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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Ano B - Evangelista Marcos



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PRIMEIRA CHAMADA – EXPLICAÇÃO SOBRE OS ANOS LITÚRGICOS. 

As celebrações dominicais são organizadas num ciclo de três anos, denominados anos A, B e C.

Cada ano litúrgico começa com as primeiras Vésperas do primeiro Domingo do Advento e termina no sábado que se segue ao último domingo do Tempo Comum - Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo -, com as primeiras Vésperas do primeiro Domingo do Advento do ano litúrgico seguinte. A Solenidade de Jesus Cristo, Rei do Universo, corresponde ao último domingo do ano litúrgico, mas não, como visto, ao último dia do ano litúrgico. 

Os três primeiros evangelhos, ditos sinóticos, são proclamados nesses três anos: o de São Mateus no ano A; o de São Marcos no ano B; e o de São Lucas no ano C.

E a pergunta: onde fica o evangelho de São João? O evangelho de São João funciona como um “curinga”, mas ele é proclamado sobretudo durante a Quaresma e o tempo pascal.

Estamos no ano B, que começou no 1º Domingo do Advento, em 27 novembro 2011, e terminará no sábado da 34ª semana do Tempo Comum (sábado seguinte ao Domingo da Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo), em 1º de dezembro de 2012, com as primeiras Vésperas do Primeiro Domingo do Advento do Ano C. 

O evangelista do ano B é São Marcos.


SEGUNDA CHAMADA – EVANGELISTA MARCOS OU JOÃO MARCOS. 

Marcos ou João Marcos era um discípulo que vivia em Jerusalém. Era primo de Barnabé, a quem auxiliou no apostolado.

Auxiliou também a São Paulo, a quem deu assistência quando esteve preso em Roma. 

Ajudou a São Pedro, de quem foi intérprete, e redigiu em Roma o ensinamento oral dele. 

A Marcos é atribuído o segundo Evangelho e, conforme o entender de críticos modernos, o chamado Evangelho segundo São Marcos foi escrito lá pelo fim da vida de São Pedro ou pouco depois de sua morte; portanto, por volta dos anos 60/70 d.C. E dirigido aos cristãos de Roma.



TERCEIRA CHAMADA – O EVANGELHO SEGUNDO MARCOS.

Evangelho quer dizer Boa Nova. 

Os três primeiros evangelhos são chamados sinóticos, quer dizer que, colocados lado a lado, em colunas paralelas, apresentam inúmeras semelhanças e podem ser abarcados “com um só olhar”. 

O Evangelho de Marcos é sinótico. É o mais antigo dos evangelhos canônicos (escritos aceitos como provindos do ensinamento e da autoridade dos apóstolos). Foi escrito em grego mais primitivo, considerado a versão escrita da catequese oral do apóstolo Pedro em Roma e destinado aos cristãos romanos (lembre-se que o povo de Roma falava à época a língua grega; a eucaristia era celebrada nessa língua). É o evangelho que tem menos idéias preconcebidas e é menos sistemático na sua construção. O estilo é seco, “mas impulsivo e de uma vivacidade popular cheia de encanto” (Bíblia de Jerusalém). 

O Evangelho de Marcos é considerado a base de elaboração dos evangelhos de Mateus e Lucas. Proclamar Marcos é reviver as palavras de Jesus na catequese de Pedro. Ler Marcos é apreender, na fonte ainda que sem refinamentos, os primeiros e profundos passos da “carreira dolorosa de Jesus que ele compreende e nos expõe à luz da fé, definitivamente robustecida pelo triunfo da Páscoa” (Bíblia de Jerusalém).


QUARTA CHAMADA – TESE ESSENCIAL DO EVANGELHO SEGUNDO MARCOS.

O Evangelho segundo Marcos insiste em explorar o tema a que se deu o nome de “segredo messiânico”, e o faz por gosto. Marcos não inventou o “segredo messiânico”, que corresponde a um posicionamento histórico de Jesus de Nazaré em ocultar das lideranças da época sua qualificação. 

Jesus não atribuiu a si o título de Messias. Preferiu título “mais humilde e misterioso”: o de “Filho do Homem” (Mc 2,10). Quando menos, proibia a divulgação de sua identificação, ou melhor, de quem ele realmente era, como se verá, em duas das muitas passagens a respeito. “Quem dizem os homens que eu sou?” (Mc 8,27). Essa pergunta feita por Jesus a seus discípulos a caminho dos povoados de Cesaréia de Felipe ressoa até hoje aos nossos ouvidos. A pergunta e a resposta de Pedro a igual questionamento guardam atualidade sem paralelo. Pedro respondeu: “Tu és o Cristo” (Mc 8,29). Jesus, porém, “proibiu-os severamente de falar a alguém a seu respeito” (Mc 8,29). Em outra passagem diz o Evangelho: “E ele curou muitos doentes de diversas enfermidades e expulsou muitos demônios. Não consentia, porém, que os demônios falassem, pois eles sabiam quem era ele.” (Mc 1, 34). 

Com essas explanações, estimula-se a leitura do Evangelho segundo Marcos e deve-se considerar que Jesus de Nazaré tinha motivos históricos para fazer segredo da sua qualificação messiânica ou crística, porque “vulgarmente se fazia do Messias uma idéia nacionalista e guerreira, muito diferente daquela que Jesus queria encarnar, ele precisava usar de muita prudência, pelo menos nas terras de Israel” (Bíblia de Jerusalém).


Leia mais:

Diretório da Liturgia - 2012

Tiempos Litúrgicos (em espanhol)

Ciclo litúrgico (espanhol)

Gráfico Año Litúrgico (espanhol)


Fonte da primeira imagem:
http://paroquiasantoagostinhorj.com.br/ano-liturgico


Fonte da segunda imagem:
http://www.cademeusanto.com.br/sao_marcos.htm

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Hoje nasceu o Salvador

Da boca do anjo, que aparece aos pastores, continua ressoando aos nossos ouvidos aquela mensagem fora do comum, misteriosa e única: "Não tenhais medo! Eu vos anuncio uma grande alegria, que será também a de todo o povo: hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós o Salvador, que é o Cristo Senhor!" (Lc 2, 10-11)

Depois do anúncio e dos louvores celestiais, Lucas descreve a posição dos pastores: "Quando os anjos se afastaram deles, para o céu, os pastores disseram uns aos outros: "Vamos a Belém, para ver a realização desta palavra que o Senhor nos deu a conhecer". Foram, pois, às pressas a Belém e encontraram Maria e José, e o recém-nascido deitado na manjedoura. Quando o viram, contaram as palavras que lhes tinham sido ditas a respeito do menino. Todos os que ouviram os pastores ficavam admirados com aquilo que contavam. Maria, porém, guardava todas estas coisas, meditando-as no seu coração. Os pastores retiraram-se, louvando e glorificando a Deus por tudo o que tinham visto e ouvido, de acordo com o que lhes tinha sido dito." (Lc 2, 15-20)

Foi o primeiro e único Natal, que se torna atual, presente, pela liturgia celebrada. E os pastores nos ensinam como celebrá-lo.

O Natal de Jesus não é um natal desprogramado. Não, ele foi anunciado e preparado ao longo da Antiga Aliança, e aí se destaca, entre tantas, a figura do profeta Isaías. Nos últimos tempos um chamado forte e contudente é feito pelo profeta João, o Batista.

Hoje, o Natal de Jesus continua sendo anunciado e preparado, e é feito ao longo de um período chamado de tempo do advento.

Hoje "nasceu para vós o Salvador, que é o Cristo Senhor!". O "hoje" é a atualidade. É como se dissesse: 'A cada dia nasce para vós o Salvador'. É o novo entrando na história. E nasceu não para si mesmo ou para a sua família, mas sim para todos: "para vós". O nascimento colhe a todos, em qualquer tempo, lugar ou situação. Na figura dos pastores podemos divisar não só o povo judeu mas também todos aqueles que, mesmo ocupados com os seus afazeres necessários do dia-a-dia, acolhem o Cristo como centro determinante de sua opção de vida.

"Vamos a Belém, para ver a realização desta palavra que o Senhor nos deu a conhecer". A Palavra, o Verbo de que fala o apóstolo João, agora se torna carne, ou seja, veste-se da natureza humana, para gestar em ventre de mulher (Maria), nascer em tempo e lugar determináveis, para viver pisando o mesmo solo de seus conterrâneos, morrer e ressuscitar. Aqui se faz uma leitura deste trecho ao plano da liturgia eucarística: ouvir e conhecer a Palavra é o primeiro e fundamental passo; em sequência, achegar-se da Palavra realizada, e ver com os olhos da fé.

Nesta noite, assim como os pastores, somos convocados a ir até Belém, e vamos hoje, com os nossos pés litúrgicos, para inteirar-se da Palavra que nos é dada a conhecer de forma privilegiada na liturgia, e ver a Palavra realizada sob as espécies do pão e do vinho. E dialogar, posto que os pastores, quando viram o Menino Jesus, contaram as palavras que lhes tinham sido ditas a respeito do menino.

Mas, o Natal de Jesus gera compromisso. A Novidade anunciada precisa ser multiplicada: "Todos os que ouviram os pastores ficavam admirados com aquilo que contavam". Admirados, e diante do Mistério, o homem se cala, silencia: "Maria, porém, guardava todas estas coisas, meditando-as no seu coração." Maria, mais do qualquer outro ser humano, fora tabernáculo do Verbo, que nesta noite se faz carne e habita entre nós.

E, por tudo, Deus há de ser louvado e glorificado na vida diária, motivando a tanto a mensagem do Papa Bento XVI: "O Menino, a quem, há dois mil anos, os pastores adoraram em uma gruta na noite de Belém, não se cansa de visitar-nos na vida cotidiana, enquanto como peregrinos nos encaminhamos para o Reino".


Feliz e Santo Natal!


Fonte da primeira imagem:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/especial/1753_caravaggio/page5.shtml

Fonte da segunda imagem:
http://www.franciscanos.org.br/carisma/cartilha/07.php

terça-feira, 22 de maio de 2007

Deus é Amor - "Deus Caritas Est"

A importância da Carta Encíclica Deus é Amor, de Bento XVI, datada de 25 de dezembro de 2005, pode ser medida pelas menções a ela feitas em quase todos os pronunciamentos do Papa, na sua visita ao Brasil.

Tais menções são notadas desde o primeiro pronunciamento, na chegada ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, no dia 9/5, até o discurso de abertura dos trabalhos da V Conferência do Episcopado Latino-Americano e Caribenho, em Aparecida (13/5).

No discurso de chegada, o Papa indicou o objetivo da visita: "venho para presidir, em Aparecida, a sessão de abertura da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e Caribenho". E o porquê dessa motivação é extraída da Encíclica: "A Igreja Católica - como coloquei em evidência na Encíclica Deus Caritas Est - 'transformada pela força do Espírito, é chamada a ser, no mundo, testemunha do amor do Pai, que quer fazer da humanidade uma única família, em seu Filho' (cf. 19)".

Outras menções: discurso proferido aos jovens no Estádio do Pacaembu, na noite do dia 10/5 (anoto: duas menções); homilia na Missa em que se canonizou Frei Galvão, celebrada no Campo de Marte, na manhã do dia 11/5; na homilia após a celebração das Vésperas com os bispos brasileiros, na Catedral da Sé, na tarde de 11/5 (anoto: duas menções).

E mais: homilia na missa celebrada na manhã do dia 13/5, em Aparecida, na abertura da V Conferência: "A vós também, que representais a Igreja na América Latina, tenho a alegria de entregar de novo idealmente a minha Encíclica Deus Caritas Est, com a qual quis indicar a todos o que é essencial na mensagem cristã".

Por fim: discurso de abertura dos trabalhos da V Conferência em Aparecida, na tarde de 13/5.

A Carta Encíclica Deus Caritas Est - Deus é Amor é composta de duas partes. A primeira é de índole discursiva; a segunda, de natureza prática. A introdução abre a Encíclica e a conclusão, que é um convite à santidade, a encerra.

A Encíclica não deixa de revelar o apreço que Bento XVI tem pelos escritos do apóstolo João. Com João, o Papa abre e encerra a Encíclica. Aliás, "Deus é Amor", que abre e dá título à Encíclica, é o melhor conceito que se tem de Deus. E essa definição é exatamente de João (1Jo 4,16).

Esse modo de dispor os assuntos, parece-me, ser o estilo de quem foi por muitos anos professor. Estilo didático, unindo teoria e prática.

Como se deduz da introdução, a Encíclica cuida da existência cristã fundada no amor de Deus. Nesse sentido, escreve o Papa: "(...) no mesmo versículo, João oferece-nos, por assim dizer, uma fórmula da existência cristã: "Nós conhecemos e cremos no amor que Deus nos tem".