domingo, 13 de setembro de 2015

Misericórdia - O agir do Pai: o agir dos filhos

A misericórdia de Deus é a sua responsabilidade por nós.
 (Papa Francisco)




Misericórdia é categoria bíblica muito realçada pelo Papa Francisco, própria do Deus da Bíblia, cuja visibilidade encarnada foi expressada nestes precisos termos na abertura da Bula Misericordiae Vultus - O rosto da misericórdia:
Jesus Cristo é o rosto da misericórdia do Pai.
A misericórdia é tão importante, norte do viver cristão, que mereceu ser objeto de um ano de graça, porque, como diz o Papa:
Há momentos em que somos chamados, de maneira ainda mais intensa, a fixar o olhar na misericórdia, para nos tornarmos nós mesmos sinal eficaz do agir do Pai (Misericordiae Vultus, n. 3)
Nessa linha de conscientização e ação, Francisco proclamou um Jubileu Extraordinário da Misericórdia. É um Ano Santo, que começa no dia 8 de dezembro de 2015, solenidade da Imaculada Conceição, e termina no dia 20 de dezembro de 2016, solenidade de Jesus Cristo, Rei do Universo.

A misericórdia dá concretude ao amor e ela constitui o modo do agir de Deus para conosco, como dá contas o Papa Francisco:
Na Sagrada Escritura, como se vê [refere-se, entre outras expressões da misericórdia divina, a parábolas ricas em misericórdia extraídos de Lucas e Mateus], a misericórdia é a palavra-chave para indicar o agir de Deus para conosco. Ele não Se limita a afirmar o seu amor, mas torna-o visível e palpável. Aliás, o amor nunca poderia ser uma palavra abstrata. Por sua própria natureza, é vida concreta: intenções, atitudes, comportamentos que se verificam na atividade de todos os dias. A misericórdia de Deus é a sua responsabilidade por nós. Ele sente-Se responsável, isto é, deseja o nosso bem e quer ver-nos felizes, cheios de alegria e serenos. E, em sintonia com isto, se deve orientar o amor misericordioso dos cristãos. Tal como ama o Pai, assim também amam os filhos. Tal como Ele é misericordioso, assim somos chamados também nós a ser misericordiosos uns para com os outros. (Misericordiae Vultus, n. 9).
Por tudo isso,
É o tempo de regresso ao essencial, para cuidar das fraquezas e das dificuldades dos nossos irmãos. (Misericordiae Vultus, n. 10)
Para enriquecer o tema, tomo a liberdade de reproduzir as palavras de Luís Alonso Schökel, SJ (1920-1998), sobre a misericórdia, extraídas do Vocabulário de Notas Temáticas que acompanha a Bíblia do Peregrino:
Misericórdia. A misericórdia divina é a qualidade quase predominante de Deus com relação ao homem; inclui os aspectos de compaixão, ternura, clemência, piedade, paciência, tolerância. A rigor, todo benefício de Deus ao homem tem caráter de misericórdia, pois não se baseia em direitos ou méritos humanos. Entra na definição de Deus (Ex 34,6; Sl 86,15; 103,8). Sua extensão é universal (Jonas); sua duração, eterna (Sl 136, com estribilho comum na liturgia). Motiva a prece e funda a confiança. Adia o castigo, mitiga-o e até mesmo o suspende, e triunfa libertando o necessitado. A misericórdia é o arco extremo que abrange todas as etapas históricas e estabelece a última: porque a misericórdia de Deus torna a conversão possível e a transformação do homem real. O homem deve ser misericordioso com seu próximo (Pr 3,27; 20,28; Eclo 40,17; Sb 12,19). NT: a) Jesus dá mostras constantes de misericórdia em sentimento e em obras: à multidão (Mc 6,34), aos doentes (Mt 14,14), à viúva (Lc 7,13); preocupa-se, compadece-se (Hb 4,15); assim se revela o perfil de seu Pai. b) Deus é rico em misericórdia (Ef 2,4, Cf. Ex 34,6), pela qual nos salva (Tt 3,5), nos regenera (1Pd 1,3); na parábola do filho pródigo (Lc 15,20), com os pagãos (Rm 15,9), o leva como título (2Cor 1,3); pelo que o homem deve imitá-lo (Lc 6,36). c) O cristão: tem uma bem-aventurança (Mt 5,7), o bom samaritano ((Lc 10,33), o mau administrador (Mt 18,33); sentimentos (Cl 3,12); vale mais que o sacrifício (Mt 9,13) e que as observâncias (Mt 23,23).
O Salmo 136 (135) a que recorre a Misericordiae Vultus (n. 7) não se cansa de reiterar a cada versículo essa qualidade que entra na definição de Deus (Luís Alonso Schökel), porque é eterna sua misericórdia.
Neste Jubileu, deixemo-nos surpreender por Deus. Ele nunca Se cansa de escancarar a porta do seu coração, para repetir que nos ama e deseja partilhar conosco a sua vida. (Misericordiae Vultus, n. 25).
Não se pode deixar de mencionar que a misericórdia divina foi muito cara a João Paulo II, que dedicou a ela a Carta Encíclica Dives in Misericordia sobre a Misericórdia Divina, onde o Papa diz: 
O amor misericordioso, é sobretudo indispensável entre aqueles que estão mais próximos: os cônjuges, os pais e os filhos e os amigos; e é de igual modo indispensável na educação e na pastoral. (Dives in Misericordia, n. 14.)
O Pontifício Conselho para Promoção da Nova Evangelização, responsável pela organização do evento, criou uma página oficial na internet sobre o Jubileu da Misericórdia, que pode ser acessada: http://www.iubilaeummisericordiae.va/content/gdm/pt.html

E há também o Jubileu da Misericórdia no Facebook:
https://www.facebook.com/IubilaeumMisericordiae.pt


Leia mais:

O Brasão do Papa Francisco

Significado do Jubileu da Misericórdia, por Cônego José Geraldo Vidigal de Carvalho


Fonte da imagem:
http://www.iubilaeummisericordiae.va/content/gdm/pt/giubileo/logo.html

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