Dom Clemente José Carlos Isnard, OSB, recebeu a ordenação episcopal em 25 de julho de 1960 e dois anos depois já participou do
Concílio Ecumênico Vaticano II (1962-1965), desde a abertura até o seu encerramento. É uma das poucas testemunhas vivas que, como bispo, participou do Concílio Ecumênico Vaticano II.
Toda essa experiência pastoral credencia Dom Clemente Isnard, aos noventa anos de idade, a tratar de temas sempre recorrentes entre aqueles que pensam a Igreja, renovada, a partir do Concílio Vaticano II. Satisfeitos estavam os padres conciliares, como se lê desta passagem do mencionado livro "Reflexões de um Bispo...": "Vê-se que Paulo VI no dia 8 de dezembro de 1965 estava plenamente satisfeito com os resultados do Concílio. E eu também. Parecia-me que se tinha feito tanta coisa que nada tinha sobrado por fazer" (pág. 24).
O Concílio Vaticano II foi esse grande acontecimento do Século XX, portador de esperança, de abertura e de liberdade na Igreja e para o mundo. Eis as expressões recorrentes para a dinâmica do Concílio:
aggiornamento e
retorno às fontes. E aqui me reporto, para a explicitação da aplicação desses termos ao espírito do Concílio, ao artigo "
40 Anos do Concílio Vaticano II", de autoria de
Dom João Wilk,
OFMConv, Bispo Diocesano da
Diocese de Anápolis, Goiás.
O pequeno livro "Reflexões de um Bispo..." focaliza temas considerados delicados, mas que devem ser pensados e repensados por cristãos maduros. E o Bispo Dom Clemente Isnard convoca: "Todo católico apostólico romano deve trazer sua modesta colaboração para o bem da Igreja, seguindo
João XXIII, Paulo VI e os bispos do Concílio Vaticano II. Sem medo e sem hesitação" (pág. 4).
O fim é o "bem da Igreja". E, a meu ver, deve-se entender Igreja enquanto Povo de Deus, nos caminhos do Papa João XXIII, que convocou o Concílio Ecumênico Vaticano II, do Papa Paulo VI, que deu seguimento ao Concílio, o encerrou e que iniciou a sua colocação em prática. E como não poderia deixar de ser: dos Bispos do Concílio. E acrescento: obviamente, de todos os documentos discutidos e aprovados nas várias sessões do Concílio.
Em seu livro, Dom Clemente José Carlos Isnard, OSB, focaliza, entre outros, temas como:
. A importância da participação popular nas nomeações episcopais.
. O Celibato Sacerdotal.
. As ordenações femininas.
Por derradeiro, as palavras de Dom Clemente Isnard:
"Terminada a redação desse opúsculo, falei de seu conteúdo ao abade do Mosteiro. Ele não leu o livro, mas por ouvir falar de algo nele abordado, julgou de seu dever me prevenir de que essa publicação iria me trazer muitos sofrimentos, e até respingos sobre ele e o mosteiro" (pág. 37).

E, após questionar Que sofrimentos seriam esses?, o próprio bispo emérito Dom Clemente Isnard continua:
"Tenho certeza de que nesse opúsculo não há nada contra a fé católica. Pelo contrário, penso que embora ele arrisque para mim alguma contestação do superior (só tenho um superior que é o papa), enfrentarei isso com tranqüila consciência.
Caso eu optasse agora pela minha tranqüilidade, pela velhice com honra e consideração, eu estaria traindo minha vocação, a vocação que me trouxe ao mosteiro, que me fez amar a Igreja a ponto de renunciar a tudo por ela. Estaria sendo covarde" (pág. 37).
Leia mais:
Fonte da primeira imagem:
http://www.olhodagua.com.br/detalhes.php?sid=20190133928052008234349&prod=177&kb=1025
Fonte da segunda imagem:
http://calvariano.uniblog.com.br/247667/aniversario-de-dom-clemente-isnard.html