendo que preguem, especialmente, sobre os conteúdos da fé católica ao longo do Ano da Fé".

O Decreto pode ser lido, em seu inteiro teor, consultando abaixo.


Arquidiocese de São Paulo


Fonte da imagem:
http://www.radio9dejulho.com.br/noticia47.html

sábado, 12 de janeiro de 2013

Reflexão sobre a Homilia de Bento XVI na Missa da Noite de Natal-2012



O Papa Bento XVI presidiu, na noite do dia 24 de dezembro de 2012, a Missa da Solenidade do Natal do Senhor (Missa do Galo), na Basílica Vaticana, ou Basílica de São Pedro. A Homilia proferida pelo Papa, em tradução para o português, pode ser lida aqui. E dela destaco duas passagens, comentando-as.

1. Deus se faz criança. Há razões neste mistério de Deus. "Como se [Deus] dissesse: Sei que o meu esplendor te assusta, que à vista da minha grandeza procuras importe-te a ti mesmo. Por isso venho a ti como menino, para que Me possas acolher e amar" (Bento XVI). O Deus distante, todo poderoso e sentado em suntuoso trono, não é o Deus da Noite de Natal. O Deus da Noite de Natal, comunicativo e despido de dominação, se achega a nós em forma humana (antropomórfica), como recém nascido. Aqui, cresce em idade e sabedoria, proclama o Reino de Deus e, por causa dessa novidade, é julgado, condenado e morto na cruz. Ressuscitado, vive entre nós.

2. O tempo e espaço para Deus. O homem moderno está com a sua agenda cheia. Os horários  e espaços já estão todos ocupados. Encaixar algo mais só com muito jeito, à margem da agenda. Mas, para Deus, não tem jeito mesmo.

O Papa afirma: "E recordamos então que esta notícia, aparentementre casual, da falta de lugar na hospedaria que obriga a Sagrada Família a ir para o estábulo, foi aprofundada e referida na sua essência pelo evangelista João nestes termos: "Veio para o que era Seu, e os Seus não O acolheram (Jo 1,11). Deste modo, a grande questão moral sobre o modo como nos comportamos com os prófugos, os refugiados, os imigrantes ganha um sentido ainda mais fundamental: Temos verdadeiramente lugar para Deus, quando Ele tenta entrar em nós? Temos tempo e espaço para Ele? Porventura não é ao próprio Deus que rejeitamos? Isto começa pelo facto de não termos tempo para Deus. Quanto mais rapidamente nos podemos mover, quanto mais eficazes se tornam os meios que nos fazem poupar tempo, tanto menos tempo temos disponível. E Deus? O que diz respeito a Ele nunca parece uma questão urgente. O nosso tempo já está completamente preenchido."

Com tanta tecnologia, o tempo tornou-se curto, ou melhor, na medida em que se aperfeiçoam e crescem os meios tecnológicos (parece que a tecnologia quer nos socorrer nessa falta de tempo, mas, contraditoriamente, o homem fica com menos tempo), cada vez mais o tempo vai ficando escasso. Então, afirma o Papa: "Quanto mais rapidamente nos podemos mover, quanto mais eficazes se tornam os meios que nos fazem poupar tempo, tanto menos tempo temos disponível."

Nessa escassez de tempo, em que tudo se mede e se move pela utilidade e fruição imediatas, Deus não encontra lugar e tempo no coração do homem.

O meio cultural acaba influindo no comportamento do homem. O deus da velocidade, da utilidade e do imediatismo submete o homem a um ritmo de ansiedade avassaladora, para fazer dele um ser onipresente (estar em todos os lugares, fazer todas as coisas...).

O Papa tem proposto a questão dos valores, das prioridades, do significado do Natal, o que, aliás, vem como antídoto à escassez de tempo para Deus.

É necessário que o homem retome a matriz da sua identidade como ser criado à imagem e semelhança de Deus (Gn 1, 26-27).

Há outras reflexões, mas listo essas duas, sendo a segunda de grande relevância para o momento em que vive a humanidade. Dada a sua importância, eis as palavras de Bento XVI:

A metodologia do nosso pensamento está configurada de modo que, no fundo, Ele [Deus] não deva existir. Mesmo quando parece bater à porta do nosso pensamento, temos de arranjar qualquer raciocínio para O afastar; o pensamento, para ser considerado «sério», deve ser configurado de modo que a «hipótese Deus» se torne supérflua. E também nos nossos sentimentos e vontade não há espaço para Ele. Queremo-nos a nós mesmos, queremos as coisas que se conseguem tocar, a felicidade que se pode experimentar, o sucesso dos nossos projectos pessoais e das nossas intenções. Estamos completamente «cheios» de nós mesmos, de tal modo que não resta qualquer espaço para Deus.


Fonte da imagem:
http://www.news.va/pt/news/se-se-apaga-a-luz-de-deus-apaga-se-tambem-a-dignid

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Início do Tempo Comum do Ano C - Lucas (2012-2013) - 1ª fase



A primeira fase do Tempo Comum do Ano C - Lucas (2012-2013) começa no dia 14 de janeiro de 2013, segunda-feira, e vai até o dia 12 de fevereiro de 2013, terça-feira, inclusive. E pode ser acompanhada no Diretório da Liturgia, às páginas 48 a 60.

A cor litúrgica é verde.


Leia mais:

O ano litúrgico e o calendário

O tempo que se chama comum


Fonte da imagem:
http://blog.cancaonova.com/brasilia/2011/01/novo-tempo-liturgico-nova-oportunidade-de-recomecar/

domingo, 6 de janeiro de 2013

Carta Pastoral à Arquidiocese de São Paulo: Ano da Fé 2012-2013



O Ano da Fé está em curso. É um kairós, ou seja, é um tempo de Deus e para Deus. Ou, nas palavras de Bento XVI por ocasião do anúncio do Ano da Fé: "Será um momento de graça e compromisso para uma plena conversão a Deus, para fortalecer a nossa fé n'Ele e a anunciá-Lo com alegria ao homem do nosso tempo." Em outras palavras, é um tempo forte, de graça, na vida da Igreja - Povo de Deus.

Mas hoje queremos nos ocupar, em sintonia com o Ano da Fé, da 2ª Carta Pastoral à Arquidiocese de São Paulo: Ano da Fé 2012-2013 Senhor, aumentai a nossa fé!, datada de 01 de outubro de 2012, do Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo.

Trata-se de relevante documento para a vida dos cristãos católicos da Arquidiocese de São Paulo. A Carta Pastoral compõe-se de uma introdução, onde se lê: "O Ano da Fé é, pois, um "tempo favorável" para renovar o conhecimento e apreço pela fé que recebemos, e para a professarmos com firmeza e alegria. Desejo, com esta Carta Pastoral, oferecer a todos os filhos e filhas da amada Arquidiocese de São Paulo uma reflexão motivadora e, ao mesmo tempo, as necessárias orientações para a vivência do Ano da Fé em nossa Comunidade Eclesial Metropolitana, colocada sob o patrocínio do Apóstolo São Paulo, grande missionário, mestre e testemunha da fé!"

E continuando, a Carta compõe-se de vários de títulos, sempre ligados ao tema da fé, extraídos de passagens do Novo Testamento. O penúltimo título - 11. "Senhor, aumentai a nossa fé!" (Lc 17, 5). O Ano da Fé - divide-se em subtítulos de natureza prática:
11.1. Ações destacadas durante o Ano da Fé
11.2. A fé celebrada na Liturgia
11.3. Ano da Fé e Catecismo da Igreja Católica.

Por fim, à Carta Pastoral vêm acrescentadas a Profissão da Fé no Ano da Fé e a Oração a São Paulo Apóstolo Patrono da Arquidiocese de São Paulo.

A Carta é de fácil leitura, instrutiva e formadora, colocando a leitora ou leitor em contato com os fundamentos bíblicos, incitando-a (o) a instruir-se e a vivenciar, sem pudor, a sua fé.

A Carta Pastoral teve ampla divulgação, com exemplares distribuídos aos paroquianos e interessados. Pode ser lida em seu inteiro teor (e-book) abaixo.



Fonte da imagem:
http://arquidiocesedesaopaulo.org.br/?q=node/185010

domingo, 30 de dezembro de 2012

A paz: dom de Deus e obra do homem



A paz não é um sonho, nem uma utopia; a paz é possível.

O Papa Bento XVI já divulgou a Mensagem para o XLVI Dia Mundial da Paz, a ser comemorado no dia 1º de janeiro de 2013.

A paz começa consigo mesmo, passando da paz interior para a paz exterior. Nesse sentido, Bento XVI esclarece:

"A paz envolve o ser humano na sua integridade e supõe o empenhamento da pessoa inteira: é paz com Deus, vivendo conforme à sua vontade; é paz interior consigo mesmo, e paz exterior com o próximo e com toda a criação."

O texto integral da Mensagem do Papa Bento XVI para o Dia Mundial da Paz, em português, pode ser lido aqui.

Às leitoras e aos leitores desejo


Feliz e próspero 2013!


Leia mais:

Mensagem de Sua Santidade Papa Paulo VI para a celebração do I Dia Mundial da Paz - 1 de janeiro de 1968


Fonte da imagem:
http://www.arquidiocesebh.org.br/site/noticias.php?id_noticia=4702

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Balanço pastoral de Bento XVI: Discurso à Cúria Romana



O Papa Bento XVI se encontrou no dia 21 de dezembro de 2012, sexta-feira, na Sala Clementina, com os membros do Colégio Cardinalício, representantes da Cúria Romana e do Governatorado. E, nessa oportunidade de apresentação dos votos natalícios, o Papa dirigiu a eles discurso de grande variedade de temas atuais, que envolvem a Igreja e o Pontificado no ano de 2012.

Ou, como afirma o Papa:

"Encontramo-nos no fim de mais um ano, também este caracterizado - na Igreja e no mundo - por muitas situações atribuladas, por grandes problemas e desafios, mas também por sinais de esperança. Limito-me a mencionar alguns momentos salientes no âmbito da vida da Igreja e do meu ministério petrino."

Entre a variedade de temas abordados no discurso, destaco: família, diálogo e anúncio. O discurso dá forma analítica a cada um dos temas. Por exemplo, o tema diálogo se decompõe em diálogo com os Estados, diálogo com a sociedade e diálogo com as religiões.

O texto integral do discurso, em português, pode ser lido aqui.


Leia mais:

Quem defende Deus defende o homem


Fonte da imagem:
http://govvota.blogspot.com.br/2012/12/discurso-do-papa-bento-xvi-curia-romana.html

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

O nascimento de Cristo desafia-nos a reconsiderar o nosso modo de viver, diz Bento XVI.


http://www.osservatoreromano.va/orportal-portlets-portal/detail/binaries/news/vaticano/2012/293q12-in-un-articolo-per-il--financial-times--di-/financialtimes.jpg

Ele [Cristo] traz esperança a todos os que, como ele mesmo, vivem à margem da sociedade.

O jornal inglês "Financial Times" pediu ao Papa Bento XVI um artigo sobre a celebração do Natal de Jesus em tempos de auteridade e o compromisso dos cristãos na transformação do mundo. O Papa, excepcionalmente, atendeu à solicitação e o artigo foi publicado no dia 19 de dezembro de 2012, quarta-feira, cujo texto em inglês pode ser lido aqui e, em italiano (tradução), aqui.

Bento XVI parte da passagem bíblica - Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus (Mc 12,17) -, que dá uma dimensão de reflexão sobre a não politização da religião e a não divinização do poder temporal. Daí, afirma o Papa: "[...] o nascimento do menino Jesus marcou o fim da antiga ordem, o mundo pagão, no qual as reivindicações de César pareciam impossíveis de desafiar."

E também:

"O nascimento de Cristo desafia-nos a reconsiderar as nossas prioridades e valores, o nosso modo de viver. E enquanto o Natal é sem dúvida um tempo de grande alegria, é também uma ocasião para uma reflexão profunda, aliás, um exame de consciência. No fim de um ano que significou privações económicas para muitos, o que podemos aprender da humildade, da pobreza, da simplicidade da imagem do presépio?"


Reproduzo, na íntegra, o mencionado artigo de Bento XVI, em tradução para o português, divulgado pelo L'Osservatore Romano, edição de 21 de dezembro de 2012, sexta-feira, como segue:

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«Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus» foi a resposta de Jesus quando lhe perguntaram o que pensava sobre o pagamento dos impostos. Obviamente, os que o interrogavam desejam preparar-lhe uma armadilha. Queriam obrigá-lo a tomar uma posição no debate político inflamado sobre a dominação romana na terra de Israel. E o que estava em jogo era ainda mais: se Jesus fosse realmente o Messias esperado, então certamente ter-se-ia oposto aos dominadores romanos. Portanto, a pergunta era calculada para o desmascarar como uma ameaça para o regime ou como um impostor. A resposta de Jesus leva habilmente a questão a um nível superior, atestando com fineza contra a politização da religião e a deificação do poder temporal, e contra a incansável busca da riqueza. Os seus interlocutores deviam entender que o Messias não era César, e que César não era Deus. O reino que Jesus vinha instaurar era de uma dimensão absolutamente superior. Como respondeu a Pôncio Pilatos: «O meu reino não é deste mundo». 

As narrações de Natal do Novo Testamento têm a finalidade de expressar uma mensagem semelhante. Jesus nasceu durante um «recenseamento do mundo inteiro», desejado por César Augusto, o imperador famoso por ter levado a Pax Romana a todas as terras submetidas ao domínio romano. E no entanto, este menino, nascido num obscuro e distante recanto do império, estava para oferecer ao mundo uma paz muito maior, verdadeiramente universal nas suas finalidades e para além de qualquer limite de espaço e de tempo. 

 Jesus é-nos apresentado como herdeiro do rei David, mas a libertação que ele trouxe ao próprio povo não dizia respeito à vigilância dos exércitos inimigos; ao contrário, tratava-se de vencer o pecado e a morte para sempre. O Menino Jesus, vulnerável e débil em termos mundanos, tão diverso dos dominadores terrenos, é o verdadeiro rei do céu e da terra. 

O nascimento de Cristo desafia-nos a reconsiderar as nossas prioridades e valores, o nosso modo de viver. E enquanto o Natal é sem dúvida um tempo de grande alegria, é também uma ocasião para uma reflexão profunda, aliás, um exame de consciência. No fim de um ano que significou privações económicas para muitos, o que podemos aprender da humildade, da pobreza, da simplicidade da imagem do presépio? 

A narração do Natal pode introduzir-nos a Cristo, tão indefeso e tão facilmente abordável. O Natal pode ser o tempo no qual aprendemos a ler o Evangelho, a conhecer Jesus não só como o Menino da manjedoura, mas como aquele no qual reconhecemos o Deus que se fez Homem. 

É no Evangelho que os cristãos encontram inspiração para a vida diária e para o seu envolvimento nas questões do mundo – quer isto aconteça no Parlamento quer na Bolsa. Os cristãos não deveriam fugir do mundo; ao contrário, deviam ter zelo por ele. Mas a sua participação na política e na economia deveria transcender qualquer forma de ideologia. 

Os cristãos combatem a pobreza porque reconhecem a dignidade suprema de todos os seres humanos, criados à imagem de Deus e destinados à vida eterna. Os cristãos lutam por uma partilha equilibrada dos recursos da terra porque estão convictos de que, como administradores da criação de Deus, temos o dever de zelar pelos mais débeis e vulneráveis, agora e no futuro. Os cristãos opõem-se à avidez e à exploração, convictos de que a generosidade e um amor abnegado, ensinados e vividos por Jesus de Nazaré, são o caminho que leva à plenitude da vida. A fé cristã no destino transcendente de cada ser humano implica a urgência da tarefa de promover a paz e a justiça para todos. Dado que tais fins são partilhados por muitos, é possível uma grande e frutuosa colaboração entre os cristãos e os outros. Todavia, os cristãos dão a César só o que é de César, mas não o que pertence a Deus. Às vezes ao longo da história os cristãos não podiam aceitar as exigências feitas por César. Desde o culto do imperador da antiga Roma até aos regimes totalitários do século que acabou de transcorrer, César procurou ocupar o lugar de Deus. Quando os cristãos rejeitaram ajoelhar-se diante dos falsos deuses propostos nos nossos tempos, não foi porque tinham uma visão antiquada do mundo. Pelo contrário, isto acontece porque estão livres dos vínculos da ideologia e são animados por uma visão tão nobre do destino humano, que não possa aceitar comprometimentos em relação a nada que o possa ameaçar. 

Na Itália, muitos presépios são adornados com ruínas dos antigos edifícios romanos como pano de fundo. Isto demonstra que o nascimento do Menino Jesus marcou o fim da antiga ordem, o mundo pagão, no qual as reivindicações de César pareciam impossíveis de desafiar. Agora temos um rei novo, o qual não confia na força das armas, mas no poder do amor. Ele traz esperança a todos os que, como ele mesmo, vivem à margem da sociedade. Traz esperança a quantos são vulneráveis nos destinos mutáveis de um mundo precário. Desde a manjedoura, Cristo chama-nos a viver como cidadãos do seu reino celeste, um reino que cada pessoa de boa vontade pode ajudar a construir aqui na terra. 

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Fonte da primeira imagem:
http://www.osservatoreromano.va/portal/dt?JSPTabContainer.setSelected=JSPTabContainer%2FDetail&last=false=&path=/news/vaticano/2012/293q12-In-un-articolo-per-il--Financial-Times--di-.html&title=Cristiani%20senza%20compromessi&locale=pt

Fonte da segunda imagem:
http://comunidadecatolicagratidao.blogspot.com.br/2011/12/onde-esta-manjedoura.html

Fonte do texto (em português):
http://www.osservatoreromano.va/portal/dt?JSPTabContainer.setSelected=JSPTabContainer%2FDetail&last=false=&path=/news/vaticano/2012/293q12-In-un-articolo-per-il--Financial-Times--di-.html&title=Cristiani%20senza%20compromessi&locale=pt

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Diálogo na intimidade - Palavra: AMOR


Bom, mãe, vou me preparar para nascer.

E a solene festa do nascimento de Jesus está chegando, motivo e razão da nossa alegria e da nossa esperança.

Há tempos Padre Javier Mateo Arana, do clero diocesano da Diocese de Santos, escreveu um texto a que deu o nome de "Diálogo na intimidade  - Palavra: AMOR", e recentemente publicado no Jornal Presença Diocesana (Jornal Mensal da Diocese de Santos - SP) - Dezembro - 2012 - nº 136 - ano 12 - p. 11.

Como o título diz, o diálogo se passa no mais profundo do ser humano, entre mãe e filho - Maria e Jesus. É o diálogo da vida. Tudo se sustenta no AMOR.

"E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos sua glória que o Filho único recebe do seu Pai, cheio de graça e de verdade" (Jo 1,14).

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"Diálogo na intimidade - Palavra: AMOR

- Mãe, cheguei! 
- Assim, tão de repente? 
- Foi só a Senhora dizer para o anjo aquilo de “Eis aqui a escrava do Senhor...” que eu aproveitei a deixa (aliás, esperada desde sempre) e eis-me aqui...
- Então tu estavas escu- tando tudo escondido entre as flores? 
- É, estava na boca do anjo Gabriel. Acompanhei tudo e estava torcendo para que tu, mãe, acreditasse naquilo de que “...para Deus nada é impossível...” 
-É, filho, não foi nada fácil... sei que lá pelo século XXI, as pessoas vão dizer que ... “Assim, qualquer um, pudera...”. Mas não foi fácil. Pois logo pensei em José. Coitado! Não ia entender nada, que nem eu. Acho que teu Pai nos pegou desprevenidos. Acho que nem José, nem eu estávamos preparados para tanto. 
- É, mãe, as coisas de Deus são assim. Elas passam pelo coração, antes de acontecer na cabeça. 
- Meu filho, quem sabe destas coisas é a tua mãe. Fiquei sem saber por onde começar. Porque eu disse para o anjo: Olha, eu não conheço homem nem pensei em nada sério e depois, pensei, não adianta falar comigo se José não está aqui para opinar... Aí o anjo me contou e começou a dizer coisas tão bonitas e verdadeiras que fiquei pasma. Estava tudo preparado. O anjo só queria me arrancar o “OK” e eu me abandonei totalmente à Palavra. Porque apareceu em cena o Espírito Santo. 
- Ah! Esse eu conheço. Meu Pai e Eu estamos sempre ligados a Ele. É como se nós pegássemos o ar d’Ele. 
- Ele, de fato, foi muito gentil comigo. Me cobriu com sua sombra e eu fiquei grávida de Ti, por causa do Amor. Que Esposo Maravilhoso! 
- Sabes, mãe? Aqui dentro está tudo tão bom...! Que experiência única, mãe. Eu que sou Deus me encontro aqui, no teu interior de mãe, esperando o tempo passar e nascer de ti... 
- Eu também, filho, sinto um bem-estar pleno de mãe. Agora sei que começo a sentir aquela saudação do anjo... “Alegra-te, ó tu que tens o favor de Deus, o Senhor está contigo... Teu filho estás aqui dentro, meu tesouro”. 
- E, Eu, Deus, estou me alimentando de ti, mãe. Tu achas, mãe, que alguém pode entender estas coisas? 
- Acho que não meu filho. Embora Isabel, a prima, tenha falado umas coisas que me encheram de rubor. 
- O que disse? 
- Ela levantou os braços, veio ao meu encontro e... “Bendita és tu mais do que todas as mulheres. Bendito é também o fruto do teu ventre”. Fiquei passada. Não sabia como ela poderia ter descoberto este segredo que era coisa do Anjo e minha. 
- Reparaste, mãe, que tudo aconteceu numa aldeia perdida, desconhecida, sem importância? Eu gosto de gente que nem tu, mãe, do povo, gente simples, decidida e que assume as coisa pra valer. Estou orgulhoso de ti, mãe. 
- Pois imagina eu, filho. Não sei muito bem o que me espera por ser tua mãe, mas por enquanto “a minha alma exalta o Senhor e meu espí- rito se encheu de júbilo por causa de Deus, meu Salvador, porque Ele pôs os olhos sobre sua humilde Serva.”  
- Eu já ouvi estas palavras e outras mais, na casa de Isabel. Achei-as geniais. Só tu, mãe, pra falar coisas tão bonitas. Mas eu acho que estas palavras, mãe, vão dar dor de cabeça no futuro. 
- É filho, mas foi o que o Espírito Santo me inspirou na hora. 
- Como é bom falar contigo, mãe. 
- Melhor é te sentir aqui dentro, filho. 
- Falta muito pra eu nascer, mãe? 
- Acho que é questão de dias, filho. Estou um pouco nervosa porque temos que viajar para Belém, e sabes como é difícil mulher grávida andar por estes caminhos empoeirados. 
- Estou doidinho pra ver tua cara. Deve ser linda. 
- E eu estou sonhando com os teus olhos. Não sei se serão castanhos como os meus ou da cor do Espírito Santo. 
- Bom, mãe, vou me preparar para nascer. 
- Descansa meu filho. 
- Descansa mãe, até o dia 25. 
- Vinte e cinco, filho? 
- Acho que sim, mãe. 
- Ah! Não fala assim que eu vou chorar de alegria, filho. 
 - Mãe, não te ponhas assim tão romântica.  
- E posso?!..."

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Às leitoras e aos leitores desejo 
 

Feliz e Santo Natal do Senhor


Fonte do texto:
Jornal Presença Diocesana (Jornal Mensal da Diocese de Santos - SP) - Dezembro - 2012 - nº 136 - ano 12 - p. 11
www.unisantos.br/upload/publicacao_1354889216559_136_jp_2012_dezembro.pdf
 
Fonte da primeira imagem:
http://www.paroquiadocarmo.org.br/album_select_content.asp?cod_album=40

Fonte da segunda imagem:
http://blogdacapela.blogspot.com.br/2012/03/mulher-exemplo-de-mulher.html