terça-feira, 1 de outubro de 2013

Papa Francisco ao Diretor do La Reppublica: a extraordinária autoridade de Jesus



Eugenio Scalfari, fundador e diretor do jornal italiano La Reppublica, que se declara não crente, suscitou um diálogo com o Papa Francisco, com artigos publicados nos dias 7 de julho e 7 de agosto de 2013.

No primeiro artigo, Eugenio Scalfari faz uma reflexão sobre a Lumen Fidei, a primeira encíclica assinada pelo Papa Francisco. Como o conteúdo da encíclica pertence a Bento XVI e a Francisco, o artigo leva o sugestivo título "As respostas que os dois papas não dão".

Scalfari escreve:

"Por isso, levando-se tudo em consideração, o tema que mais me apaixona é a encíclica Lumen fidei, a primeira assinada pelo Papa Francisco. O assunto é importante porque toca o ponto central da doutrina cristã: o que é a fé, de onde ela provém, como ela é vivida pelos crentes, quais reações ela suscita em quem não é cristão, como ela explica a existência da raça humana e como responde a perguntas que cada um de nós se faz e às quais, na maioria das vezes, não encontra resposta: quem somos, de onde viemos, para onde vamos."

No segundo artigo, Eugenio Scalfari, ainda fazendo referência à encíclica Lumen Fidei, formula agora perguntas ao Papa Francisco. E o artigo intitula-se "As perguntas de um não crente ao papa jesuíta chamado Francisco".

A certa altura do artigo, Scalfari reporta-se ao já conhecido impulso que o Papa Francisco quer imprimir ou reavivar nos fiéis e na Igreja:

"Ele quer uma Igreja pobre que pregue o valor da pobreza; uma Igreja militante e missionária; uma Igreja pastoral; uma Igreja construída à semelhança de um Deus misericordioso, que não julga, mas perdoa, que busque a ovelha perdida, que acolha o filho pródigo."


No dia 4 de setembro de 2013, o Papa Francisco respondeu a Eugenio Scalfari os artigos publicados no jornal italiano La Reppublica, edições de 7 de julho e 7 de agosto de 2013.

Para esclarecer o título deste post, ou seja, a extraordinária autoridade de Jesus, reproduzo, nessa parte, a resposta dada pelo Papa:

"Por isso, é preciso confrontar-se com Jesus – diria – na dimensão concreta e tosca da sua história, tal como nos é narrada sobretudo pelo mais antigo dos Evangelhos, o de Marcos. Aí se constata que o «escândalo», que as palavras e a actividade de Jesus provocam ao seu redor, deriva da sua extraordinária «autoridade» – termo este, atestado já desde o Evangelho de Marcos mas que não é fácil de traduzir em italiano. A palavra grega é exousia, que literalmente se refere àquilo que «provém do ser» que se é. Trata-se portanto, não de algo exterior ou forçado, mas de algo que brota de dentro e se impõe por si mesmo. Realmente Jesus impressiona, desinstala, reforma a partir – Ele mesmo o disse – da sua relação com Deus, que trata familiarmente por Abbá, o qual Lhe confere esta «autoridade» para que Ele a aplique a favor dos homens.
Assim, Jesus prega «como alguém que tem autoridade», cura, chama os discípulos para O seguirem, perdoa... Todas estas coisas, no Antigo Testamento, são prerrogativa de Deus, e só Deus. A pergunta, que mais vezes reaparece no Evangelho de Marcos – «Quem é este que... ?» – e que diz respeito à identidade de Jesus, nasce da constatação de uma autoridade diferente da do mundo, uma autoridade que não tem como finalidade exercer um poder sobre os outros mas servi-los, dar-lhes liberdade e plenitude de vida. E isto até ao ponto de arriscar a sua própria vida, até experimentar a incompreensão, a traição, a rejeição, até ser condenado à morte, até cair no estado de abandono na cruz. Mas Jesus permanece fiel a Deus até ao fim."

Francisco expõe sua vontade de proximidade com o outro, como tem sido a sua prática de vida, no sentido de fazer com Scalfari uma caminhada juntos, ou com suas palavras:

"E assim concluo, ilustre Dr. Scalfari, estas minhas reflexões, suscitadas por tudo o que me quis comunicar e perguntar. Receba-as como uma tentativa de resposta, provisória mas sincera e confiante, ao convite que vislumbrei para fazermos um pedaço de estrada juntos. A Igreja – creia-me! – apesar de todas as lentidões, infidelidades, erros e pecados que possa ter cometido e pode ainda cometer nos que a compõem, não tem outro sentido e finalidade que não seja viver e testemunhar Jesus: Ele, que foi enviado pelo Abbá para «anunciar a Boa-Nova aos pobres, proclamar a libertação aos cativos e, aos cegos, a recuperação da vista, mandar em liberdade os oprimidos, proclamar um ano favorável da parte do Senhor» (Lc 4,18-19 )."

Em português, essas e outras passagens da carta-resposta do Papa Francisco podem ser lidas aqui.


Leia mais:

Jesus, fé e razão: o diálogo do pontífice com a ovelha perdida. Artigo de Eugenio Scalfari

A carta de Francisco e a coragem aberta à cultura moderna. Artigo de Eugenio Scalfari


Fonte da primeira imagem:
http://padretelmofigueiredo.blogspot.com.br/2013/09/papa-francisco-dialoga-com-um-ateu.html

Fonte da segunda imagem:
http://papa.cancaonova.com/papa-responde-a-criticas-e-perguntas-sobre-a-fe/

sábado, 21 de setembro de 2013

Egito: taxista é decapitado por ser cristão



Não é coisa do tempo dos romanos. Cuida-se de fato atual acontecido na cidade de Alexandria, no Egito. Um jovem foi morto barbaramente pelo simples fato de ser cristão.

Em 23 de agosto de 2013, a AsiaNews noticiou que no dia 16 de agosto, sexta-feira, uma multidão de muçulmanos parou e arrastou para fora do seu táxi o jovem Mina Rafaat Aziz, de Alexandria, e o massacrou com chutes, socos, espancando-o até a morte. 

Já morto, e como se isso não bastasse, o corpo foi pisoteado, decapitado e abandonado na calçada.

Mina Rafaat Aziz, taxista da Alexandria, foi martirizado pelo simples fato de trazer uma cruz pendurada no espelho retrovisor do seu táxi.

Esse martírio e outros massacres por ai afora merecem uma reflexão! O Cristo continua sendo massacrado!


Leia mais:

Egito: taxista decapitado por ter um crucifixo pendurado no espelho

Don Salvatore Lazzara: Il tassista e la croce

Egitto. Tassista cristiano decapitato per la sua croce | Tempi.it


Fonte da matéria:
http://www.asianews.it/notizie-it/Cristiana-egiziana:-Dopo-gli-attacchi-alle-chiese,-viviamo-nel-terrore-28818.html

Fonte da imagem:
http://www.fotografodigital.com.br/pesquisa/?pesquisa=Crucifixo&0=1&mdl=1/

terça-feira, 10 de setembro de 2013

"Deus viu que isso era bom"



«Deus viu que isso era bom» (Gn 1,12.18.21.25).

Com essas palavras bíblicas, o Papa Francisco introduziu todos que estavam reunidos no dia 7, sábado, na Praça de São Pedro, no clima da Vigília de Oração pela Paz na Síria.  

No episódio em que Caim mata Abel (Gn 4, 8), Deus questiona Caim -  Onde está o teu irmão Abel? (Gn 4, 9). Pois bem, em cima dessa indagação divina seguida da resposta de Caim  - Não sei. Acaso sou o guarda do meu irmão? (Gn 4, 9) - , o Papa realça a solidariedade como valor que integra o ser humano. Ou, nas precisas palavras de Francisco:

"É justamente nesse caos que Deus pergunta à consciência do homem: «Onde está o teu irmão Abel?». E Caim responde «Não sei. Acaso sou o guarda do meu irmão?» (Gn 4, 9). Esta pergunta também se dirige a nós, assim que também a nós fará bem perguntar: 

- Acaso sou o guarda do meu irmão? Sim, tu és o guarda do teu irmão! Ser pessoa significa sermos guardas uns dos outros! Contudo, quando se quebra a harmonia, se produz uma metamorfose: o irmão que devíamos guardar e amar se transforma em adversário a combater, a suprimir. Quanta violência surge a partir deste momento, quantos conflitos, quantas guerras marcaram a nossa história! Basta ver o sofrimento de tantos irmãos e irmãs. Não se trata de algo conjuntural, mas a verdade é esta: em toda violência e em toda guerra fazemos Caim renascer. Todos nós! E ainda hoje prolongamos esta história de confronto entre os irmãos, ainda hoje levantamos a mão contra quem é nosso irmão. Ainda hoje nos deixamos guiar pelos ídolos, pelo egoísmo, pelos nossos interesses; e esta atitude se faz mais aguda: aperfeiçoamos nossas armas, nossa consciência adormeceu, tornamos mais sutis as nossas razões para nos justificar. Como fosse uma coisa normal, continuamos a semear destruição, dor, morte! A violência e a guerra trazem somente morte, falam de morte! A violência e a guerra têm a linguagem da morte!"

Ser o guarda, o cuidador do irmão, mas nunca o subjugador, caracteriza a solidariedade, a caridade.

Confira na íntegra a homilia do Papa Francisco na Vigília de Oração pela Paz, na Praça de São Pedro, sábado, 7 de setembro de 2013, cujo texto, em português, reproduzo abaixo:


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"«Deus viu que isso era bom» (Gn 1,12.18.21.25). A narração bíblica da origem do mundo e da humanidade nos fala de Deus que olha a criação, quase a contemplando, e repete uma e outra vez: isso é bom. Isso, queridos irmãos e irmãs, nos permite entrar no coração de Deus e recebermos a sua mensagem que procede precisamente do seu íntimo.

Podemos nos perguntar: qual é o significado desta mensagem? O que diz esta mensagem para mim, para ti, para todos nós?

1. Simplesmente nos diz que o nosso mundo, no coração e na mente de Deus, é “casa de harmonia e de paz” e espaço onde todos podem encontrar o seu lugar e sentir-se “em casa”, porque é “isso é bom”. Toda a criação constitui um conjunto harmonioso, bom, mas os seres humanos em particular, criados à imagem e semelhança de Deus, formam uma única família, em que as relações estão marcadas por uma fraternidade real e não simplesmente de palavra: o outro e a outra são o irmão e a irmã que devemos amar, e a relação com Deus, que é amor, fidelidade, bondade, se reflete em todas as relações humanas e dá harmonia para toda a criação. O mundo de Deus é um mundo onde cada um se sente responsável pelo outro, pelo bem do outro. Esta noite, na reflexão, no jejum, na oração, cada um de nós, todos nós pensamos no profundo de nós mesmos: não é este o mundo que eu desejo? Não é este o mundo que todos levamos no coração? O mundo que queremos não é um mundo de harmonia e de paz, em nós mesmos, nas relações com os outros, nas famílias, nas cidades, nas e entre as nações? E a verdadeira liberdade para escolher entre os caminhos a serem percorridos neste mundo, não é precisamente aquela que está orientada pelo bem de todos e guiada pelo amor?

2. Mas perguntemo-nos agora: é este o mundo em que vivemos? A criação conserva a sua beleza que nos enche de admiração; ela continua a ser uma obra boa. Mas há também “violência, divisão, confronto, guerra”. Isto acontece quando o homem, vértice da criação, perde de vista o horizonte da bondade e da beleza, e se fecha no seu próprio egoísmo.

Quando o homem pensa só em si mesmo, nos seus próprios interesses e se coloca no centro, quando se deixa fascinar pelos ídolos do domínio e do poder, quando se coloca no lugar de Deus, então deteriora todas as relações, arruína tudo; e abre a porta à violência, à indiferença, ao conflito. É justamente isso o que nos quer explicar o trecho do Gênesis em que se narra o pecado do ser humano: o homem entra em conflito consigo mesmo, percebe que está nu e se esconde porque sente medo (Gn 3, 10); sente medo do olhar de Deus; acusa a mulher, aquela que é carne da sua carne (v. 12); quebra a harmonia com a criação, chega a levantar a mão contra o seu irmão para matá-lo. Podemos dizer que da harmonia se passa à desarmonia? Mas, podemos dizer isso: que da harmonia se passa à desarmonia? Não. Não existe a “desarmonia”: ou existe harmonia ou se cai no caos, onde há violência, desavença, confronto, medo...

È justamente nesse caos que Deus pergunta à consciência do homem: «Onde está o teu irmão Abel?». E Caim responde «Não sei. Acaso sou o guarda do meu irmão?» (Gn 4, 9). Esta pergunta também se dirige a nós, assim que também a nós fará bem perguntar: 

- Acaso sou o guarda do meu irmão? Sim, tu és o guarda do teu irmão! Ser pessoa significa sermos guardas uns dos outros! Contudo, quando se quebra a harmonia, se produz uma metamorfose: o irmão que devíamos guardar e amar se transforma em adversário a combater, a suprimir. Quanta violência surge a partir deste momento, quantos conflitos, quantas guerras marcaram a nossa história! Basta ver o sofrimento de tantos irmãos e irmãs. Não se trata de algo conjuntural, mas a verdade é esta: em toda violência e em toda guerra fazemos Caim renascer. Todos nós! E ainda hoje prolongamos esta história de confronto entre os irmãos, ainda hoje levantamos a mão contra quem é nosso irmão. Ainda hoje nos deixamos guiar pelos ídolos, pelo egoísmo, pelos nossos interesses; e esta atitude se faz mais aguda: aperfeiçoamos nossas armas, nossa consciência adormeceu, tornamos mais sutis as nossas razões para nos justificar. Como fosse uma coisa normal, continuamos a semear destruição, dor, morte! A violência e a guerra trazem somente morte, falam de morte! A violência e a guerra têm a linguagem da morte!

Depois do Dilúvio, cessou a chuva, surge o arco-íris e a pomba traz um ramo de oliveira. Penso também hoje naquela oliveira que os representantes das diversas religiões plantamos em Buenos Aires, na Praça de Maio, no ano 2000, pedindo que não haja mais caos, pedindo que não haja mais guerra, pedindo paz. 

3. E neste ponto, me pergunto: É possível percorrer o caminho da paz? Podemos sair desta espiral de dor e de morte? Podemos aprender de novo a caminhar e percorrer o caminho da paz? Invocando a ajuda de Deus, sob o olhar materno da Salus Populi romani, Rainha da paz, quero responder: Sim, é possível para todos! Esta noite queria que de todos os cantos da terra gritássemos: Sim, é possível para todos! E mais ainda, queria que cada um de nós, desde o menor até o maior, inclusive aqueles que estão chamados a governar as nações, respondesse: - Sim queremos! A minha fé cristã me leva a olhar para a Cruz. Como eu queria que, por um momento, todos os homens e mulheres de boa vontade olhassem para a Cruz! Na cruz podemos ver a resposta de Deus: ali à violência não se respondeu com violência, à morte não se respondeu com a linguagem da morte. No silêncio da Cruz se cala o fragor das armas e fala a linguagem da reconciliação, do perdão, do diálogo, da paz. Queria pedir ao Senhor, nesta noite, que nós cristãos e os irmãos de outras religiões, todos os homens e mulheres de boa vontade gritassem com força: a violência e a guerra nunca são o caminho da paz! Que cada um olhe dentro da própria consciência e escute a palavra que diz: sai dos teus interesses que atrofiam o teu coração, supera a indiferença para com o outro que torna o teu coração insensível, vence as tuas razões de morte e abre-te ao diálogo, à reconciliação: olha a dor do teu irmão – penso nas crianças: somente nelas... olha a dor do teu irmão, e não acrescentes mais dor, segura a tua mão, reconstrói a harmonia perdida; e isso não com o confronto, mas com o encontro! Que acabe o barulho das armas! A guerra sempre significa o fracasso da paz, é sempre uma derrota para a humanidade. Ressoem mais uma vez as palavras de Paulo VI: «Nunca mais uns contra os outros, não mais, nunca mais... Nunca mais a guerra, nunca mais a guerra! (Discurso às Nações Unidas, 4 de outubro de 1965: ASS 57 [1965], 881). «A paz se afirma somente com a paz; e a paz não separada dos deveres da justiça, mas alimentada pelo próprio sacrifício, pela clemência, pela misericórdia, pela caridade» (Mensagem para o Dia Mundial da Paz, de 1976: ASS 67 [1975], 671). Irmãos e irmãs, perdão, diálogo, reconciliação são as palavras da paz: na amada nação síria, no Oriente Médio, em todo o mundo! Rezemos, nesta noite, pela reconciliação e pela paz, e nos tornemos todos, em todos os ambientes, em homens e mulheres de reconciliação e de paz. Assim seja."


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Leia mais:

Toda a Igreja em oração e jejum pela paz na Síria


Fonte do texto acima reproduzido:
http://www.vatican.va/holy_father/francesco/homilies/2013/documents/papa-francesco_20130907_veglia-pace_po.html

Fonte da imagem:
http://www.osservatoreromano.va/portal/dt?JSPTabContainer.setSelected=JSPTabContainer%252FHome

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Toda a Igreja em oração e jejum pela paz na Síria



A Síria, no Oriente Médio, vive um já prolongado período de guerra civil, com graves danos à vida das pessoas - mortes, mutilações, crianças que sofrem, fome, perdas materiais e tantos mais males que só trazem sofrimento e desesperança.

Deus não quer isso. Pois bem, o Papa Francisco, na Oração do Angelus (domingo, 1º de setembro), convocou toda a Igreja para um dia de jejum e de oração pela na Síria, fixando o dia 7 de setembro, sábado, para a manifestação desses gestos concretos. 

Por isso, diz o Papa:

"No dia 7 de setembro, na Praça de São Pedro, aqui, das 19h00min até as 24h00min, nos reuniremos em oração e em espírito de penitência para invocar de Deus este grande dom para a amada nação síria e para todas as situações de conflito e de violência no mundo. A humanidade precisa ver gestos de paz e escutar palavras de esperança e de paz!"

Mas essa invocação a Deus não se limita ao espaço físico da Praça da São Pedro, posto que:
 
 "Peço a todas as Igrejas particulares que, além de viver este dia de jejum, organizem algum ato litúrgico por esta intenção."

Em todas as dioceses do mundo inteiro, além do gesto do jejum, haverá um momento em que cada assembleia eclesial participará de um ato litúrgico preparado para a intenção proposta pelo Papa.

Uma sugestão, na ausência de alguma determinação do pastor local (padre, bispo): que cada comunidade faça os gestos em tela como propostos pelo Papa ou, se alguém não os puder fazer de maneira comunitária, faça-os em casa, em família - jejum e oração. Enfim, dedique, no dia 7 (sábado), momentos de invocação a Deus pela paz na Síria. Um momento de reflexão no próprio trabalho, no seu transporte.

Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus (Mt 5,9)


Leia mais:

Síria: guerra e paz, de autoria do Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo

A Paz na Bíblia, de autoria de Maria Clara Bingemer


Fonte da imagem:
http://www.arquidiocesedesaopaulo.org.br/noticias/papa-convoca-ora%C3%A7%C3%A3o-e-jejum-pela-paz-na-s%C3%ADria

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

É realmente legítimo receber a comunhão na mão?



Sobre a tradição e a legitimidade da comunhão na mão já tratei aqui. Mas, estou voltando ao tema considerando os esclarecimentos prestados pelo padre Edward McNamara, LC, professor de teologia e diretor espiritual, em artigo publicado pela Agência Zenit, em 21 de junho de 2013.

Na prática, a comunhão na mão, faz-se desta maneira: a mão esquerda deve ser colocada sobre a mão direita, de modo que a hóstia possa ser levada à boca com a mão direita.

Isso e muito mais você pode ler em É realmente legítimo receber a comunhão na mão?, clicando aqui.


Leia mais:

Você sabe comungar?


Fonte da imagem:
http://govvota.blogspot.com.br/2013/06/e-realmente-legitimo-receber-comunhao.html

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Obrigado, papa Francisco!



Sobre a viagem apostólica do papa Francisco ao Brasil, para participar da Jornada Mundial da Juventude (JMJ Rio 2013), muita coisa já foi dita e escrita.

Nestas alturas, resta-me partilhar disso tudo a respeito do papa que cativou o povo brasileiro, empolgou os jovens e trouxe esperança a tantos. Testemunhou a simplicidade e o que é ser pastor com "cheiro de ovelhas"

A meu ver, o artigo do cardeal Dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, diz, em resumo, tudo sobre a presença do papa Francisco nestes festivos dias da Jornada Mundial da Juventude realizada na cidade do Rio de Janeiro.

Obrigado, papa Francisco! É o que todos nós queremos dizer, de coração, ao papa.

Nesse sentido, o artigo expressa esse desejo de todos os brasileiros e recorda três pontos essenciais dos vários pronunciamentos do papa Francisco: jovens, pobres e Igreja.

Reproduzo o artigo que foi divulgado na página da Arquidiocese de São Paulo, na internet, no dia 31 de julho de 2013, quarta-feira:


"Obrigado, papa Francisco! 

Data: quarta-feira, 31 Julho 2013 


O papa Francisco deixou marcas profundas na sua passagem no Rio de Janeiro para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), de 22 a 28 passado. Muito se escreveu e ainda se escreverá sobre essa visita; cada um vê as coisas pelo seu lado. Seguindo a sua metodologia, vou resumir minhas impressões em três pontos: 

Os jovens. Foram eles o motivo de sua vinda ao Brasil, como peregrino, para a celebração da JMJ do Rio de Janeiro. Veio para encontrar, acarinhar e exortar como um pai os jovens do mundo inteiro; chegaram numerosos, de quase 200 países, mas a maioria era mesmo do Brasil. No final chegaram a 3 milhões, conforme cálculos da prefeitura do Rio. 

O Papa dirigiu-se a eles com uma linguagem direta e fácil, buscando e conseguindo a atenção deles de maneira extraordinária. E os jovens corresponderam com entusiasmo, enchendo as ruas do Rio e a orla de Copacabana de alegria e fé. Espetáculo bonito de se ver! Tantos jovens serenos e sedentos de Deus mostraram que a mensagem da Igreja continua, sim, a lhes interessar, e a Igreja tem algo importante para lhes dizer. 

Foram exortados pelo papa Francisco a serem protagonistas das mudanças sociais e construtores de um mundo melhor para todos; a não se contentarem em ser cristãos “de sacada”, mas a descerem para o meio das realidades, para se envolver e comprometer; a não perderem a esperança e a não deixarem que esta lhes seja roubada. E lhes garantiu: não tenham medo, Cristo não os deixa sós. A Igreja confia em vocês. O Papa confia em vocês! 

Os pobres. O papa Francisco foi ao encontro das situações de exclusão e sofrimento e teve atitudes e palavras de solidariedade e carinho para com os pobres e os que sofrem. Aliás, a palavra solidariedade, foi uma das palavras mais usadas pelo Papa nesses dias. As atenções aos doentes e excluídos do bem comum, a visita ao Hospital São Francisco e o encontro com a Comunidade da favela da Varginha foram marcantes. 

Homenageou o coração acolhedor e solidário dos brasileiros e a sua disposição para “colocar mais água no feijão”, para receber sempre mais alguém em casa... Chamou a atenção para a necessidade de mais solidariedade para resolver os problemas sociais no Brasil e no mundo. Alertou os jovens e a todos para não seguirem a mentalidade consumista e a não se “empanturrar” de coisas que não matam a fome existencial, mas a levar vida sóbria e atenta às necessidades do próximo. 

A Igreja. O Papa pediu uma Igreja atenta aos jovens, aos quais ela precisa encontrar para lhes comunicar a Boa Nova e a alegria da fé; Igreja que deve estar atenta aos jovens, ouvir e dialogar com eles, ajudá-los a se sentirem parte dela. Ao mesmo tempo, nos encontros com os bispos do Brasil e com os diversos responsáveis pelo departamentos do Conselho Episcopal Latino-Americano, na Missa celebrada com os bispos e padres na catedral do Rio, ele recomendou, com palavras claras e incisivas, que se volte para “as periferias”, as muitas periferias em que vive o homem de hoje. 

Insistiu o Papa na renovação missionária da Igreja, conforme orientação do Documento de Aparecida; que é preciso renovar a pastoral, com uma renovada atitude amorosa em relação às pessoas, mais que com métodos sofisticados e estruturas sempre mais pesadas e sufocantes. É necessário que a Igreja esteja próxima das pessoas. E pediu muito aos jovens que sejam missionários dos outros jovens. 

E o próprio papa Francisco deu belos exemplos sobre como a Igreja pode ser próxima das pessoas e missionária e como dirigir-se com franqueza, simplicidade e solicitude amorosa a todas as pessoas."


Fonte da primeira imagem:
http://noticias.portalbraganca.com.br/internacional/jmj-jornada-mundial-da-juventude-rio-2013-papa-francisco-rezou-com-cristaos-evangelicos-da-assembleia-de-deus-durante-visita-a-manguinhos.php

Fonte da segunda imagem:
http://www.arquidiocesedesaopaulo.org.br/obrigado-papa-francisco

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Brasil acolhe os jovens da Jornada Mundial da Juventude 2013



De braços abertos, o Cristo acolhe os jovens do mundo inteiro que acorrem à cidade do Rio de Janeiro para participar da Jornada Mundial da Juventude. Este grande evento religioso congrega jovens de todos os recantos do mundo.

A Jornada Mundial da Juventude - JMJ Rio 2013 - começará no dia 22, segunda-feira, e terminará no dia 28 de julho de 2013, domingo.

No curso da Jornada Mundial da Juventude, o Papa Francisco fará uma visita à Basílica do Santuário de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, onde, no dia 24 de julho, quarta-feira, celebrará a Santa Missa. Confira a programação em Aparecida, clicando aqui.

Toda programação já foi divulgada pela Santa Sé, e você poderá encontrá-la aqui.

Confira também a página da JMJ Rio 2013 acessando aqui.

Conheça os "Documentos Fundamentais", "Santo Padre aos jovens" e todas as jornadas anteriores (JMJ), clicando aqui.


Leia mais:

Campanha da Fraternidade-2013 e Jornada Mundial da Juventude-2013

Peregrinar: o verdadeiro espírito da Jornada, por Dom Orani Tempesta, Arcebispo do Rio de Janeiro


Fonte da imagem:
http://www.rio2013.com/pt/noticias/detalhes/202/logomarca-oficial-da-jmj-rio2013-conceito

sexta-feira, 28 de junho de 2013

A Igreja é família na qual amamos e somos amados



Com seu estilo de comunicar-se de forma direta e clara, o Papa Francisco continua proporcionando surpresas.

O Papa Francisco conceitua a Igreja, tomando como modelo algo bem próximo das pessoas e de significativa realidade na vida delas - a família -, como o fez na Audiência Geral de Quarta-Feira, 29 de maio de 2013.

O Papa afirma, pois: A Igreja é família na qual amamos e somos amados.

Verdadeiramente, a família é o ambiente onde se dá e se recebe amor, uns e outros se querem bem.

Merece reflexão, entre outras, estas palavras do Papa:

Ainda hoje alguns dizem: «Cristo sim, a Igreja não». Como aqueles que dizem: «Creio em Deus, mas não nos sacerdotes». Mas é precisamente a Igreja que nos traz Cristo e que nos leva a Deus; a Igreja é a grande família dos filhos de Deus. Sem dúvida, ela também tem aspectos humanos; naqueles que a compõem, Pastores e fiéis, existem defeitos, imperfeições e pecados; até o Papa os tem, e tem tantos, mas é bom saber que quando nos damos conta que somos pecadores, encontramos a misericórdia de Deus, que perdoa sempre. Não o esqueçais: Deus perdoa sempre e recebe-nos no seu amor de perdão e de misericórdia. Alguns dizem que o pecado é uma ofensa a Deus, mas é também uma oportunidade de humilhação, para nos darmos conta de que existe algo melhor: a misericórdia de Deus. Pensemos nisto.

Em português, leia o texto completo da Audiência, clicando aqui.


Leia mais:

É na família que tudo começa (ou termina?)


 Fonte da imagem:
 http://www.miliciadaimaculada.org.br/ver3/default.asp?pag_ID=51

terça-feira, 11 de junho de 2013

União Homossexual: A França e o Brasil


Centenas de milhares de pessoas em Paris contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo

União homossexual, ou união homoafetiva, é tema que, modernamente, tem estado na ordem do dia.

No Brasil, o Supremo Tribunal Federal - STF reconheceu a união homossexual, ou seja, a união entre pessoas do mesmo sexo como se fosse igual, para fins de direito, à união entre homem e mulher, desrespeitando a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. O STF deu, portanto, um mau exemplo ao país.

A Constituição da República Federativa do Brasil, promulgada a 5 de outubro de 1988, tem uma linguagem clara, explícita e direta a respeito, aliás em sintonia com a formação cultural judaico-cristã que permeia todo o tecido nacional:

"Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado.
(...)
§ 3º - Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento."

Homem e mulher são as claras e inequívocas expressões da norma constitucional. Não se fala em homem e homem ou mulher e mulher.

Quando a ideologia assume o lugar do Direito, temos essas aberrações jurídicas. Um poder da República se intrometendo indevidamente na seara de outro poder.

A França resolveu essa nova demanda social (aqui não entro no mérito), por intermédio do Parlamento, cujos membros devem representar seus eleitores. 

É esse conflito de soluções entre a do Brasil (indevidamente via Poder Judiciário) e a da França (via Poder Legislativo, ou Parlamento) que Fábio Henrique Prado de Toledo, especialista em Matrimônio e Educação Familiar pela Universitat Internacional de Catalunya - UIC e juiz de direito na Comarca de Campinas (SP), expõe em seu artigo intitulado União Homossexual: A França e o Brasil, publicado no Portal da Família, na internet, em 29 de janeiro de 2013.

Entretanto, fica desde já a observação do juiz Fábio de Toledo:

Por outro lado, contudo, no caso da “legalização” da União Homossexual pelo Supremo, observamos uma incrível passividade dos nossos Deputados e Senadores contra aquilo que, então sim, poderia ser considerada uma usurpação de competência exclusiva do Poder Legislativo.

Nesse sentido, penso que devemos buscar na França, novamente e séculos após o surgimento das ideias de Montesquieu, a essência do princípio da separação dos poderes. Aliás, quando o debate é travado no Parlamento, formado por representantes eleitos pelo povo, então faz sentido lotar as praças públicas em saudáveis manifestações. É provável que os cidadãos favoráveis à proposta de Hollande também façam o mesmo. E então se decidirá, no jogo natural e saudável da democracia, que rumo tomará o ordenamento de uma Nação.

É bem verdade que uma Lei, aprovada pela maioria no Parlamento, inclusive com o aval também da maior parte dos eleitores, pode ser contrária ao direito natural e que, portanto, não promova a dignidade humana. É um risco do qual a democracia não está imune. No entanto, nesse caso, será ao menos um equívoco consentido pela maioria de um povo, que a história saberá julgar a seu tempo. Mas ao menos não será uma usurpação de competência legislativa, cuja ilegitimidade é ofuscada pela autoridade da toga.

Portanto, para uma boa e saudável democracia, espera-se que o Brasil arrume sua casa, enfrentando a solução dessa demanda social via Poder Legislativo, atento sempre ao princípio do direito natural e à escuta das instâncias formadoras da sociedade.

Leia, na íntegra, o artigo do juiz Fábio Henrique Prado de Toledo, clicando aqui.


Leia mais:  

União estável homoafetiva em foco


Fonte da imagem:
http://www.portaldafamilia.org/artigos/artigo1014.shtml

terça-feira, 4 de junho de 2013

É na família que tudo começa (ou termina?)



Rotineiramente acesso a página da CNBB na internet para saber o que escrevem os Bispos da Igreja no Brasil, e sempre encontro bons artigos em sintonia com a realidade quotidiana e propondo algo edificante para a vida das pessoas.

Nesse sentido, mais um artigo de Dom Redovino Rizzardo, que tem o mérito de bem escrever e de fazê-lo numa linguagem simples e cativante, como É na família que tudo começa (ou termina?), publicado em 24 de maio de 2013, sexta-feira.

A família é fundamental na formação dos filhos. Ela é o começo de tudo, mas, quando deixa de ser formadora, pode, infelizmente, ser o fim de tudo. O artigo do Dom Redovino revela bem isso, no exemplo da oração de uma aluna:

«Senhor, transforma-me numa televisão! Quero ocupar o espaço dela. Ter um lugar especial para mim e reunir a família ao redor. Ser levada a sério quando falo. Quero ter a mesma atenção que ela recebe quando não funciona. Ter a companhia do meu pai quando chega em casa, apesar de cansado. Que minha mãe me procure quando estiver sozinha e aborrecida, em vez de me ignorar. Que meus irmãos “briguem” para poderem estar comigo. Quero sentir que a minha família deixa tudo de lado para passar alguns momentos comigo».

Leia isso e muito mais clicando aqui.


Leia mais:

O que é ser família?

"Família: instituição divina!"

27 conselhos para ver televisão em família


Fonte da imagem:
http://ocidadaorj.com.br/site/2012/11/12/televisao-em-familia/#axzz2UGt1moy5

sábado, 25 de maio de 2013

Como é Deus?



Explicar, ou melhor, entender Deus a partir de fatos ou imagens familiares do quotidiano, é o desafio do artigo do Dom Pedro José Conti, Bispo da Diocese de Macapá (Amapá), publicado na página da CNBB, na internet, em 22 de maio de 2012, quarta-feira.

Como é Deus? é o título do artigo, escrito numa linguagem simples e atraente, como se pode ler desta passagem:

Nada de mais humano que buscar o sentido das coisas grandes a partir da simplicidade da vida, aquela que, talvez, vivemos todos os dias sem dar atenção. Deus sempre será infinitamente maior do que nós, maior do que nossas ideias e nossas palavras; maior do que as nossas tentativas de explicação. No entanto dizer que Deus é Pai, Filho e Espírito Santo é mais do que proclamar um dos mistérios maiores e mais bonitos da nossa fé; é expressar com singeleza algo que deve envolver também as nossas vidas.

Leia o texto completo aqui.


Leia mais:

Deus é o "Tu" com quem dialogo


Fonte da imagem:
http://fe-e-missao.blogspot.com.br/2007_05_01_archive.html

terça-feira, 21 de maio de 2013

A banalização da missa



O padre jesuíta Johan Konings publicou na Revista DomTotal, edição de 11 de julho de 2012, o artigo intitulado "A banalização da missa", que, ante a sua atualidade, reproduzo abaixo.

De início, Johan Konings se reporta ao artigo (Misses do Holocausto) do jornalista João Pereira Coutinho, escritor português, sobre o concurso para eleger a "Miss Sobrevivente do Holocausto", realizado na cidade israelense de Haifa, que o deixava pasmo diante da vulgarização daquilo que, no seu entender, "não deveria ser vulgarizado".

João Pereira Coutinho vê, no caso do concurso das Misses, uma vulgarização do Holocausto. E Johan Konings vê a vulgarização, ou banalização da Missa, quando o Mistério que se celebra some, e desponta a missa show, "o programa de tevê ou o padre midiático". Vulgarização também quando há "transgressão das sábias regras litúrgicas" e outras coisas mais.

E eis o artigo do padre Johan Konings:


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"João Pereira Coutinho comentou na Folha de São Paulo 02/07/2012 a escolha de uma Miss Holocausto, observando: “As lágrimas de um actor que finge para as câmeras os horrores vividos em Auschwitz ou Treblinka são apenas isso: um fingimento [...] Por isso pasmo com um concurso recente, montado na cidade israelense de Haifa, para eleger a ‘Miss Sobrevivente do Holocausto’". A escolhida surge na foto da ‘consagração’ com faixa, buquê de flores e coroa de miss. 

Conhecendo sobreviventes dos campos de concentração felizes por mostrarem a matrícula queimada em sua carne, eu não seria tão severo como o colunista português da Folha. Mas, de algum modo, o fato me faz pensar na banalização da missa em certos ambientes da Igreja católica. Pode-se transformar em espetáculo a lembrança de Jesus de Nazaré que, consciente da cruelíssima execução que o esperava, reuniu seus seguidores para tomar a ceia pascal, ressignificando o pão e o vinho da mesa como seu corpo entregue em prol da humana multidão e como o sangue que sela a definitiva aliança do Deus-Amor? 

Não é aqui o lugar de deslindar toda a inesgotável significação do gesto supremo do profeta de Nazaré, a Última Ceia e o dom da vida na Cruz. Nem pretendo discutir as questões teológicas surgidas em torno da eucaristia na Idade Média, nem me pronunciar sobre regras canônicas em torno de eucaristia e comunhão. Quero tecer uma consideração ‘estética’, no sentido profundo deste termo que significa: percepção. Quero denunciar a banalização que resulta de exageros na celebração em geral e, de modo especial, na exposição midiática. 

Diante do indizível, cabe o silêncio, ou a ‘palavra recolhida’. Por ‘palavra recolhida’ entendo o falar que se recolhe diante daquilo que ele traz à memória, palavra que se torna pequena à medida que a própria realidade rememorada se torna presente. Assim como João Batista declarou quando chegou Jesus: “Convém que ele cresça, e eu diminua” (Ev. de João 3,30). A palavra ou o gesto comemorativo inicia a evocação –a ‘convocação’– do Mistério para logo ceder o lugar à realidade do Mistério. O rito deve se esfumar diante do Mistério. 

Todo rito verdadeiro desempenha uma profunda função simbólica, e se não aponta para uma realidade autenticamente vivida, é falso. Cantar o hino nacional enquanto só se pensa em explorar seus compatriotas é rito falso. Assim, os ritos ligados à Eucaristia, memorial da vida levada à consumação na morte e ressurreição de Cristo, devem fazer surgir essa realidade naqueles que participam do rito. E estes devem ‘dar seu coração’ a essa realidade. ‘Dar o coração’, na sua longínqua origem, no latim, é ‘cor dare’, daí, ‘credere’: crer, recordar. Sem essa entrega do coração, o rito é vazio e, muitas vezes, falso, quando presenciado com outras intenções... 

Daí a minha pergunta: as celebrações eucarísticas apresentadas como show, seja em algum megatemplo, seja num programa de tevê, ‘convocam’, chamam à presença o Mistério inefável do amor de Deus que se manifesta na doação da vida por Jesus de Nazaré? Fazem quem assiste penetrar nesse Mistério de vida ressurgida da morte por amor infinito? A celebração deve ser uma evocação, não um evento importante por si mesmo que tome o lugar daquilo que evoca. Deve ser um traço, um vestígio rememorado, não uma ‘performance’. O evento re-presentificado é o próprio Jesus –sua vida, morte e ressurreição–, não o programa de tevê ou o padre midiático. 

Na sobriedade da liturgia romana, as palavras da Última Ceia, evocadas na consagração, tornam presente Jesus mesmo em seu mistério de vida, morte e ressurreição. Para que então alguns padres, em patente transgressão das sábias regras litúrgicas, fazem logo depois da consagração, interrompendo a indivisível oração eucarística, uma nada discreta procissão ostentando o pão e o vinho “milagrosamente transformados”? Não é isso que denuncia a palavra do sábio: “Quando aponto o céu, olham para meu dedo em vez de contemplar as estrelas”? 

Aquilo para que não existem palavras tornou-se objeto de exibição sensacionalista, de ‘efeitos visuais’. De tanto alardear o mistério, o mistério sumiu... Fugiu? 

Claro, em toda estética há diversos estilos que podem ser apreciados com muito gosto, mas há também os intragáveis. Estamos, aqui em Minas (e na América Latina), acostumados ao estilo barroco. Decerto, o barroco é teatral, ainda que o de Minas conserve bastante da simplicidade medieval-portuguesa. Porém, não é esta ‘abundância inocente’ que eu critico, mas o esquecimento do Mistério, sufocado por formas vazias, sensacionalistas, sentimentalistas, comerciais até, que invadem nossos templos e programações religiosas. E isso – pelo que aparece no recente censo da religião no Brasil – com pouco sucesso em termos de propagação da fé! Não estaria na hora de voltar ao essencial?"


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Leia mais:

Missa não é opereta - Padre Zezinho


Fonte da imagem:
http://programareligare.blogspot.com.br/2010_09_01_archive.html

Fonte do texto reproduzido:
http://www.domtotal.com/colunas/detalhes.php?artId=2903

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Como se rouba em 2013



Como prometera, Dom Redovino Rizzardo, Bispo da Diocese de Dourados (Mato Grosso do Sul), dá continuidade ao seu artigo anterior e aqui comentado (Como se furtava em 1655), agora focando-o na situação presente.

A estória é interessante. O próprio larápio, pivô da estória, fica assustado com tanta violência, com a malandragem, a falta de respeito e de tranquilidade (A gente não pode levar a vida tranquilamente)

A estória revela a cadeia, ou melhor, a rede em que os furtos se desenvolvem: um furtando o outro. E a lei do mais vivo, do mais esperto. O larápio se revolta contra o furto a ele mesmo aplicado por outro larápio, privando-o do gozo imediato da coisa furtada ou roubada (um carro novinho).

Para Bagulhinho, personagem da estória, o fruto do furto ou do roubo justifica seu direito de ser proprietário, como se deduz desta parte do diálogo:

Bagulhinho: «Como não era meu, doutor? O dinheiro era meu, sim! O dinheiro era meu, pô! Eu o roubei, é meu, fruto da minha falta de emprego».

A atividade de Bagulhinho era furtar ou roubar, e o fazia suando a camisa ou não. Era o planejamento que podia falhar, posto que acabou sendo furtado por outro.

Furtar ou roubar fora elevado por Bagulhinho à categoria de profissão. Se dele fosse furtado o que antes ele próprio já furtara ou roubara de outrem, ia imediatamente buscar seus direitos, consciente de que o exercício da sua profissão o autorizava a isso.

Dom Redovino Rizzardo, conclui seu artigo com as palavras de Ruy Barbosa (1849-1923):

Quem sentiu tudo isso na pele foi Rui Barbosa (1849/1923). Por quatro vezes candidato à presidência da República – mas sempre derrotado por ser mais honesto do que rico – desabafou no final de sua vida: «De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver se agigantarem os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto!»


Ao moderno crime sofisticado envolvendo pessoas de confiança e de conceito pertencentes à camada da alta sociedade ou dos escalões do Estado, aparentemente realizado sem violência física, denomina-se crime do colarinho branco, cuja definição coube ao sociólogo norte-americano Edwin Hardin Sutherland (1883-1950).

Leia, na íntegra, o artigo "Como se rouba em 2013", clicando aqui.


Fonte da primeira imagem:
http://bananasrepublic.blogspot.com.br/2011/11/supostos-crimes-do-colarinho-branco-no.html

Fonte da segunda imagem:
http://www.pimenta.blog.br/tag/crimes-do-colarinho-branco/

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Reinício do Tempo Comum do Ano C - Lucas (2012-2013) - 2ª fase



O Tempo Comum do Ano C - Lucas (2012-2013) reinicia-se no dia 20 de maio de 2013, segunda-feira. É a chamada segunda fase do Tempo Comum e que se encerra no dia 30 de novembro de 2013, sábado, com a festa de Santo André Apóstolo.

Esta segunda fase do Tempo Comum-TC pode ser acompanhada pelo Diretório da Liturgia-2013, às páginas 105 a 188.

A cor litúrgica é verde. Como esta fase do TC é longa, ocorrem várias celebrações que requerem cor litúrgica branca ou vermelha ou roxa.

Dou alguns exemplos:

No dia 26 de maio, domingo, é a solenidade da Santíssima Trindade, e a cor litúrgica é branca. No dia 30 de maio, quinta-feira, é a solenidade do Corpo e Sangue de Cristo (Corpus Christi), e a cor litúrgica é branca. Dia 31 de maio, sexta-feira, é a festa da Visitação de Nossa Senhora, e a cor litúrgica é branca.

No dia 1º de junho, é a memória de São Justino, mártir, e a cor litúrgica é vermelha. No dia 7 de junho, sexta-feira, solenidade do Sagrado Coração de Jesus, e a cor litúrgica é branca. Dia 8 de junho, sábado, memória do Imaculado Coração de Maria, e a cor litúrgica é branca. No dia 24 de junho, segunda-feira, solenidade da Natividade de São João Batista, e a cor litúrgica é branca. No dia 30 de junho, solenidade de São Pedro e São Paulo apostólos (Dia do Papa), e a cor litúrgica é vermelha (onde esta solenidade for celebrada no dia 29, celebra-se no dia 30 o 13º Domingo do TC, cor verde, conforme o que está na página 124 do Diretório da Liturgia).

No dia 16 de julho, terça-feira, é a festa de Nossa Senhora do Carmo, e a cor litúrgica é branca.

No dia 6 de agosto, terça-feira, é a festa da Transfiguração do Senhor, e a cor litúrgica é branca. No dia 18 de agosto, domingo, solenidade da Assunção de Nossa Senhora, e a cor litúrgica é branca. Dia 23 de agosto, sexta-feira, festa de Santa Rosa de Lima, Padroeira da América Latina, e a cor litúrgica é branca.

Dia 14 de setembro, sábado, festa da Exaltação da Santa Cruz, e a cor litúrgica é vermelha.

Dia 12 de outubro, sábado, solenidade de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Padroeira do Brasil, e a cor litúrgica é branca.

Dia 2 de novembro, sábado, é a Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos, e a cor litúrgica é roxa. Dia 3 de novembro, domingo, é a solenidade de Todos os Santos, e a cor litúrgica é branca. Dia 24 de novembro, 34º Domingo do TC, é a solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo, e a cor litúrgica é branca. Dia 30 de novembro de 2013, sábado, é a festa de  Santo André Apóstolo, e a cor litúrgica é vermelha.

A solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo é sempre celebrada no último Domingo do Tempo Comum. É o último Domingo do TC, mas não o último dia do TC. O último dia do TC cai em 30 de novembro de 2013, sábado, quando, em verdade, se encerra o TC - 2ª fase.

A leitura deste texto não dispensa, como se disse acima, a consulta ao Diretório da Liturgia-2013, no que concerne às celebrações da Igreja no Brasil.


Leia mais:


Fonte da imagem:
http://jmvalferrarede.blogspot.com.br/2008_09_01_archive.html

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Padre viola votos de fidelidade à Igreja - declaração de excomunhão latae sententiae



As atenções dos meios de comunicação se voltam para a Diocese de Bauru (Estado de São Paulo), tendo em conta a declaração da excomunhão do padre Roberto Franciso Daniel, também conhecido por padre Beto.

Com picante dose de sensacionalismo, a mídia vale-se desse evento para alardear certa rivalidade entre a Igreja e os homossexuais, como é possível ler nas manchetes dos principais jornais.

Ao contrário do alardeado por boa parte da imprensa, o padre Roberto Francisco Daniel não foi excomungado porque defendeu gays ou homossexuais, mas sim porque violou (e já vinha violando) os votos de fidelidade à Igreja, espontânea e solenemente assumidos por ocasião da sua ordenação presbiteral (sacerdotal). E, ademais, a Igreja local lhe deu oportunidade de retratação.

A sanção em que incorreu o padre Roberto Francisco foi a excomunhão latae sententiae, isto é, aquela excomunhão em que o infrator chama a si a sua aplicação, ou melhor, sua declaração oficial, praticando ato ou atos que previamente sabe que dão, por si próprios, causa à tal excomunhão. No caso, a autoridade eclesiástica não condena em excomunhão, mas apenas declara a excomunhão latae sententiae, posto que nela incorreu o padre pelo simples fato de praticar atos contrários a seus compromissos sacerdotais, como estabelece o cânone 1.314 do Código de Direito Canônico. Veja a declaração de excomunhão aqui.

Como o padre Roberto Francisco foi declarado excomungado, a ele é proibido praticar os atos previstos no cânone 1.331 do Código de Direito Canônico, entre eles, celebrar a Eucaristia (Missa) e os outros sacramentos (Batismo e Reconciliação, por exemplo).

A excomunhão é a antítese da comunhão. É estar fora da comunhão, da unidade, com a comunidade religiosa, ou melhor, com a Igreja. É a quebra do elo dessa unidade pelo excomungado.

A situação do padre Roberto Francisco encaminha-se, agora, para a demissão do estado clerical (cânone 1.336, § 1º, n. 5, do Código de Direito Canônico), que é a mais grave pena que atinge o clérigo (padre). Ele volta ao estado laical - um cristão laico. 

Sobre as proibições e encaminhamento do processo ao Vaticano para a apreciação da demissão do estado clerical, veja-se o que o diz o Comunicado da Diocese de Bauru:

"Uma das obrigações do Bispo Diocesano é defender a Fé, a Doutrina e a Disciplina da Igreja e, por isso, comunicamos que o padre Roberto Francisco Daniel não pode mais celebrar nenhum ato de culto divino (sacramentos e sacramentais, nem mais receber a Santíssima Eucaristia), pois está excomungado. A partir dessa decisão, o Juiz Instrutor iniciará os procedimentos para a “demissão do estado clerical, que será enviado no final para Roma, de onde deverá vir o Decreto."

E a excomunhão deita raízes bíblicas, como se pode ler deste trecho do padre Pedro María Reyes Vizcaíno:

"No mais, não seria legítimo afirmar que a excomunhão não é uma instituição evangélica: o Senhor, em Mateus 18,17, estabelece a possibilidade de a Igreja expulsar do seu seio aqueles que cometem pecados especialmente graves. Os primeiros cristãos já a praticavam: São Pedro, em Atos 8,21, expulsou Simão Mago da Igreja, por este pretender comprar o poder de administrar o sacramento da confirmação (cometeu o delito de “simonia”, que recebe este nome em razão daquele episódio); São Paulo, em 1Coríntios 5,4-5, também expulsou da Igreja um delinquente incestuoso (nessa ocasião, o texto de sua Carta deixa claro que a finalidade da pena é medicinal: a fim de que o espírito seja salvo no Dia do Senhor; sem rodeios, São Paulo exige que os coríntios apliquem-lhe a pena: “Afastai dentre vós esse malvado!” (1Coríntios 5,13)."

A Igreja tem as portas abertas para a reconciliação.


Leia mais:


A pena de excomunhão no Direito Canônico (original em espanhol: La pena de excomunión en el derecho canónico, por Pedro María Reyes Vizcaíno)


Fonte da imagem:
http://www.periodistadigital.com/religion/america/2013/04/30/la-iglesia-brasilena-excomulga-al-sacerdote-que-defiende-los-derechos-de-los-homosexuales-religion-padre-beto-herejia-cisma.shtml

sábado, 27 de abril de 2013

Como se furtava em 1655



Talvez nada ou pouco mudou desde a época do Padre Antônio Vieira (1608-1697) até os nossos dias sobre o ato de apoderar-se indevidamente de coisa alheia - furtar.

Da prática de furtar dos tempos de antanho, Dom Redovino Rizzardo, Bispo da Diocese de Dourados (Mato Grosso do Sul), traz à tona, para confrontar com a dos tempos atuais, trechos do Sermão do Bom Ladrão pregado pelo padre jesuíta Antônio Vieira em 1655, na Igreja da Misericórdia, em Lisboa (Portugal), válidos e atuais não só pela riqueza ética mas também pela beleza literária.

Sob o título "Como se furtava em 1655", o artigo de Dom Redovino foi publicado na página da CNBB, na internet, em 22 de abril de 201, segunda-feira, cujo texto pode ser lido aqui.


Fonte da imagem:
http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=30&did=95782

segunda-feira, 8 de abril de 2013

A retomada das Catequeses do Ano da Fé pelo Papa Francisco



As Catequeses do Ano da Fé, iniciadas por Bento XVI, tiveram prosseguimento pelo Papa Francisco, a partir da Audiência Geral da Quarta-Feira, dia 3 de abril de 2013.

Reproduzo a Catequese proferida pelo Papa Francisco no dia 3 de abril, seguida das saudações aos peregrinos de língua portuguesa.

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"Prezados irmãos e irmãs
Bom dia!

Hoje retomamos as Catequeses do Ano da fé. No Credo nós repetimos esta expressão: «Ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras». É precisamente o acontecimento que estamos a celebrar: a Ressurreição de Jesus, centro da mensagem cristã, que ressoou desde os primórdios e foi transmitido para que chegue até nós. São Paulo escreve aos cristãos de Corinto: «Transmiti-vos primeiramente o que eu mesmo tinha recebido: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras; foi sepultado e ressuscitou no terceiro dia, segundo as Escrituras; depois, apareceu a Cefas e em seguida aos Doze» (1 Cor 15, 3-5). Esta breve confissão de fé anuncia precisamente o Mistério pascal, com as primeiras aparições do Ressuscitado a Pedro e aos Doze: a Morte e a Ressurreição de Jesus são exactamente o coração da nossa esperança. Sem esta fé na morte e na ressurreição de Jesus, a nossa esperança será frágil, mas não será sequer esperança, e precisamente a morte e a ressurreição de Jesus são o coração da nossa esperança. O Apóstolo afirma: «Se Cristo não ressuscitou, a vossa fé é inútil, e ainda viveis nos vossos pecados» (v. 17). Infelizmente, muitas vezes procurou-se obscurecer a fé na Ressurreição de Jesus, e também entre os próprios crentes se insinuaram dúvidas. Um pouco daquela fé «diluída», como dizemos; não é a fé forte. E isto por superficialidade, às vezes por indiferença, preocupados com muitas coisas que se consideram mais importantes que a fé, ou então devido a uma visão apenas horizontal da vida. Mas é precisamente a Ressurreição que nos abre à maior esperança, porque abre a nossa vida e a vida do mundo para o futuro eterno de Deus, para a felicidade plena, para a certeza de que o mal, o pecado e a morte podem ser derrotados. E isto leva a viver com maior confiança as realidades diárias, a enfrentá-las com coragem e compromisso. A Ressurreição de Cristo ilumina com uma luz nova estas realidades quotidianas. A Ressurreição de Cristo é a nossa força! 

Mas como nos foi transmitida a verdade de fé da Ressurreição de Cristo? Há dois tipos de testemunhos no Novo Testamento: alguns têm a forma de profissão de fé, isto é, de fórmulas sintéticas que indicam o âmago da fé; outros, ao contrário, têm a forma de narração do acontecimento da Ressurreição e dos a eventos a ela ligados. O primeiro: a forma da profissão de fé, por exemplo, é aquele que há pouco ouvimos, ou seja, o da Carta aos Romanos, em que são Paulo escreve: «Se com a tua boca professares: “Jesus é o Senhor!”, e no teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo!» (10, 9). Desde os primeiros passos da Igreja, é bem sólida e clara a fé no Mistério de Morte e Ressurreição de Jesus. Hoje, porém, gostaria de meditar sobre o segundo, sobre os testemunhos na forma de narração, que encontramos nos Evangelhos. Antes de tudo, observemos que as primeiras testemunhas deste acontecimento foram as mulheres. De madrugada, elas vão ao sepulcro para ungir o corpo de Jesus e encontram o primeiro sinal: o túmulo vazio (cf. Mc 16, 1). Depois, segue-se o encontro com um Mensageiro de Deus que anuncia: Jesus de Nazaré, o Crucificado, não está aqui, ressuscitou (cf. vv. 5-6). As mulheres são impelidas pelo amor e sabem acolher este anúncio com fé: acreditam e imediatamente transmitem-no; não o conservam para si mesmas, mas transmitem-no. A alegria de saber que Jesus está vivo, a esperança que enche o coração, não podem ser contidas. Isto deveria verificar-se também na nossa vida. Sintamos a alegria de ser cristãos! Acreditemos num Ressuscitado que venceu o mal e a morte! Tenhamos a coragem de «sair» para levar esta alegria e esta luz a todos os lugares da nossa vida! A Ressurreição de Cristo é a nossa maior certeza; é o tesouro mais precioso! Como não compartilhar com os outros este tesouro, esta certeza? Não é somente para nós, devemos transmiti-la, comunicá-la aos outros, compartilhá-la com o próximo. Consiste precisamente nisto o nosso testemunho. 

Outro elemento. Nas profissões de fé do Novo Testamento, como testemunhas da Ressurreição, são recordados apenas homens, os Apóstolos, mas não as mulheres. Isto porque, segundo a Lei judaica daquela época, as mulheres e as crianças não podiam dar um testemunho confiável, credível. Nos Evangelhos, ao contrário, as mulheres desempenham um papel primário, fundamental. Aqui podemos entrever um elemento a favor da historicidade da Ressurreição: se fosse um episódio inventado, no contexto daquele tempo não estaria vinculado ao testemunho das mulheres. Os evangelistas, ao contrário, narram simplesmente o que aconteceu: as primeiras testemunhas são as mulheres. Isto diz que Deus não escolhe segundo os critérios humanos: as primeiras testemunhas do nascimento de Jesus são os pastores, pessoas simples e humildes; as primeiras testemunhas da Ressurreição são as mulheres. E isto é bonito. Esta é um pouco a missão das mulheres: mães e mulheres! Dar testemunho aos filhos e aos pequenos netos, de que Jesus está vivo, é o Vivente, ressuscitou. Mães e mulheres, ide em frente com este testemunho! Para Deus o que conta é o coração, quanto estamos abertos a Ele, se somos filhos que confiam. Mas isto leva-nos a meditar inclusive sobre o modo como as mulheres, na Igreja e no caminho de fé, tiveram e ainda hoje desempenham um papel especial na abertura das portas ao Senhor, no seu seguimento e na comunicação do seu Rosto, pois o olhar de fé tem sempre necessidade do olhar simples e profundo do amor. Os apóstolos e os discípulos têm dificuldade de acreditar. As mulheres não. Pedro corre até ao sepulcro, mas detém-se diante do túmulo vazio; Tomás deve tocar com as suas mãos as chagas do corpo de Jesus. Também no nosso caminho de fé é importante saber e sentir que Deus nos ama, não ter medo de o amar: a fé professa-se com a boca e com o coração, com a palavra e com o amor. 

Depois das aparições às mulheres, seguem-se outras mais: Jesus torna-se presente de modo novo: é o Crucificado, mas o seu corpo é glorioso; não voltou para a vida terrena, mas sim para uma nova condição. No início não o reconhecem, e os seus olhos só se abrem através das suas palavras e dos seus gestos: o encontro com o Ressuscitado transforma, dá uma nova força à fé, um fundamento inabalável. Também para nós existem muitos sinais em que o Ressuscitado se faz reconhecer: a Sagrada Escritura, a Eucaristia, os outros Sacramentos, a caridade, os gestos de amor que trazem um raio de luz do Ressuscitado. Deixemo-nos iluminar pela Ressurreição de Cristo, deixemo-nos transformar pela sua força, para que também através de nós, no mundo, os sinais de morte deixem o lugar aos sinais de vida. Vejo que há muitos jovens na praça. Ei-los! Digo-vos: levai em frente esta certeza: o Senhor está vivo e caminha ao nosso lado na vida. Esta é a vossa missão! Levai em frente esta esperança. Permanecei alicerçados nesta esperança, nesta âncora que está no céu; segurai com força a corda, permanecei ancorados e levai em frente a esperança. Vós, testemunhas de Jesus, deveis levar em frente o testemunho de que Jesus está vivo, e isto dar-nos-á esperança, dará esperança a este mundo um pouco envelhecido devido às guerras, ao mal e ao pecado. Em frente, jovens! 


Saudações

Caríssimos peregrinos de língua portuguesa, em particular ao grupo de brasileiros vindo do Paraná: alegrai-vos e exultai, porque o Senhor Jesus ressuscitou! Deixai-vos iluminar e transformar pela força da Ressurreição de Cristo, a fim de que as vossas existências se tornem um testemunho da vida que é mais forte que o pecado e a morte. Boa Páscoa a todos!

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Fonte da Catequese reproduzida:
http://www.vatican.va/holy_father/francesco/audiences/2013/documents/papa-francesco_20130403_udienza-generale_po.html

Fonte da imagem:
http://brazil.frrole.com/o/dois-homens-de-deus---bento-xvi-e-papa-f-peanisioscj-rio-de-janeiro

quinta-feira, 28 de março de 2013

Frei Clodovis Boff defende a posição de Bento XVI sobre a Teologia da Libertação



A Teologia da Libertação volta à tona em entrevista concedida por Frei Clodovis Boff ao Jornal Folha de São Paulo, publicada no dia 11 de março de 2013, segunda-feira, em que o religioso defende a posição de Bento XVI.
 
O compromisso com os pobres é projeto essencial da Teologia da Libertação, mas tal comprometimento é consequência da fé em Cristo.

O núcleo é a vida de fé em Cristo e seu Evangelho, que gera esse e tantos mais comprometimentos. 

O reparo feito pelo então Cardeal Joseph Ratzinger (depois Papa Bento XVI), Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, livrou a Teologia da Libertação da conversão em simples ideologia, expurgando dela o método de análise marxista da realidade como meio para captação de material apto para sustentar a teologia. 
 
Para melhor inteireza, sugiro a leitura da "Instrução sobre alguns aspectos da "Teologia da Libertação"", de 6 de agosto de 1984, da Congregação para a Doutrina da Fé, onde, entre outras passagens, diz:

"Mas as « teologias da libertação », que têm o mérito de haver revalorizado os grandes textos dos profetas e do Evangelho acerca da defesa dos pobres, passam a fazer um amálgama pernicioso entre o pobre da Escritura e o proletariado de Marx. Perverte-se deste modo o sentido cristão do pobre e o combate pelos direitos dos pobres transforma-se em combate de classes na perspectiva ideológica da luta de classes. A Igreja dos pobres significa então Igreja classista, que tomou consciência das necessidades da luta revolucionária como etapa para a libertação e que celebra esta libertação na sua liturgia" (IX, n. 10).

A entrevista concedida por Frei Clodovis Boff à Folha de São Paulo pode ser lida aqui ou aqui.


Leia mais:


Fonte da imagem:
http://www.favic.com.br/fotos/view_photo.php?set_albumName=Simposio-de-Filosofia-2008&id=DSC01258