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quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

A Missa da Aurora não é conventual



Por ser tema sempre atual, voltemos ao Natal. Para a celebração da Solenidade do Natal do Senhor são contempladas pelo Missal Romano quatro Missas, assim denominadas Missa da Vigília, Missa da Noite, Missa da Aurora e Missa do Dia.

Nos dias atuais, são poucas as igrejas, nas grandes cidades, que celebram a Missa da Noite (a chamada Missa do Galo), com início às 24:00 horas do dia 24 de dezembro. Fazem-no com início, aproximadamente, entre 19:00 e 21:00 horas.

Das mencionadas Missas de Natal, o Diretório da Liturgia faz a menção de que "A Missa da Aurora não é conventual".

Daí, antes de tudo, a pergunta: O que é Missa Conventual?

O adjetivo 'conventual' está a qualificar a palavra Missa. Conventual vem de convento (e, por convento, entenda-se, por similitude de vida religiosa, mosteiro e outras casas religiosas). Mas, não para aí. Esta forma de celebração, ou classe de Missa, está atrelada à Liturgia das Horas (Ofício Divino).

Para sermos breves, o conceito atual de Missa Conventual delineia-se a partir do Missal Romano restaurado pelo Papa Paulo VI, em 1969.

A atual Instrução Geral do Missal Romano (IGMR) para a terceira edição típica do Missal Romano prevê a Missa Conventual no número 114 e que "faz parte do Ofício cotidiano". E o número 199, letra "c", da mesma IGMR também prevê a concelebração da Missa Conventual.

Assim, de regra, a Missa Conventual é a "missa da comunidade", diária, celebrada, em sintonia com as horas do dia do Ofício Divino, para uma família religiosa local (exemplos: fransciscanos, clarissas etc.) se em convento, mosteiro ou em outra casa religiosa. E a fotografia acima ilustra uma Missa Conventual concelebrada.

Por aí se vê que a Missa da Aurora (também chamada Missa dos Pastores) é, a rigor, a celebração eucarística vinculada, e o nome o diz, à claridade que precede o nascer do sol do Dia de Natal (25 de dezembro). Por não ser conventual, pode ser celebrada em catedral, paróquia etc., aberta, pois, à participação de todos os fiéis.


Por ora, fiquemos por aqui, conquanto o tema comporte maior exposição.


Fonte da primeira imagem:
http://www.monasteriodeleyre.com/jornada.htm

Fonte da seguda imagem:
http://www.louvoresamaria.com.br/postais/postais.html

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Recitação do Rosário com Bento XVI


Tarde de sábado, 12 de maio.

Pois bem, foi na tarde de sábado que o Papa recitou com os fiéis o Rosário de Maria, na Basílica de Aparecida. A recitação do Rosário (especialmente o terço) é o fato cotidiano mais comum entre os brasileiros, mas a recitação com o Papa é a novidade, é o extraordinário.

O testemunho do Papa é a melhor promoção para a expansão da recitação do Rosário, com autenticidade e aproveitamento espiritual.

O Rosário nasce como substituto da Liturgia das Horas, mas especificamente dos Salmos, núcleo daquela Liturgia, também chamado de Ofício Divino. Atualmente o Rosário está composto de quatro "terços": mistérios da alegria, mistérios da luz, mistérios da dor e mistérios da glória.

O mistério da luz foi acrescentado no conjunto do Rosário pelo Papa João Paulo II, em 2002.

Podemos dizer que o Rosário une o Velho e Novo Testamento.

Não basta rezar. É necessário haver coerência entre fé e vida, como a contribuição para uma sociedade menos injusta. E a fé necessita "também de uma sólida formação doutrinal e espiritual", afirma o Papa. Sem essa formação atualizada, a fé corre o risco de perder-se ou de não saber dar as suas razões perante o mundo.

O testemunho de vida cristã, na justiça, na fraternidade, na solidariedade, na partilha, suscita nas pessoas que o conhecem o desejo de seguir a Cristo.

E, assim, o Papa vai confirmando todos nós na fé.

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Recomeçar a partir de Cristo

Na santificada tarde de sexta-feira, o Papa e os bispos brasileiros celebraram as Vésperas da Liturgia das Horas, na Catedral da Sé, no centro da cidade de São Paulo. Bento XVI fez um discurso (homilia) dos mais contundentes até agora pronunciados.

Neste post, não enfocaremos todos os temas abordados pelo discurso. Fiquemos apenas com este:

Recomeçar a partir de Cristo em todos os âmbitos da missão, afirma o Papa.

Isso mesmo: recomeçar é o que a Igreja precisa no tempo atual. E recomeçar a partir do evento fundador: Jesus de Nazaré, o Cristo.

Tempos houve em que a Igreja esteve despreocupada com a evangelização contínua e profunda. Contentava-se com aquela ingênua catequese para a primeira comunhão, e só. Despreocupada porque todos se sentiam católicos e em tudo se respirava o catolicismo. Grande parte da população estava no campo. E a situação aqui, quer econômica quer social e familiar (grande família), favorecia a permanência de valores cristãos.

Tempos mudaram. Kant, filósofo alemão, diz que o homem atinge sua maioridade. Não necessita ser tutelado pela religião. A Revolução Francesa, com seu ideário de liberdade, igualdade e fraternidade, influenciou movimentos de emancipação política. A Razão, e tão somente ela, é deusa da vida. Deus sai do centro. Laicismo se opõe a sagrado (Igreja, clerical...). O Estado se define simplesmente laico (O Estado brasileiro é laico a partir da proclamação da República, em 1889).

É a modernidade. Que, no final, decepciona o homem na felicidade a ele prometida.

Pois bem, esse conjunto de coisas alterou aquele cenário do catolicismo que se reproduzia naturalmente pelo estímulo das condições culturais sem rivais da época. Aquela fé educada numa catequese ingênua se revelou débil para se sustentar, para fazer frente a essa nova cultura. O campo se esvaziou e a cidade inchou. Os valores cristãos cederam lugar aos apelos da vida urbana: consumista e utilitarista.

A população campestre que veio para a cidade, caindo em situação de pauperidade e sentindo a falta de um contato mais direto de alguém para auscultar suas ansiedades, pendeu para o segmento religioso que melhor lhe aprouve. E a isso se some que a população, fragilizada por aquela ingênua formação catequética, acabou por caracterizar que tanto faz seguir indiferentemente este ou aquele segmento religioso.

Casos há, porém, que a perda de fiéis se credita à ausência de padres nas cercanias das grandes cidades e nas pequenas cidades do interior.

Diante desse quadro, quer seja pelo laicismo da sociedade ou pela precariedade da evangelização, quer seja pelo fluxo migratório do campo para a cidade ou pelo insuficiente número de padres, quer seja pela ausência de um discurso atualizado e testemunhado ou pela mercantilização religiosa, importa à Igreja recomeçar a partir de Cristo. Como? Pela evangelização, segmentada na formação de ministros e na catequese continuada e aprofundada. Na vivência da fé por uma liturgia de qualidade. Na atitude de acolhimento que venha a permear tudo.

A respeito, afirma o Papa: “porque fé, vida e celebração da sagrada liturgia como fonte de fé e de vida, são inseparáveis”.

Nesse contexto, a posição de Bento XVI se afigura para além da modernidade: repor o homem, segundo seu intento, no caminho da felicidade.