Juan Javier Flores afirma que: "O século XX pode ser dividido, segundo uma visão histórico-litúrgica, em três grandes etapas: do movimento litúrgico à reforma (1909-1959); da reforma à renovação propriamente dita (1963-1990); desenvolvimento da espiritualidade litúrgica (a partir de 1990)"
[1]
O Concílio Vaticano II foi realizado entre os anos de 1963-1965. Em 4 de dezembro de 1963, o Concílio promulga a
Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium sobre a Sagrada Liturgia. É o primeiro documento do Concílio. Não foi difícil ser o primeiro, posto que seu conteúdo já estava amadurecido pela longa jornada do movimento litúrgico. Depois do término do Concílio em 1965, começou a implantação da reforma litúrgica, com adaptações, sujeita a atualizações quanto à parte mutável. Passado, como podemos dizer, o grosso da implantação litúrgica, desenvolve-se para um estágio seguinte: a espiritualidade litúrgica.
Liturgia e Vida Espiritual, cujo título original é
Liturgia y vida espiritual : Teología, celebración, experiencia (Centre de Pastoral Litúrgica, Barcelona, 2006), foi traduzido do espanhol para o português por Antonio Efro Feltrin. O livro é editado pela
Editora Paulinas, em São Paulo, e faz parte da Coleção
Liturgia Fundamental.
O livro, com 456 páginas, está dividido em três grandes partes. Parte I - A liturgia: fonte, ápice e escola de espiritualidade (páginas 13-124) desdobra-se nos capítulos I, II, III e IV. Cada capítulo se encerra com bibliografia. E uma conclusão fecha a primeira parte, seguida de bibliografia. Parte II - Grandes temas de uma teologia espiritual litúrgica (páginas 125-340) desdobra-se nos capítulos V, VI, VII, VIII, IX e X, encerrando-se com respectiva bibliografia. Parte III - Grandes temas de espiritualidade em chave litúrgica (páginas 341-447) desdobra-se nos capítulos XI, XII, XIII e XIV e também aqui cada capítulo se encerra com bibliografia. E esta terceira parte é fechada por Conclusão: Por uma liturgia viva. E, por fim, uma bibliografia geral (páginas 448-455).
A vida espiritual é a "vida da pessoa humana, guiada pela parte mais nobre de si mesma: o espírito (nous). No sentido mais estritamente cristão, é a vida "no Espírito" (pneuma); nela o Espírito torna-se princípio vital da existência da pessoa redimida ("todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus": Rm 8,14). A vida espiritual é a vida no Espírito e segundo o Espírito" (página 31).

A primeira parte é a chave para a abertura às partes seguintes. É uma conclamação a
Celebrar e viver no Espírito Santo. O autor afirma: "O caminho da autenticidade da experiência litúrgica encontra-se na dimensão "espiritual" que não é um adjetivo sem apoio, mas uma referência necessária ao Espírito Santo no qual se deve celebrar e viver, com o qual, de alguma maneira, somos chamados a concelebrar" (página 107).
E ainda: "Por um lado, a espiritualidade cristã não pode ignorar sua dimensão social de testemunho e compromisso, com as ênfases especiais que este conceito pode ter segundo as circunstâncias sociais e políticas especiais de cada ambiente. Falar-se-á, então, de imersão no mundo, de testemunho cristão, de exigências de justiça social, de compromisso de libertação..." (página 415).
Na liturgia, mormente na celebração da Eucaristia, está inerente o compromisso ético: "Se até algumas décadas atrás a Igreja era vista como uma comunidade que se reunia em torno do altar para celebrar a Eucaristia, hoje completamos sua visão, falando de uma Igreja que do altar se volta para o mundo, portadora das energias do Ressuscitado e de seu Espírito para ser, na sociedade, fermento de fraternidade e de justiça universal" (página 416).

A espiritualidade mariana está presente no livro do autor. No dia 16 de julho de 2005, Festa de Nossa Senhora do Carmo, o Padre Jesús Castellano prefaciava (introdução) em Roma o seu livro em tela:
Liturgia e Vida Espiritual: Teologia, celebração, experiência. E o capítulo VIII da parte II do livro foi todo dedicado à Maria sob o enfoque:
A presença da Virgem Maria: comunhão e exemplaridade (páginas 263-282).
O sugestivo título do livro está a lembrar-nos que o autor, pela graça de Deus, vive a plena liturgia na plenitude da vida espiritual, na Trindade Celeste, em companhia de Maria.
Leia mais:
Ha muerto el padre Jesús Castellano Cervera ocd. "paseando a la eternidade" (em espanhol)
La Pontificia Facoltà del Teresianum ricorda con profondo dolore lo stimato professore (em italiano)
[1] Introdução à Teologia Litúrgica, tradução de Antonio Efro Feltrin, São Paulo, Editora Paulinas, 2006, p. 397.Fonte da primeira imagem:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u70087.shtml
Fonte da segunda imagem:
http://www.paulinas.org.br/loja/DetalheProduto.aspx?IDProduto=8386
Fonte da terceira imagem:
http://www.teresianum.org/italiano/pjesus/pjesus.htm
Fonte da quarta imagem:
http://sede-de-deus.blogspot.com/2007/07/terra-frtil.html