segunda-feira, 26 de agosto de 2013

É realmente legítimo receber a comunhão na mão?



Sobre a tradição e a legitimidade da comunhão na mão já tratei aqui. Mas, estou voltando ao tema considerando os esclarecimentos prestados pelo padre Edward McNamara, LC, professor de teologia e diretor espiritual, em artigo publicado pela Agência Zenit, em 21 de junho de 2013.

Na prática, a comunhão na mão, faz-se desta maneira: a mão esquerda deve ser colocada sobre a mão direita, de modo que a hóstia possa ser levada à boca com a mão direita.

Isso e muito mais você pode ler em É realmente legítimo receber a comunhão na mão?, clicando aqui.


Leia mais:

Você sabe comungar?


Fonte da imagem:
http://govvota.blogspot.com.br/2013/06/e-realmente-legitimo-receber-comunhao.html

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Obrigado, papa Francisco!



Sobre a viagem apostólica do papa Francisco ao Brasil, para participar da Jornada Mundial da Juventude (JMJ Rio 2013), muita coisa já foi dita e escrita.

Nestas alturas, resta-me partilhar disso tudo a respeito do papa que cativou o povo brasileiro, empolgou os jovens e trouxe esperança a tantos. Testemunhou a simplicidade e o que é ser pastor com "cheiro de ovelhas"

A meu ver, o artigo do cardeal Dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, diz, em resumo, tudo sobre a presença do papa Francisco nestes festivos dias da Jornada Mundial da Juventude realizada na cidade do Rio de Janeiro.

Obrigado, papa Francisco! É o que todos nós queremos dizer, de coração, ao papa.

Nesse sentido, o artigo expressa esse desejo de todos os brasileiros e recorda três pontos essenciais dos vários pronunciamentos do papa Francisco: jovens, pobres e Igreja.

Reproduzo o artigo que foi divulgado na página da Arquidiocese de São Paulo, na internet, no dia 31 de julho de 2013, quarta-feira:


"Obrigado, papa Francisco! 

Data: quarta-feira, 31 Julho 2013 


O papa Francisco deixou marcas profundas na sua passagem no Rio de Janeiro para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), de 22 a 28 passado. Muito se escreveu e ainda se escreverá sobre essa visita; cada um vê as coisas pelo seu lado. Seguindo a sua metodologia, vou resumir minhas impressões em três pontos: 

Os jovens. Foram eles o motivo de sua vinda ao Brasil, como peregrino, para a celebração da JMJ do Rio de Janeiro. Veio para encontrar, acarinhar e exortar como um pai os jovens do mundo inteiro; chegaram numerosos, de quase 200 países, mas a maioria era mesmo do Brasil. No final chegaram a 3 milhões, conforme cálculos da prefeitura do Rio. 

O Papa dirigiu-se a eles com uma linguagem direta e fácil, buscando e conseguindo a atenção deles de maneira extraordinária. E os jovens corresponderam com entusiasmo, enchendo as ruas do Rio e a orla de Copacabana de alegria e fé. Espetáculo bonito de se ver! Tantos jovens serenos e sedentos de Deus mostraram que a mensagem da Igreja continua, sim, a lhes interessar, e a Igreja tem algo importante para lhes dizer. 

Foram exortados pelo papa Francisco a serem protagonistas das mudanças sociais e construtores de um mundo melhor para todos; a não se contentarem em ser cristãos “de sacada”, mas a descerem para o meio das realidades, para se envolver e comprometer; a não perderem a esperança e a não deixarem que esta lhes seja roubada. E lhes garantiu: não tenham medo, Cristo não os deixa sós. A Igreja confia em vocês. O Papa confia em vocês! 

Os pobres. O papa Francisco foi ao encontro das situações de exclusão e sofrimento e teve atitudes e palavras de solidariedade e carinho para com os pobres e os que sofrem. Aliás, a palavra solidariedade, foi uma das palavras mais usadas pelo Papa nesses dias. As atenções aos doentes e excluídos do bem comum, a visita ao Hospital São Francisco e o encontro com a Comunidade da favela da Varginha foram marcantes. 

Homenageou o coração acolhedor e solidário dos brasileiros e a sua disposição para “colocar mais água no feijão”, para receber sempre mais alguém em casa... Chamou a atenção para a necessidade de mais solidariedade para resolver os problemas sociais no Brasil e no mundo. Alertou os jovens e a todos para não seguirem a mentalidade consumista e a não se “empanturrar” de coisas que não matam a fome existencial, mas a levar vida sóbria e atenta às necessidades do próximo. 

A Igreja. O Papa pediu uma Igreja atenta aos jovens, aos quais ela precisa encontrar para lhes comunicar a Boa Nova e a alegria da fé; Igreja que deve estar atenta aos jovens, ouvir e dialogar com eles, ajudá-los a se sentirem parte dela. Ao mesmo tempo, nos encontros com os bispos do Brasil e com os diversos responsáveis pelo departamentos do Conselho Episcopal Latino-Americano, na Missa celebrada com os bispos e padres na catedral do Rio, ele recomendou, com palavras claras e incisivas, que se volte para “as periferias”, as muitas periferias em que vive o homem de hoje. 

Insistiu o Papa na renovação missionária da Igreja, conforme orientação do Documento de Aparecida; que é preciso renovar a pastoral, com uma renovada atitude amorosa em relação às pessoas, mais que com métodos sofisticados e estruturas sempre mais pesadas e sufocantes. É necessário que a Igreja esteja próxima das pessoas. E pediu muito aos jovens que sejam missionários dos outros jovens. 

E o próprio papa Francisco deu belos exemplos sobre como a Igreja pode ser próxima das pessoas e missionária e como dirigir-se com franqueza, simplicidade e solicitude amorosa a todas as pessoas."


Fonte da primeira imagem:
http://noticias.portalbraganca.com.br/internacional/jmj-jornada-mundial-da-juventude-rio-2013-papa-francisco-rezou-com-cristaos-evangelicos-da-assembleia-de-deus-durante-visita-a-manguinhos.php

Fonte da segunda imagem:
http://www.arquidiocesedesaopaulo.org.br/obrigado-papa-francisco

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Brasil acolhe os jovens da Jornada Mundial da Juventude 2013



De braços abertos, o Cristo acolhe os jovens do mundo inteiro que acorrem à cidade do Rio de Janeiro para participar da Jornada Mundial da Juventude. Este grande evento religioso congrega jovens de todos os recantos do mundo.

A Jornada Mundial da Juventude - JMJ Rio 2013 - começará no dia 22, segunda-feira, e terminará no dia 28 de julho de 2013, domingo.

No curso da Jornada Mundial da Juventude, o Papa Francisco fará uma visita à Basílica do Santuário de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, onde, no dia 24 de julho, quarta-feira, celebrará a Santa Missa. Confira a programação em Aparecida, clicando aqui.

Toda programação já foi divulgada pela Santa Sé, e você poderá encontrá-la aqui.

Confira também a página da JMJ Rio 2013 acessando aqui.

Conheça os "Documentos Fundamentais", "Santo Padre aos jovens" e todas as jornadas anteriores (JMJ), clicando aqui.


Leia mais:

Campanha da Fraternidade-2013 e Jornada Mundial da Juventude-2013

Peregrinar: o verdadeiro espírito da Jornada, por Dom Orani Tempesta, Arcebispo do Rio de Janeiro


Fonte da imagem:
http://www.rio2013.com/pt/noticias/detalhes/202/logomarca-oficial-da-jmj-rio2013-conceito

sexta-feira, 28 de junho de 2013

A Igreja é família na qual amamos e somos amados



Com seu estilo de comunicar-se de forma direta e clara, o Papa Francisco continua proporcionando surpresas.

O Papa Francisco conceitua a Igreja, tomando como modelo algo bem próximo das pessoas e de significativa realidade na vida delas - a família -, como o fez na Audiência Geral de Quarta-Feira, 29 de maio de 2013.

O Papa afirma, pois: A Igreja é família na qual amamos e somos amados.

Verdadeiramente, a família é o ambiente onde se dá e se recebe amor, uns e outros se querem bem.

Merece reflexão, entre outras, estas palavras do Papa:

Ainda hoje alguns dizem: «Cristo sim, a Igreja não». Como aqueles que dizem: «Creio em Deus, mas não nos sacerdotes». Mas é precisamente a Igreja que nos traz Cristo e que nos leva a Deus; a Igreja é a grande família dos filhos de Deus. Sem dúvida, ela também tem aspectos humanos; naqueles que a compõem, Pastores e fiéis, existem defeitos, imperfeições e pecados; até o Papa os tem, e tem tantos, mas é bom saber que quando nos damos conta que somos pecadores, encontramos a misericórdia de Deus, que perdoa sempre. Não o esqueçais: Deus perdoa sempre e recebe-nos no seu amor de perdão e de misericórdia. Alguns dizem que o pecado é uma ofensa a Deus, mas é também uma oportunidade de humilhação, para nos darmos conta de que existe algo melhor: a misericórdia de Deus. Pensemos nisto.

Em português, leia o texto completo da Audiência, clicando aqui.


Leia mais:

É na família que tudo começa (ou termina?)


 Fonte da imagem:
 http://www.miliciadaimaculada.org.br/ver3/default.asp?pag_ID=51

terça-feira, 11 de junho de 2013

União Homossexual: A França e o Brasil


Centenas de milhares de pessoas em Paris contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo

União homossexual, ou união homoafetiva, é tema que, modernamente, tem estado na ordem do dia.

No Brasil, o Supremo Tribunal Federal - STF reconheceu a união homossexual, ou seja, a união entre pessoas do mesmo sexo como se fosse igual, para fins de direito, à união entre homem e mulher, desrespeitando a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. O STF deu, portanto, um mau exemplo ao país.

A Constituição da República Federativa do Brasil, promulgada a 5 de outubro de 1988, tem uma linguagem clara, explícita e direta a respeito, aliás em sintonia com a formação cultural judaico-cristã que permeia todo o tecido nacional:

"Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado.
(...)
§ 3º - Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento."

Homem e mulher são as claras e inequívocas expressões da norma constitucional. Não se fala em homem e homem ou mulher e mulher.

Quando a ideologia assume o lugar do Direito, temos essas aberrações jurídicas. Um poder da República se intrometendo indevidamente na seara de outro poder.

A França resolveu essa nova demanda social (aqui não entro no mérito), por intermédio do Parlamento, cujos membros devem representar seus eleitores. 

É esse conflito de soluções entre a do Brasil (indevidamente via Poder Judiciário) e a da França (via Poder Legislativo, ou Parlamento) que Fábio Henrique Prado de Toledo, especialista em Matrimônio e Educação Familiar pela Universitat Internacional de Catalunya - UIC e juiz de direito na Comarca de Campinas (SP), expõe em seu artigo intitulado União Homossexual: A França e o Brasil, publicado no Portal da Família, na internet, em 29 de janeiro de 2013.

Entretanto, fica desde já a observação do juiz Fábio de Toledo:

Por outro lado, contudo, no caso da “legalização” da União Homossexual pelo Supremo, observamos uma incrível passividade dos nossos Deputados e Senadores contra aquilo que, então sim, poderia ser considerada uma usurpação de competência exclusiva do Poder Legislativo.

Nesse sentido, penso que devemos buscar na França, novamente e séculos após o surgimento das ideias de Montesquieu, a essência do princípio da separação dos poderes. Aliás, quando o debate é travado no Parlamento, formado por representantes eleitos pelo povo, então faz sentido lotar as praças públicas em saudáveis manifestações. É provável que os cidadãos favoráveis à proposta de Hollande também façam o mesmo. E então se decidirá, no jogo natural e saudável da democracia, que rumo tomará o ordenamento de uma Nação.

É bem verdade que uma Lei, aprovada pela maioria no Parlamento, inclusive com o aval também da maior parte dos eleitores, pode ser contrária ao direito natural e que, portanto, não promova a dignidade humana. É um risco do qual a democracia não está imune. No entanto, nesse caso, será ao menos um equívoco consentido pela maioria de um povo, que a história saberá julgar a seu tempo. Mas ao menos não será uma usurpação de competência legislativa, cuja ilegitimidade é ofuscada pela autoridade da toga.

Portanto, para uma boa e saudável democracia, espera-se que o Brasil arrume sua casa, enfrentando a solução dessa demanda social via Poder Legislativo, atento sempre ao princípio do direito natural e à escuta das instâncias formadoras da sociedade.

Leia, na íntegra, o artigo do juiz Fábio Henrique Prado de Toledo, clicando aqui.


Leia mais:  

União estável homoafetiva em foco


Fonte da imagem:
http://www.portaldafamilia.org/artigos/artigo1014.shtml

terça-feira, 4 de junho de 2013

É na família que tudo começa (ou termina?)



Rotineiramente acesso a página da CNBB na internet para saber o que escrevem os Bispos da Igreja no Brasil, e sempre encontro bons artigos em sintonia com a realidade quotidiana e propondo algo edificante para a vida das pessoas.

Nesse sentido, mais um artigo de Dom Redovino Rizzardo, que tem o mérito de bem escrever e de fazê-lo numa linguagem simples e cativante, como É na família que tudo começa (ou termina?), publicado em 24 de maio de 2013, sexta-feira.

A família é fundamental na formação dos filhos. Ela é o começo de tudo, mas, quando deixa de ser formadora, pode, infelizmente, ser o fim de tudo. O artigo do Dom Redovino revela bem isso, no exemplo da oração de uma aluna:

«Senhor, transforma-me numa televisão! Quero ocupar o espaço dela. Ter um lugar especial para mim e reunir a família ao redor. Ser levada a sério quando falo. Quero ter a mesma atenção que ela recebe quando não funciona. Ter a companhia do meu pai quando chega em casa, apesar de cansado. Que minha mãe me procure quando estiver sozinha e aborrecida, em vez de me ignorar. Que meus irmãos “briguem” para poderem estar comigo. Quero sentir que a minha família deixa tudo de lado para passar alguns momentos comigo».

Leia isso e muito mais clicando aqui.


Leia mais:

O que é ser família?

"Família: instituição divina!"

27 conselhos para ver televisão em família


Fonte da imagem:
http://ocidadaorj.com.br/site/2012/11/12/televisao-em-familia/#axzz2UGt1moy5

sábado, 25 de maio de 2013

Como é Deus?



Explicar, ou melhor, entender Deus a partir de fatos ou imagens familiares do quotidiano, é o desafio do artigo do Dom Pedro José Conti, Bispo da Diocese de Macapá (Amapá), publicado na página da CNBB, na internet, em 22 de maio de 2012, quarta-feira.

Como é Deus? é o título do artigo, escrito numa linguagem simples e atraente, como se pode ler desta passagem:

Nada de mais humano que buscar o sentido das coisas grandes a partir da simplicidade da vida, aquela que, talvez, vivemos todos os dias sem dar atenção. Deus sempre será infinitamente maior do que nós, maior do que nossas ideias e nossas palavras; maior do que as nossas tentativas de explicação. No entanto dizer que Deus é Pai, Filho e Espírito Santo é mais do que proclamar um dos mistérios maiores e mais bonitos da nossa fé; é expressar com singeleza algo que deve envolver também as nossas vidas.

Leia o texto completo aqui.


Leia mais:

Deus é o "Tu" com quem dialogo


Fonte da imagem:
http://fe-e-missao.blogspot.com.br/2007_05_01_archive.html

terça-feira, 21 de maio de 2013

A banalização da missa



O padre jesuíta Johan Konings publicou na Revista DomTotal, edição de 11 de julho de 2012, o artigo intitulado "A banalização da missa", que, ante a sua atualidade, reproduzo abaixo.

De início, Johan Konings se reporta ao artigo (Misses do Holocausto) do jornalista João Pereira Coutinho, escritor português, sobre o concurso para eleger a "Miss Sobrevivente do Holocausto", realizado na cidade israelense de Haifa, que o deixava pasmo diante da vulgarização daquilo que, no seu entender, "não deveria ser vulgarizado".

João Pereira Coutinho vê, no caso do concurso das Misses, uma vulgarização do Holocausto. E Johan Konings vê a vulgarização, ou banalização da Missa, quando o Mistério que se celebra some, e desponta a missa show, "o programa de tevê ou o padre midiático". Vulgarização também quando há "transgressão das sábias regras litúrgicas" e outras coisas mais.

E eis o artigo do padre Johan Konings:


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"João Pereira Coutinho comentou na Folha de São Paulo 02/07/2012 a escolha de uma Miss Holocausto, observando: “As lágrimas de um actor que finge para as câmeras os horrores vividos em Auschwitz ou Treblinka são apenas isso: um fingimento [...] Por isso pasmo com um concurso recente, montado na cidade israelense de Haifa, para eleger a ‘Miss Sobrevivente do Holocausto’". A escolhida surge na foto da ‘consagração’ com faixa, buquê de flores e coroa de miss. 

Conhecendo sobreviventes dos campos de concentração felizes por mostrarem a matrícula queimada em sua carne, eu não seria tão severo como o colunista português da Folha. Mas, de algum modo, o fato me faz pensar na banalização da missa em certos ambientes da Igreja católica. Pode-se transformar em espetáculo a lembrança de Jesus de Nazaré que, consciente da cruelíssima execução que o esperava, reuniu seus seguidores para tomar a ceia pascal, ressignificando o pão e o vinho da mesa como seu corpo entregue em prol da humana multidão e como o sangue que sela a definitiva aliança do Deus-Amor? 

Não é aqui o lugar de deslindar toda a inesgotável significação do gesto supremo do profeta de Nazaré, a Última Ceia e o dom da vida na Cruz. Nem pretendo discutir as questões teológicas surgidas em torno da eucaristia na Idade Média, nem me pronunciar sobre regras canônicas em torno de eucaristia e comunhão. Quero tecer uma consideração ‘estética’, no sentido profundo deste termo que significa: percepção. Quero denunciar a banalização que resulta de exageros na celebração em geral e, de modo especial, na exposição midiática. 

Diante do indizível, cabe o silêncio, ou a ‘palavra recolhida’. Por ‘palavra recolhida’ entendo o falar que se recolhe diante daquilo que ele traz à memória, palavra que se torna pequena à medida que a própria realidade rememorada se torna presente. Assim como João Batista declarou quando chegou Jesus: “Convém que ele cresça, e eu diminua” (Ev. de João 3,30). A palavra ou o gesto comemorativo inicia a evocação –a ‘convocação’– do Mistério para logo ceder o lugar à realidade do Mistério. O rito deve se esfumar diante do Mistério. 

Todo rito verdadeiro desempenha uma profunda função simbólica, e se não aponta para uma realidade autenticamente vivida, é falso. Cantar o hino nacional enquanto só se pensa em explorar seus compatriotas é rito falso. Assim, os ritos ligados à Eucaristia, memorial da vida levada à consumação na morte e ressurreição de Cristo, devem fazer surgir essa realidade naqueles que participam do rito. E estes devem ‘dar seu coração’ a essa realidade. ‘Dar o coração’, na sua longínqua origem, no latim, é ‘cor dare’, daí, ‘credere’: crer, recordar. Sem essa entrega do coração, o rito é vazio e, muitas vezes, falso, quando presenciado com outras intenções... 

Daí a minha pergunta: as celebrações eucarísticas apresentadas como show, seja em algum megatemplo, seja num programa de tevê, ‘convocam’, chamam à presença o Mistério inefável do amor de Deus que se manifesta na doação da vida por Jesus de Nazaré? Fazem quem assiste penetrar nesse Mistério de vida ressurgida da morte por amor infinito? A celebração deve ser uma evocação, não um evento importante por si mesmo que tome o lugar daquilo que evoca. Deve ser um traço, um vestígio rememorado, não uma ‘performance’. O evento re-presentificado é o próprio Jesus –sua vida, morte e ressurreição–, não o programa de tevê ou o padre midiático. 

Na sobriedade da liturgia romana, as palavras da Última Ceia, evocadas na consagração, tornam presente Jesus mesmo em seu mistério de vida, morte e ressurreição. Para que então alguns padres, em patente transgressão das sábias regras litúrgicas, fazem logo depois da consagração, interrompendo a indivisível oração eucarística, uma nada discreta procissão ostentando o pão e o vinho “milagrosamente transformados”? Não é isso que denuncia a palavra do sábio: “Quando aponto o céu, olham para meu dedo em vez de contemplar as estrelas”? 

Aquilo para que não existem palavras tornou-se objeto de exibição sensacionalista, de ‘efeitos visuais’. De tanto alardear o mistério, o mistério sumiu... Fugiu? 

Claro, em toda estética há diversos estilos que podem ser apreciados com muito gosto, mas há também os intragáveis. Estamos, aqui em Minas (e na América Latina), acostumados ao estilo barroco. Decerto, o barroco é teatral, ainda que o de Minas conserve bastante da simplicidade medieval-portuguesa. Porém, não é esta ‘abundância inocente’ que eu critico, mas o esquecimento do Mistério, sufocado por formas vazias, sensacionalistas, sentimentalistas, comerciais até, que invadem nossos templos e programações religiosas. E isso – pelo que aparece no recente censo da religião no Brasil – com pouco sucesso em termos de propagação da fé! Não estaria na hora de voltar ao essencial?"


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Leia mais:

Missa não é opereta - Padre Zezinho


Fonte da imagem:
http://programareligare.blogspot.com.br/2010_09_01_archive.html

Fonte do texto reproduzido:
http://www.domtotal.com/colunas/detalhes.php?artId=2903

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Como se rouba em 2013



Como prometera, Dom Redovino Rizzardo, Bispo da Diocese de Dourados (Mato Grosso do Sul), dá continuidade ao seu artigo anterior e aqui comentado (Como se furtava em 1655), agora focando-o na situação presente.

A estória é interessante. O próprio larápio, pivô da estória, fica assustado com tanta violência, com a malandragem, a falta de respeito e de tranquilidade (A gente não pode levar a vida tranquilamente)

A estória revela a cadeia, ou melhor, a rede em que os furtos se desenvolvem: um furtando o outro. E a lei do mais vivo, do mais esperto. O larápio se revolta contra o furto a ele mesmo aplicado por outro larápio, privando-o do gozo imediato da coisa furtada ou roubada (um carro novinho).

Para Bagulhinho, personagem da estória, o fruto do furto ou do roubo justifica seu direito de ser proprietário, como se deduz desta parte do diálogo:

Bagulhinho: «Como não era meu, doutor? O dinheiro era meu, sim! O dinheiro era meu, pô! Eu o roubei, é meu, fruto da minha falta de emprego».

A atividade de Bagulhinho era furtar ou roubar, e o fazia suando a camisa ou não. Era o planejamento que podia falhar, posto que acabou sendo furtado por outro.

Furtar ou roubar fora elevado por Bagulhinho à categoria de profissão. Se dele fosse furtado o que antes ele próprio já furtara ou roubara de outrem, ia imediatamente buscar seus direitos, consciente de que o exercício da sua profissão o autorizava a isso.

Dom Redovino Rizzardo, conclui seu artigo com as palavras de Ruy Barbosa (1849-1923):

Quem sentiu tudo isso na pele foi Rui Barbosa (1849/1923). Por quatro vezes candidato à presidência da República – mas sempre derrotado por ser mais honesto do que rico – desabafou no final de sua vida: «De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver se agigantarem os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto!»


Ao moderno crime sofisticado envolvendo pessoas de confiança e de conceito pertencentes à camada da alta sociedade ou dos escalões do Estado, aparentemente realizado sem violência física, denomina-se crime do colarinho branco, cuja definição coube ao sociólogo norte-americano Edwin Hardin Sutherland (1883-1950).

Leia, na íntegra, o artigo "Como se rouba em 2013", clicando aqui.


Fonte da primeira imagem:
http://bananasrepublic.blogspot.com.br/2011/11/supostos-crimes-do-colarinho-branco-no.html

Fonte da segunda imagem:
http://www.pimenta.blog.br/tag/crimes-do-colarinho-branco/

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Reinício do Tempo Comum do Ano C - Lucas (2012-2013) - 2ª fase



O Tempo Comum do Ano C - Lucas (2012-2013) reinicia-se no dia 20 de maio de 2013, segunda-feira. É a chamada segunda fase do Tempo Comum e que se encerra no dia 30 de novembro de 2013, sábado, com a festa de Santo André Apóstolo.

Esta segunda fase do Tempo Comum-TC pode ser acompanhada pelo Diretório da Liturgia-2013, às páginas 105 a 188.

A cor litúrgica é verde. Como esta fase do TC é longa, ocorrem várias celebrações que requerem cor litúrgica branca ou vermelha ou roxa.

Dou alguns exemplos:

No dia 26 de maio, domingo, é a solenidade da Santíssima Trindade, e a cor litúrgica é branca. No dia 30 de maio, quinta-feira, é a solenidade do Corpo e Sangue de Cristo (Corpus Christi), e a cor litúrgica é branca. Dia 31 de maio, sexta-feira, é a festa da Visitação de Nossa Senhora, e a cor litúrgica é branca.

No dia 1º de junho, é a memória de São Justino, mártir, e a cor litúrgica é vermelha. No dia 7 de junho, sexta-feira, solenidade do Sagrado Coração de Jesus, e a cor litúrgica é branca. Dia 8 de junho, sábado, memória do Imaculado Coração de Maria, e a cor litúrgica é branca. No dia 24 de junho, segunda-feira, solenidade da Natividade de São João Batista, e a cor litúrgica é branca. No dia 30 de junho, solenidade de São Pedro e São Paulo apostólos (Dia do Papa), e a cor litúrgica é vermelha (onde esta solenidade for celebrada no dia 29, celebra-se no dia 30 o 13º Domingo do TC, cor verde, conforme o que está na página 124 do Diretório da Liturgia).

No dia 16 de julho, terça-feira, é a festa de Nossa Senhora do Carmo, e a cor litúrgica é branca.

No dia 6 de agosto, terça-feira, é a festa da Transfiguração do Senhor, e a cor litúrgica é branca. No dia 18 de agosto, domingo, solenidade da Assunção de Nossa Senhora, e a cor litúrgica é branca. Dia 23 de agosto, sexta-feira, festa de Santa Rosa de Lima, Padroeira da América Latina, e a cor litúrgica é branca.

Dia 14 de setembro, sábado, festa da Exaltação da Santa Cruz, e a cor litúrgica é vermelha.

Dia 12 de outubro, sábado, solenidade de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Padroeira do Brasil, e a cor litúrgica é branca.

Dia 2 de novembro, sábado, é a Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos, e a cor litúrgica é roxa. Dia 3 de novembro, domingo, é a solenidade de Todos os Santos, e a cor litúrgica é branca. Dia 24 de novembro, 34º Domingo do TC, é a solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo, e a cor litúrgica é branca. Dia 30 de novembro de 2013, sábado, é a festa de  Santo André Apóstolo, e a cor litúrgica é vermelha.

A solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo é sempre celebrada no último Domingo do Tempo Comum. É o último Domingo do TC, mas não o último dia do TC. O último dia do TC cai em 30 de novembro de 2013, sábado, quando, em verdade, se encerra o TC - 2ª fase.

A leitura deste texto não dispensa, como se disse acima, a consulta ao Diretório da Liturgia-2013, no que concerne às celebrações da Igreja no Brasil.


Leia mais:


Fonte da imagem:
http://jmvalferrarede.blogspot.com.br/2008_09_01_archive.html

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Padre viola votos de fidelidade à Igreja - declaração de excomunhão latae sententiae



As atenções dos meios de comunicação se voltam para a Diocese de Bauru (Estado de São Paulo), tendo em conta a declaração da excomunhão do padre Roberto Franciso Daniel, também conhecido por padre Beto.

Com picante dose de sensacionalismo, a mídia vale-se desse evento para alardear certa rivalidade entre a Igreja e os homossexuais, como é possível ler nas manchetes dos principais jornais.

Ao contrário do alardeado por boa parte da imprensa, o padre Roberto Francisco Daniel não foi excomungado porque defendeu gays ou homossexuais, mas sim porque violou (e já vinha violando) os votos de fidelidade à Igreja, espontânea e solenemente assumidos por ocasião da sua ordenação presbiteral (sacerdotal). E, ademais, a Igreja local lhe deu oportunidade de retratação.

A sanção em que incorreu o padre Roberto Francisco foi a excomunhão latae sententiae, isto é, aquela excomunhão em que o infrator chama a si a sua aplicação, ou melhor, sua declaração oficial, praticando ato ou atos que previamente sabe que dão, por si próprios, causa à tal excomunhão. No caso, a autoridade eclesiástica não condena em excomunhão, mas apenas declara a excomunhão latae sententiae, posto que nela incorreu o padre pelo simples fato de praticar atos contrários a seus compromissos sacerdotais, como estabelece o cânone 1.314 do Código de Direito Canônico. Veja a declaração de excomunhão aqui.

Como o padre Roberto Francisco foi declarado excomungado, a ele é proibido praticar os atos previstos no cânone 1.331 do Código de Direito Canônico, entre eles, celebrar a Eucaristia (Missa) e os outros sacramentos (Batismo e Reconciliação, por exemplo).

A excomunhão é a antítese da comunhão. É estar fora da comunhão, da unidade, com a comunidade religiosa, ou melhor, com a Igreja. É a quebra do elo dessa unidade pelo excomungado.

A situação do padre Roberto Francisco encaminha-se, agora, para a demissão do estado clerical (cânone 1.336, § 1º, n. 5, do Código de Direito Canônico), que é a mais grave pena que atinge o clérigo (padre). Ele volta ao estado laical - um cristão laico. 

Sobre as proibições e encaminhamento do processo ao Vaticano para a apreciação da demissão do estado clerical, veja-se o que o diz o Comunicado da Diocese de Bauru:

"Uma das obrigações do Bispo Diocesano é defender a Fé, a Doutrina e a Disciplina da Igreja e, por isso, comunicamos que o padre Roberto Francisco Daniel não pode mais celebrar nenhum ato de culto divino (sacramentos e sacramentais, nem mais receber a Santíssima Eucaristia), pois está excomungado. A partir dessa decisão, o Juiz Instrutor iniciará os procedimentos para a “demissão do estado clerical, que será enviado no final para Roma, de onde deverá vir o Decreto."

E a excomunhão deita raízes bíblicas, como se pode ler deste trecho do padre Pedro María Reyes Vizcaíno:

"No mais, não seria legítimo afirmar que a excomunhão não é uma instituição evangélica: o Senhor, em Mateus 18,17, estabelece a possibilidade de a Igreja expulsar do seu seio aqueles que cometem pecados especialmente graves. Os primeiros cristãos já a praticavam: São Pedro, em Atos 8,21, expulsou Simão Mago da Igreja, por este pretender comprar o poder de administrar o sacramento da confirmação (cometeu o delito de “simonia”, que recebe este nome em razão daquele episódio); São Paulo, em 1Coríntios 5,4-5, também expulsou da Igreja um delinquente incestuoso (nessa ocasião, o texto de sua Carta deixa claro que a finalidade da pena é medicinal: a fim de que o espírito seja salvo no Dia do Senhor; sem rodeios, São Paulo exige que os coríntios apliquem-lhe a pena: “Afastai dentre vós esse malvado!” (1Coríntios 5,13)."

A Igreja tem as portas abertas para a reconciliação.


Leia mais:


A pena de excomunhão no Direito Canônico (original em espanhol: La pena de excomunión en el derecho canónico, por Pedro María Reyes Vizcaíno)


Fonte da imagem:
http://www.periodistadigital.com/religion/america/2013/04/30/la-iglesia-brasilena-excomulga-al-sacerdote-que-defiende-los-derechos-de-los-homosexuales-religion-padre-beto-herejia-cisma.shtml

sábado, 27 de abril de 2013

Como se furtava em 1655



Talvez nada ou pouco mudou desde a época do Padre Antônio Vieira (1608-1697) até os nossos dias sobre o ato de apoderar-se indevidamente de coisa alheia - furtar.

Da prática de furtar dos tempos de antanho, Dom Redovino Rizzardo, Bispo da Diocese de Dourados (Mato Grosso do Sul), traz à tona, para confrontar com a dos tempos atuais, trechos do Sermão do Bom Ladrão pregado pelo padre jesuíta Antônio Vieira em 1655, na Igreja da Misericórdia, em Lisboa (Portugal), válidos e atuais não só pela riqueza ética mas também pela beleza literária.

Sob o título "Como se furtava em 1655", o artigo de Dom Redovino foi publicado na página da CNBB, na internet, em 22 de abril de 201, segunda-feira, cujo texto pode ser lido aqui.


Fonte da imagem:
http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=30&did=95782

segunda-feira, 8 de abril de 2013

A retomada das Catequeses do Ano da Fé pelo Papa Francisco



As Catequeses do Ano da Fé, iniciadas por Bento XVI, tiveram prosseguimento pelo Papa Francisco, a partir da Audiência Geral da Quarta-Feira, dia 3 de abril de 2013.

Reproduzo a Catequese proferida pelo Papa Francisco no dia 3 de abril, seguida das saudações aos peregrinos de língua portuguesa.

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"Prezados irmãos e irmãs
Bom dia!

Hoje retomamos as Catequeses do Ano da fé. No Credo nós repetimos esta expressão: «Ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras». É precisamente o acontecimento que estamos a celebrar: a Ressurreição de Jesus, centro da mensagem cristã, que ressoou desde os primórdios e foi transmitido para que chegue até nós. São Paulo escreve aos cristãos de Corinto: «Transmiti-vos primeiramente o que eu mesmo tinha recebido: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras; foi sepultado e ressuscitou no terceiro dia, segundo as Escrituras; depois, apareceu a Cefas e em seguida aos Doze» (1 Cor 15, 3-5). Esta breve confissão de fé anuncia precisamente o Mistério pascal, com as primeiras aparições do Ressuscitado a Pedro e aos Doze: a Morte e a Ressurreição de Jesus são exactamente o coração da nossa esperança. Sem esta fé na morte e na ressurreição de Jesus, a nossa esperança será frágil, mas não será sequer esperança, e precisamente a morte e a ressurreição de Jesus são o coração da nossa esperança. O Apóstolo afirma: «Se Cristo não ressuscitou, a vossa fé é inútil, e ainda viveis nos vossos pecados» (v. 17). Infelizmente, muitas vezes procurou-se obscurecer a fé na Ressurreição de Jesus, e também entre os próprios crentes se insinuaram dúvidas. Um pouco daquela fé «diluída», como dizemos; não é a fé forte. E isto por superficialidade, às vezes por indiferença, preocupados com muitas coisas que se consideram mais importantes que a fé, ou então devido a uma visão apenas horizontal da vida. Mas é precisamente a Ressurreição que nos abre à maior esperança, porque abre a nossa vida e a vida do mundo para o futuro eterno de Deus, para a felicidade plena, para a certeza de que o mal, o pecado e a morte podem ser derrotados. E isto leva a viver com maior confiança as realidades diárias, a enfrentá-las com coragem e compromisso. A Ressurreição de Cristo ilumina com uma luz nova estas realidades quotidianas. A Ressurreição de Cristo é a nossa força! 

Mas como nos foi transmitida a verdade de fé da Ressurreição de Cristo? Há dois tipos de testemunhos no Novo Testamento: alguns têm a forma de profissão de fé, isto é, de fórmulas sintéticas que indicam o âmago da fé; outros, ao contrário, têm a forma de narração do acontecimento da Ressurreição e dos a eventos a ela ligados. O primeiro: a forma da profissão de fé, por exemplo, é aquele que há pouco ouvimos, ou seja, o da Carta aos Romanos, em que são Paulo escreve: «Se com a tua boca professares: “Jesus é o Senhor!”, e no teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo!» (10, 9). Desde os primeiros passos da Igreja, é bem sólida e clara a fé no Mistério de Morte e Ressurreição de Jesus. Hoje, porém, gostaria de meditar sobre o segundo, sobre os testemunhos na forma de narração, que encontramos nos Evangelhos. Antes de tudo, observemos que as primeiras testemunhas deste acontecimento foram as mulheres. De madrugada, elas vão ao sepulcro para ungir o corpo de Jesus e encontram o primeiro sinal: o túmulo vazio (cf. Mc 16, 1). Depois, segue-se o encontro com um Mensageiro de Deus que anuncia: Jesus de Nazaré, o Crucificado, não está aqui, ressuscitou (cf. vv. 5-6). As mulheres são impelidas pelo amor e sabem acolher este anúncio com fé: acreditam e imediatamente transmitem-no; não o conservam para si mesmas, mas transmitem-no. A alegria de saber que Jesus está vivo, a esperança que enche o coração, não podem ser contidas. Isto deveria verificar-se também na nossa vida. Sintamos a alegria de ser cristãos! Acreditemos num Ressuscitado que venceu o mal e a morte! Tenhamos a coragem de «sair» para levar esta alegria e esta luz a todos os lugares da nossa vida! A Ressurreição de Cristo é a nossa maior certeza; é o tesouro mais precioso! Como não compartilhar com os outros este tesouro, esta certeza? Não é somente para nós, devemos transmiti-la, comunicá-la aos outros, compartilhá-la com o próximo. Consiste precisamente nisto o nosso testemunho. 

Outro elemento. Nas profissões de fé do Novo Testamento, como testemunhas da Ressurreição, são recordados apenas homens, os Apóstolos, mas não as mulheres. Isto porque, segundo a Lei judaica daquela época, as mulheres e as crianças não podiam dar um testemunho confiável, credível. Nos Evangelhos, ao contrário, as mulheres desempenham um papel primário, fundamental. Aqui podemos entrever um elemento a favor da historicidade da Ressurreição: se fosse um episódio inventado, no contexto daquele tempo não estaria vinculado ao testemunho das mulheres. Os evangelistas, ao contrário, narram simplesmente o que aconteceu: as primeiras testemunhas são as mulheres. Isto diz que Deus não escolhe segundo os critérios humanos: as primeiras testemunhas do nascimento de Jesus são os pastores, pessoas simples e humildes; as primeiras testemunhas da Ressurreição são as mulheres. E isto é bonito. Esta é um pouco a missão das mulheres: mães e mulheres! Dar testemunho aos filhos e aos pequenos netos, de que Jesus está vivo, é o Vivente, ressuscitou. Mães e mulheres, ide em frente com este testemunho! Para Deus o que conta é o coração, quanto estamos abertos a Ele, se somos filhos que confiam. Mas isto leva-nos a meditar inclusive sobre o modo como as mulheres, na Igreja e no caminho de fé, tiveram e ainda hoje desempenham um papel especial na abertura das portas ao Senhor, no seu seguimento e na comunicação do seu Rosto, pois o olhar de fé tem sempre necessidade do olhar simples e profundo do amor. Os apóstolos e os discípulos têm dificuldade de acreditar. As mulheres não. Pedro corre até ao sepulcro, mas detém-se diante do túmulo vazio; Tomás deve tocar com as suas mãos as chagas do corpo de Jesus. Também no nosso caminho de fé é importante saber e sentir que Deus nos ama, não ter medo de o amar: a fé professa-se com a boca e com o coração, com a palavra e com o amor. 

Depois das aparições às mulheres, seguem-se outras mais: Jesus torna-se presente de modo novo: é o Crucificado, mas o seu corpo é glorioso; não voltou para a vida terrena, mas sim para uma nova condição. No início não o reconhecem, e os seus olhos só se abrem através das suas palavras e dos seus gestos: o encontro com o Ressuscitado transforma, dá uma nova força à fé, um fundamento inabalável. Também para nós existem muitos sinais em que o Ressuscitado se faz reconhecer: a Sagrada Escritura, a Eucaristia, os outros Sacramentos, a caridade, os gestos de amor que trazem um raio de luz do Ressuscitado. Deixemo-nos iluminar pela Ressurreição de Cristo, deixemo-nos transformar pela sua força, para que também através de nós, no mundo, os sinais de morte deixem o lugar aos sinais de vida. Vejo que há muitos jovens na praça. Ei-los! Digo-vos: levai em frente esta certeza: o Senhor está vivo e caminha ao nosso lado na vida. Esta é a vossa missão! Levai em frente esta esperança. Permanecei alicerçados nesta esperança, nesta âncora que está no céu; segurai com força a corda, permanecei ancorados e levai em frente a esperança. Vós, testemunhas de Jesus, deveis levar em frente o testemunho de que Jesus está vivo, e isto dar-nos-á esperança, dará esperança a este mundo um pouco envelhecido devido às guerras, ao mal e ao pecado. Em frente, jovens! 


Saudações

Caríssimos peregrinos de língua portuguesa, em particular ao grupo de brasileiros vindo do Paraná: alegrai-vos e exultai, porque o Senhor Jesus ressuscitou! Deixai-vos iluminar e transformar pela força da Ressurreição de Cristo, a fim de que as vossas existências se tornem um testemunho da vida que é mais forte que o pecado e a morte. Boa Páscoa a todos!

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Fonte da Catequese reproduzida:
http://www.vatican.va/holy_father/francesco/audiences/2013/documents/papa-francesco_20130403_udienza-generale_po.html

Fonte da imagem:
http://brazil.frrole.com/o/dois-homens-de-deus---bento-xvi-e-papa-f-peanisioscj-rio-de-janeiro

quinta-feira, 28 de março de 2013

Frei Clodovis Boff defende a posição de Bento XVI sobre a Teologia da Libertação



A Teologia da Libertação volta à tona em entrevista concedida por Frei Clodovis Boff ao Jornal Folha de São Paulo, publicada no dia 11 de março de 2013, segunda-feira, em que o religioso defende a posição de Bento XVI.
 
O compromisso com os pobres é projeto essencial da Teologia da Libertação, mas tal comprometimento é consequência da fé em Cristo.

O núcleo é a vida de fé em Cristo e seu Evangelho, que gera esse e tantos mais comprometimentos. 

O reparo feito pelo então Cardeal Joseph Ratzinger (depois Papa Bento XVI), Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, livrou a Teologia da Libertação da conversão em simples ideologia, expurgando dela o método de análise marxista da realidade como meio para captação de material apto para sustentar a teologia. 
 
Para melhor inteireza, sugiro a leitura da "Instrução sobre alguns aspectos da "Teologia da Libertação"", de 6 de agosto de 1984, da Congregação para a Doutrina da Fé, onde, entre outras passagens, diz:

"Mas as « teologias da libertação », que têm o mérito de haver revalorizado os grandes textos dos profetas e do Evangelho acerca da defesa dos pobres, passam a fazer um amálgama pernicioso entre o pobre da Escritura e o proletariado de Marx. Perverte-se deste modo o sentido cristão do pobre e o combate pelos direitos dos pobres transforma-se em combate de classes na perspectiva ideológica da luta de classes. A Igreja dos pobres significa então Igreja classista, que tomou consciência das necessidades da luta revolucionária como etapa para a libertação e que celebra esta libertação na sua liturgia" (IX, n. 10).

A entrevista concedida por Frei Clodovis Boff à Folha de São Paulo pode ser lida aqui ou aqui.


Leia mais:


Fonte da imagem:
http://www.favic.com.br/fotos/view_photo.php?set_albumName=Simposio-de-Filosofia-2008&id=DSC01258

terça-feira, 26 de março de 2013

Início do Tempo Pascal do Ano C - Lucas (2012-2013)



Chama-se Tempo Pascal o período de cinquenta dias que vai desde o Domingo da Ressurreição do Senhor (31 de março de 2013) até o Domingo de Pentecostes (19 de maio de 2013). E serão celebrados com alegria e exultação, como se fossem um só dia de festa, ou melhor, na expressão de Santo Atanásio, "como um grande domingo" (cfr. n. 22 das Normas Universais sobre o Ano Litúrgico e o Calendário).

A cor litúrgica desse Tempo é branca. Entretanto, a cor litúrgica do Domingo de Pentecostes é vermelha.

Para a festa de São Marcos Evangelista (dia 25 de abril), de São Felipe e São Tiago Menor Apóstolos (dia 3 de maio) e de São Matias Apóstolo (dia 14 de maio de 2013), a cor litúrgica é vermelha.

Para acompanhar a liturgia desse Tempo Pascal, recomendo a consulta ao Diretório da Liturgia - 2013, nas páginas 84 a 105


Leia mais:



Fonte da imagem:
http://www.usf.edu.br/News97content11225.shtml

sexta-feira, 22 de março de 2013

O Papa Francisco, chamado a restaurar a Igreja



O momento é para o Papa Francisco. O noticiário volta-se para ele.

E, agora, a notícia vem do sobejamente conhecido teólogo e não menos polêmico Leonardo Boff, autor de São Francisco de Assis: ternura e vigor, publicado pela Editora Vozes.

Leonardo Boff escreveu um artigo muito positivo sobre o Papa Francisco, datado de 14 de março de 2013, publicado em sua página na internet.

Convém lê-lo:


"O Papa Francisco, chamado a restaurar a Igreja


Nas redes sociais havia anunciado que o futuro Papa iria se chamar Francisco. E não me enganei. Por que Francisco? Porque São Francisco começou sua conversão ao ouvir o Crucifixo da capelinha de São Damião lhe dizer: "Francisco, vai e restaura a minha casa; olhe que ela está em ruínas"(S.Boaventura, Legenda Maior II,1). 

Francisco tomou ao pé da letra estas palavras e reconstruíu a igrejinha da Porciúncula que existe ainda em Assis dentro de uma imensa catedral. Depois entendeu que se tratava de algo espiritual: restaurar a "Igreja que Cristo resgatara com seu sangue" (op.cit). Foi então que começou seu movimento de renovação da Igreja que era presidida pelo Papa mais poderoso da história, Inocêncio III. Começou morando com os hansenianos e de braço com um deles ia pelos caminhos pregando o evangelho em língua popular e não em latim. 

É bom que se saiba que Francisco nunca foi padre mas apenas leigo. Só no final da vida, quando os Papas proibiram que os leigos pregassem, aceitou ser diácono à condição de não receber nenhuma remuneração pelo cargo. 

Por que o Card. Jorge Mario Bergoglio escolheu o nome de Francisco? A meu ver foi exatamente porque se deu conta de que a Igreja, está em ruínas pela desmoralização dos vários escândalos que atingiram o que ela tinha de mais precioso: a moralidade e a credibilidade. 

Francisco não é um nome. É um projeto de Igreja, pobre, simples, evangélica e destituída de todo o poder. É uma Igreja que anda pelos caminhos, junto com os últimos; que cria as primeiras comunidades de irmãos que rezam o breviário debaixo de árvores junto com os passarinhos. É uma Igreja ecológica que chama a todos os seres com a doce palavra de "irmãos e irmãs". Francisco se mostrou obediente à Igreja dos Papas e, ao mesmo tempo, seguiu seu próprio caminho com o evangelho da pobreza na mão. Escreveu o então teólogo Joseph Ratzinger: "O não de Francisco àquele tipo de Igreja não poderia ser mais radical, é o que chamaríamos de protesto profético" (em Zeit Jesu, Herder 1970, 269). Ele não fala, simplesmente inaugura o novo. 

Creio que o Papa Francisco tem em mente uma Igreja assim, fora dos palácios e dos símbolos do poder. Mostrou-o ao aparecer em público. Normalmente os Papas e Ratzinger principalmente punham sobre os ombros a mozeta aquela capinha, cheia de brocados e ouro que só os imperadores podiam usar. O Papa Francisco veio simplesmente vestido de branco e com a cruz de bispo. Três pontos são de ressaltar em sua fala e são de grande significação simbólica. 

O primeiro: disse que quer "presidir na caridade". Isso desde a Reforma e nos melhores teólogos do ecumenismo era cobrado. O Papa não deve presidir com como um monarca absoluto, revestido de poder sagrado como o prevê o direito canônico. Segundo Jesus, deve presidir no amor e fortalecer a fé dos irmãos e irmãs. 

O segundo: deu centralidade ao Povo de Deus, tão realçada pelo Vaticano II e posta de lado pelos dois Papas anteriores em favor da Hierarquia. O Papa Francisco, humildemente, pede que o Povo de Deus reze por ele e o abençoe. Somente depois, ele abençoará o Povo de Deus. Isto significa: ele está aí para servir e não par ser servido. Pede que o ajudem a construir um caminho juntos. E clama por fraternidade para toda a humanidade onde os seres humanos não se reconhecem como irmãos e irmãs mas reféns dos mecanismos da economia. 

Por fim, evitou toda a espetacularização da figura do Papa. Não estendeu os braços para saudar o povo. Ficou parado, imóvel, sério e sóbrio, diria, quase assustado. Apenas se via a figura branca que olhava com carinho para a multidão. Mas irradiava paz e confiança. Usou de humor falando sem uma retórica oficialista. Como um pastor fala aos seus fiéis. 

Cabe por último ressaltar que é um Papa que vem do Grande Sul, onde estão os pobres da Terra e onde vivem 60% dos católicos. Com sua experiência de pastor, com uma nova visão das coisas, a partir de baixo, poderá reformar a Cúria, descentralizar a administração e conferir um rosto novo e crível à Igreja."


Fonte do artigo O Papa Francisco, chamado a restaurar a Igreja
http://leonardoboff.wordpress.com/2013/03/14/o-papa-francisco-chamado-a-restaurar-a-igreja/

Fonte da imagem:
http://leonardoboff.com/

terça-feira, 19 de março de 2013

Um Papa chamado Francisco!



O Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, que foi um dos participantes do último conclave (e até a imprensa deu-o como forte papável), publicou, em 18 de março de 2013, segunda-feira, na página da CNBB na internet, o artigo intitulado Um Papa chamado Francisco!. E também foi publicado hoje (dia 19, terça-feira), na página da Arquidiocese de São Paulo.

Cardeal que participou das congregações gerais que antecederam o conclave, onde se expõem as questões da Igreja e, assim, se traça o perfil do futuro Bispo de Roma que corresponda ao momento da vida eclesial e do mundo, Dom Odilo traz, em seu artigo, essa experiência do calor de quem vivenciou tudo isso e de quem já manteve os contatos iniciais com o Papa eleito - Francisco.

Afora alhures, por ser o anticlericalismo algo recorrente na América Latina, sobremodo por conta das ideologias adotadas por partidos nas suas políticas de governo (e contrárias à doutrina e ao magistério da Igreja), alguns deles até festejando a não eleição do próprio Cardeal Scherer para Papa, é importante aos católicos a leitura do artigo em tela. Ao contrário do que alguns pensam, o artigo demonstra a afinidade de pensamento entre o Papa Francisco e o Cardeal Arcebispo de São Paulo. Ambos são latino-americanos, ambos com experiência pastoral em grandes capitais (Buenos Aires e São Paulo).

"O Papa Francisco já entrou no coração do povo" - afirma Dom Odilo. E as demonstrações havidas no Vaticano e pelo mundo afora estão a confirmar essa frase. E, por aí, se vê a força atrativa que tem e terá o novo Papa junto ao povo. Isso, por certo, já incomoda e incomodará os guardiões das ideologias que contrastam com a doutrina cristã.

A Igreja, enquanto Povo de Deus, forma um todo com o clero. Onde está o Bispo, aí está a Igreja (cfr. Santo Inácio de Antioquia).

Leia, pois:

"Um papa chamado Francisco! 


por: Cardeal Odilo P. Scherer
Arcebispo de São Paulo


Quanta coisa eu gostaria de escrever neste breve artigo! Antes de tudo, louvor à Providência de Deus, que não deixa faltar Pastores à sua Igreja, que a conduzam conforme o coração de Cristo. Logo após a eleição do novo papa, ainda na Capela Sistina, os cardeais cantaram a plenos pulmões o hino de louvor à Santíssima Trindade – Te Deum laudamus! Muitos tinham lágrimas nos olhos.

A Igreja recebeu um novo Sucessor de Pedro para conduzi-la nos caminhos do Evangelho e para animar todos os seus membros no testemunho da salvação de Deus, manifestada a toda a humanidade por meio de Jesus Cristo. Participei pela primeira vez de um conclave e posso dizer que foi ocasião para uma experiência eclesial única e profunda! Pude perceber a sincera busca do melhor para a Igreja e sua missão. O Espírito Santo não dorme!

Antes de entrar no conclave, rezamos muito, tratamos com franqueza, respeito e profundo senso de responsabilidade as questões que precisavam ser tratadas em vista da escolha do novo Pontífice. O clima no Colégio Cardinalício era sereno e fraterno. A entrada em conclave, com o canto da ladainha de todos os Santos e da especial invocação do Espírito Criador – Veni Creator Spiritus – foi o início de um ato continuado de oração, que durou até à escolha do novo papa. Para tudo isso, não podia haver espaço mais apropriado que a Capela Sistina, com os esplêndidos afrescos de Miquelângelo, especialmente da grande cena do juízo universal.

Eleito o cardeal Jorge Mário Bergoglio, arcebispo de Buenos Aires, ele escolheu o nome de Francisco, em memória de São Francisco de Assis. Várias surpresas, deixaram desconcertados os “vaticanistas” mais experientes: um papa não-europeu, já nem tão jovem, um latino-americano da Argentina, o primeiro papa jesuíta, que toma o nome de Francisco ainda não usado por nenhum Pontífice anteriormente! Bem que Jesus disse: o Espírito Santo sopra onde quer e ninguém sabe de onde seu sopro vital vem, nem para onde vai... Precisamos todos estar atentos à sua ação, deixando-nos conduzir por Ele!

Certamente, Francisco é um nome muito indicativo das características que o novo Papa quer dar ao seu pontificado. São Francisco tinha sido um pecador, dado às vaidades do mundo; mas encontrou a misericórdia de Deus e se voltou inteiramente Ele: “meu Deus e meu tudo!” A partir de sua conversão, procurou viver o Evangelho em profundidade, cultivando a comunhão com Deus e desejando voltar-se sempre mais para Cristo, a ponto de ser chamado de “homem inteiramente cristificado”.

Não é esse mesmo o apelo que a Igreja recebe e faz a todos, desde há mais tempo?! Conversão para um renovado encontro com Deus, um discipulado verdadeiro, para a santidade de vida através da comunhão profunda com Deus, deixando-se abraçar e amar por Ele? Na sua primeira missa com o Colégio Cardinalício, no dia seguinte à sua eleição, o papa Francisco observou que, sem esta comunhão profunda com Deus e a identificação com Jesus Cristo “crucificado”, sem confessar o seu nome, a Igreja não passa de uma “ONG piedosa”... Na basílica de São Francisco, em Assisi, há uma bela escultura do Santo abraçado aos pés do Crucificado, que baixa a mão direita para abraçar Francisco.

Mas não é só isso: tendo conhecido a misericórdia e o amor infinito de Deus Pai, São Francisco passou a reconhecer em cada criatura um irmão e uma irmã; sobretudo nos homens e mulheres, buscando viver com todos a fraternidade universal, sem excluir ninguém. Coração livre, ele podia amar a todos de coração inteiro e puro. Amou sobretudo os doentes (o leproso!), os pobres, os pecadores, os supostos “inimigos”; conseguia dialogar com os “diferentes”, sem mais nenhum dos preconceitos que regulam, geralmente, as relações humanas. Que grande desafio para a Igreja e a humanidade inteira!

Outra dimensão nada secundária na escolha do Papa Francisco: Após sua conversão, o Santo de Assis ardia pelo desejo de falar a todos do amor misericordioso de Deus: “o Amor não é amado, o Amor não é amado! – saiu a gritar pelas ruas e as pessoas acharam que estivesse louco. Louco de amor a Deus! Havia compreendido a loucura de Jesus Cristo crucificado e que era preciso anunciar a todos essa bela notícia. Assim, São Francisco enviou seus frades como missionários em todas as direções. E essa dimensão missionária urge mais do que nunca em nossos dias.

Papa Francisco já entrou no coração do povo. Deus o ilumine e fortaleça! Deus abençoe toda a Igreja e a humanidade inteira através do seu ministério petrino, como servidor das ovelhas do Supremo Pastor! E São José, que festejamos no dia da inauguração solene de seu Pontificado, interceda paternalmente por Papa Francisco!"


Fonte do artigo Um Papa chamado Francisco!:
http://www.cnbb.org.br/site/articulistas/cardeal-eusebio-oscar-scheid-scj/11600-um-papa-chamado-francisco

Fonte da imagem:
http://www.cnbbsul1.org.br/em-entrevista-dom-odilo-fala-sobre-a-escolha-do-papa-francisco/

domingo, 17 de março de 2013

Francisco: o Bispo de Roma


Na primeira aparição por ocasião do anúncio habemus Papam (temos Papa), Francisco declarou ser o Bispo que o Conclave deu à Roma: "Vós sabeis que o dever do Conclave era dar um Bispo a Roma. [...] E agora iniciamos este caminho, Bispo e povo... este caminho da Igreja de Roma, que é aquela que preside a todas as Igrejas na caridade.

Das suas breves palavras de saudação, na noite romana de 13 de março de 2013, quarta-feira, faço rápidas pinceladas. A saudação de Francisco dá um toque de novidade.

Bispo e povo. Esta inafastável simbiose constitui a Igreja de Cristo, da Igreja que está em Roma, da Igreja que está na África, nas Américas, na Ásia, na Europa e na Oceania. Sempre a mesma Igreja.

A Igreja, como O Povo de Deus ora revitalizado por Francisco, é conceito muito caro ao Concílio Ecumênico Vaticano II (cfr Lumen Gentium, capítulo II). E isso fica mais claro nesta recíproca caridade - um orando pelo outro: Rezemos sempre uns pelos outros. [...] peço-vos um favor: antes de o Bispo abençoar o povo, peço-vos que rezeis ao Senhor para que me abençoe a mim; é a oração do povo, pedindo a Bênção para o seu Bispo. Façamos em silêncio esta oração vossa por mim.

Este tópico, concluo com as palavras de Marcello Semeraro, da Pontifícia Universidade Lateranense, atualmente Bispo da Diocese Suburbicária de Albano (Itália): "A noção de povo de Deus teve o mérito indubitável de ajudar os cristãos na autoconsciência renovada e amadurecida da Igreja no Vaticano II." (Povo de Deus, in Lexicon-Dicionário Teológico Enciclopédico, p. 603).

Igreja de Roma preside a todas as Igrejas na caridade. Onde está o Bispo, aí está a Igreja. O Bispo de Roma dado pelo Conclave é primus inter pares, ou seja, primeiro entre iguais (e iguais ou pares são todos os bispos da Igreja).

O Bispo de Roma preside (do latim, prae + sidere = sentar-se antes, em frente) todas as demais igrejas particulares (dioceses) espalhadas pelo mundo inteiro. A Cátedra Episcopal de Roma preside as demais cátedras episcopais.

Essa evocação de Francisco traz à realidade o príncipio da colegialidade episcopal também de muito apreço pelos Padres Conciliares do Vaticano II (cfr. Lumen Gentium, capítulo III, em especial ns. 22 e 23). Com isso, prevê-se maior e frutuoso intercâmbio entre o Bispo de Roma e os demais bispos, sob signo da caridade, envolvendo as conferências episcopais.

Ao encerrrar este tópico, trago as palavra de São Cipriano (210-258), Padre da Igreja: O episcopado é uno e indiviso... Uno é o episcopado do qual cada bispo possui simplesmente uma porção" (De catholicae Ecclesiae unitate, 4, M. Semeraro, Colegialidade, in Lexicon-Dicionário Teológico Enciclopédico, p. 112)).

Por ora, vou ficar nessas anotações sobre as novidades da saudação de Francisco, o Bispo de Roma.


Fonte da imagem:
http://www.webdiocesi.chiesacattolica.it/cci_new/s2magazine/index1.jsp?idPagina=19040

quarta-feira, 13 de março de 2013

Início da Semana Santa e do Tríduo Pascal do Ano C - Lucas (2012-2013)



A Semana Santa (também chamada a "Grande Semana" ou a "Semana da Salvação") inicia-se no dia 24 de março de 2013 (Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor) e encerra-se com as Vésperas do Domingo da Ressurreição do Senhor (31 de março de 2013).

O Tríduo Pascal da Paixão e Ressurreição do Senhor não faz parte do Tempo da Quaresma, mas compõe a Semana Santa.

O Tríduo Pascal começa com a celebração da Missa vespertina da Ceia do Senhor, na Quinta-Feira Santa (28/3/2013), e encerra-se, fechando a Semana Santa, com as Vésperas do Domingo da Ressurreição do Senhor (31/3/2013). 

Sobre as Vésperas do Domingo da Ressurreição do Senhor, a Instrução Geral sobre a Liturgia das Horas, na parte que aqui interessa, dispõe: "As Laudes do Domingo da Ressurreição são rezadas por todos. As Vésperas, convém celebrá-las em forma solene, para festejar a tarde deste dia sagrado e comemorar as aparições do Senhor aos seus discípulos. Onde existir, conserve-se religiosamente o costume tradicional de celebrar, no dia de Páscoa, as Vésperas batismais, com a procissão ao batistério acompanhada do canto dos salmos" (n. 213) - grifei.

Para o Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor (24/3/2013) a cor litúrgica é vermelha e toda a liturgia do próprio do tempo (ou seja, para este Domingo) está no Missal Romano (2ª edição típica, em uso no Brasil) às páginas 220 a 231.

Para Segunda, Terça e Quarta-Feiras da Semana Santa (25, 26 e 27/3/2013) a cor litúrgica é roxa e toda a liturgia do próprio do tempo está no Missal Romano às páginas 232 (Segunda-Feira), 233 (Terça-Feira) e 234 (Quarta-Feira).

Para a Quinta-Feira da Semana Santa (28/3/2013), há duas grandes celebrações. A primeira é na parte da manhã. O Bispo concelebra com o seu presbitério a Missa do Crisma. A cor litúrgica é roxa e a liturgia do próprio do tempo (Missa do Crisma) está no Missal Romano às páginas 235 a 246.

A segunda celebração vem ao cair da tarde dessa mesma Quinta-Feira Santa. Com a celebração da Missa vespertina da Ceia do Senhor começa o Tríduo Pascal. A cor litúrgica é branca e a liturgia do próprio do tempo (Missa vespertina da Ceia do Senhor) está no Missal Romano às páginas 247 a 253.

Para a Sexta-Feira da Semana Santa (29/3/2013) a cor litúrgica é vermelha e toda a liturgia do próprio do tempo está no Missal Romano às páginas 254 a 269. Nesta Sexta-Feira é dia de abstinência e jejum. Ao término da Celebração da Paxão do Senhor (que não é celebração de Missa), todos se retiram em silêncio e o altar é oportunamente desnudado.

Para o Sábado da Semana Santa (30/3/2013) a cor litúrgica é roxa. O Missal Romano (página 269) nada registra como próprio do tempo, isto é, neste dia, nenhuma celebração litúrgica há. No Sábado Santo, a Igreja permanece junto ao sepulcro do Senhor, meditando a sua Paixão e Morte. A Sagrada Comunhão só pode ser dada, se for como viático. O altar permanece desnudado.

Para a Vígilia Pascal (30/3/2013) a cor litúrgica é branca. A Vigília Pascal, que se celebra na noite santa deste Sábado, compõe-se de quatro partes.

Primeira parte começa com a Solene Celebração da Luz (benção do fogo e preparação do círio), Procissão e Proclamação da Páscoa. O próprio do tempo desta primeira parte está no Missal Romano, nas páginas 270 a 278.

Segunda parte compõe-se da Liturgia da Palavra, com sete leituras do Antigo Testamento e duas do Novo Testamento (Epístola e Evangelho). E começa com a exortação do sacerdote (padre) dirigida ao povo (rubrica n. 22 do Missal Romano, página 279). Por razões pastorais, pode-se diminuir o número de leituras do Antigo Testamento para três ou, em situações especiais, para duas, não podendo, porém, ser omitida a leitura do Livro do Êxodo, capítulo 14.

O próprio do tempo desta segunda parte está no Missal Romano, nas páginas 279 a 283.

As leituras e os salmos estão, como se sabe, no Lecionário Dominical. O Evangelho (Lc 24, 1-12) está no Evangeliário, ou, se a comunidade não tiver este livro, usa-se o Lecionário Dominical, onde também  está o Evangelho (Lc 24, 1-12).

Terceira parte compõe-se da Liturgia Batismal e começa com a exortação do sacerdote (padre) dirigida ao povo (uma das exortações previstas na rubrica n. 38 do Missal Romano, página 283).

O próprio do tempo desta terceira parte está contemplada no Missal Romano, nas páginas 283 a 290.

Quarta Parte compõe-se da Liturgia Eucarística, com a Oração sobre as Oferendas (rubrica n. 42 do Missal Romano, página 290), Prefácio da Páscoa I (rubrica n. 41 do Missal Romano, página 421) e Oração Eucarística I ou Cânon Romano (Missal Romano, páginas 469 a 476).

O Rito da Comunhão está nas páginas 500 a 504 do Missal Romano.

Ritos Finais estão na página 505 do Missal Romano.

A Benção Solene da Vigília Pascal e dia de Páscoa está nas páginas 522 a 523 do Missal Romano (rubrica n. 6).

Os seguintes livros litúrgicos fazem-se necessários: Missal Romano (No Brasil, a 2ª edição típica em vigor), Lecionários (Dominical e Ferial ou Semanal) e Evangeliário.

Para acompanhar a Semana Santa, incluindo evidentemente o Tríduo Pascal, recomendo a consulta ao Diretório da Liturgia - 2013, às páginas 76 a 84.

Por fim, sugiro a leitura do "Pequeno Manual para a Semana Santa" - do site Presbíteros, que considero muito bom e prático, cujo texto pode ser lido clicando aqui.



Feliz e Santa Páscoa do Senhor!


Leia mais:

Semana Santa: fonte de resistência e esperança, por Pe. João Batista Libânio

O tríduo pascal


Fonte da primeira imagem:
http://diocesedeuruacu.com.br/blogparoquianossasenhoraaparecidaestreladonorte/?p=779

Fonte da segunda imagem:
http://www.acaojose.com.br/especial_tempo_pascal.asp