sexta-feira, 29 de junho de 2007

Bento XVI: os dois modos de ver e conhecer Jesus

Na solenidade de São Pedro e São Paulo, hoje (29/6) celebrada na Praça de São Pedro, o Papa, mais uma vez, se posicionou contra o relativismo, ou melhor, contra aqueles que consideram Cristo como mais um entre os fundadores de grandes religiões ou mais um entre os grandes sábios da história.

Para Bento XVI há dois modos de ver e conhecer Jesus. O da multidão, cujo ver e conhecer é mais superficial; e o dos discípulos, cujo ver e conhecer é mais penetrante e autêntico.

A colocação feita pelo Papa me leva ao Evangelho de Mateus, capítulo 16, versículos 13 a 17. Nesta passagem evangélica distingue-se aquilo que os homens em geral dizem e aquilo que os discípulos (círculo daqueles que seguem Jesus) dizem. Os primeiros vagueiam na concepção sobre Jesus. Estes (discípulos), ao contrário, o fazem (na pessoa de Pedro) de modo seguro e profundamente bíblico : "Tu és o Cristo, o filho do Deus vivo".

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quinta-feira, 28 de junho de 2007

Ano Paulino: 28/6/2008 a 29/6/2009

Bento XVI convocou nesta data (28/6), em Roma, um ano jubilar dedicado a São Paulo, o apóstolo das gentes, que vai de 28 de junho de 2008 a 29 de junho de 2009.

A convocação do Ano Paulino aconteceu na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, na celebração das primeiras vésperas da solenidade dos apóstolos São Pedro e São Paulo, patronos da cidade de Roma.

Roma, onde se conserva sob o altar da referida Basílica o sarcófago com os restos mortais de São Paulo (conforme a tradição e parecer de especialistas), será o local privilegiado para a celebração do Ano Paulino: série de celebrações litúrgicas, culturais e ecumênicas, iniciativas pastorais e sociais, inspiradas na espiritualidade do apóstolo. E peregrinações para visita ao túmulo de São Paulo, em Roma.

O Papa enfatiza também a "dimensão ecumênica" do evento, posto que o apóstolo comprometeu-se em levar a Boa Nova a todos os povos e batalhou pela unidade e concórdia de todos os seguidores de Cristo.

Nas dioceses, paróquias e todos os lugares que levem o nome do apóstolo Paulo ou nele e no seu ensinamento se inspirem poderão realizar atividades análogas as de Roma.

Parece-me que paróquias etc., mesmo que não levem o nome do apóstolo, não estão impedidas de fazer semelhantes realizações, uma vez que, em verdade, os cristãos não deixam de se inspirar na figura e no ensinamento de São Paulo.

Segundo o padre Edmund Power, osb, abade da Abadia de São Paulo Fora dos Muros, o Ano Paulino "constitui um acontecimento 'espiritual' para todo o cristianismo". Leia mais aqui.

O Ano Paulino tem uma dimensão tal que ultrapassa os muros do catolicismo romano.

Leia também:

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Professor universitário católico: algo que o identifica


O professor Joan-Andreu Rocha Scarpetta, teólogo e historiador, apresentou na Sala Magna da Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, em evento patrocinado pela Conferência Episcopal Espanhola, realizada no dia 23/6 (sábado), quatro elementos que hoje conferem caracterização à identidade do professor universitário católico, quais sejam:

. otimismo antropológico;
. visão sacramental do mundo;
. tensão existente entre tradição e razão; e
. unidade do saber.

Como a universidade católica se encarrega da formação integral do homem, não é demasia que atualmente os formadores tenham requisitos, tais como os expostos, que os diferenciem perante os demais membros do magistério de qualquer outro tipo de universidade.

Leia mais aqui.

Fonte da imagem: http://topazio1950.blogs.sapo.pt/

terça-feira, 26 de junho de 2007

Livro do Papa: edição nacional

O livro Jesus de Nazaré (título original Jesus von Nazareth), do teólogo Joseph Ratzinger - Bento XVI, tradução de José Jacinto Ferreira de Farias, SCJ, editado pela Editora Planeta do Brasil Ltda., já chegou às livrarias desde a semana passada.

Este livro é a primeira parte, que apresenta a figura e a mensagem de Jesus no seu ministério. A segunda parte, que consistirá em outro livro, conforme o Papa teólogo expõe no prefácio, cuidará das histórias da infância de Jesus, e será oportunamente editada e entregue ao público.

No prefácio, o teólogo menciona:

"Penso que precisamente este Jesus - o dos Evangelhos - é uma figura racional e manifestamente histórica" [pág. 17].

"Não preciso certamente dizer que este livro não é de modo algum um ato de magistério, mas unicamente expressão da minha procura pessoal "do rosto do Senhor" (cf. Sl. 27,8)" [pág. 19].

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Apóstolo Paulo: um ano só seu

O Papa Bento XVI proclamará no dia 28 de junho, quinta-feira, um ano especialmente dedicado a São Paulo, em recordação aos 2.000 anos do nascimento do apóstolo dos gentios. Segundo especialistas, São Paulo nasceu entre o ano 6 e 10 depois de Cristo.

A proclamação será feita na Basílica de São Paulo Fora dos Muros em Roma, por ocasião da celebração das Vésperas, às 17,30 horas.

Bento XVI vem, nas intervenções das audiências gerais das quartas-feiras, ministrando catequeses enfocando os vultos formadores do cristianismo, entre eles o apóstolo Paulo. E, longamente, o Papa se deteve não só na pessoa do apóstolo Paulo, mas também no seu pensamento teológico: Cristo como centro da vida do apóstolo, o Espírito Santo e a vida na igreja. Parece-me que todo esse elenco de quatro catequeses estava a sinalizar a fundamental importância do apóstolo das gentes para o cristianismo, justificando a proclamação de um ano especialmente dedicado a São Paulo.

Maiores detalhes virão, por certo, quando o Papa fizer a proclamação.

Saiba mais aqui.

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Bispo ameaçado: CNBB expressa solidariedade

O Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, em reunião realizada ontem, dia 20 de junho, enviou carta a Dom Manoel João Francisco, Bispo da Diocese de Chapecó, em Santa Catarina, expressando-lhe a solidariedade da entidade.

A carta vai subscrita pelo Presidente da CNBB, Dom Gerado Lyrio Rocha, pelo Vice-Presidente, Dom Luiz Soares Vieira, e pelo Secretário-Geral, Dom Dimas Lara Barbosa.

Como postado anteriormente, o Bispo de Chapecó, Dom Manoel João Francisco, vem recebendo ameaças de morte, pelo fato de colocar-se a favor dos povos indígenas, cuja situação reclama uma solução justa tanto para os índios quanto para os pequenos agricultores.

Sobre a carta da CNBB ao Bispo ameaçado leia aqui.

Fonte da imagem: www.cnbb.org.br

terça-feira, 19 de junho de 2007

Bispo de Chapecó ameaçado de morte

Dom Manoel João Francisco, Bispo de Chapecó, no Estado de Santa Catarina, está sendo ameaçado de morte.

Os profetas, tanto no passado quanto no presente, incomodaram e incomodam àqueles que praticam injustiças contra os mais fracos. E é a favor destes que se coloca o Bispo Dom Manoel João Fancisco, em defesa dos índios.

Veja mais aqui.

Foto: www.paulinas.org.br

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Quadrinhos Mangá despertam vocações

A Igreja Católica na Inglaterra e Gales vem promovendo o incentivo às vocações religiosas, entre os jovens, com a utilização de história em quadrinhos tipo mangá (mangá é a história em quadrinhos de origem japonesa).

Clique aqui para conhecer essa novidade que já vem proporcionando resultados satisfatórios.

E aqui para ver os quadrinhos.

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Da missa assistida à missa celebrada - parte 2 de 2

3. Houveram reações a esse deslocamento na compreensão e na vivência do mistério pascal celebrado. Uma dessas reações levou o nome de movimento litúrgico.

Movimento litúrgico é uma reação que se inicia nos ambientes monásticos no século XIX e ganha impulso com os Papas Pio X (1903-1914) e Pio XII (1939-1958).

A coroação do ideário do movimento litúrgico se deu com o Concílio Vaticano II, ao aprovar a Constituição Sacrosanctum Concilium sobre a Sagrada Liturgia (SC), tornada pública em 4 de dezembro de 1963 pelo Papa Paulo VI. Foi o primeiro documento aprovado pelos padres conciliares, levando a justificar o quanto amadurecido era, à época, o ideário do movimento litúrgico.

Segundo Frei José Ariovaldo da Silva, OFM, “a Igreja, mediante a Constituição Sacrosanctum Concilium, tomou uma importante decisão pastoral: resgatar o essencial que se havia ‘perdido’ e recolocá-lo no seu eixo central.” (Sacrosanctum Concilium e reforma litúrgica pós-conciliar no Brasil, in A Sagrada Liturgia 40 anos depois, da Coleção Estudos da CNBB nº 87, Paulus, 2003, pág. 39).

O resgate do essencial, ou seja, do que “se havia perdido”, importa numa tomada de conscientização não para uma nova face da igreja, mas sim para a redescoberta daquela face que ficara por longo período, quase todo o segundo milênio, na sombra.

Nesse sentido, fala-se em resgates, aliás, necessários para a redescoberta da face da igreja que estivera na sombra. Para Frei José Ariovaldo da Silva, OFM, na obra mencionada (pág. 39), com a Constituição sobre a Sagrada Liturgia (SC):

Resgata-se a centralidade do mistério pascal na celebração da Liturgia (...). Resgata-se a vivência e compreensão da Liturgia como celebração do mistério pascal, como momento histórico da salvação. Resgata-se a Liturgia como a fonte mais excelente de espiritualidade cristã.

Resgata-se a linguagem simbólico-sacramental de toda a Liturgia (...). E resgata-se a compreensão dos sacramentos como celebração do mistério pascal

Resgata-se a dimensão eclesial-comunitária da Liturgia (...).


Resgata-se a prioridade da participação plena, consciente e ativa na Liturgia (...).


Resgata-se a tradição antiga de uma Liturgia que sabe se adaptar à índole dos difer
entes povos.

Um retorno às fontes (períodos: apostólico e patrístico).

Conscientizar de que o mistério pascal de Cristo é o eixo central da missa, e não as devoções ao Santíssimo Sacramento e aos santos. E conscientizar de que o Espírito Santo, desde o batismo de Jesus e mormente a partir do Pentecostes, é como que a alma da celebração litúrgica.

No retorno ao mistério, onde opera o Espírito, encontramos o Cristo, posto que, como ensinava São Leão Magno (século V): “aquilo que era visível no nosso Salvador passou para os mistérios” (Serm. 74,2: PL 54,398A, citado pelo Catecismo da Igreja Católica, n. 1115). Ou, na tradução da Antologia Litúrgica (Fátima, Secretariado Nacional de Liturgia, org. José de Leão Cordeiro, pág. 1031): “o que na vida do nosso Redentor era visível passou para os ritos sacramentais” (Papa Leão Magno, Sermones de Ascensione Domini [2] (= PL 54, 394-400; PLS 3,337;CCL 138 A; SCh74 bis; LH,II)).

“Nós encontramos nos mistérios do culto cristão a pessoa de Cristo, a sua obra salvífica, a sua eficácia de graça: “Eu te encontro nos teus mistérios” (AGOSTINHO, Apologia Prophetae David, 58)” (Prof. Dr. Pe. Pedro Alberto Kunrath, PUCRS, A Igreja e a Oração Litúrgica como Celebração do Mistério, in Teocomunicação Rev. Trim. de Teologia, editada pela PUCRS, Porto Alegre, v. 35, nº 149, Set. 2005, p. 481-495, nota de rodapé nº 26, à pág. 491).

Redescobrir a igreja como corpo místico de Cristo. Cristo é a Cabeça e os fiéis os seus membros. A liturgia tem sua dimensão divina e humana. Essa redescoberta dá enfoque à dimensão eclesial-comunitária, com destaque para a assembléia (povo convocado). É toda a assembléia, presidida pelo padre, que celebra. Deixa de ser o padre o único celebrante.

Hoje, mais do que participação ativa, consciente e plena, fala-se em celebrar. Para uma ou outra categoria passa-se pela formação litúrgica, que deve ser objeto de uma Pastoral Litúrgica.

Para Frei Alberto Beckhäuser, OFM, “a participação ativa, consciente e plena constituem requisitos para se obter uma participação frutuosa e eficaz.” (Liturgia na Vida da Igreja, in A Sagrada Liturgia 40 anos depois, da Coleção de Estudos da CNBB nº 87, Paulus, 2003, pág. 86).

A Constituição Sacrosanctum Concilum (SC), em verdade, preceitua que “os fiéis participem dela [celebração] com conhecimento de causa, ativa e frutuosamente.” (n. 11). Adiante, no número 14, a SC coloca novamente o tema: “que todos os fiéis sejam levados àquela plena, cônscia e ativa participação das celebrações litúrgicas.” E mais: “Cumpre que essa participação plena e ativa de todo o povo seja diligentemente considerada na reforma e no incremento da Sagrada Liturgia” (SC, n. 14).

Com o advento do Concílio Vaticano II e a implantação das diretrizes contempladas na Constituição Sacrosanctum Concilium, a Igreja inicia a tarefa de fazer a passagem da missa assistida para a missa celebrada. A missa esta que contempla, como diretriz forte, a participação do povo como sujeito da celebração.

Agora, mãos à obra, pois, como dizia o Papa Paulo VI: “A tarefa do Concílio Ecumênico não está completamente terminada com a promulgação de seus documentos”.

Nesse sentido, vários documentos têm sido emitidos pelos Papas e Cúria Romana, assim como pela CNBB, para a implantação das diretrizes da Sacrosanctum Concilium.

Missal Romano, Lecionários e outros mais livros litúrgicos são adaptados ou elaborados segundo os desígnios do Concílio Vaticano II, traduzidos para a língua portuguesa.

Na apresentação da versão brasileira da segunda edição típica do Missal Romano, Dom Clemente José Carlos Isnard, OSB, então presidente da Comissão Episcopal de Liturgia, enfatizando a importância do novo Missal e da recordação do conteúdo da sua Instrução Geral, assim como da colocação em prática do Documento 43 da CNBB, destaca: “Não basta ter livros novos, é preciso renovar a vivência”.

Renovar a vivência, eis o grande desafio transformador. Entretanto, as normas e os livros ficarão apenas no papel, se pessoas não se qualificarem para a redescoberta da liturgia como sendo de natureza divina e humana, como assim celebrá-la e vivê-la.

Se a liturgia celebrativa fosse apenas divina, seria algo abstrato, não palpável ao ser humano. E, se fosse apenas humana, a celebração não passaria de evento comemorativo de tal e qual fato ocorrido no passado.

Liturgia em ação é celebração, e celebração só se faz com pessoas celebrantes, ativas.

Foto: Missa de encerramento da Semana de Bento 2006, em 11/10/2006, na Igreja Matriz Santo Antônio, em Bento Gonçalves - RS. Crédito da foto: Leandro Bortollozo.

terça-feira, 5 de junho de 2007

Da missa assistida à missa celebrada - parte 1 de 2

Fazei isto em minha memória (1Cor 11, 24-25)


Recordo-me que meu professor de português, lá pela década de 50 do século passado, ao dar exemplo de verbo transitivo de dupla regência mencionava o verbo "assistir". Para a regência direta (transitivo direto): "o médico assiste o doente", isto é, o médico socorre o paciente; o médico age. Para a regência indireta (transitivo indireto): "você assiste à missa" (ou eu assisto à missa), isto é, está presente ao ato litúrgico; não age.

Os exemplos - muito compreensíveis para a época - objetivavam demonstrar que num exemplo, quando o objeto é direto, o sujeito da frase tem um comportamento ativo, participa da ação. N'outro, quanto o objeto é indireto, o sujeito da frase tem um comportamento meramente passivo, de nada participa, apenas vê.

Com esse ilustrativo exemplo, pretendo falar de uma mudança: de sujeito passivo para sujeito ativo da missa.

A figura abaixo, que ilustra o texto, dá uma visão da missa dita pelo padre, e assistida pelo povo, que era modelo celebrativo anterior à implementação da Sacrosanctum Concilium, a Constituição sobre a Sagrada Liturgia, do Concílio Ecumênico Vaticano II (1962-1965).

1. Antes, porém, uma sucinta abordagem sobre a fração do pão, ou ceia do Senhor, no alvorecer do cristianismo.

Os cristãos se reuniam para celebrar a ceia instituída por Cristo, dela participando comunitária e ativamente. E tão comunitários eram que procuravam ter tudo em comum.

O povo reunido, juntamente com o pastor que a presidia, era verdadeiramente o ator da celebração. E os cristãos tinham consciência de ser um povo sacerdotal (povo escolhido e mediador entre Deus e o mundo) numa comunidade toda ministerial, isto é, serviçal segundo o carisma ou dom de cada um.

Os cristãos celebravam e viviam o memorial da Paixão, Morte e Ressurreição do Cristo. Cristo era a centralidade da celebração.

O valor e a dignidade dada à ceia do Senhor levaram os primeiros cristãos a se reunirem festivamente para celebrá-la no próprio dia da ressurreição do Senhor, denominado Domingo. O ato de reunir-se no domingo significava celebrar a eucaristia, tão vital para os primeiros cristãos.

Os cristãos de Abitinas (que ficava na África proconsular – província do Império Romano, correspondendo hoje ao norte da Tunísia e à costa mediterrânica da Líbia), no ano 304, foram martirizados pelo fato de se reunirem para celebrarem o dominicum. Dizia um deles (Emérito) ao procônsul romano ao ser interrogado: “Não podia [proibi-los de se reunirem], porque não podemos viver sem o dominicum...” (Actas dos Mártires in Antologia Litúrgica, Fátima, Secretariado Nacional de Liturgia, org. José de Leão Cordeiro, págs. 580-583).

A vida era modelada pela eucaristia celebrada – eucaristia vivida. A palavra celebrada era penetrante na vida dos cristãos. Escritas no coração, e não numa Bíblia muitas vezes fechada, elas também modelavam a vida dos cristãos – palavra vivida. Dizia outro deles (Ampélio) ao mesmo procônsul romano ao ser interrogado: “Sim, reuni-me com os meus irmãos, celebrei o dominicum e tenho comigo as Escrituras, mas escritas no meu coração. Dou-Te graças, Cristo. Escuta-me, Cristo” (ob. cit.).

“Fazei isto em minha memória” era não apenas uma fórmula eucarística, mas também uma fórmula de vida.

2. Entretanto: “No segundo milênio da era cristã (por influência remota dos povos franco-germânicos, a partir do século IX, e pelo posterior centralismo romano) aconteceu um impressionante deslocamento de eixo na compreensão e vivência da Liturgia.” (Frei José Ariovaldo da Silva, OFM, Sacrosanctum Concilium e reforma litúrgica pós-conciliar no Brasil, in A Sagrada Liturgia 40 anos depois, da coleção “Estudos da CNBB” nº 87, Paulus, 2003, pág. 36). E o articulista esclarece esse deslocamento de eixo: “A centralidade da Liturgia como celebração do mistério pascal cedeu lugar às devoções (devoção aos santos e ao Santíssimo Sacramento). As devoções passaram a ocupar o lugar central” (ob. cit., pág. 37).

Segue-se que a assembléia deixou de ser celebrante. E o padre assumiu o papel de único celebrante. A missa passou a ser coisa do padre, nele estava centrada a liturgia. A estrutura da Igreja favoreceu isso: altar bem mais elevado e distante do povo. E o padre, de costas voltadas para o povo, rezava a missa na língua litúrgica – o latim. A palavra não era mais proclamada, mas apenas lida pelo padre para si mesmo, em voz baixa. O próprio padre tornara-se refém do ritualismo: qualquer deslize nas palavras e nos herméticos gestos podia afetar a eficácia do ato.

Com o suceder dos tempos, o latim deixou de ser a língua comumente falada, cedendo lugar as suas variantes hoje conhecidas (italiano, castelhano, português...). Mas a liturgia da missa continuou sendo em latim.

Diante dessa mutação do latim, como não foi feita a formação do povo para a língua litúrgica, o povo foi deixando de compreender as palavras pronunciadas na missa. Não obstante, o povo continuou tendo por ela forte atração devocional. E o povo acrescentava outras devoções no curso da missa, em particular, a reza individual do terço.

Para o povo a consagração, ou melhor, a elevação da hóstia grande, passou a ser o momento privilegiado da missa. Esse momento era assinalado pelo toque da campainha. O padre, como se disse, de costas voltadas para o povo, elevava a hóstia grande bem acima de sua cabeça, para que pudesse ser vista. Para o povo essa era a centralidade da missa: ver e adorar a hóstia consagrada.

Em resumo. O mistério pascal celebrado deixa de ser a fonte da espiritualidade. Cede lugar para as devoções populares. A eucaristia não é mais uma festa, onde todos celebram.

domingo, 3 de junho de 2007

Sou Católico - Vivo a minha Fé

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) editou um pequeno livro, mas de grande significado para o cristão (católico romano), denominado "Sou Católico - Vivo a minha Fé". O momento é de relativismo dos valores como contínua e veementemente vem sendo denunciado pelo Papa Bento XVI.

O que é relativo não é absoluto. Não é uma verdade por inteiro. É mais ou menos.

A cultura do relativismo entra também na religião. Daí, o chamado kit religioso: faço a minha religião, com os meus ritos, seleciono aquilo que, de várias religiões ou de filosofias da vida, mais satisfaça à minha subjetividade.

É relativo estar na Igreja ou não. É relativo assumir compromisso.

Nesse sentido, a insistência da busca da identidade cristã, para que ela não se perca no oceano do relativismo ou não se desfigure diante de tudo que passa a ser mais ou menos.

O livro da CNBB está aí. Colocado em boa hora nas mãos de todo o povo de Deus, para que se tenha um "conhecimento inteligente e afetivo da fé".

"Sou Católico". Não apenas católico, também "Vivo a minha Fé".

sábado, 2 de junho de 2007

Os evangelhos perdidos

Darrell L. Bock, professor e pesquisador no Seminário Teológico de Dallas, no Texas (EUA), já conhecido do público brasileiro pelo seu Quebrando o Código Da Vinci, volta à tona, agora, com o novo livro Os evangelhos perdidos, em tradução de Emirson Justino (Editora Thomas Nelson Brasil, Rio, 2007). Além de suas atribuições acadêmicas, é missionário da Igreja da Fraternidade de Trinity, em Richardson, Texas.

Pois bem, o livro Os evangelhos perdidos, com o subtítulo A verdade por trás dos textos que não entraram na Bíblia, cuja edição original foi lançada em 2006 pela Thomas Nelson, Inc., cuida de um meditado e longo estudo, fruto final da pesquisa realizada na Universidade de Tübingen, na Alemanha, sobre os chamados novos materiais (documentos que não estão na Bíblia, ou, especificamente, no Novo Testamento), em paralelo com os materiais tradicionais (documentos que estão no Novo Testamento).


A obra, na introdução, começa com uma indagação: "As novas descobertas indicam que o Cristianismo precisa de uma reforma?". A leitura é estimulada, e até a vista dessa indagação, pela leveza do texto; e, ao término de cada capítulo, vem um conjunto de perguntas para estudo.

A promoção com status de significativa relevância desses evangelhos perdidos (novos materiais) vem sendo dada pela chamada nova escola, cujo mentor é Walter Bauer, acadêmico alemão, que, em 1934, lançou um livro, intitulado em português Ortodoxia e heresia no Cristianismo primitivo.

A resposta à indagação inicial, o teólogo Darrell L. Bock assim sintetiza: "O que precisa de uma reforma não é o Cristianismo, mas a nova escola".

Confira: vale a pena ler o livro, para um crescimento na formação cristã e, como diz, o apóstolo Pedro: estai sempre prontos a dar a razão da vossa esperança a todo aquele que a pedir (1Pd 3, 15).

Leia também:

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Bento XVI se assemelha com os "Padres da Igreja"

Para Julián Herranz, cardeal espanhol e eleitor do último conclave que elegeu o cardeal Joseph Ratzinger, "as circunstâncias históricas da Igreja e do mundo e as características pessoais do Papa Bento XVI, o assemelham, espiritual e pastoralmente, 'com os Padres da Igreja'."

Confira aqui não só os desafios que fazem Bento XVI assemelhar-se com os "Padres de Igreja", mas também os quatro fatores que concorreram para a sua eleição.

segunda-feira, 28 de maio de 2007

O tempo que se chama comum

O tempo é um referencial para o homem, sem o qual ele estaria sem condições para historiar, ou seja, fazer a história de si mesmo, da família, da sociedade, dos povos, das instituições, e assim por diante. O homem necessita do tempo para marcar os fatos, sobremodo aqueles a serem festejados ou celebrados. Por exemplo, sem o tempo como o homem estabeleceria a duração das coisas?

O conceito de tempo traz certa complexidade. As culturas influenciam-no, mas o fazem carregado de riqueza conceitual. E até mesmo ao grande Santo Agostinho não esteve ausente essa dificuldade, como se lê em suas Confissões (XI, 14:17): “Por conseguinte, o que é o tempo? Se ninguém me pergunta, eu sei; porém, se quero explicá-lo a quem me pergunta, então não sei.”

Para a cosmologia o tempo é uma realidade da natureza pela qual se dimensiona, independentemente da ação humana, a marcação e a duração das coisas. Daí, os dias, nas alternâncias de luz e trevas, estações e anos.

O homem sentiu a necessidade de “intervir” no tempo (nisto, o homem difere dos outros seres da natureza). Por apropriação daquele, nasce o tempo sagrado. O homem passa a experimentar o “tempo dos deuses”. Daí, as manifestações divinas – hierofanias.

Esse tempo sagrado é uma realidade que se projeta de forma circular, que retorna sempre ao ponto inicial. É um tempo recuperável, com a mesma hierofania.

Enquanto os outros povos se detinham na concepção circular ou cíclica do tempo, o povo hebreu (judeu) crescia numa concepção diferenciada do tempo. É uma nova concepção do tempo sagrado. Dada sua repercussão ao nosso tema, aproveitamos a denominação de tempo “bíblico-cristão”. Mircea Eliade, em seu livro Mito do Eterno Retorno, afirma “... que os hebreus foram os primeiros a descobrir o significado da história como epifania de Deus, e essa concepção, como seria de esperar, acabou sendo assimilada e ampliada pelo cristianismo”.

Com o povo bíblico, há uma qualificação do tempo e da manifestação divina. O tempo se projeta de forma linear. É um tempo progressivo: o homem faz uma caminhada para frente, com visão de um futuro melhor. Não é qualquer manifestação, mas é a manifestação de Deus – teofania. Deus vai se manifestando no curso do tempo, na história de um povo. Com Abraão, há o início da superação das práticas rituais com relação às de outros povos. Enquanto estes o faziam por costume, Abraão o faz por um ato de fé; fé no Deus que lhe manifesta de forma pessoal em dado momento da história. É, afinal, o tempo histórico salvífico, ou tempo da salvação. Com Jesus de Nazaré, o Cristo, a história da salvação alcança sua manifestação definitiva, ou a plena comunicação de Deus.

Para o cristianismo, “o tempo litúrgico é um sinal de salvação e um modo de presença de Cristo no tempo dos homens”, como afirma J. López Martín (A Celebração na Igreja, vol. 3, Dionisio Borobio [org.], São Paulo, Edições Loyola, 2000, pág. 38). O tempo litúrgico dá continuidade à história da salvação. O tempo litúrgico desenvolve no ano todo o mistério de Cristo, em ritmos diário, semanal e anual. O ciclo anual do tempo litúrgico compreende o Tríduo Pascal, o Tempo Pascal, o Tempo da Quaresma, o Tempo do Natal, o Tempo do Advento, o Tempo Comum e as Rogações e as Quatro Têmporas do Ano, conforme dispõem as Normas Universais sobre o Ano Litúrgico e o Calendário, aprovadas pelo Papa Paulo VI, em 14 de fevereiro de 1969.

Daí, o calendário litúrgico. Este é que dá, de forma orgânica, concreta visibilidade dos fatos da salvação do ano litúrgico a serem celebrados. Ou, como dizem as Normas Universais do Ano Litúrgico e Calendário Romano Geral: “A disposição das celebrações do ano litúrgico é regida pelo calendário (n. 48).”

O tempo comum proporciona a celebração dos mistérios de Cristo de forma plena. Sem ele não haveria a recapitulação progressiva e profunda de toda a história da salvação. Levar em consideração apenas os tempos especiais, também chamados tempos fortes (por exemplo, Tríduo Pascal e Tempo do Natal), “significa esquecer que o ano litúrgico consiste na celebração, com sagrada lembrança no curso de um ano, de todo o mistério de Cristo e da obra da salvação” (J. López Martín, L’anno liturgico, citado por Augusto Bergamini, Cristo, Festa da Igreja, São Paulo, Editora Paulinas, 1994, pág. 415).

O tempo comum é o mais longo do ano litúrgico, entre 33 e 34 semanas. Tem duas fases. A primeira começa na segunda-feira que se segue ao domingo do batismo de Jesus (quando termina o Tempo de Natal) e vai até terça-feira, inclusive, que antecede a Quarta-Feira de Cinzas (quando começa o Tempo da Quaresma). A segunda fase começa na segunda-feira após o domingo de Pentecostes (quando se encerra o Tempo Pascal) e termina antes das primeiras Vésperas do primeiro domingo do Advento.

Vejamos como o Cerimonial dos Bispos, também chamado Cerimonial da Igreja, procura caracterizar o tempo comum: “Além dos “tempos” que revestem um caráter próprio, sobram trinta e três ou trinta e quatro semanas no círculo do ano em que não se celebra nenhum aspecto peculiar do mistério de Cristo; antes se comemora, na sua plenitude, esse mesmo mistério de Cristo, de modo especial aos domingos. Este período, designa-se por ‘tempo comum’” (n. 377).

O tempo comum retrata a vida pública de Jesus. É o tempo em que os seguidores de Cristo põem as mãos à obra: aprofundar-se no conhecimento do mistério pascal e no pautar a vida nova pelas exigências evangélicas. Ou, como se referem as já mencionadas Normas Universais sobre o Ano Litúrgico e o Calendário, tempo em que “não se celebra nenhum aspecto especial do mistério do Cristo” (n. 43).

sábado, 26 de maio de 2007

Círio Pascal: Eis a luz de Cristo!

A palavra círio provém da língua latina, cereus – “de cera”, “feito de cera”. É uma vela grande de cera. O círio simboliza a luz. Mas nem toda vela grande é Círio Pascal.

Círio Pascal - podemos dizer - é uma grande vela (maior em altura e diâmetro), feita de cera natural, novo a cada ano, único, que, preparado ritualmente na noite santa da Vigília Pascal (Sábado Santo) como previsto no Missal Romano, evoca que Cristo Ressuscitado é a luz do mundo. O Círio é aceso com o fogo novo, que é aquele fogo bento, da fogueira preparada na noite da Vigília.

As velas da procissão são acesas no fogo do Círio Pascal, no simbolismo de que do Cristo procede a luz que ilumina a todos.

Não é, pois, uma simples vela, cuja luz dele depende. O simbolismo do Círio Pascal permeia a vida da Igreja - povo de Deus - posto que ele toca o fundamento primeiro da fé cristã: a ressurreição.

O Círio Pascal é colocado no presbitério junto do ambão ou perto do altar. Deste lugar, aceso, está o Círio Pascal, símbolo do Cristo ressuscitado, atestando simbolicamente a Ressurreição.

O Círio Pascal é aceso em todas as celebrações litúrgicas (ao menos, nas mais solenes), tanto na Missa quanto em Laudes e Vésperas (Liturgia das Horas), até o Domingo de Pentecostes.

Depois da celebração do Domingo de Pentecostes, o Círio Pascal é apagado, colocado no batistério e nele conservado. Passará a ser aceso na celebração do batismo e na sua chama será acesa a vela dos batizados. Será aceso também na celebração das exéquias e deverá ser colocado junto do féretro, “para indicar que a morte é para o cristão a sua verdadeira Páscoa.” (Congregação do Culto Divino, Carta sobre a preparação e a celebração das festas pascais, de 16 de janeiro de 1988, n. 99).

O Diretório da Liturgia (2007, Ano C, São Lucas), da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB, prevê que: “Terminado, depois das Vésperas e Completas, o Tempo Pascal, convém guardar o Círio pascal, com veneração, no Batistério, para nele acender as velas dos batizados” (pág. 106).

Voltemos o olhar ao passado. Lá, na Velha Aliança (livro do Êxodo 13, 21-22) vamos encontrar a coluna de fogo, tomado como sugestivo símbolo do Círio Pascal. O povo da Velha Aliança tem pressa: precisa se distanciar da terra da escravidão (Egito). Então, caminha dia e noite no deserto rumo à Terra Prometida. E o Senhor se faz companheiro da caminhada. O Senhor como que se esconde nas colunas, seja na de nuvem seja na de fogo; e, com a sua presença, indica o caminho, e com a luz, permite ao povo vencer a escuridão. “O Senhor os precedia, de dia, numa coluna de nuvem, para lhes mostrar o caminho; de noite, numa coluna de fogo para iluminar, a fim de que pudessem andar de dia e de noite. De dia não se afastava do povo a coluna de nuvem, nem de noite a coluna de fogo” (Ex 13, 21-22).

O Círio Pascal evoca que a Cristo pertencem o tempo e a eternidade (Alfa e Ômega): Caminho, Verdade e Vida.

Eis a luz de Cristo!

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Missa de muitos nomes

Há mais de 40 anos a missa, em latim, era, a grosso modo, notada e caracterizada pelo povo por estes elementos: sermão, consagração e comunhão.

O sermão, em português. O toque da campainha indicava o momento da consagração. Na hora da comunhão, o padre vinha até a mesa da comunhão (podemos dizer que era um grande genuflexório coletivo - ou uma espécie de cancela - que separava o povo do distante altar, do qual, de costas, o padre dizia a missa). Por essas razões, essas três fases eram notadas pelo povo.

E não podemos esquecer. Enquanto o padre dizia a missa, era comum muitos do povo rezarem, individualmente, o seu terço, e até porque grande parte do tempo se ficava de joelhos. O terço e outras rezas eram interrompidas quase só pelo toque da campainha na consagração.

Em geral, o povo não tinha participação ativa na missa.

Com essas características, não restava dúvidas de que era uma missa dita ou rezada pelo padre.

Sucede que, com o advento da Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium sobre a Sagrada Liturgia, um dos documentos do Concílio Vaticano II (1962-1965), mudanças começam a mexer com as pessoas (algumas ficam pelo caminho, ou melhor, permanecem na Missa Tridentina), impulsionando-as a não ficar paradas, mudas na celebração da Missa, agora na língua do povo.

Com a abertura dada pelo Concílio, a literatura religiosa se expande e chega ao povo. E o mesmo sucede com a Bíblia.

Outros nomes se tornam conhecidos, quer pelo próprio Concílio ou pela Instrução Geral sobre o Missal Romano, quer pela expansão da literatura religiosa, tais como: Ceia do Senhor, Eucaristia...

O Catecismo da Igreja Católica, promulgado pelo Papa João Paulo II em 11 de outubro de 1992 (ns. 1328-1330), reconhece a existência de diversos nomes, e destaco estes: Eucaristia, Ceia do Senhor, Fração do Pão, Assembléia Eucarística (synaxis), Memorial, Santo Sacrifício, Santa e Divina Liturgia, Comunhão e Santa Missa.

E ainda outras designações: Sacramento do Altar, Santo Sacrifício do Altar, Sacrifício da Nova Aliança, Nova Páscoa, Páscoa de Cristo...

Os diversos nomes não querem, no entanto, dizer que há vários mistérios. Apenas revelam aspectos, faces do mesmo e único Mistério celebrado. Cada nome ou designação evoca a riqueza do Mistério ou Sacramento, e passa a designá-lo por inteiro.

Determinados nomes foram mais usados em tal e qual tempo e lugar. Por exemplo, Fração do Pão, Ceia ou Refeição do Senhor tiveram uso destacado nos primeiros cem anos do Cristianismo, aparecendo com bastante constância no Novo Testamento. Assembléia ou Sinaxe (synaxis) foi utilizado pelos gregos entre os séculos IV e VII.

O nome Eucaristia começa a ser usado entre o fim do primeiro século e o início do segundo século.

O Catecismo da Igreja Católica adota para o terceiro sacramento da Igreja o nome de Sacramento da Eucaristia. O Papa João Paulo II escreveu a Carta Encíclica Ecclesia de Eucharistia sobre a Eucaristia na sua relação com a Igreja, datada de 17 de abril de 2003, e o Papa Bento XVI publicou a Exortação Pós-Sinodal Sacramentum Caritatis sobre a Eucaristia, Fonte e Ápice da Vida e da Missão da Igreja, datada de 22 de fevereiro de 2007.

Nas três publicações adota-se o nome Eucaristia para o mesmo e único Mistério celebrado, em que comungamos o Corpo e Sangue de Cristo.

As designações mais usuais hoje são: Ceia do Senhor, Eucaristia e Missa. Parece-me que o nome Eucaristia tem mais densidade no contexto da celebração do Mistério em que comungamos o Corpo do Cristo.

Crédito da imagem do Papa: Reuters

terça-feira, 22 de maio de 2007

Deus é Amor - "Deus Caritas Est"

A importância da Carta Encíclica Deus é Amor, de Bento XVI, datada de 25 de dezembro de 2005, pode ser medida pelas menções a ela feitas em quase todos os pronunciamentos do Papa, na sua visita ao Brasil.

Tais menções são notadas desde o primeiro pronunciamento, na chegada ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, no dia 9/5, até o discurso de abertura dos trabalhos da V Conferência do Episcopado Latino-Americano e Caribenho, em Aparecida (13/5).

No discurso de chegada, o Papa indicou o objetivo da visita: "venho para presidir, em Aparecida, a sessão de abertura da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e Caribenho". E o porquê dessa motivação é extraída da Encíclica: "A Igreja Católica - como coloquei em evidência na Encíclica Deus Caritas Est - 'transformada pela força do Espírito, é chamada a ser, no mundo, testemunha do amor do Pai, que quer fazer da humanidade uma única família, em seu Filho' (cf. 19)".

Outras menções: discurso proferido aos jovens no Estádio do Pacaembu, na noite do dia 10/5 (anoto: duas menções); homilia na Missa em que se canonizou Frei Galvão, celebrada no Campo de Marte, na manhã do dia 11/5; na homilia após a celebração das Vésperas com os bispos brasileiros, na Catedral da Sé, na tarde de 11/5 (anoto: duas menções).

E mais: homilia na missa celebrada na manhã do dia 13/5, em Aparecida, na abertura da V Conferência: "A vós também, que representais a Igreja na América Latina, tenho a alegria de entregar de novo idealmente a minha Encíclica Deus Caritas Est, com a qual quis indicar a todos o que é essencial na mensagem cristã".

Por fim: discurso de abertura dos trabalhos da V Conferência em Aparecida, na tarde de 13/5.

A Carta Encíclica Deus Caritas Est - Deus é Amor é composta de duas partes. A primeira é de índole discursiva; a segunda, de natureza prática. A introdução abre a Encíclica e a conclusão, que é um convite à santidade, a encerra.

A Encíclica não deixa de revelar o apreço que Bento XVI tem pelos escritos do apóstolo João. Com João, o Papa abre e encerra a Encíclica. Aliás, "Deus é Amor", que abre e dá título à Encíclica, é o melhor conceito que se tem de Deus. E essa definição é exatamente de João (1Jo 4,16).

Esse modo de dispor os assuntos, parece-me, ser o estilo de quem foi por muitos anos professor. Estilo didático, unindo teoria e prática.

Como se deduz da introdução, a Encíclica cuida da existência cristã fundada no amor de Deus. Nesse sentido, escreve o Papa: "(...) no mesmo versículo, João oferece-nos, por assim dizer, uma fórmula da existência cristã: "Nós conhecemos e cremos no amor que Deus nos tem".

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Abertura da Conferência de Aparecida

Domingo, 13 de maio.

No seu último dia de visita pastoral, Bento XVI dedicou-o à abertura da V Conferência Episcopal Latino-Americana e Caribenha.

O Santuário de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, sedia a Conferência. Escolha esta feita pela próprio Papa.

Dois eventos marcaram a abertura: de manhã, a celebração solene da Eucaristia, presidida pelo Papa, e à tarde, o pronunciamento do Papa no início dos trabalhos da Conferência.

Na homilia, o Papa deixou claro que esses dois mil anos anos transcorridos estão no tempo da Igreja. Esse tempo se coloca entre a "ida" (ascensão) e a "volta" (parusia) de Cristo. E esse tempo continua a fluir, como tempo da Igreja, até que se dê a mencionada "volta".

Nesse tempo entre a "ida" e a "volta", lembra o Papa, "estão também estes pouco mais de cinco séculos em que a Igreja fez-se peregrina nas Américas".

Para a liturgia, esse tempo é o último estágio da história da salvação. Esse tempo é também chamado de tempo do Espírito Santo. Em verdade, afirma o Papa: "O Espírito acompanha a Igreja no longo caminho que se estende entre a primeira e segunda vinda de Cristo: "Vou, e volto a vós" (Jo 14,28), disse Jesus aos Apóstolos."

O Cristo é o missionário do Pai. "A palavra que tendes ouvido não é minha, mas sim do Pai que me enviou" (Jo 14,24). Em prolongamento à missão de Cristo, somos, pelo batismo, missionários de Cristo.

E o Papa lembra que na sua Encíclica Deus caritas est está indicado o que é essencial na mensagem cristã. "A Igreja se sente discípula e missionária desse Amor". Nesse sentido, enfatiza o Papa: "A Igreja não faz proselitismo. Ela cresce muito mais por "atração": como Cristo "atrai todos a si" com a força do seu amor, que culminou no sacrifício da Cruz, assim a Igreja cumpre a sua missão na medida em que que, associada a Cristo, cumpre a sua obra conformando-se em espírito e concretamente com a caridade do seu Senhor".

A segunda parte da abertura da V Conferência está centrada no pronunciamento de Bento XVI feito à tarde.

Esse denso pronunciamento, que orienta o rumo dos trabalhos da Conferência, está fundado no tema eleito: "Discípulos e missionários de Jesus Cristo, para que nossos povos n'Ele tenham vida - Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida" (Jo 14,6).

Em primeiro lugar, a V Conferência não é um desmonte das Conferências realizadas no Rio de Janeiro, em Medellín, Puebla e São Domingos. Ao contrário, afirma o Papa: "Esta V Conferência Geral se celebra em continuidade com as outras quatro que a precederam (...)."

Em cima do pronunciamento do Papa, deduzimos que a Conferência refletirá, entre outros desafios, sobre: a identidade católica dos povos latino-americanos e caribenhos (identificá-la), a tradição (continuidade sem rupturas), o discipulato e a missionariedade ("é condição indispensável o conhecimento profundo da Palavra de Deus"), fome e violência, a missa dominical, estruturas justas, a Igreja advogada da justiça e dos pobres ("não se identificar com os políticos nem com os interesses de partido"), lideranças leigas no âmbito político, universitário e dos meios de comunicão, família (anticoncepcionais, aborto, educação dos filhos), sacerdotes, religiosos e consagrados, leigos (co-responsabilidade), juventude e a pastoral vocacional ("Os jovens não temem o sacrifício, mas, sim, uma vida sem sentido").

O pronunciamento de Bento XVI permite múltiplas colocações para reflexão. É de grande profundidade, solidamente alicerçado na Bíblia, na Tradição e no Magistério.

Por ora, só.

O Papa, que cativou o povo e o conquistou, se despede do país, mas

"Tende a certeza de que levo a todos no meu coração, donde brota a Bênção que vos concedo e que faço extensiva a todos os Povos da América Latina e do Mundo.
Muito obrigado!"

Crédito da imagem de despedida do Papa: Paulo Liebert/AE

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Recitação do Rosário com Bento XVI


Tarde de sábado, 12 de maio.

Pois bem, foi na tarde de sábado que o Papa recitou com os fiéis o Rosário de Maria, na Basílica de Aparecida. A recitação do Rosário (especialmente o terço) é o fato cotidiano mais comum entre os brasileiros, mas a recitação com o Papa é a novidade, é o extraordinário.

O testemunho do Papa é a melhor promoção para a expansão da recitação do Rosário, com autenticidade e aproveitamento espiritual.

O Rosário nasce como substituto da Liturgia das Horas, mas especificamente dos Salmos, núcleo daquela Liturgia, também chamado de Ofício Divino. Atualmente o Rosário está composto de quatro "terços": mistérios da alegria, mistérios da luz, mistérios da dor e mistérios da glória.

O mistério da luz foi acrescentado no conjunto do Rosário pelo Papa João Paulo II, em 2002.

Podemos dizer que o Rosário une o Velho e Novo Testamento.

Não basta rezar. É necessário haver coerência entre fé e vida, como a contribuição para uma sociedade menos injusta. E a fé necessita "também de uma sólida formação doutrinal e espiritual", afirma o Papa. Sem essa formação atualizada, a fé corre o risco de perder-se ou de não saber dar as suas razões perante o mundo.

O testemunho de vida cristã, na justiça, na fraternidade, na solidariedade, na partilha, suscita nas pessoas que o conhecem o desejo de seguir a Cristo.

E, assim, o Papa vai confirmando todos nós na fé.

domingo, 13 de maio de 2007

Esperança


No sábado, pela manhã, o Papa visitou a Fazenda da Esperança, que é um centro de recuperação de toxicômanos, em Guaratinguetá.

É a esperança que não decepciona (Rm 5,5) - lembra o Papa às irmãs Clarissas.

A perda do sentimento de esperança tem correlação com pessoas sem afeto (Rm 1,31).

Testemunhar a esperança numa sociedade consumista.

E a esperança mora na Fazenda da Esperança. Nesta se recupera a esperança perdida para aqueles que comercializam a droga. A estes, traficantes: Deus vai exigir satisfações.

Pois bem, é preciso edificar, construir a esperança, afirma o Papa. Podemos deduzir que ninguém se dá a tal trabalho se não tiver o amor pelo próximo.

O pai misericordioso foi ao encontro dos filhos pródigos, na Fazenda da Esperança, porque sois objeto de predileção divina.

Foram comoventes os testemunhos dos jovens. Um jovem russo declarou: A coisa mais importante era ter encontrado Deus. Todos diziam que Deus não existia, mas Ele existe. E jovem alemã: não existe felicidade maior do que dar a vida pelos irmãos.

Na Fazenda, onde mora a esperança, jovens encontram esses valores e tantos outros, que são a verdadeira felicidade que o mundo não lhes deu.

Frei Hans Stapel é o fundador da Obra Social Nossa Senhora da Glória, conhecida como Fazenda da Esperança. Sábio construtor da esperança para tantos jovens. O Papa, pai amoroso e misericordioso, os abraça sempre.