sexta-feira, 7 de março de 2008

Sudário: entre ciência e fé


Sudário, do latim sudarium [1], ou síndone, do grego syndon, é um lençol de linho sobre o qual está impressa a figura do corpo de um homem torturado e crucificado. A imagem impressa no lençol apresenta a singular característica de comportar-se como um negativo fotográfico.

É conhecido por Santo Sudário, ou Sudário de Turim. Usa-se também a palavra Síndone (Santa Síndone), que, em grego, significa tecido de linho de boa qualidade.

No dia 29 de fevereiro, sexta-feira, foi realizado um Congresso Internacional, organizado no âmbito de Mestrado em Ciência e Fé do Ateneu Pontíficio "Regina Apostolorum", tratando do fascinante e sempre atual tema: o Sudário. Em italiano, mais material pode ser lido aqui.

Em Turim, é onde se encontra o Santo Sudário, sob a curadoria do Arcebispo local.

Em 1998, entre os dias 18 de abril e 14 de junho, foi realizada uma exposição pública do Santo Sudário, em comemoração do qüinquagésimo aniversário da Catedral de Turim e do primeiro centenário da exposição do Sudário em 1898, ocasião em que o Sudário foi fotografado pela primeira vez por Secondo Pia (1855-1941), entre os dias 25 e 28 de maio. A fotografia revelou a figura de uma pessoa, na posição frontal e dorsal, com a singular novidade de se apresentar como se fosse um negativo de uma fotografia. A fotografia de Secondo Pia foi fundamental para o início dos estudos e pesquisas, sobremodo no campo médico-legal.

O Papa João Paulo II, em visita pastoral à Arquidiocese de Vercelli e de Turim, no dia 24 de maio de 1998, no solene momento de veneração diante do Santo Sudário, falou aos presentes, e destaco alguns pontos-chave da fala do Papa:

. "O Sudário é uma provocação à inteligência."

. "O que sobretudo conta para o crente é o fato de o Sudário ser espelho do Evangelho."

. "No Sudário reflete-se a imagem do sofrimento humano."

. "O Sudário é também imagem do amor de Deus, e do pecado do homem."

. "O Sudário é também imagem de impotência: impotência da morte, na qual se revela a conseqüência extrema do mistério da Encarnação."

. "O Sudário é imagem do silêncio."

Texto completo, em português, pode ser lido em "Palavras do Padre João Paulo II no Solene Momento de Veneração diante do Santo Sudário". E a saudação do Papa João Paulo II às autoridades civis e à população de Vercelli, em 23 de maio de 1998, pode ser lida aqui.

No ano de 2000, entre os dias 29 de abril e 11 de junho, em face da celebração do Jubileu, foi realizada nova exposição pública.

Neste Tempo de Quaresma, em que se prepara a caminhada rumo a Jerusalém, afigura-se oportuna a leitura de algum material sobre o Santo Sudário, numa visão de edificação cristã como é colocada pela Igreja.

Concluo com as palavras do Papa João Paulo II: "Uma relíquia extraordinária e misteriosa, e, - se aceitarmos os argumentos de muitos cientistas, - uma testemunha singularíssima da páscoa, da paixão, da morte e da ressurreição. Testemunha muda e, ao mesmo tempo, surpreendentemente eloqüente!" [2]


Leia mais:

O que é o Sudário de Turim (autor: Ernesto Arosio)

Centro do Santo Sudário (Diocese de Pelotas - RS-Brasil - Santuário de Guadalupe)





[1] sudarium, ii [sudor], n. Lenço; pano para limpar o suor do rosto. (Francisco Torrinha, Dicionário Latino-Português, Porto - Portugal, Edições Marãnus, terceira edição, 1945, p. 837.

[2] fonte da citação:
http://www.paroquiasaojoaodebrito.com.br/Conteudo/Frente/MateriaSudario.htm


Fonte da primeira imagem:
http://www.linteum.com/espanol/sindone/medicina.htm

Fonte da segunda imagem:
http://www.upra.org/articulo.phtml?id=2502&se=5

Fonte da terceira imagem:
http://www.linteum.com/espanol/sindone/imagen.htm

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja


Entre os dias 5 e 26 de outubro de 2008 será realizada, no Vaticano, a XII Assembléia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, cujo tema escolhido por Bento XVI e tornado público em 6 de outubro de 2006 é "A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja".

A seguir, o Conselho Ordinário da Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos empenhou-se na preparação dos Lineamenta [1], documento que tem por finalidade apresentar brevemente o estado da questão sobre o importante tema da Palavra de Deus, indicar aspectos positivos na vida e na missão da Igreja, sem omitir certos aspectos problemáticos ou que, pelo menos, carecem de um aprofundamento para o bem da Igreja e da sua vida no mundo.

No dia 27 de abril de 2007, os Lineamenta foram apresentados na Sala de Imprensa da Santa Sé pelo Arcebispo Dom Nikola Eterovic, Secretário-Geral do Sínodo dos Bispos, cujo discurso de apresentação pode ser lido aqui.

Evidentemente que os Lineamenta e o questionário conclusivo foram encaminhados pelo Vaticano a todas as dioceses, que deveriam encaminhar as respostas antes do fim do mês de novembro de 2007. O texto completo, em português, dos Lineamenta pode ser lido aqui.

Recebidas as respostas dadas pelas dioceses, o Conselho Ordinário da Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos se encarregou de redigir o Instrumentum Laboris (instrumento ou documento de trabalho) para a assembléia sinodal, que, como dito, realizar-se-á entre os dias 5 e 26 de outubro de 2008, no Vaticano.

O tema do atual Sínodo dos Bispos - "A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja" - está em sintonia, como que em continuação, com o tema do Sínodo anterior - "A Eucaristia: fonte e cume da vida e da missão da Igreja" -, celebrado no Vaticano em outubro de 2005, convocado pelo então Papa João Paulo II e presidido por Bento XVI.

Um dos tópicos dos Lineamenta está grafado: "Jesus Cristo é a Palavra de Deus feita carne, a plenitude da Revelação". Ao lado do eixo central - a Ressurreição (1Cor 15,12-22) -, a expressão grafada é fundamental para o cristianismo, eis que "No princípio era a Palavra, e a Palavra estava junto de Deus, e a Palavra era Deus. E a Palavra se fez carne e veio morar entre nós" (Jo 1,1.14). E mais: "Muitas vezes e de muitos modos, Deus falou outrora aos nossos pais, pelos profetas. Nestes dias, que são os últimos, falou-nos por meio do Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas e pelo qual também criou o universo (Hb 1,1-2).

Esse e tantos outros tópicos dos Lineamenta deixam entrever a importância do conteúdo do tema "A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja".

Como diz o apóstolo Paulo, "a palavra de Deus é viva" (Hb 4,12). A Palavra continua atual. Nela Deus se faz presente, mormente e em especial na Palavra proclamada na celebração dos sacramentos.

E Deus continua, pois, falando...


Leia mais:





[1] Lineamentum, palavra latina, geralmente usada no plural lineamenta, significando: 1. Feições; traços fisionômicos. 2. Linha geométrica; traço; pincelada; retoque. 3. Esbôço, plano (duma obra). [Francisco Torrinha, Dicionário Latino-Português, Porto - Portugal, Edições Marãnus, 3ª edição, 1945, p. 480].


Fonte da imagem: http://teologiafvida.blogspot.com/

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Sínodo dos Bispos: cooperação com o Papa

Já falamos sobre o Sínodo Diocesano. Hoje falaremos sobre o Sínodo dos Bispos.

O Sínodo dos Bispos, como hoje se organiza, deita raízes no Concílio Vaticano II (1962-1965), ou seja, no Decreto Christus Dominus sobre o Múnus Pastoral dos Bispos na Igreja, de 28 de outubro de 1965.

A previsão vem no número 5 desse Decreto conciliar, que diz:

"5. Bispos, escolhidos de diversas regiões do orbe, segundo modos e métodos estabelecidos ou a serem estabelecidos pelo Romano Pontífice, prestam ao Supremo Pastor da Igreja ajuda mais válida no Conselho que tem por nome Sínodo Episcopal. Este Sínodo, representando todo o Episcopado católico, ao mesmo tempo significa que todos os Bispos em comunhão hierárquica participam na solicitude pela Igreja Universal."

O Papa Paulo VI, que bem sabia da significação desse método colegiado de administração, antecipando-se a aprovação desse Decreto pelos Padres Conciliares, assinou, no dia 15 de setembro de 1965, a Carta Apostólica Apostolica Sollicitudo promulgada "Motu Proprio", mediante a qual se constitui o Sínodo dos Bispos para a Igreja Universal.


O Código de Direito Canônico (1983) trata do Sínodo dos Bispos nos canônes 342-348.

O Sínodo dos Bispos é um órgão representativo do Episcopado católico, como instituído pelo mencionado "Motu Proprio".

E mais. O Sínodo dos Bispos é a assembléia dos Bispos católicos escolhidos segundo normas de organização, que se reúnem periodicamente, para estimular o estreitamento da união entre o Romano Pontífice e os Bispos, bem como para auxiliar o Romano Pontífice e para examinar questões que dizem respeito à ação da Igreja no mundo, como se pode ler do canône 342.

O Sínodo dos Bispos está sujeito diretamente à autoridade do Romano Pontífice, que é quem o convoca (cân. 344). O Sínodo dispõe de uma secretaria geral permanente, cujo Secretário Geral é nomeado pelo Romano Pontífice, auxiliado pelo conselho da secretaria (cân. 348). Este conselho é composto de Bispos, uns eleitos pelos Bispos sinodais e outros nomeados pelo Romano Pontífice (cân. 348).

A Secretaria, por ser permanente, mantém a organização administrativa e operacional, bem como faz uma ponte entre uma assembléia geral e outra. E, nesse sentido, é interessante notar que a função do Secretário Geral e de todos os Bispos, eleitos e nomeados, "cessa ao começar a nova assembléia geral" (cân. 348, § 2).

E, assim, a Igreja se organiza para caminhar unida!

Leia mais:



Fonte da imagem:
http://www.champagnat.org/pt/261000001.asp?num=322

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Spe salvi: salvos na Esperança


O título tem por matriz a Carta do Apóstolo Paulo aos Romanos, capítulo 8, versículo 24: Pois é na esperança que fomos salvos. Ora, aquilo que se tem diante dos olhos não é objeto de esperança: como pode alguém esperar o que está vendo?

A Encíclica, em sua introdução (n. 1), salienta o fato de que a Carta do Apóstolo é endereçada aos Romanos e a nós também. Importa dizer que precisamos nos dar conta de que os escritos bíblicos falam hoje para nós.

A esperança é, de fato, uma palavra central da fé bíblica, a ponto de, em várias passagens, ser possível intercambiar os termos "fé" e "esperança", diz a Encíclica (n. 2).

Qual é a grande esperança? Responde a Encíclica: A verdadeira e grande esperança do homem, que resiste apesar de todas as desilusões, só pode ser Deus - o Deus que nos amou, e ama ainda agora "até ao fim", "até à plena consumação" (cf. Jo 13,1 e 19,30) - n. 27.

Chegar a conhecer Deus, o verdadeiro Deus: isto significa receber esperança. A nós, que desde sempre convivemos com o conceito cristão de Deus e a ele nos habituamos, a posse de uma tal esperança que provém do encontro real com este Deus quase nos passa despercebida (n. 3).

Bento XVI dedica algumas passagens da Encíclica para evocar Josefina Bakhita, uma santa de nossos dias, como exemplo, a ajudar-nos a entender o que significa encontrar pela primeira vez e realmente este Deus (n. 3).

Santa Bakhita vivia de uma Esperança Maior. Diante de tantos sofrimentos físicos e emocionais, humilhações pelos quais passou, a Esperança encontrada por Bakhita não restou fragilizada, maculada ou insegura no transcorrrer de sua vida. Os fatos adversos ocorridos no curso do caminho não prejudicaram a meta: a Esperança Cristã.

É do apóstolo Paulo esta exortação: "alegres na esperança, fortes na tribulação, perseverantes na oração" (Rm 12,12). Por certo, Bakhita, em sendo alegre na esperança, esteve além das tribulações (e que tribulações!), alimentando esse estado de vida no perserverante diálogo com Deus (ou, no dialeto veneziano, com o Paron - o bom Patrão).

A Encíclica vem preencher um vazio da sociedade moderna, que, sem a Esperança, busca, em vão, nas coisas imediatas e sensíveis a superação para essa insatisfação humana.

SPE SALVI facti sumus - é na esperança que fomos salvos (Rm 8,24) - n. 1.

Vale ler a Carta Encíclica do Santo Padre Bento XVI Spe salvi sobre a Esperança Cristã, editada pela Editora Paulus/Edições Loyola e pela Editora Paulinas.


Leia mais:




Fonte da imagem:
http://www.paulus.com.br/lojavirtual/secoes/detalhamento.php?id=2340&produto=Livros&cat_produto=produtos_livros&produto_dir=livros&categoria=Pastoral,%20Catequese%20e%20Liturgia&id_cat=0

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Bakhita: mística mensageira da esperança

Josefina Bakhita, em italiano Giuseppina Bakhita, nasceu em 1869, em Olgossa, aldeia da região de Darfur, no Sudão, e morreu na Itália, onde vivia, no Convento das Filhas da Caridade Canossianas, em Schio (na província de Vicenza), em 8 de fevereiro de 1947.

A família de Bakhita já conhecia o sofrimento da perda. Sua irmã fora raptada por traficantes de escravos negros que apareceram em Olgossa. Sua mãe sofreu e chorou muito. Toda a família chorou a perda.

Algo ainda ia trazer mais sofrimento.

Certo dia, quando tinha cerca de nove anos, Bakhita e uma colega mais velha estavam passeando no campo. Delas se aproximaram repentinamente dois estrangeiros. Um deles disse à colega que deixasse a menina pequena (Bakhita) ir colher algumas frutas para ele no bosque, e que logo se encontrariam mais adiante. E assim aconteceu: a colega continuou o seu caminho. Bakhita já estava no bosque quando percebeu que os estrangeiros a seguiam, momento em que um deles agarrou a menina com força brutal e o outro sacou uma faca ameaçando-a de morte se gritasse, e foi obrigada a segui-los.

Esses estrangeiros eram traficantes de escravos negros.

Bakhita não é o nome que seus pais lhe deram, mas sim o nome dado a ela por seus traficantes. Bakhita no dialeto local significa "afortunada", "bem-aventurada". Nome significativo, de cunho profético, para o futuro da menina raptada. Josefina é seu nome de batismo, que se realizaria anos depois, na Itália, como adiante veremos.

Nos mercados de escravos das cidades de El Obeid e Cartum (capital), ambas no Sudão, foi vendida cinco vezes.

Seu quarto dono a maltratou muitíssimo, quando teria por essa época uns treze anos. Foi quem mais a humilhou e a fez sofrer. Disso, lhe resultaram mais de cem cicatrizes que marcaram seu corpo para sempre. E, para evitar infecções e durante aproximadamente um mês, sal era colocado sobre as incisões. Tamanho era o sofrimento que Bakhita chegava a pensar que não ia agüentar e morrer.

Finalmente, em Cartum, capital do Sudão, foi comprada, em 1882, por um comerciante italiano para o senhor Calixto Legnani, cônsul italiano, residente na cidade, que pretendia restituir-lhe a liberdade. Em vezes anteriores, o cônsul já havia feito o mesmo caminho: crianças escravas compradas para ele e por ele restituídas às suas famílias. No entanto, não foi possível fazer o mesmo com Bakhita, por causa da grande distância entre o lugar de origem e a capital e do vazio de memória da adolescente quanto ao nome do vilarejo onde morava e dos nomes dos próprios familiares.

O senhor Legnani foi o seu quinto dono. Mas um dono diferente: Bakhita era tratada como um ser humano. Os donos anteriores se consideravam proprietários de algo que podia ser objeto de compra e venda.

Na casa do cônsul, Bakhita não era, pois, tratada como escrava. Ganhou a paz e a serenidade, não obstante amargurasse a saudade da família, talvez ficada para trás para sempre.

Em 1884, o cônsul, ante a insurreição mahdista, foi obrigado a deixar Cartum. A pedido de Bakhita, ela acompanhou o cônsul e o seu amigo Augusto Michieli, com destino à Itália.

Chegados à Itália, em Veneza, a esposa do senhor Augusto Michieli, que os esperava, quis ficar com um dos escravos que traziam, insistindo em ficar com Bakhita. Pressionado, o senhor Calixto Legnani concordou.

Bakhita passou a morar com a família Michieli, em Zeniago (em Mirano, na província de Veneza). Quando nasceu Mimina, filha do casal Michieli, Bakhita fez o papel de babá, e se tornou também uma amiga. Em 1888, por razões econômicas (compra de um hotel em Suakin, no Sudão), a família Michieli deixou a Itália para administrar o hotel.

A conselho do senhor Iluminado Checchini, administrador do casal, a criança Mimina e Bakhita permaneceram na Itália e foram confiadas às Irmãs Canossianas do Instituto dos Catecúmenos de Veneza.

Bakhita ficou hospedada gratuitamente e começou receber os primeiros ensinamentos religiosos. Quando a senhora Maria Turina, esposa do senhor Michieli, voltou da África, para retomar a filha e Bakhita, esta, com coragem e determinação, manifestou o desejo de continuar na Itália com as irmãs Canossianas. Bakhita pôde fazer prevalecer a sua vontade, porque na Itália não são reconhecidas as leis de escravatura. No dia 29 de novembro de 1889 Bakhita foi declarada oficialmente livre.

No dia 9 de janeiro de 1890, Bakhita recebe os sacramentos da iniciação cristã, com o nome de Giuseppina Margherita Fortunata. No dia 7 de dezembro de 1893, ingressou no noviciado do Instituto de Santa Madalena de Canossa, e em 8 de dezembro de 1896 pronunciou os primeiros votos religiosos.

Bakhita foi transferida, em 1902, para o Convento da mesma Ordem em Schio, na província de Vicenza, onde permaneceu até o seu falecimento. Bakhita fazia trabalhos de limpeza, cozinhava e cuidava dos serviços da sacristia. Na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), prestou ajuda em serviços de enfermaria, quando parte do Convento serviu de hospital militar.

Bakhita passou, a partir de 1922, a encarregada da portaria. Neste ofício, começou a manter contato com a população local, que passou a gostar e amar esta freira negra, por causa do seu modo de tratar as pessoas. Bakhita era gentil, atenciosa, serena e sempre alegre. Passou a ser conhecida carinhosamente como Madre Moretta.

O carisma e a santidade de Bakhita propagadas pelo povo passaram a ser notados pelas superioras do Convento. Houve interesse em conhecer detalhes da vida da "Irmã Morena". Bakhita, que só falava o dialeto veneziano, teve uma autobiografia escrita em 1910, em italiano, com detalhes contados à Irmã Teresa Fabris.

Bakhita esteve em Veneza contando a história da sua vida.

Com a publicação de suas memórias, Bakhita ficou conhecida, e começou, então, a viajar por toda a Itália participando de conferências, dando seu testemunho de vida. Sua presença era o bastante, pois, falando somente o dialeto veneziano, poucas palavras dizia ao final dos encontros, mas plenamente suficientes. A presença da tímida Bakhita era o bastante para encantar as pessoas.

Desde 1939, começou a sentir problemas de saúde, não se ausentando mais do Convento em Schio.

Bakhita veio a falecer no dia 8 de fevereiro de 1947, depois de uma longa e dolorosa doença. Muitas pessoas acorreram para dar um último adeus, expressando a gratidão e a veneração à carinhosa Irmã Morena.

No dialeto veneziano, Bakhita se referia a Deus com muito carinho, chamando-O de "el me Paron". Deus era o novo "Patrão" que Bakhita buscava. Veio encontrá-lo e experimentá-lo ao ingressar na Família Canossiana. E, a partir daí, nunca se separou do seu bom "Paron".

As investigações sobre a santidade de Bakhita começaram em 1959 pela Diocese local, doze anos depois da sua morte. Em 1º de dezembro de 1978 foi declarada Venerável. Em 17 de maio de 1992, foi beatificada pelo Papa João Paulo II.

Dez dias depois de declarada "bem-aventurada" (beatificada), acontece, na Diocese de Santos (Estado de São Paulo - Brasil), o milagre necessário para levar a Beata Bakhita à sua canonização. Leia mais aqui, no artigo do Pe. Caetano Rizzi.


A Igreja celebra a memória da Santa Josefina Bakhita no dia 8 de fevereiro.


Leia mais:




Fonte da primeira e da segunda imagens:
http://br.geocities.com/faby_black/bakhita.html


Fonte da terceira imagem:
http://www.combonianos.com/MNDigital/revista/junio/darfur.html


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Quaresma: caminho para a Páscoa do Senhor

Quaresma, do latim quadragesima, significa o período de quarenta dias dedicados à preparação da celebração da Páscoa do Senhor.

A Quaresma começa na Quarta-Feira de Cinzas (6/2) e vai até Quinta-Feira da Semana Santa (20/3), excluindo a Missa na Ceia do Senhor.

O número simbólico de quarenta dias tem a ver, entre outras passagens bíblicas, com o dilúvio de quarenta dias e quarenta noites de chuvas sobre a face da terra, cuja figura central é Noé. Tem a ver com os quarenta anos de peregrinação do povo de Israel no deserto, cuja figura central é Moisés. Os quarenta dias e as quarenta noites de permanência de Moisés na montanha (Ex 24, 12-18.34). Os quarenta dias e as quarenta noites de caminhada de Elias para chegar até a montanha de Deus, o Horeb (1Rs 19, 3-8) E, por fim, com os quarenta dias de recolhimento de Jesus no deserto, guiado pelo Espírito Santo.



Fonte da imagem:
http://www.fatima.com.br/interna_exibe.asp?ct=&mn=341&id=808&nt=1161


sábado, 26 de janeiro de 2008

Sínodo: a face diocesana

Depois do Concílio Vaticano II (1962-1965), "sínodo", palavra de origem grega (sýnodos, latinizado como synodus), tem estado na ordem do dia. Em grego, sýnodos é formado por syn ("juntos"), e hodos ("caminho"). Pela formação etimológica, sínodo exprime a noção de "caminhar juntos". Uma noção de pluralidade, mas juntos, unidos.

Em síntese, sínodo é a assembléia convocada pela autoridade eclesiástica competente, com o objetivo de, congregando na unidade, encontrar soluções pastorais para a vida da Igreja.

Comumente se fala em Sínodo de Bispos. Deste, falaremos em outra oportunidade.

Mas existe outro que não é só de Bispos. É o Sínodo Diocesano de que cuidam os canônes 460-468 do Código de Direito Canônico. Deste, participam presbíteros, diáconos, religiosas e religiosos, leigas e leigos.

Essa participação de homens e mulheres leigos no Sínodo Diocesano emerge suas raízes do disposto no cânone 129, § 2º, do Código de Direito Canônico, onde, facultativamente, se confere a esses batizados a cooperação no "múnus de reger" ou governar.

O Catecismo da Igreja Católica (tornado público mediante a Constituição Apostólica Fidei Depositum de João Paulo II, em 11 de outubro de 1992), ao tratar da participação dos fiéis leigos no múnus régio de Cristo, evoca os números dos parágrafos 908-913 direitos e deveres, com remissão ao Novo Testamento, ao Concílio Vaticano II, ao Código de Direito Canônico e a outros mais (Evangelii nuntiandi e obras de Santo Ambrósio).

O conceito legal para Sínodo Diocesano é dado pelo cânone 460 do Código de Direito Canônico: "é uma assembléia de sacerdotes e de outros fiéis da Igreja particular escolhidos, que auxiliam o Bispo diocesano para o bem de toda a comunidade diocesana".

Posteriormente ao Código de Direito Canônico, a Congregação para os Bispos e a Congregação para a Evangelização dos Povos lançaram, em conjunto, um documento extenso e detalhado denominado "Instrução sobre os Sínodos Diocesanos".

O Sínodo Diocesano é convocado e presidido pelo Bispo diocesano. O Bispo não está obrigado a convocá-lo periodicamente. A seu juízo e ouvido o conselho presbiteral, convocará o sínodo se as circunstâncias o aconselharem. E essas circunstâncias de que fala o canône 461, § 1º, do Código de Direito Canônico vêm exemplificadas no Capítulo III - Convocação e Preparação do Sínodo, letra A - Convocação, nº 1, na "Instrução sobre os Sínodos Diocesanos", como se lê:

"Tais circunstâncias podem ser de várias naturezas: a falta de uma adequada pastoral de conjunto, a necessidade de aplicar a nível local as orientações superiores, a existência, no âmbito diocesano, de problemas que requerem soluções, a necessidade de uma comunhão eclesial mais intensa e operosa, etc. As informações obtidas nas visitas pastorais têm especial importância para discernir sobre a conveniência da convocação do sínodo: elas, de fato, mais do que qualquer levantamento de dados, ajudarão o Bispo a perceber as necessidades dos fiéis e os endereços pastorais mais adaptados para satisfazê-las."

O fato de só o Bispo diocesano poder convocar o sínodo destaca o caráter pessoal do governo ordinário da Diocese (cânone 462).

Como bem lembra o canonista e professor Gianfranco Ghirlanda, sacerdote jesuísta, é, entre outras, obrigação do Bispo diocesano "assegurar a liberdade de discussão durante a assembléia sinodal (c. 465; ICA IV.4)" e "excluir da discussão sinodal teses ou posições discordantes da perene doutrina da Igreja ou do magistério pontifício ou referentes a matérias disciplinares reservadas à suprema ou outra autoridade eclesiástica (ICA IV.4)". [1]


[1] O Direito na Igreja: Mistério de Comunhão: Compêndio de Direito Eclesial, tradução de Edwino Aloysius Boyer, Roque Frangiotti e Adauri Fiorotti, Aparecida, Editora Santuário, 2003, pp. 631-2.


Fonte da imagem:
http://www.diocesedemogi.org.br/pastoral/sinodo/estatuto.htm


quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Código de Direito Canônico: 25º aniversário

O atual Código de Direito Canônico (Codex Iuris Canonici) está completando no próximo dia 25 de janeiro, sexta-feira, seu 25º aniversário. O Código foi promulgado no dia 25 de janeiro de 1983 pelo Papa João Paulo II mediante a Constituição Apostólica Sacrae Disciplinae Leges.

O Código vigente, que substitui o anterior, promulgado em 1917, deita raízes no Concílio Vaticano II (1962-1965). Foi o Papa João XXIII o idealizador da reforma do velho Código de Direito Canônico (1917). Reforma essa anunciada no dia 25 de janeiro de 1959, simultaneamente com o anúncio do Sínodo Romano e do Concílio Ecumênico. Em 1963, João XXIII anuncia a criação da Comissão para a revisão do Código, cujos trabalhos deveriam se inciar depois do Concílio Vaticano II. Em 1964, o Papa Paulo VI, que sucedeu João XXIII, nomeia 70 consultores. A primeira sessão dos consultores começa em 1965 e, depois de um longo período de trabalho, se conclui com a promulgação do novo e atual Código de Direito Canônico, mediante a já mencionada Constituição Apostólica Sacrae Disciplinae Leges do Sumo Pontífice João Paulo II sobre a Promulgação do Código de Direito Canônico, de 25 de janeiro de 1983.

João Paulo II, na Constituição Apostólica Sacrae Disciplinae Leges, recorda: "Volvendo, hoje, o pensamento para o início dessa caminhada, isto é, para 25 de janeiro de 1959, e, ao mesmo tempo, para o próprio João XXIII, o iniciador da revisão do Código, devemos confessar que este Código surgiu com propósito único de restaurar a vida cristã".

"Os Cânones deste Código referem-se unicamente à Igreja latina", assim dispõe o cânone 1. Em outras palavras, o Código de Direito Canônico aplica-se somente à Igreja de rito latino, e não à Igreja de rito oriental. Sobre Igreja de rito latino e Igreja de rito oriental, leia aqui.


Leia mais:




Fonte da imagem:
http://www.planetanews.com/produto/L/126191/codigo-de-direito-canonico-cnbb.html

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Diretório da Liturgia - 2008

Como faz todos os anos, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB já colocou à disposição de todos o livro "Diretório da Liturgia e da organização da igreja no Brasil - 2008 - Ano A - São Mateus".

Em brochura e com 42o páginas, o livro está dividido em duas partes. A primeira cuida da Liturgia da Igreja no Brasil (páginas 11 a 212). Na segunda, da Organização da Igreja no Brasil (páginas 213 a 420).

Trata-se de valioso instrumento diário de trabalho, sobremodo para a liturgia. Nele estão as "prescrições e orientações oficiais para as celebrações litúrgicas ao longo do ano de 2008", como se lê na Apresentação feita por Dom Dimas Lara Barbosa, Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro e Secretário-Geral da CNBB (páginas 7 e 8).

O Diretório da Liturgia é editado pelo CPP - Centro de Pastoral Popular e pelas Edições CNBB.


Fonte da imagem: http://www.cpp.com.br/novo_site/default.asp

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Antão: a santidade que vem do deserto


A Igreja Católica Romana celebra hoje, dia 17/1, a memória de Santo Antão.

Antão, em latim Antonius (Antonio), nasceu na região do Alto Egito por volta de 250 e faleceu com mais de cem anos, em 356.

Antão era cristão. Aos 20 anos distribuiu seus bens aos pobres e retirou-se para o deserto.

Antão pertence àqueles místicos chamados Padres do Deserto, cuja espiritualidade não era apenas profunda, mas simples.

Santo Atanásio (295-373), bispo de Alexandria, foi quem propagou em toda a Igreja o exemplo de vida de Antão. Santo Atanásio escreveu um livro sobre a vida de Antão - Vita Antonii (Vida de Antonio) - por volta de 360.

O deserto era considerado pelos antigos como lugar do demônio. E Antão foi para o deserto para lutar contra as tentações demoníacas, pois, vencendo-as, estaria contribuindo para o bem da humanidade.

Na feliz expressão de Anselm Grün: "O deserto é também o lugar da maior proximidade de Deus." (1)

Os israelistas não ficaram isentos de tentações na caminhada pelo deserto, mas experimentaram a maior proximidade de Deus. Jesus retirou-se para o deserto antes de iniciar a sua missão. O deserto tem, pois, uma sacralidade.

As tentações existem, como nos lembra a Oração do Pai-Nosso: e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Não se pede para Deus excluir a tentação, mas sim a graça divina para não se deixar cair na armadilha dela.

Para a celebração Eucarística de hoje, quando se faz a memória de Santo Antão, a Oração do Dia (Missal Romano) sinaliza a motivação que nos impele à imitação do Santo: "Ó Deus, que chamastes ao deserto Santo Antão, pai dos monges, para vos servir por um vida heróica, dai-nos, por suas preces, a graça de renunciar a nós mesmos e amar-vos acima de tudo."


(1) O céu começa em você - A sabedoria dos padres do deserto para hoje, tradução de Renato Kirchner, Petrópolis, Editora Vozes, 8ª edição, 2002, p. 42


Fonte da imagem: http://br.geocities.com/padresdodeserto/

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Batismo do Senhor: término do Tempo do Natal

A Igreja Católica está celebrando hoje, dia 13 de janeiro (domingo), a festa do Batismo do Senhor.

O Tempo do Natal, que começou a partir da Vigília do dia 24/12, se encerra com a festa de hoje.

Depois do Batismo, Jesus dá início à sua missão, sem antes deixar de se recolher por quarenta dias no deserto e ali ser posto à prova (Mt 4, 1-11, Mc 1, 12-13, e Lc 4, 1-13).

Na dicção do Evangelho de Lucas: "Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do rio Jordão e, no Espírito, era conduzido pelo deserto."

Os Evangelhos Sinóticos são unânimes em mencionar o Espírito Santo, que impulsiona Jesus ao deserto, fortalecendo-o diante das contrariedades postas à sua missão. Aliás, a partir do Batismo, o Espírito Santo será presença inarredável na vida de Jesus.

Batismo é isso: experimentar a novidade de estar-se "cheio do Espírito Santo". E daí, recolher-se na oração, para encarar a missão.

Agora, é tempo de missão no dia-a-dia, pois, a partir de amanhã, segunda-feira (dia 14/1), começa o Tempo Comum.




Fonte da imagem: http://pt.wikiquote.org/wiki/Batismo

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

A coragem dos Magos


Tomo emprestado o título ao Papa Bento XVI.

No domingo, dia 6 de janeiro, o Papa celebrou a Eucaristia por ocasião da solenidade da Epifania do Senhor, na Basílica de São Pedro (Vaticano).

Vale conferir a homilia proferida por Bento XVI, cujo texto em português se encontra aqui.

Leia mais:



Fonte da imagem:
http://www.agencia.ecclesia.pt/noticia.asp?noticiaid=54805


sábado, 5 de janeiro de 2008

E Cristo continua se manifestando


Epifania, palavra de origem grega (epipháneia), que quer dizer aparição ou manifestação. No mesmo sentido, é considerada por Agostinho de Hipona (354-430): "Epifania é um termo grego que podemos traduzir por manifestação..."

A Oração do dia, que também se chama Colecta ou Coleta (Missal Romano), para a celebração da Eucaristia na solenidade da Epifania do Senhor diz: "Ó Deus, que hoje revelastes o vosso Filho às nações, guiando-as pela estrela, concedei aos vossos servos e servas que já vos conhecem pela fé, contemplar-vos um dia face a face no céu." Com essa Oração, que encerra os Ritos iniciais, deduz-se que, na linguagem litúrgica cristã romana, a Epifania é a revelação do Filho de Deus às nações.

Revelação tem o mesmo sentido de manifestação divina.

A Igreja Católica Romana celebra a Epifania do Senhor, em princípio, no dia 6 de janeiro. No Brasil, por determinação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB, a solenidade da Epifania é celebrada no domingo que cair entre os dias 2 e 8 de janeiro. Neste ano de 2008, a celebração é no dia 6 de janeiro, domingo. Não só por ser solenidade, mas também porque é domingo, a celebração pode ser iniciada a partir do cair da tarde de sábado, dia 5/1.

Primeiramente, o Menino se manifesta à própria nação judaica, representada pelos pastores na noite de Natal. E, agora, para além fronteiras, se manifesta a todas as nações, representadas pelos Magos.

Vejamos ainda o que diz o mesmo Santo Agostinho: "Já celebramos o nascimento do Senhor; hoje celebramos a sua Epifania... No dia que se chama Natal viram-n'O os pastores judeus; no dia de hoje, que se chama propriamente Epifania, quer dizer, manifestação, adoraram-n'O os Magos pagãos. Aqueles receberam o anúncio dos Anjos; estes, de uma estrela. Os anjos moram nos Céus que os astros adoram; a uns e a outros os Céus proclamam a glória de Deus..."

Manifestar o Cristo hoje é evangelizar. Que tal uma dica: fazer da própria vida cotidiana de cada seguidor manifestação d'Aquele em quem se tem fé, ou melhor, d'Aquele em quem se faz a experiência do Divino.


Nota: os trechos de Santo Agostinho, Sermão 202, n. 1, e Sermão 204, n. 1, foram extraídos da Antologia Litúrgica (Fátima, Secretariado Nacional de Liturgia, org. José de Leão Cordeiro, pág. 891, respectivamente números 3768 e 3770).


Fonte da imagem: http://www.pitoresco.com/italiana/mantegna.htm

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Santa Mãe de Deus e Dia Mundial da Paz

A Igreja Católica Romana celebra no dia 1º de janeiro de 2008 a solenidade da Santa Mãe de Deus. Por ser uma celebração de grande dimensão para a vida da Igreja (classificada na categoria de solenidade), ela começa no dia precedente com as Primeiras Vésperas, ou seja, a partir do final da tarde do dia 31/12.

Nesta mesma celebração, pode-se cantar o Te Deum laudamus (Nós Vos louvamos, ó Deus), para render graças a Deus.

Agradecer a Deus pelo ano que se finda e louvar a Deus pelo ano novo.

É também o Dia Mundial da Paz. Para este dia - 1º de janeiro de 2008, o Papa Bento XVI centraliza a sua mensagem na família, com o título "Família Humana, Comunidade de Paz".

Felicidades para o Ano Novo !

E um Ano Novo repleto de Paz !


Fonte da primeira imagem:
http://www.pime.org.br/noticias.inc.php?&id_noticia=2994&id_sessao=3

Fonte da segunda imagem:
http://anjospelapaz.zip.net/arch2007-09-16_2007-09-22.html

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Hoje nasceu o Salvador

Da boca do anjo, que aparece aos pastores, continua ressoando aos nossos ouvidos aquela mensagem fora do comum, misteriosa e única: "Não tenhais medo! Eu vos anuncio uma grande alegria, que será também a de todo o povo: hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós o Salvador, que é o Cristo Senhor!" (Lc 2, 10-11)

Depois do anúncio e dos louvores celestiais, Lucas descreve a posição dos pastores: "Quando os anjos se afastaram deles, para o céu, os pastores disseram uns aos outros: "Vamos a Belém, para ver a realização desta palavra que o Senhor nos deu a conhecer". Foram, pois, às pressas a Belém e encontraram Maria e José, e o recém-nascido deitado na manjedoura. Quando o viram, contaram as palavras que lhes tinham sido ditas a respeito do menino. Todos os que ouviram os pastores ficavam admirados com aquilo que contavam. Maria, porém, guardava todas estas coisas, meditando-as no seu coração. Os pastores retiraram-se, louvando e glorificando a Deus por tudo o que tinham visto e ouvido, de acordo com o que lhes tinha sido dito." (Lc 2, 15-20)

Foi o primeiro e único Natal, que se torna atual, presente, pela liturgia celebrada. E os pastores nos ensinam como celebrá-lo.

O Natal de Jesus não é um natal desprogramado. Não, ele foi anunciado e preparado ao longo da Antiga Aliança, e aí se destaca, entre tantas, a figura do profeta Isaías. Nos últimos tempos um chamado forte e contudente é feito pelo profeta João, o Batista.

Hoje, o Natal de Jesus continua sendo anunciado e preparado, e é feito ao longo de um período chamado de tempo do advento.

Hoje "nasceu para vós o Salvador, que é o Cristo Senhor!". O "hoje" é a atualidade. É como se dissesse: 'A cada dia nasce para vós o Salvador'. É o novo entrando na história. E nasceu não para si mesmo ou para a sua família, mas sim para todos: "para vós". O nascimento colhe a todos, em qualquer tempo, lugar ou situação. Na figura dos pastores podemos divisar não só o povo judeu mas também todos aqueles que, mesmo ocupados com os seus afazeres necessários do dia-a-dia, acolhem o Cristo como centro determinante de sua opção de vida.

"Vamos a Belém, para ver a realização desta palavra que o Senhor nos deu a conhecer". A Palavra, o Verbo de que fala o apóstolo João, agora se torna carne, ou seja, veste-se da natureza humana, para gestar em ventre de mulher (Maria), nascer em tempo e lugar determináveis, para viver pisando o mesmo solo de seus conterrâneos, morrer e ressuscitar. Aqui se faz uma leitura deste trecho ao plano da liturgia eucarística: ouvir e conhecer a Palavra é o primeiro e fundamental passo; em sequência, achegar-se da Palavra realizada, e ver com os olhos da fé.

Nesta noite, assim como os pastores, somos convocados a ir até Belém, e vamos hoje, com os nossos pés litúrgicos, para inteirar-se da Palavra que nos é dada a conhecer de forma privilegiada na liturgia, e ver a Palavra realizada sob as espécies do pão e do vinho. E dialogar, posto que os pastores, quando viram o Menino Jesus, contaram as palavras que lhes tinham sido ditas a respeito do menino.

Mas, o Natal de Jesus gera compromisso. A Novidade anunciada precisa ser multiplicada: "Todos os que ouviram os pastores ficavam admirados com aquilo que contavam". Admirados, e diante do Mistério, o homem se cala, silencia: "Maria, porém, guardava todas estas coisas, meditando-as no seu coração." Maria, mais do qualquer outro ser humano, fora tabernáculo do Verbo, que nesta noite se faz carne e habita entre nós.

E, por tudo, Deus há de ser louvado e glorificado na vida diária, motivando a tanto a mensagem do Papa Bento XVI: "O Menino, a quem, há dois mil anos, os pastores adoraram em uma gruta na noite de Belém, não se cansa de visitar-nos na vida cotidiana, enquanto como peregrinos nos encaminhamos para o Reino".


Feliz e Santo Natal!


Fonte da primeira imagem:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/especial/1753_caravaggio/page5.shtml

Fonte da segunda imagem:
http://www.franciscanos.org.br/carisma/cartilha/07.php

domingo, 23 de dezembro de 2007

A Igreja perde expressiva liderança


Morreu hoje, dia 23/12 (domingo), às 5h20, no Hospital São Francisco (Porto Alegre), o cardeal Dom Aloísio Lorscheider, aos 83 anos de idade, por falência de múltiplos órgãos.

O corpo está sendo velado na Catedral de Porto Alegre. O sepultamento será no dia 27/12 (quinta-feira), às 17h00, no Convento de Daltro (município de Imigrante), que fica a 130 km da cidade de Porto Alegre.

O Cardeal estava internado, pela quarta vez neste ano, desde o dia 28/11, e seu estado de saúde se agravara com o AVC (Acidente Vascular Cerebral) na manhã do dia 11/12 (terça-feira).

Léo Arlindo Lorscheider, que, para a vida religiosa, adotou o nome Aloísio (nome do pai), era gaúcho, nascido a 8 de outubro de 1924, no município de Estrela. Era franciscano e foi ordenado presbítero em 1948 e, bispo, em 1962. Participou das sessões do Concílio Vaticano II (1962-1965). O papa Paulo VI o elevou a cardeal em 1976.

Dom Aloísio Lorscheider foi Secretário-Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB e seu Presidente por dois mandatos, compreendendo os anos de 1971 a 1978 e foi presidente do Conselho Episcopal Latino-Americano - Celam, no periodo de 1976 a 1979.

Participou de dois conclaves para eleições papais. O primeiro deles quando foi eleito o cardeal Albino Luciani, com título de João Paulo I, e segundo, que elegeu o cardeal polonês Karol Wojtyla, com o título de João Paulo II. Ambos os conclaves foram no ano de 1978.

Homem de larga experiência pastoral, conquistou liderança inconteste entre os católicos.

Os leigos perdem uma grande voz. Ganham-na junto do Pai.

O cardeal Aloísio Lorscheider, que combateu com determinação em favor do povo brasileiro "o bom combate", pautou sua vida religiosa à luz do Evangelho, mas com certeza teve presente a advertência do seu pai: "Se vai ser padre, seja um bom padre! Do contrário, melhor que fique em casa." Pois bem, hoje Léo Arlindo Lorscheider, mais conhecido pelo nome adotado para a vida religiosa: Aloísio, que era do seu pai, está na Casa do Pai, a ele reservada porque foi "um bom padre".

Um lenço branco agitado pelo vento dos pampas. Uma lágrima. Uma saudade. Uma flor. Obrigado Dom Aloísio! Obrigado!


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Fonte da imagem: http://www.30giorni.it/br/articolo.asp?id=14290

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Cardeal Lorscheider - continua internado

O Cardeal Aloísio Lorscheider, 83 anos, internado desde do dia 28/11, continua na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital São Francisco, que é uma unidade especializada em cardiologia. O Hospital São Francisco pertence à Santa Casa de Misericórida de Porto de Alegre, RS.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB vem acompanhando e divulgando noticiário a respeito. Confira aqui.

O estado de sáude do Cardeal é delicado.


Leia também:

Cardeal Lorscheider - nova internação hospitalar


Fonte da imagem: http://www.arquidiocesedefortaleza.org.br

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Cardeal Lorscheider - nova internação hospitalar


O cardeal brasileiro Dom Aloísio Lorscheider foi novamente internado no Hospital São Francisco, em Porto Alegre, no dia 28 de novembro próximo passado.

Seu estado de saúde se agravou na terça-feira, dia 11/12.


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Fonte da imagem: http://www.30giorni.it/br/articolo.asp?id=14290

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Inácio de Antioquia: trigo de Deus - pão de Cristo

No dia 17 de outubro do ano 107 da era cristã, martirizado, morria o bispo Inácio de Antioquia, no Coliseu, em Roma.

Hoje, quarta-feira (17/10), a Igreja celebra a memória de Santo Inácio de Antioquia, bispo, mártir e Padre da Igreja. Já no século IV, em Antioquia, se celebrava a sua memória no dia 17 de outubro.

Inácio, também chamado Teóforo, nasceu por volta do ano 35.

Foi o segundo bispo na sucessão de São Pedro, no governo da Igreja em Antioquia, na Síria.

Foi condenado às feras. Conduzido à Roma, escreveu no curso da viagem sete cartas às várias Igrejas.

Na Carta aos Efésios, Inácio fala: "Quando soubestes que eu vinha da Síria, preso em cadeias pelo Nome e pela esperança que nos são comuns, na expectativa de chegar a Roma para combater contra as feras, graças às vossas orações, e ter a felicidade de me tornar discípulo, fostes vós que vos apressastes em vir ver-me." [1]

Na Carta aos Romanos: "Deixai-me ser pasto das feras, pelas quais poderei chegar à posse de Deus. Sou trigo de Deus e devo ser moído pelos dentes das feras para me transformar em pão imaculado de Cristo." [2]

Corria o ano 107 da era cristã. Já, em Roma, no tempo em que Trajano era imperador, Inácio recebe a gloriosa coroa do martírio.

Leia mais:



[1] Inácio de Antioquia, Epistulae, n. 1.-2, Antologia Litúrgica, Fátima, Secretariado Nacional de Liturgia, org. José de Leão Cordeiro, n. 213, p. 101.

[2] Inácio de Antioquia, Epistulae, n. 4.-1, Antologia Litúrgica, Fátima, Secretariado Nacional de Liturgia, org. José de Leão Cordeiro, n. 262, p. 108.


Imagem: "Martírio de Santo Inácio de Antioquia", de Johann Kreuzfelder (1570-1636)
Fonte:
http://www.pt.josemariaescriva.info/index.php?id_cat=1650&id_scat=1582

sábado, 13 de outubro de 2007

Santa de Teresa de Ávila: experiência mística

A Igreja celebra no dia 15/10 (segunda-feira) a memória de Santa Teresa de Ávila, que, por Paulo VI, foi declarada Doutora da Igreja em 27 de setembro de 1970.

Teresa de Cepeda Davila y Ahumada nasceu em Ávila, Castela, na Espanha, no dia 28 de março de 1515. Faleceu no dia 4 de outubro de 1582, em Alba de Tormes, Salamanca, cuja celebração, entretanto, se faz no dia 15 de outubro por causa de reforma do calendário da Igreja.

Foi uma reformadora da Ordem Carmelita, a qual pertencia, e contribuiu para a renovação da comunidade eclesial. Mística, deixou muitos escritos.

Os escritos de Santa Teresa de Ávila, também conhecida por Santa Teresa de Jesus, estão, em parte ou no todo, compendiados, no Brasil, em livros sob os títulos de "Escritos de Santa Teresa d'Ávila" e "Obras Completas de Teresa de Jesus", editados por Edições Loyola.


Fonte da imagem: www.carmelitasmensageiras.com.br/artigos_detalhes.asp?codFin=13&codConteudo=64

O delírio de Dawkins: uma resposta

A resposta refutando os fundamentos da teoria ateísta de Richard Dawkins vem do casal Alister Macgrath e Joanna Collicutt Macgrath. Ele é professor de teologia histórica na Universidade de Oxford (Inglaterra) e pesquisador sênior do Harris Manchester College, com doutorados em biofísica molecular e em teologia. Ela, professora de psicologia da religião no Heythrop College na Universidade de Londres.


O livro, traduzido para o português por Sueli Saraiva, leva o título "O delírio de Dawkins", com o subtítulo: "Uma resposta ao fundamentalismo ateísta de Richard Dawkins", publicado aqui, no Brasil, pela Editora Mundo Cristão.

São duas posições sobre a religião, traduzidas em livro, agora disponíveis para leitura. Richard Dawkins, com o seu livro "Deus, um Delírio", e o casal Alister Macgrath e Joanna Collicutt Macgrath, com o livro "O delírio de Dawkins".

Leia também:



Fonte da imagem: www.mundocristao.com.br

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Liturgia em Mutirão

A Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia, órgão da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB, disponibilizou semanalmente, entre os anos de 2004 e 2006, artigos, em linguagem simples e prática, sobre liturgia.

Agora, todo esse material, que esteve disponibilizado no site da CNBB, foi reunido em um livro, intitulado Liturgia em Mutirão - Subsídios para a Formação. Editado pela CNBB, 1ª edição, 2007, com apresentação de Dom Manoel João Francisco, Bispo de Chapecó-SC, então Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia.

Como o próprio subtítulo sugere, o livro destina-se à formação litúrgica. Útil não só para as pessoas engajadas na liturgia, mas também para todos, posto que a formação litúrgica dirige-se a todo o povo de Deus.


Fonte da imagem:
http://www.irmamiria.com.br/pagina.php?id=695&tipo=0