sábado, 6 de dezembro de 2014

O Ciclo de Leituras da Torah na Sinagoga

Por acaso, não temos todos nós um único Pai? Por acaso, não foi um só o Deus que nos criou?


Acabo de ter em mãos o denso livro do Padre Fernando Gross - O Ciclo de Leituras da Torah na Sinagoga -, editado pela Distribuidora Loyola de Livros Ltda., com 1046 páginas.

O livro é apresentado por Dom Jacyr Francisco Braido, Bispo da Diocese de Santos, e prefaciado por Elio Passeto, nds, religioso da Congregação de Nossa Senhora de Sion, em Jerusalém.

Cuida-se, pelo seu conteúdo, de obra pouco comum em língua portuguesa. E deve-se ter em consideração a motivação que levou o autor a escrever o livro:

O objetivo principal deste estudo do Ciclo de Leituras da Torah na Sinagoga é de ser mais um instrumento e incentivo para conhecer melhor o grande Patrimônio Espiritual Comum aos cristãos e aos judeus. E, por isso, o título: "Para aumentar os laços de estima e amizade entre judeus e cristãos".

Não é livro para ser lido, de uma só vez, do começo ao fim, mas, para seu bom aproveitamento, deve ser lido por etapas. Ler de cada vez um tema, que equivale a uma porção semanal (Sêder ou Parashat) da Torá. Os judeus leem a porção semanal na Sinagoga, no dia de Sábado (Shabat).

Como as Escrituras Sagradas não eram, como o são hoje, divididas em capítulos e versículos, os judeus liam, e leem, a Torá por porções (digamos temas), seguindo-se a ordem dos livros que a compõem, de tal forma que, no período de um ano, ela é inteiramente proclamada, lida, estudada. 

Segundo a Enciclopédia Católica Popular:

Os livros da B. [Bíblia] en­contram-se dispostos, não por ordem cronológica da redacção, mas agrupados em categorias. Para facilitar a lo­ca­lização de cada passagem da B. os li­vros estão divididos em capítulos e ver­sículos. A divisão em capítulos apa­re­ceu em 1226, na Bíblia da Uni­ver­si­dade de Paris (por iniciativa de Langs­ton, chan­celer e depois arc. de Can­tuária); e, em versículos, no ano de 1551, numa ed. gr. do NT (por iniciativa de R. Es­tien­ne, impressor fran­cês); generalizando-se rapidamente apesar das suas imperfeições.

Como se vê, a divisão da Bíblia em capítulos aparece por volta de 1226 e, em versículos, ao redor de 1551. Hodiernamente, também a Torá está dividida em capítulos e versículos (cfr., por exemplo, Torá - A Lei de Moisés, tradução, explicações e comentários do rabino Meir Matzliah Melamed, Editora e Livraria Sêfer Ltda.).

Inicialmente, para o melhor aproveitamento da obra, o leitor deve consultar o Sumário do livro (páginas 5 e 6). Aí estão todas as porções semanais, além de outras leituras das festas judaicas (por exemplo, Chanucá, Purim, Pessach - Páscoa), com transliteração para o português, tudo antecedido pela indicação dos correspondentes livros da Bíblia (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio). Daí, situar e ler na Bíblia o livro sagrado e seus capítulos e versículos (por exemplo, livro do Gênesis - Gn 1, 1-6,8), para depois ler em O Ciclo de Leituras da Torah na Sinagoga os comentários correspondentes segundo a tradição judaica (páginas 45 a 62). E, assim, por diante.

Às páginas 40 a 43 do livro O Ciclo de Leituras da Torah na Sinagoga há, de forma bem didática, a distribuição das porções semanais e das leituras dos Profetas (Haftará), estas relacionadas àquelas.

O livro do Padre Fernando Gross é um instrumento não apenas de conhecimento e de formação, mas também de grande estímulo a crescente aproximação entre cristãos e judeus, pois ambos têm um único Pai Criador e Amoroso.


Fonte da imagem:
https://www.livrarialoyola.com.br/detalhes.asp?secao=livros&CodSub=1&ProductId=485964&Menu=1

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